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A Estrada

janeiro 4, 2017

the_road_movie_poster_by_karezoidNOTA: 3,5

Se tem uma coisa que não suporto em qualquer filme é a imbecilização de personagens. Crianças muito pequenas que se comportam como adultos – e trazem questões completamente fora de contexto para a trama, como no terrível A Culpa é do Fidel –, crianças maiores (de 8-10 anos) que são retratadas como incapazes, e até mesmo de adultos capazes que são infantilizados e reduzidos a um espectro deprimente (como no chatinho Minhas Tardes com Margueritte).

O caso de A Estrada é o segundo. Mas já chego lá. O filme se passa em um mundo pós-apocalíptico, retratado basicamente em tons de cinza (em contraste óbvio com o passado feliz e de cores quentes), completamente devastado, sem árvores ou animais. Os únicos que restam são grupos de homens que tentam sobreviver e outros grupos de homens que sobrevivem à custa destes, perseguindo-os e devorando-os. Então temos o Homem que, tendo perdido tudo, tenta proteger o Menino dos horrores desse cenário.

Retratado como uma espécie de road movie – já que os personagens estão sempre se movendo, buscando o litoral –, A Estrada nos mostra toda a sujeira, tristeza, fome e sede que esse tipo de mundo pode trazer. A eterna busca por comida, a eterna fuga de pessoas que podem fazê-los algum mal. Bem, para quem assiste a qualquer série sobre zumbis, esses temas são já batidos. The Walking Dead faz um trabalho fenomenal em retratar a crueza desse universo, no qual o principal problema são sempre os homens (vivos).

Apesar de apresentar o que seria um pai tentar proteger seu filho pequeno de maneira tão selvagem, o filme falha de maneira estrepitosa ao colocar um menino que é claramente mais velho do que o roteiro precisava que ele fosse. Portanto, vemos o Pai (por sinal, um excelente Viggo Mortensen, como de costume) arrastando, jogando e literalmente carregando o moleque por praticamente toda a projeção.

Este, por sua vez, nascido depois da catástrofe – e, pensamos, muito mais capaz de se adaptar ao mundo novo do que seu velho pai –, é posto como um menino frágil, tão frágil que não é capaz de salvar a própria vida quando se vê em perigo. Tão frágil que não consegue aceitar que as atitudes violentas que o Pai tem são unicamente porque ele os está protegendo, evitando que sejam mortos, comidos, queimados, enfim. Tão frágil que é capaz de se iludir com a “boa natureza humana”, quando tudo que jamais conheceu foi o horror e a carnificina.

Em certo momento, o menino implora para que o pai, atingido por uma flecha, não mate o atirador. Completamente inverossímil quando se trata das relações em um mundo pós-apocalíptico, A Estrada é decepcionante. Colocando o garoto numa posição de vulnerabilidade forçada, parece que a única intenção da projeção é arrancar lágrimas com a inocência infantil do menino. Que, nota-se, não é um garotinho de cinco anos, mas um menino de dez, que deveria ser capaz de segurar uma arma quando seu Pai, o único protetor que ele tem, assim pede.

Inverossímil até mesmo ao retratar as crianças – e nesse ponto estou totalmente de acordo com o filósofo Thomas Hobbes –, o filme de John Hillcoat falha em entender que elas são as primeiras a pegar as regras do jogo e a atuar de acordo com ele (e quem assistiu ao episódio do esconderijo das mulheres nesta temporada de The Walking Dead, se lembrará da menininha impiedosa que quase comete um assassinato injusto, simplesmente porque aquele era o costume da tribo). Claro, existe uma inocência infantil que sempre estará lá, não importa quão terrível seja o presente. Mas limitar a capacidade do menino de reagir, como se ele tivesse qualquer problema que não a idade, é um absurdo.

Como se isso não fosse suficiente, o filme também coloca situações completamente risíveis, nas quais se destrói por completo tudo que vínhamos construindo até então (e que já não era muito). Em determinado momento, o pai pega uma lata de Coca-Cola (claramente visível) de uma geladeira velha e dá ao garoto. Ele a abre, com o famosos “tsss” gasoso, bebe e diz “é realmente bom”, oferecendo-a ao pai. Você poderia pensar que é uma propaganda, mas é só mais uma cena. Juro que faltou só o urso polar.

E há mais dessas cenas, infelizmente. Talvez a pior de todas (depois da propaganda da Coca), talvez seja justamente a final, aquela que poderia melhorar um pouco a situação, mas tampouco consegue. O roteiro cheio de buracos de Joe Penhall é tão piegas que faria chorar somente aos Clint Eastwoods da Academia. Me limito a dizer que é tudo conveniente demais para ser aceitável. Um filme que deveria ser cru e dolorido como Biutiful, acabou se transformando em uma maquininha sentimentalóide – e não há nada mais frustrante em uma produção do que a crença de que o espectador é que é o imbecil.

