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A Duquesa

junho 29, 2009

Poderosa duquesa

Com delicadeza, Keira Knightley retrata uma das mulheres mais poderosas e influentes da burguesia inglesa do século XIX

NOTA: 8,5

Keira Knightley me impressiona a cada filme que faz. O primeiro Piratas do Caribe, ainda que bobo e irrelevante (apesar de ser ótimo divertimento) revelou uma mocinha com cara de princesa que se transforma em uma verdadeira rebelde em busca do amor, ainda que por meios “ilegais”, digamos (para quem não lembra, ela apóia pirataria do queridinho William Turner e do amado Jack Sparrow). Seu rosto ficou impresso na guerreira Guinevere de Rei Arthur, na também rebelde campesina de Orgulho e Preconceito, na sedutora mulher de Desejo e Reparação, na concubina igualmente sedutora de Paixão Proibida e, agora, para celebrar uma carreira fértil, ela presenteia o público como a duquesa de Devonshire. Seu problema pode estar justamente no fato de se tornar um rosto de época, velho. Acredito que se ela fizesse alguns papéis atuais, logo perderia esse estigma.

Mas a beleza e o talento dessa menina de vinte e poucos anos são incontestáveis. Com a mesma suavidade e graça com que interpretou Elizabeth Bennet em Orgulho…, Knightley demonstra a riqueza, o poder, a influência e a sedução desta que foi uma das mulheres mais importantes da corte inglesa à época do Rei Henrique II.

Baseado na vida de Georgiana Cavendish, Keira interpreta uma moça de família nobre (filha do 1º Conde Spencer), em busca de um bom marido. Ela se casa com o Duque de Devonshire e, acreditando estar no caminho certo para um casamento fértil e saudável, acaba descobrindo em William um homem frio e inexpressivo. Um covarde, muito bem interpretado (como sempre, diga-se de passagem) por Ralph Fiennes. Frustrada, a duquesa enriquece por trás da solidão do marido, e se torna símbolo da moda da Inglaterra no século XVIII.

Georgiana conhece uma mulher na corte, Lady Elizabeth, e acaba se tornando sua amiga, um pouco por falta da companhia feminina, e muito pela ausência do marido. Incapaz de conceber um filho homem, a duquesa, em sua benevolência, aceita Bess – que já possuía três meninos do casamento com outro homem – em sua casa como convidada permanente; mas se arrepende ao descobrir que ela e o duque William haviam se apaixonado.

Georgiana aprofunda sua participação política e social e se torna uma importante socialite, sempre presente em peças teatrais de renome, sendo um exemplo da moda a ser seguido. Ela era a mulher por trás do fantasma que era o Duque de Devonshire. Sua presença era o suficiente para que alguns eventos pudessem ser realizados, e ela foi muito amada pelo povo britânico.

Sem escapatória, Georgiana tenta de todas as maneiras proibir ou impedir que Lady Bess lhe tome o marido, e acaba encontrando o amor no jovem Charles Grey. O duque, entretanto, não aceita o fato de Georgiana ter um amante, e ameaça cortar a relação da duquesa com as filhas. Desesperada, ela cede à exigência de fidelidade do marido e abandona a possível felicidade amorosa que teria com Grey.

Ela retorna às filhas e, vencida, dá a benção a Bess e William para que fossem felizes juntos e, ainda assim, vivessem os três sob o mesmo teto. É inacreditável a força com que Keira interpreta esta grande mulher, impondo toda a bondade inata e a devoção à família que Georgiana teve até o fim de seus dias.

A história de uma mulher infeliz, ainda que tão importante, somente mostra que o poder e a riqueza não são nada para uma mulher se ela não tem a quem amar. A Duquesa é um filme bonito, mas não alegre, que nos faz relembrar como a sociedade era triste, rígida, hierarquicamente estúpida, conservadora e machista. Georgiana foi uma mulher que, acima de tudo, fracassou como esposa e como amante. Ela não pode dar ao duque um filho homem, e isso aniquilou sua vida – mas jamais sua reputação! Ela era corajosa, forte como poucas, capaz de suportar um ménage à trois sem o seu consentimento durante anos.

Mesmo sem despertar grandes sentimentos catárticos, é uma comoção observar como os tempos eram diferentes, e que as mulheres não tinham direito a nada, nem mesmo a serem felizes. Não querendo louvar os tempos de hoje, longe de mim. Não sou feminista a esse ponto. Acho que cada época convive com os problemas que lhe cabe.

A Duquesa, em resumo, é um filme bonito, triste e interessante. A fotografia é excelente,o figurino é deslumbrante (realmente digno de Oscar) e muito bem dirigido. Um belo roteiro, interpretado por bons atores. Se não é uma obra-prima na enorme lista dos melhores filmes de época, fica logo abaixo dos maiores, exatamente por tratar da simplicidade da vida cotidiana, de como as coisas realmente funcionavam, longe da ostentação e da putaria – ou, neste caso, bem perto dela.

Titulo Original: The Duchess
Direção: Saul Dibb
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Itália/França/Inglaterra): 2008
Roteiro: Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen e Saul Dibb, baseado em livro de Amanda Foreman
Trilha Sonora: Rachel Portman
Fotografia: Gyula Pados
Tempo de Duração: 110 minutos
Com: Keira Knightley (duquesa Goergiana Cavendish), Ralph Fiennes (duque William Cavendish), Charlotte Rampling (Lady Spencer), Dominic Cooper (Charles Grey) e Hayley Atwell (Elizabeth “Bess” Foster).


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