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Homem de Ferro

junho 8, 2009

Herói de verdade

Um dos melhores filmes de quadrinhos dos últimos tempos, o grande encanto de Homem de Ferro é a atuação de Robert Downey Jr.

NOTA: 10

Tudo começou com um acorde. A teogonia da música é estudada por vários sábios desde a antiguidade. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer já dizia que mesmo se não houvesse mundo, ainda haveria música. Ou que a música era a mais alta filosofia de uma linguagem que a nossa razão não é capaz de compreender (ele também disse que a mulher é um efeito deslumbrante da natureza, e isso é lindo! pena que não vem ao caso).

Tudo, enfim, começou com um acorde. Bem, neste caso, não exatamente de Mozart ou Chopin, mas de AC/DC. Para quem (ainda) pensa que não é possível fazer uma trilha sonora tão excelente quanto o filme, o Homem de Ferro do diretor Jon Favreau quebra os paradigmas. Com guitarras do começo ao fim, Ramin Djawadi compõe um clima já descontraído para o personagem em questão.

“Back in Black”‘ é o tema que envolve a primeira cena de um dos melhores filmes de quadrinhos dos últimos tempos. Se não bastasse isso para alegrar o espírito de uma velha saudosista da banda ainda mais velha do que eu, a carinha de Robert Downey Jr maravilhosamente caracterizado supre qualquer carência que pudesse ter restado.

E não só a carinha, diga-se de passagem! Carinha, corpinho (até parece mesmo feito a ferro) e uma atuação de tirar o fôlego. O conjunto todo da obra, resumindo, é impressionante. Show visual – os efeitos especiais são embasbacantes – show de atuação, de roteiro, de direção, de trilha sonora, de escolha de elenco, de produção, de vestuário.

Enfim, o filme é páreo duro. Difícil tirar essa superprodução do nível e status que ela alcançou. A comparação é inevitável, mas este Homem de Ferro e o Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, estão concorrendo ferrenhamente para o super-herói mais macho de todos os tempos.

Ainda mais tecnológico e mais astuto que o Batman de Nolan, o Homem de Ferro é impossível. Mais do que isso: ele é um canalha. Um canalha do bem, é claro. Tony Stark não é exatamente o tipo do homem que uma mulher quer ter ao seu lado: galinha, arrogante, mal atende o telefone (quem dirá ligar no dia seguinte), irônico, irreverente. Mas ele é, sim, bilionário, tem muitos carros e motos fantásticas, e sua mente genial é capaz de crias as máquinas mais incríveis que os olhos já viram.

Ele é o tipo da Srta. Potts, talvez, vivida pela insossa – inacreditavelmente ótima no papel – Gwyneth Paltrow. Starks é do ramo bélico, o maior fabricante de armas dos Estados Unidos. Ele segue os passos do pai e cria instrumentos que, segundo ele, são feitos para garantir a paz do mundo. Essa visão simplista e reduzida muda quando ele é feito refém no Afeganistão e, por conta de uma explosão de uma de suas próprias armas, é obrigado a usar um aparelho no peito que seja capaz de mantê-lo vivo.

O chefão da Gangue dos Dez Anéis obriga Stark a inventar um super-míssil capaz de destruir muitos alvos simultaneamente. Ao invés disso, o gênio inventa – para si próprio, é claro – uma armadura de ferro que voa, solta fogo, dispara mísseis e ainda escolhe, um a um, os inimigos que quer matar. Isso tudo de dentro de uma caverna, dispondo de algumas “sucatas”.

É claro que nem tudo sai como o esperado para Downey Jr. (acho, aliás, que nunca o vi tão bonito como neste filme). A vontade que ele tem é de por um fim em todas as armas que já criou, pois viu de perto que elas param nas mãos erradas. Movido por uma vontade, um ímpeto seu, Stark vira o herói mesmo sem querer sê-lo. E a semelhança com o cavaleiro das trevas aqui chega ao ápice.

As personalidades – ainda que díspares de caráter – são as mesmas: heróis que acabam trazendo mais confusão do que desejariam e às vezes são encarados como os próprios vilões. Heróis, sobretudo humanos, que – apesar de milionários – transmitem nossas próprias angústias e medos. Para isso servem os super-heróis, mas estes são diferentes do Super-Homem, ou até mesmo do sem graça Homem Aranha de Tobey Maguire. O Homem de Ferro e o Batman são heróis astuciosos, inteligentes e habilidosos.

A humanidade do personagem transparece com louvor quando o diretor escolhe exibir as cenas da construção do “motor” do herói, da armadura de ferro (que, no caso, é de titânio) e do seu constante aperfeiçoamento, evidenciando que, apesar de genial, Stark é apenas um homem, e ainda por cima trabalhador: ele cria com as próprias mãos inventos improváveis, de modo que parecem críveis. O único “disparate” é Jarvis, o supercomputador que fala, pensa, faz, é bem-humorado e ainda por cima irônico (ah, sim! E quem faz a voz dele é o Paul Bettany, que atuou em Wimbledon e O Código da Vinci). Stan Lee, um dos criadores da história em quadrinhos faz uma ponta também.

O time que acompanha Downey Jr. é também dos melhores – Terrence Howard e Jeff Bridges estão muito bem. Uma pena que o personagem de Bridges não tenha sido totalmente bem construído, uma vez que nos perguntamos com frequência ao longo do filme o porquê de Stane querer tanto dominar a fábrica de Stark, já que ele não quer “dominar o mundo”. Ele só quer mesmo ficar mais rico? Até um dos personagens diz isso, perguntando a ele como era possível só querer a fábrica quando se pode ter o mundo inteiro.

Tudo começou com um acorde, e neste caso também termina. Adivinhe qual é a música-tema do longa? Uma dica: está no próprio título.

Claro que comparar Homem de Ferro com Batman é difícil, dada a natureza mais leve de um e muito mais sombria do outro. Eu ainda fico com o Batman. Primeiro, por uma questão pessoal – desde os meus 5 anos de idade o Sr. Morcego  é o meu super-herói preferido; já assisti a todos os filmes sobre ele, e também à série que passava na televisão. Segundo, porque a versão de Nolan realmente vai ser difícil desbancar.

Jon Favreau se deu muito bem, superando as expectativas (ele faz uma ponta como Hogan, o guarda-costas de Stark). Resta esperar para que o Iron Man II, previsto para 2010, seja como o Cavaleiro das Trevas de Nolan: a continuação que superou o original.

PS: Aguarde depois do crédito! Há uma cena importante, que linka com o próximo longa, e tem a participação de um ator (não sei por que) não inesperado.

Tìtulo Original: Iron Man
Direção: Jon Favreau
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Roteiro: Art Marcum, Matt Holloway, Mark Fergus e Hawk Otsby, baseado em personagens criados por Stan Lee, Don Heck, Jack Kirby e Larry Lieber
Trilha Sonora: Ramin Djawadi
Fotografia: Matthew Libatique
Tempo de Duração: 126 minutos
Com: Robert Downey Jr. (Tony Stark), Terrence Howard (James “Rohdey” Rhodes), Jeff Bridges (Obadiah Stane), Shaun Toub (Yinsen), Gwyneth Paltrow (Virgínia “Pepper” Potts), Gerard Sanders (Howard Stark), Jon Favreau (Hogan), Paul Bettany (Jarvis) e Stan Lee.

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