Título Original: The Road
Direção: John Hillcoat
Gênero: Aventura, drama
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Joe Penhall
Trilha Sonora: Nick Cave
Fotografia: Javier Aguirresarobe
Tempo de Duração: 111 minutos
Com: Viggo Mortensen (Homem), Kodi Smith-McPhee (Menino), Charlize Theron (Mulher), Robert Duvall (cego), Guy Pearce (veterano), Michael Kenneth-William (ladrão).

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Rogue One: Uma História Star Wars

dezembro 22, 2016

ysos4yfgbut5v2uvrqdh6wNOTA: 8,5

Quem espera “mais uma história” sobre o universo de Star Wars será surpreendido antes mesmo de o filme começar. Acostumada a escutar a tão característica fanfarra da 20th Century Fox e a trilha sonora marcante de John Williams que dava abertura à saga, foi com certa surpresa que iniciei a sessão desta nova produção do diretor Gareth Edwards. Pulando até mesmo o icônico letreiro que introduzia a estória, Rogue One: Uma História Star Wars já se estabelece como um ponto fora da curva antes mesmo de sua primeira cena.

Servindo ao mesmo tempo como elo e redenção do Episódio IV, Rogue One também tem como temática a esperança. Acompanhamos a história de personagens totalmente diferentes dos vistos no Episódio VII – O Despertar da Força. Conhecemos Galen Erson (o sempre maravilhoso Madds Mikelsen), um engenheiro do Império Galático e responsável por uma superarma. Quando o império aparece na porta de sua casa para “reclamar” o pai de volta ao trabalho, ele urge para que Jyn, sua filha, fuja e se esconda.

Resgatada e criada por um companheiro de Galen – coisa que ficamos sabendo por uma breve explicação mais adiante, já que não vemos isso acontecer –, Jyn se torna uma moça fria e independente que apenas tenta sobreviver, sem se importar com a guerra lá fora (“é só não olhar para cima”, diz ela em certo momento). Presa pelas forças imperiais, ela é resgatada pela Aliança Rebelde, já que esta precisa de sua ajuda para chegar ao homem que a salvou quando criança: Saw Guerrera, um extremista que não vê amigos no Império ou na Aliança, e luta por conta própria com seus guerrilheiros na cidade-templo de Jheda. Sua importância logo fica clara: Guerrera recebeu uma mensagem secreta enviada por Galen (que Jyn acreditava estar morto) através do piloto desertor do Império, Bhodi Rook (em uma ótima atuação de Riz Ahmed).

Ao mesmo tempo, acompanhamos a trajetória do capitão Cassian Andor, um rapaz que viveu toda sua vida em prol da Rebelião – como ele mesmo menciona algumas vezes. Quando Cassian descobre, por meio da misteriosa mensagem de Galen, que há uma maneira de destruir a tal arma, um pequeno grupo decide ir, a contragosto do Conselho, atrás dos planos da arma, escondidos em Scarif. Ao lado de personagens secundários eficazes – o monge cego Chirrut Îmwe e seu companheiro Baze Malbus, e o dróide imperial reprogramado a favor “da causa”, K-2SO – os heróis devem se infiltrar no território inimigo e retransmitir os planos de lá.

Misturando com naturalidade cenas de ação intensa com diálogos explicativos – e que não soam expositivos –, Rogue One se mostra muito mais eficiente do que o precedente. Além de ter um objetivo mais claro, o longa não se perde em teorias. A experiência se torna ainda mais rica quando observamos a reconstrução exata daquele universo concebido no fim dos anos 70, com seus aparelhos analógicos, tecnologia limitada e imagens com aspecto antigo. É sabido, inclusive, que algumas cenas deletadas do Ep. IV foram usadas aqui (algumas dos pilotos e dentro da cidade, que no filme de 77 corresponderiam a Tattooine).

Edwards mostra domínio sobre o universo e sua franquia, não só passando por vários planetas e luas que não participavam da “história principal” da família Skywalker mas, também, dando constantes piscadelas para o espectador, espalhando easter eggs dos mais variados em diferentes momentos (e que são muito divertidos quando descobertos. Meus favoritos são o holograma da dançarina e o suco azul). Também é interessante ver como a Força é utilizada aqui como motivo religioso, uma vez que nenhum dos personagens é de fato um Jedi. Assim, Chirrut e Baze constroem um arco interessante a respeito da fé na Força.

