Archive for julho \27\UTC 2009

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Joe Kidd

julho 27, 2009

Bang-bang

Em sua melhor forma, Clint Eastwood participa de um dos melhores finais de filmes do velho oeste

NOTA: 8

Imortalizado alguns anos antes pelas lentes de Sergio Leone, Clint Eastwood encena, em 1972, mais um clássico do western. Não exatamente por ser o melhor filme do gênero, mas simplesmente por aparecer, mais uma vez, na pele de bandido-mocinho do velho oeste. 

Assistir ao Clint antigo é ver a promissora carreira de um dos maiores atores e diretores da atualidade. Apesar do longa de John Sturges não possuir tão belos movimentos de cenas e closes usados por Leone, ainda assim é um prazer observar o talento incontestável de Eastwood (bem como sua beleza) e do antagonista Robert Duvall.

Clint é Joe Kidd, um matador contratado pelo fazendeiro Frank Harlan para “promover a justiça”. No típico cenário faroeste norte-americano, Joe é um recém-chegado na cidade de Sinola, Novo México, que deve impedir que o revolucionário mexicano Luis Chama atrapalhe os negócios de Harlan. Incorruptível, Kidd se nega a prestar serviços ao fazendeiro.

Ao saber que Chama passou também por seu rancho trazendo destruição e desespero, o cowboy – que possui relacionamentos amigáveis com os mexicanos – decide ajudar Harlan. O bando de Chama captura cinco mexicanos e os faz reféns, incluindo a bela Helen Sanchez. Garanhão incorrigível, Kidd se apaixona pela moça; mas Harlan é mais astuto, e o joga na cadeia a fim de impedir qualquer movimento.

Por uma questão (sempre!) de honra, Joe foge da cadeia e procura ele mesmo derrotar tanto o bando de Chama quanto Harlan, salvando os reféns e restaurando a ordem no vilarejo. Quando Kidd volta à cidade, certo de ter conseguido a paz, Harlan está esperando por ele em uma armadilha. Kidd usa todo seu engenho para terminar o longa com uma das cenas mais extravagantes do gênero.

Em um final obviamente catártico, é indiscutível que a paz e Joe finalmente se encontrarão. Se ele é o mocinho ou o bandido, fica difícil dizer. Quem se preocupa, contudo, com esses detalhes, quando Clint olha de soslaio por debaixo da aba do chapéu e tira a arma da cintura com a mesma rapidez com que faz as mulheres se apaixonarem por ele?

Se não é o melhor filme de bang-bang, é pelo menos um clássico memorável. Vale a pena ainda que for para conhecer mais da vasta carreira do ator.

Título Original: Joe Kidd
Direção: John Sturges
Gênero: Western
Ano de Lançamento (EUA): 1972
Roteiro: Elmore Leonard
Trilha Sonora: Lalo Schifrin
Fotografia: Bruce Surtees
Tempo de Duração: 88 minutos
Com: Clint Eastwood [Joe Kidd], Robert Duvall [Frank Harlan], John Saxon [Luis Chama], Don Stroud [Lamarr Simms], Stella Garcia [Helen Sanchez], Joaquín Martínez [Manolo], Ron Soble [Ramón], Pepe Callahan [Naco], Clint Ritchie [deputado Calvin].

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RocknRolla

julho 20, 2009

Gângsters de quinta

Cansativo e confuso, Rocknrolla pode ser uma boa opção para um filme agradável que não acrescenta nada a não ser a versatilidade de Gerard Butler

NOTA: 7

Alguns gêneros, quando se consagram, são imitados até o último frame. Apesar de ter gostado da nova produção de Guy Ritchie, a expectativa era de que o diretor conseguisse reproduzir seu sucesso de Snatch – Porcos e Diamantes (2000), um dos filmes mais brilhantes da última década.

Em um estilo muito mais parecido com o excelente Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (primeiro filme de sucesso de Ritchie, de 1998, que lançou a carreira do também excelente ator inglês Jason Statham), RocknRolla tenta recuperar o estilo dos golpes e reviravoltas de ladrões, que infelizmente foi quebrado com as lamentáveis sequências de Onze Homens e Um Segredo (apesar do original ser bastante interessante).

Apesar de Statham não estar no elenco deste longa, a atmosfera que Ritchie cria é como se o ator inglês fosse o próprio narrador. Gerard Butler, charmoso e cafajeste, lidera com certo sucesso o papel do atrapalhado e aproveitador One Two, na companhia do fiel Mumbles. Após os sucessos de 300 e (do gracinha) P.S. Eu te Amo, Butler parece confiante para interpretar o ladrão, e o interpreta de maneira excelente. Tragicômico e desesperado, um dos melhores momentos é protagonizado por ele.