E se Diego Luna se mostra confiante no personagem, trazendo dores de um passado que não é mostrado, Felicity Jones parece sempre um pouco apática, embora seja compreensível, já que a própria Jyn era, a princípio, apática com relação à rebelião. Forest Whitaker, embora breve, marca presença com seu Saw Guerrera, e John Mendelsohn traz características marcantes ao vilão Orson Krennic. Uma boa surpresa é Alan Tudyk como a voz de K-2SO, sempre sarcástico e estranhamente humano para um robô imperial – cujo estranhamento é proposital e ainda mais divertido.

É necessário dizer, no entanto, que um dos pontos mais estranhos de Rogue One são as aparições de dois personagens “impossíveis”: sobre um não direi, pois é spoiler. O outro é Grand Moff Tarkin, “interpretado” por Peter Cushing. Devo colocar entre aspas pois Cushing faleceu em 1994, e o CGI que se emprega para trazê-lo de volta é tão escancarado que nos desconcentra por completo. Por mais interessantes que sejam suas aparições e seus personagens, o CGI fica demasiado óbvio quando colocado ao lado de pessoas reais. E em uma das cenas com Krennic, é possível contrastar a testa brilhante e colorida deste com a pele opaca e sem vida de Tarkin.

A fotografia de Greig Fraser, que mistura tons vibrantes com uma atmosfera sombria, é excelente, e eu me surpreenderia se não fosse indicada ao Oscar. Há um momento, entre vários, no qual vemos um personagem à contraluz, esperando para ser recebido por um superior, e podemos ver claramente essa dualidade de luz e sombras. As paisagens são construídas com muita eficácia, e ver a superarma em ação é assustador (além de belo, já que sua explosão é massiva e se espalha como um cogumelo de bomba atômica, uma onda de fogo e fumaça), dando ainda mais urgência e realismo à missão da Aliança Rebelde.

Embora se passe em um mundo fictício e em uma época não-existente na História, Rogue One consegue traçar paralelos extremamente atuais: em uma cena, em particular, vemos guerreiros terroristas (com roupas que lembravam os islâmicos) e um grupo de soldados imperiais (os Stormtroopers) atacando-se em meio a uma área civil, com pessoas correndo e gritando. É impossível não pensar em Aleppo.

A importância da causa é tamanha que até mesmo a cética Jyn se une a ela – mesmo que, lá no fundo, fosse para reencontrar-se com seu pai. A missão de entregar os planos da arma para os membros do conselho era tão importante que entendemos o desespero no qual os rebeldes, ao verem a aproximação dos inimigos, saem em carreira desabalada a fim de salvaguardar o que era de mais importante, muito mais do que suas próprias vidas.

Ainda que a última cena seja um pouco absurda – aquele personagem teoricamente estava em missão diplomática no começo do Ep. IV, e não faz sentido que estivesse ali, na frente da batalha – Rogue One é um filme redondo, que faz com que nos importemos com aqueles personagens, mesmo que seus começos e fins nunca mais sejam mais explorados no Cinema.

Título Original: Rogue One
Direção: Gareth Edwards
Gênero: Ação, aventura, sci-fi
Ano de Lançamento (EUA): 2016
Roteiro: Chris Weitz e Tony Gilroy, baseados em personagens criados por George Lucas
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Fotografia: Greig Fraser
Tempo de Duração: 134 minutos
Com: Felicity Jones (Jyn Erso), Diego Luna (Cassian Andor), Alan Tudyk (K-2SO), Donnie Yen (Chirrut Îmwe), Wen Jiang (Baze Malbus), Ben Mendelsohn (Orson Krennic), Forest Whitaker (Saw Guerrera), Riz Ahmed (Bhodi Rook), Madds Mikkelsen (Galen Erso), Jimmy Smits (Bail Organa), James Earl Jones (Darth Vader), Valene Kane (Lyra Erso).

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Kubo e a Espada Mágica

novembro 13, 2016

kubo-and-the-two-strings-poster-the-garden-of-eyesNOTA: 8,5

A produtora de animações Laika, fundada em 2005, não é das mais conhecidas por aqui. Claro que, se falamos dos longas ParaNorman, Boxtrolls e Coraline, ninguém se lembra de que foi dali que saíram. Mas isso perde importância a partir do momento que diretores e roteiristas consigam contar boas histórias. E assim foi com Coraline (o único que assisti da lista), e assim é, também, com este Kubo e a Espada Mágica.

A começar, é preciso dizer que, assim como Coraline (e A Fuga das Galinhas, Wallace & Gromit, O Fantástico Sr. Raposo e A Noiva Cadáver), o filme é todo feito em stop motion, a antiga técnica de construir bonecos e fotografá-los quadro a quadro para depois juntá-los, dando a ideia de movimento. E essa técnica dá ainda mais créditos ao filme, como irei dizer mais abaixo.

A história de Kubo é situada no Japão medieval, quando o país ainda era território de imperadores e samurais e, claro, de intermináveis disputas. Assim, encontramos a mãe de Kubo em uma tempestade em alto-mar, carregando seu pequeno bebê – cujo olho esquerdo havia sido roubado – e uma guitarra mágica. Ela salva o Kubo e leva-o para viver escondido em uma caverna em um penhasco, próximo a uma aldeia.

Lá Kubo cuida dela e faz performances inacreditáveis no vilarejo munido apenas da guitarra mágica e origamis de papel. Com melodias simples, Kubo, por meio da mágica herdada de sua mãe, faz com que as dobraduras ganhem vida e “atuem” nas histórias que ele conta. Essas histórias são pedaços da vida passada de Hanzo, grande herói e pai de Kubo, que ele jamais conheceu.

A única regra para o garoto é não estar fora da caverna quando o sol se põe, pois o maligno Rei da Lua quer roubar seu olho remanescente. A história se desenrola quando Kubo é descoberto pelo Rei da Lua e suas filhas gêmeas e, com a ajuda de um Macaco e um Homem-Besouro, deve encontrar uma lendária armadura que possa derrotar a todos.

Com um enredo simples de herói-que-se-encontra (escrito por Marc Haimes e Chris Butler), Kubo e a Espada Mágica enche os olhos com a fotografia de Frank Passingham e os efeitos especiais, tornando a experiência com a guitarra mágica (e seus origamis) ainda mais interessante. Reparem, por exemplo, na cor das mãos dos personagens, especialmente o de um vendedor de peixes logo no início da projeção.

E por falar neles, à parte de Kubo, as demais pessoas no longa são bastante unidimensionais, e confesso que fiquei incomodada com o fato de que duas delas saíram de cena tão drasticamente (e ao mesmo tempo). Mesmo Kubo, apesar de estar em perigo e ter medo, nunca se mostra tão assustado ou surpreso, o que tira um pouco o brilho para nós. Também senti falta de um maior desenvolvimento dos desejos do vilão, e o porquê a obsessão com os olhos do menino, e não com sua mágica. Além disso, apesar de viver aventuras perigosas, tudo se resolve de maneira excessivamente fácil.

(Spoilers). Não me convence, por exemplo, que Kubo tenha encontrado a armadura tão facilmente, já que seu pai passou grande parte da vida buscando os fragmentos. Foi só o fato do origami tê-lo ajudado? Pois o homem-besouro e o macaco tampouco sabiam onde estavam os pedaços, e o papel deles na busca foi apenas de manter Kubo vivo. Tampouco se explica a transformação de um personagem importante no Macaco. Quero dizer: porque não escapar voando, como Kubo? Por que dar vida ao Macaco, se era o mesmo personagem? Enfim, algumas coisas ficaram no ar.

Mas Kubo tem seus méritos. Como a mágica é usada no filme me agradou muito, bem como alguns conceitos belíssimos (as lanternas que se transformam em pássaros ou o barco-folha). A trilha sonora não é digna de nota, mas já mencionei o quanto a fotografia é bonita? Por fim, assistam até o fim dos créditos, pois os realizadores tiveram a ideia de mostrar como foi a construção de um dos monstros e como ele foi manuseado/digitalizado. Muito interessante.

Ah, e apenas deixando bem claro: é uma GUITARRA, não uma espada mágica – como a tradução em português erroneamente coloca (no original, é Kubo and the Two Strings, ou seja, “as cordas mágicas”, o que faz muito mais sentido).

Título Original: Kubo and the Two Strings
Direção: Travis Knight
Gênero: Animação, aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2016
Roteiro: Marc Haimes e Chris Butler
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Fotografia: Frank Passingham
Tempo de Duração: 101 minutos
Com: Art Parkinson (Kubo), Charlize Theron (Macaco), Matthew McConaughey (Besouro), Rooney Mara (Irmãs Gêmeas) e Ralph Fiennes (Rei da Lua).

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X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

fevereiro 22, 2016

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Revisitando o mundo criado por Matthew Vaughn em X-Men: Primeira Classe – e que já havia sido explorado na trilogia sobre os mutantes –, o diretor Bryan Singer novamente pega a batuta do projeto para dar continuidade à história de Erik Lensherr e Charles Xavier em seu recrutamento de jovens com mutações genéticas.

No entanto, Dias de Um Futuro Esquecido funciona como continuação e prequela dos longas originais, já que traz os atores também originais nos papeis de Magneto e Xavier (Ian McKellen e Patrick Stewart, respectivamente). A narrativa está situada em um futuro pós-apocalíptico, no qual os mutantes lutam pela sobrevivência em um mundo que não permite sua existência. Eles são cassados e exterminados pelas aterrorizantes Sentinelas, espécie de robôs ultramodernos capazes de detectar a presença dos mutantes e absorver os poderes de seus inimigos.