Mas, tão confuso e tão cheio de gente, o uso do narrador é obrigatório para explicar quem é quem, o que fazem e porque, e como o filme vai se desenrolar. Custa-nos a entender que o narrador é um personagem à parte, e não aparece em momento algum – ao contrário de todos os outros filmes nesse estilo que Ritchie fez. Procuramos identificar a voz do narrador em algum dos personagens e, quando constatamos que “ele” não existe, fica uma sensação estranha de não estarmos acompanhando o que está acontecendo. A velocidade com a qual as coisas acontecem também colabora com este sentimento. Tudo rápido demais.

Tentar fazer um resumo seria estragar as poucas – mas excelentes – surpresas que o filme traz. Do meio para o final o filme melhora, como se tomasse um novo fôlego – graças à cômica cena de perseguição com os russos. Mas o frágil roteiro não é capaz de explicar perguntas fundamentais como “o que são os rocknrolla e porque diabos têm esse nome?”. Apesar de ter momentos engraçados e revelações inesperadas, o longa não se sustenta.

Meio clichê e mais-do-mesmo, RocknRolla, no fim, é um filme bom, mas não excelente. Sem eira nem beira, sem pé na cabeça, o que sobra ao final é a sensação de ter visto algo bacana, mas ter também a certeza de que os motivos para tal serão rapidamente esquecidos.

O que tem de melhor é oferecido por atores como Tom Wilkinson – que, como sempre, dá um show de atuação – e pela boa trilha sonora: para os malandros, nada melhor do que um bom e velho rock n’ roll. E como o próprio título evoca, o gênero predomina com guitarras pesadas e sujas na maior parte do tempo.

Título Original: RocknRolla
Direção: Guy Ritchie
Gênero: Ação
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2008
Roteiro: Guy Ritchie
Trilha Sonora: Steve Isles
Fotografia: David Higgs
Tempo de Duração: 114 minutos
Com: Gerard Butler (One Tow), Idris Elba (Mumbles), Thandie Newton (Stella), Jeremy Piven (Mickey), Blake Riston (Johnny Sloane), Karel Roden (Uri Omovich), Mark Strong (Archie), Bronson Webb (Paul), Tom Wilkinson (Lenny Cole), Michael Ryan (Pete), Tom Hardy (Handsome Bob) e Toby Kebbell (Johnny Quid).

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Crianças Invisíveis

julho 14, 2009

Beleza interior

Belo filme feito por diversas mãos mostra curtas de crianças em sete países do mundo que sofrem com a realidade da própria sociedade em que vivem

NOTA: 10

Sete diretores, sete curtas. Existem alguns filmes que fazem a gente se apaixonar logo de primeira. É o caso de Crianças Invisíveis. Quando o assisti inocentemente atraída pelo título e pela premissa há alguns anos atrás, não sabia o que me esperava. Que fantástica é a capacidade de um único filme fazer rir e chorar, na sequência.

Histórias de diferentes países e culturas são tratadas sob a ótica das crianças e de sete diferentes cineastas. Brasil, Itália, Inglaterra, Sérvia, Burkina Faso, China e Estados Unidos são os países retratados em histórias tocantes ora divertidas, ora trágicas, mas todas bonitas, singelas.

Tenho uma relação especial com a obra. Símbolos do que estes países têm de mais trágico, de mais problemático no que concerne à educação, à saúde e segurança das crianças. Cada historieta retrata a realidade naturalmente e, mesmo falando de miséria e desgraça, conseguem captar o espírito da esperança e da beleza de maneira sutil.

A primeira história, “Tanza”, é passada em alguma aldeia não-identificada da África, na qual o personagem-título e mais alguns meninos sobrevivem por contra própria no meio de uma guerra civil a qual, obviamente, não pertencem. Utilizando cores amareladas, que remontam a uma felicidade não-alcançada, o diretor argelino Mehdi Caref introduz Tanza a um cenário caótico e sem escolhas, evidenciando que o amadurecimento vem depressa, mas as crianças não abandonaram todos os resquícios de suas infâncias condenadas.

Dirigido pelo sérvio Emir Kusturica, o segundo curta, “Blue Gipsy”, mostra a dura realidade dos meninos que vivem em reformatórios na Sérvia Montenegro. O garoto em questão, aparentando ter mais idade do que seu desenvolvimento físico revela, é um dos poucos que realmente gosta do lar adotivo. Fugido de uma encrenqueira e ladra família de ciganos, o menino não suporta a ideia de roubar para seus pais – e estes, não satisfeitos com a decisão, pretendem “resgatá-lo” a todo momento. O esperto garoto, claro, sempre encontra uma maneira de escapar de sua dura realidade. O filme funciona (muito bem, por sinal) por se tratar de uma criança. Do contrário, o humor pastelão usado pelo diretor poderia tornar a história ridicularizável.