Uma improvável união entre os senhores Magneto e Xavier – então desesperados para salvar os mutantes que ainda resistem –, usa os poderes de Kitty Pride para enviar Wolverine ao passado para impedir que a então jovem Mística assassine o empresário Bolivar Trask – cuja morte incentivaria a criação das Sentinelas.

Para conseguir, Wolverine deve encontrar as versões jovens de Magneto e Xavier, protagonizadas, como antes, por Michael Fassbender e James McAvoy. Retornando, portanto, aos incidentes ocorridos após Primeira Classe, encontramos a equipe de Xavier dispersa, tentando lidar com as próprias mutações, usando soros e tomando medidas para que parecessem “normais”.

Sem jamais deixar que o público se sinta traído por trazer novamente figuras como a de Tempestade, o roteiro de Simon Kinberg é astuto o suficiente para também introduzir personagens novos (como Mercúrio) e de conduzir a história de maneira eficaz. Assim, conforme o clímax da trama se aproxima, vemos os personagens do passado lidando com versões diferentes de seus inimigos do futuro, o que aumenta nossa sensação de urgência.

Contando com cenas de ação de tirar o fôlego, os personagens se movem em câmera de maneira fluida: nenhuma cena dá dor de cabeça, e sempre sabemos quem está fazendo o quê. Singer também confere personalidade a cada herói, mostrando, nas batalhas do futuro, uma química especial entre aqueles sobreviventes, já que a agilidade com que lutam e a mescla de poderes nos faz supor que aqueles personagens já travaram centenas de batalhas contra as Sentinelas – e perderam todas.

A fotografia de Newton Thomas Sigel – cujo ápice é o estádio de futebol “fora de lugar” – também merece destaque, bem como o senso de humor. Com gags pontuais que diluem momentaneamente a tensão, o riso é provocado por acrescentar detalhes não-humanos a fatos reais, como a bala curva que matou Kennedy e até mesmo a já famosa cena em “stop-motion” de Mercúrio.

Ao mesmo tempo, o filme conta com um elenco de peso, que sempre encontra uma brecha para explorar novas facetas de seus já tão conhecidos personagens – especialmente Hugh Jackman, que aparece mais do que familiarizado com Wolverine, mas nunca a ponto de ser monótono. Ao mesmo tempo em que contrastamos a magnitude das Sentinelas, que deixam Magneto e Xavier vulneráveis e até mesmo frágeis, encontramos esses mesmos personagens em suas versões jovens e infinitamente poderosos. Se o Xavier de McAvoy consegue encontrar e levar equilíbrio aos demais, o Magneto de Fassbender é imprevisível, explosivo e ameaçador.

O elenco coadjuvante, composto por Jennifer Lawrence como Mística e o ótimo Peter Dinklage como Trask, colaboram para trazer peso emocional e profundidade aos respectivos personagens, levando-nos a realmente acreditar que, por mais absurda que sejam as ações daquelas pessoas, há sempre uma razão ou um conflito interno que os guiam.

Assim, o longa de Singer se firma como um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos, superando a Marvel em todos os quesitos, e até mesmo algumas produções do ano de seu lançamento. Servindo também como gatilho para o último filme da trilogia, Dias de Um Futuro Esquecido dificilmente o será, com o perdão do trocadilho.

Título Original: X-Men: Days of Future Past
Direção: Bryan Singer
Gênero: Ação, aventura, ficção-científica
Ano de Lançamento (EUA): 2014
Roteiro: Simon Kinberg
Trilha Sonora: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Tempo de Duração: 132 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), James McAvoy (Charles Xavier jovem), Michael Fassbender (Erik Lensherr/Magneto jovem), Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística), Halle Berry (Tempestade), Nicholas Hoult (Dr. Hank McCoy/Fera), Anna Paquin (Vampira), Ellen Page (Kitty Pride), Peter Dinklage (Dr. Bolivar Trask), Shawn Ashmore (Bobby/Homem de Gelo), Omar Sy (Bispo), Evan Peters (Peter/Mercúrio), Josh Helman (Major Bill Stryker), Daniel Cudmore (Colosso), Bingbing Fan (Blink), Adan Canto (Sunspot), Booboo Stewart (Warpath), Ian McKellen (Magneto velho), Patrick Stewart (Charles Xavier velho), Famke Janssen (Jean Grey), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Lucas Till (Havok), Evan Jonigkeit (Toad).

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Frozen

fevereiro 19, 2016

frozen-poster1NOTA: 8

Embora não seja um filme novo, uma das últimas animações de princesas dos estúdios Disney continua dando o que falar tanto entre o público adulto – que adota o cenário para criar festas infantis, fantasias etc – quanto pelos pequenos que recebem as sugestões dos pais, vestindo-se como as princesas Elsa e Anna, e comprando toneladas de produtos. Sendo ainda hoje um enorme sucesso, Frozen conquistou o coração de gerações de entusiastas das animações.

Por que isso acontece? Por que as irmãs princesas da Noruega (suponho) cativam de tal maneira o público em geral? Bem, além de ser um digno filme de princesas, com sidekicks engraçadinhos e canções pegajosas, a razão está no próprio conceito do filme. O roteiro de Jennifer Lee, Chris Buck e Shane Morris – baseados no conto “A Rainha da Neve”, de Hans Christian Andersen – conta a história das irmãs princesas de Arendelle que, quando pequenas, adoravam se divertir com os poderes da mais velha, Elsa, capaz de criar gelo e neve.

Um pequeno acidente com Anna faz com que os reis e pais das meninas precisem tomar medidas drásticas: eles curam-na com o poder dos trolls de pedra, que retiram de sua mente as memórias sobre os poderes de Elsa. Esta, tendo que esconder até mesmo da irmã seus perigosos poderes, com medo de feri-la, fecha-se em seu quarto durante anos (ou isso parece) e afasta a amizade de Anna. Quando os pais das princesas morrem em um naufrágio, Elsa se prepara para ser a nova rainha de Arendelle.

A festa da coroação é um momento de alegria para Anna, que não recebia público no castelo desde quando podia se lembrar. Já Elsa, preocupada com a crescente manifestação de seus poderes incontroláveis, quer apenas escondê-los. Mesmo assim, um incidente faz com que Elsa tenha de fugir do castelo, causando enorme desolação no país. Anna, tentando a irmã, recebe a ajuda de Kristoff – um simples vendedor de gelo – e Hans, um príncipe local com quem prometeu se casar.

O que torna Frozen especial é como a relação entre as duas irmãs e o conceito de amor são tratados. A dicotomia das duas irmãs – marcada pelos traços físicos característicos de cada uma – faz com que suas personalidades se oponham e complementem ao mesmo tempo, ensinando não só como deve ser uma saudável relação fraternal, mas também que devemos enfrentar nossos medos de frente, não importa quão terríveis eles possam ser.

Com um design fantástico, Frozen é bem feito ao ponto de variar nos tons de azul do gelo – de longe é escuro e de perto mais claro –, de mostrar as sardas no ombro da ruiva Anna e de nunca nos cansar com a soberba fotografia de Michael Giaimo. Além disso, os diálogos são reveladores, indicando uma postura muito mais moderna do estúdio com relação aos temas que permeiam nosso dia a dia. O humor também é pontual e feito de maneira precisa, sem deixar que os personagens soem fora de contexto.

Com um clímax extremamente diferente dos filmes de princesas que vemos por aí, Frozen trata o público de maneira inteligente, sabendo que a polêmica do “amor verdadeiro” causaria um impacto positivo tanto nos adultos como nas crianças, que agora podem ter modelos de princesas mais reais (embora ainda fantásticas), que não precisam e não devem ter a aprovação masculina para serem quem são.

Ainda assim, embora seja uma obra de qualidade, é inevitável a comparação com outros longas da Disney, como é o caso de Enrolados – cujo design é tão similar ao de Frozen que parecem ser ambientados em um mesmo universo (e talvez sejam) – e que deixa menos ao desejar no quesito enredo. Enquanto Enrolados cria uma fábula, Frozen parte do meio da história, sem jamais explicar como Elsa conseguiu aqueles poderes e porque eles são tão incontroláveis. Se a falta de amor fosse a explicação, Elsa não teria esse problema quando criança, já que sua irmã Anna e seus pais estavam sempre presentes.

Outro problema é a criação do boneco de neve Olaf, que serve de alívio cômico e deveria, também, servir como elo entre as duas irmãs – o que ocorre em uma única tentativa frustrada de convencer Elsa a abandonar o exílio. Confesso que gostaria de ter um pouco mais de ação de Olaf (e menos cantoria) que o simbolizasse como a juventude perdida das princesas.

Mesmo com alguns tropeços, Frozen se firma como um ótimo filme, trazendo ainda mais certeza à Disney de que apostar em seu sempre mutável público jovem – apostando na modernidade que este representa – é a escolha mais certa a se fazer. Agora só falta esperar por um filme de temática LGBT, o que não duvido que possa acontecer em breve.