O chocante e triste terceiro curta é do norte-americano Spike Lee, e é intitulado “Jesus Children of America”. Apesar do nome apelativo, a história é sobre Blanca, uma pré-adolescente do subúrbio estadounidense que vive em uma família amorosa, mas totalmente desestruturada. Os pais, além de viciados, têm HIV positivo. Blanca é provocada pelos colegas na escola e, mesmo sem acreditar no que dizem, ela é obrigada a tomar os coquetéis que a mãe lhe dá. Uma história comovente sobre uma realidade comum e, no entanto, deixada de lado por outros problemas provenientes do mesmo subúrbio.

A brasileira Kátia Lund é responsável por “Bilú e João”, talvez um dos mais bonitos curtas do filme. A história dos dois meninos de rua retrata bem o cenário de miséria e abandono que as crianças brasileiras se encontram. Os irmãos lutam para sobreviver – ainda que possam não saber disso – recolhendo lixo em troca de dinheiro. Com bicos aqui e ali, os pequenos ainda encontram tempo para se divertir e coletar mais alguns trocos, quem sabe pela refeição do dia. Ponto para Lund, ponto para nós!

O quinto curta, contudo, talvez seja o mais fora de contexto. Dirigido pelos ingleses Ridley e Jordon Scott, “Jonathan” é a história de um fotógrafo que relembra suas memórias de infância. Cansado de fotografar crimes e desastres nas guerras (inclusive há uma referência àquela famosa foto do menino e o urubu, tirada por Kevin Carter no Sudão em 1994), o personagem sai em busca de seu lado puro. Apesar de ser interessante, a metáfora não é totalmente clara, ainda mais quando alterna entre cenas de Jonathan grande e pequeno correndo na floresta. Confuso, o espectador deduz que são duas pessoas diferentes. Talvez os Scott não tenham entendido exatamente qual era a premissa do filme. Tanta atrocidade que a Inglaterra já cometeu – e com certeza tantos problemas que eles enfrentam nos subúrbios -, poderiam ter facilmente abordado outro tema.

“Ciro”, do italiano Stefano Veneruso, também retrata de maneira peculiar a vida do menino que vive em Roma e é obrigado a ouvir os pais em constantes discussões – uma delas, a de que não o aceitam como filho. Por isso, o garoto vive nas ruas, ao lado de companhias nada favoráveis. No mesmo estilo que o curta de Caref, Ciro redescobre sua inocência de maneira cruel, roubando para lembrar que ainda é apenas uma criança.

O último e mais bonito (também triste) curta, “Song Song & A Pequena Gatinha” é dirigido pelo cineasta chinês John Woo. Em seu estilo particular, Woo retrata a história de duas menininhas – uma mais bonitinha e carismática que a outra – que eventualmente se cruzam.Vivendo em classes sociais diferentes, uma é tratada como uma princesinha, tendo tudo que deseja – inclusive uma coleção enorme de bonecas de gesso. A outra, abandonada e encontrada pelo “vovô”, retrata o horror com o qual o país lidou com nascimentos indesejados por tantos anos (o chamado controle de natalidade). A menina, manca, vive sob os cuidados do adorável velhinho a lá Charles Chaplin, que faz de tudo para agradar a pequena e planeja um futuro de verdade para ela. Uma tragédia desampara a pobre criança, e a obriga a fazer arranjos de flores e vendê-los pelas ruas da China.

Extremamente comovente, não se segure se alguma lágrima quiser rolar. Deixe-a, porque até aqui vale a pena. Por tudo que essas crianças são obrigadas a aturar todos os dias, enquanto uns tem uma vida tão boa, cheia de regalias e prazeres, esses pequenos inocentes sofrem nas mãos de exploradores ou – o que é pior – na mão da solidão e do medo.

Minha conexão com o longa foi muito forte. Mesmo só o tendo visto uma vez, tive a incontrolável vontade de tê-lo para sempre em casa. Há alguns meses ele já figura em minha biblioteca pessoal.