Título Original: Frozen
Direção: Chris Buck e Jennifer Lee
Gênero: Animação, aventura, comédia
Ano de Lançamento (Estados Unidos): 2013
Roteiro: Jennifer Lee, Chris Buck e Shane Morris, baseado no conto de Hans Christian Andersen
Trilha sonora: Christopher Beck
Fotografia: Michael Giaimo
Tempo de duração: 102 minutos
Com: Kristen Bell (Anna), Idina Menzel (Elsa), Jonathan Groff (Kristoff), Josh Gad (Olaf), Santino Fontana (Hans), Alan Tudyk (Duque), Ciarán Hinds (trolls Vovô e Pabbie), Livvy Stubenrauch (Anna criança), Eva Bella (Elsa criança), Spencer Ganus (Elsa adolescente).

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Álbum de Família

fevereiro 27, 2015

august_osage_countyNOTA: 8

Quando finalmente decidi assistir Álbum de Família, do diretor John Wells, fui preparada para amar e odiar todos os personagens, já que nem mesmo o pôster de divulgação do longa ajuda a manter a discrição do conteúdo de violência verbal-familiar. E eu tenho um problema com personagens que criam problemas por conta de suas personalidades ridículas, ainda mais com as próprias famílias. Lembram de A Culpa é do Fidel? Foi a primeira vez na minha vida que tive vontade de matar uma criança (mentira, gente, mas agh que menina insuportável).

Enfim, o fato é que o elenco de peso foi o fator decisivo para assisti-lo, já que, além de Meryl Streep, ainda conta com Julia Roberts, Ewan McGregor, Juliette Lewis, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch e Dermot Mulroney. Acompanhamos a história hipocondríaca e alcóolatra Violet Weston, mãe de três filhas, que desenvolveu recentemente um câncer na boca.

Com uma personalidade de cão, o marido a abandona após anos de um casamento conturbado, no qual ele também havia exagerado nos entorpecentes. Com pena da mãe solitária, as filhas (e os respectivos) e a irmã decidem visitá-la para tentar atenuar sua dor. No entanto, Violet é uma velha cheia de ressentimentos, sem papas na língua e que não tem o menor pudor de dizer coisas inapropriadas para quem quer que seja.

Problemas de família todo mundo tem, e Wells faz questão de apontar cada um deles, partindo de uma mãe cujo complexo de inferioridade faz com que ela se faça de vítima e reaja de maneira dramática em todas as situações. Abordando uma família na qual todos parecem ter algum problema mental – alguns literalmente –, o roteirista Tracy Lets não perdoa nas caricaturas.

Assim, Karen é a fútil que quer se casar em Miami; Ivy é a mais fechada e aparentemente sã, pois não era a favorita dos pais; Barbara, apesar de não suportar as tagarelices da mãe, é igualmente amarga e tende a se parecer cada vez mais com Violet; o pequeno Charles Aiken (um ótimo Cumberbatch) é o filho infantilizado pela mãe, irmã de Violet; Charlie é o pai/irmão/tio que oferece maconha aos mais jovens; e Jean é a adolescente que sofre bullying da família inteira por ser vegetariana.

Revelando segredos que deveriam ficar ocultos por motivos óbvios, Violet consegue estragar cada momento com os entes, como se a necessidade de falar a verdade fosse necessária para que eles a deixassem sozinha. E quando enfim ela consegue, percebemos qual era a real intenção de Wells, ao demonstrar a fragilidade de uma pessoa mais velha e que se sentiu desprezada a vida inteira.

Com uma trilha sonora ótima que contribui para o clima de tensão crescente e uma fotografia de paletas cinzas e escuras, que realçam a própria alma negra da personagem principal, Álbum de Família – cuja tradução é ainda melhor do que o título original – tem o mérito de não se estabelecer como “uma lição de moral aos mais jovens”. É o retrato de pessoas próximas e distantes demais. É a minha família, a sua e a de todos nós, quando observadas sob uma lente de aumento.

As atuações, no entanto, são o que realmente fazem o filme brilhar. Meryl Streep não é chamada de “a diva de Hollywood” por nada. Cada performance sua é de uma entrega absoluta. Odiamos sua personagem, ao mesmo tempo em que amamos como ela tem a capacidade camaleônica de se transformar em cada filme que faz. E fiquei particularmente tocada com as atuações de Julia Roberts e Benedict Cumberbatch, que conseguem brilhar ao lado de Streep.

Título Original: August: Osange County
Direção: John Wells
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Tracy Lets, baseado em sua peça homônima
Fotografia: Adriano Goldman
Trilha sonora: Gustavo Santaolalla
Tempo de duração: 121 minutos
Com: Meryl Streep (Violet Weston), Sam Shepard (Beverly Weston), Julia Roberts (Barbara Weston), Ewan McGregor (Bill Fordham), Abigail Breslin (Jean Fordham), Chris Cooper (Charlie Aiken), Margo Martindale (Mattie Fae Aiken), Benedict Cumberbatch (pequeno Charles Aiken), Julianne Nicholson (Ivy Weston), Juliette Lewis (Karen Weston), Dermot Mulroney (Steve Huberbrecht) e Misty Upham (Johnna Monevata).

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American Sniper

fevereiro 26, 2015

american-sniper-poster-internationalNOTA: 6,5

Considerando a filmografia mais recente de Clint Eastwood, é possível perceber um padrão temático do cineasta. As histórias de cidadãos americanos que se transformam em grandes heróis para salvar o país da ameaça iminente dos inimigos do mundo ocidental. É assim em American Sniper, seu mais novo longa.

O foco é a vida do franco-atirador de elite Chris Kyle, um homem simples que desiste de ser caubói e se alista no exército após o ataque às torres gêmeas de Nova York. Mais do que apenas mostrar os feitos do militar no exterior – ele foi o maior franco-atirador da história dos Estados Unidos, com 160 mortes – Clint se preocupa em expor a vida amorosa e as questões morais que permeavam a mente de Kyle.

Vemos como um homem amoroso e alegre se casa com Taya (a sempre belíssima, e em excelente atuação, Sienna Miller) e, após quatro anos viajando para o Oriente Médio, se transforma em um robô sem sentimentos, preocupado apenas com as pessoas que deixou para trás e não conseguiu salvar naquela que foi (e ainda é) considerada a guerra mais sem sentido dos últimos séculos.

É interessante observar como Eastwood se preocupa em mostrar mais do que apenas o serviço excepcional do atirador – excepcional se considerarmos que ele estava lá para abater “inimigos”, e o faz com êxito absoluto. Percebemos as dúvidas durante suas missões e, embora hesite, vemos como ele sente o peso e a responsabilidade de suas ações quando, por exemplo, tem de decidir exterminar uma criança armada com um míssil ou não.

Assim, é um mérito do diretor conseguir retratar a dubiedade da guerra americana contra o Oriente a partir de um personagem tão patriota como Kyle que, estando em casa com a mulher e os filhos, não consegue tirar a cabeça das terras áridas do Iraque. É preciso reconhecer, também, a atuação precisa de Bradley Cooper que encara Kyle como um homem de convicções definidas. Isso dito, é preciso pontuar algumas coisas que vêm me incomodando nas últimas produções de Eastwood.

À parte o patriotismo exacerbado (embora reconheça o esforço de equilibrar esse sentimento), parece que Clint se esquece que está lidando com um público acostumado a obras-primas como As Pontes de Madison e Os Imperdoáveis. Com uma direção esquemática, Eastwood não faz o menor esforço em esconder alguns planos óbvio e a fala imbecilizada de Kyle (mas suponho que isso seja um erro da natureza ao concebê-lo).

A trilha sonora, igualmente óbvia, sequer precisa indicar ao espectador o que virá a seguir. Alguns recursos de câmera – como as duas mãos que se encontram durante a tempestade de areia e a da cena final – são patéticas e demasiadamente expositivas. O design de som é eficiente ao evocar sons da guerra enquanto Kyle está em casa, mas jamais consegue fazer com que sintamos pena dele pelo estresse pós-traumático pelo qual está passando.

Sem contar na aberração que é o bebê-boneco, que aparece em determinada cena entre Kyle e Taya. Uma das cenas mais dramáticas do filme é completamente arruinada pelo absurdo que é ver um bebê claramente artificial em cena. Compreendo que dificuldades no set acontecem, mas utilizar um boneco com os bracinhos soltos pelo corpo – indicando sua antinatural natureza – e ainda fazer com que Cooper brinque com uma mãozinha inanimada é uma das coisas mais anticlimáticas que vi nos últimos tempos. O resto do cinema parecia concordar comigo, já que causou uma crise de riso totalmente fora de contexto e que quebrou o momento da atuação emocionada de Miller.

Repetitivo e excessivamente longo, American Sniper – traduzido de maneira estúpida como Sniper Americano em português, já que deveria ser “Franco-atirador Americano” – é o filme que me fez decidir não querer mais assistir a Clint Eastwood no cinema até o momento em que ele decida parar de falar sobre a guerra dos Estados Unidos com o mundo. Por favor, Clint, apenas pare.

Título Original: American Sniper
Direção: Clint Eastwood
Gênero: Ação, biografia e drama
Ano de Lançamento (EUA): 2014
Roteiro: Jason Hall, baseado no livro de Chris Kyle, Scott McEwen e James Defelice
Fotografia: Tom Stern
Tempo de duração: 132 minutos
Com: Bradley Cooper (Chris Kyle), Sienna Miller (Taya), Jake McDorman (Biggles), Sammy Sheik (Mustafa), Tim Griffin (Colonel Gronski), Navi Negahban (Sheikh Al Obodi), Mido Hamada (“Açougeiro”).