Título Original: All the Invisible Children
Direção: Mehdi Charef, Kátia Lund, John Woo, Emir Kusturica, Spike Lee, Jordan Scott, Ridley Scott e Stefano Veneruso
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Itália): 2005
Roteiro: Mehdi Caref, Diogo de Silva, Stribor Kusturica, Cinqué Lee, Joie Lee, Spike Lee, Qian Li, Kátia Lund, Jordan Scott e Stefano VenerusoTrilha Sonora: Terence Blanchard, Ramin Djawadi e Hai Lin
Fotografia: Philippe Brelot, Cliff Charles, Changwei Gu, Toca Seabra, Vittorio Storaro, Jim Whitaker e Nianping Zeng
Tempo de Duração: 116 minutos
Com: Francisco Anawake (João), Vera Fernandez (Bilú), Hannah Hodson (Blanca), Damaris Edwards (La Queeta), Zhao Ziann (Song Song), Wenli Jiang (mãe de Song Song), Qi Ruyi (Gatinha), Jake Ritzema/David Thewlis (Jonathan pequeno e grande), Andre Royo (Sammy), Lannete Ware (Monifa).

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A Era do Gelo 3 [3D]

julho 10, 2009

Perdidos no gelo

Melhor filme da franquia garante risadas do início ao fim e diverte o público de todas as idades

NOTA: 10

Quando saem as franquias de ótimos originais, sempre dá um frio na barriga. Uma pessoa só para dizer que o filme é bom às vezes não é suficiente. Ficamos com os dois pés atrás, e muitas vezes prefiro esperar o furor da estreia passar, para não ser influenciada por essa ou aquela opinão. Mas as novidades podem surpreender. Quando me disseram que A Era do Gelo 3 era um bom filme, ainda melhor do que a franquia anterior, me cocei para descobrir o que Carlos Saldanha tinha feito de tão especial para levantar a – até agora – trilogia.

Se com Shrek as sequêcias foram decepcionantes, este não é o caso. A Era do Gelo 3 garante risadas do começo ao fim. Gargalhadas, na maior parte do tempo. Admito que a atmosfera não é muito favorável – como o filme só vem dublado aos cinemas, a criançada aproveita para tomar conta -, mas não foi o suficiente para quebrar o clima da animação.

Como todos esperavam, o filme é realmente engraçado e muito divertido. Sid está ainda mais hilário, Scrat arranjou uma companheira tão encrenqueira e azarada quanto ele, Scratte, até mesmo o rabugento Diego está mais amigável, os dois gambazinhos “irmãos” de Ellie estão ainda mais serelepes e Manny está totalmente paranóico.

Quem não se lembra que ele e Ellie formaram uma família? Pois a mamute está grávida, o que poderia ser muito natural em um bando normal. Mas, como eles mesmos dizem, este não é um bando normal.

Se sentindo rejeitado pela devoção de Manny ao neném que nascerá, Sid e Diego decidem seguir seus próprios caminhos, enquanto os dois mamutes tentam construir uma vida normal para o bebê. Como Sid não consegue ficar longe de problemas, ele logo atrai para si a fúria de uma enorme mãe. Ao encontrar três ovos supostamente abandonados, a preguiça resolve “adotá-los”. Ao descobrir o sumiço dos filhos, a mãe sai em busca deles e, para a surpresa de todos, ela captura Sid como um “refém”.

Obviamente, o bando decide ir procurar o amigo, apesar da relutância de Manny em deixar Ellie participar dessa perigosa missão grávida como está. Eles descem até a caverna onde Sid havia encontrado os ovos, e, na companhia de Diego (que logo aparece para o resgate), descobrem um mundo totalmente novo, abaixo da camada de gelo na qual viviam.

Logo de cara eles conhecem Buck, uma doninha maluca e solitária, que sobrevive pela esperteza na floresta selvagem em meio a dinossauros e criaturas perigosas. Buck decide ajudá-los a encontrar Sid, uma vez que também estava à caça de um terrível animal.

Passando por todo tipo de desventuras – uma mais cômica do que a outra – a estratégia funciona bem. Mesmo sabendo que em filme de criança ninguém se machuca, diversas vezes tememos pela vida dos personagens, esperando que as coisas ruins aconteçam. Elas, claro, nunca se realizam. Com piadas espertas e nas horas certas, o filme se sustenta o tempo todo.

Assisti primeiro em uma sessão normal, mas recentemente vi a versão em 3D, com um óculos um pouco desconfortável, mas muito interessante de fato. Apesar de escorregar do meu rosto o tempo todo, pude comprovar que a história é realmente eficiente – ainda melhor quando vista pela segunda vez.

Os efeitos visuais, contudo, melhoram de maneira inexplicável. O incômodo não me impediu de pensar o quão fantástica é a nova janelinha aberta pelos estúdios de animação. Se uma das melhores cenas quando visto da primeira vez foi a passagem por cima de uma nuvem de gases “venenosos”, quando o momento chegou pela segunda vez, a cena me levou às lágrimas. De riso, claro! De doer a barriga. Vale o filme inteiro!

A Era do Gelo 3, além de ser esteticamente muito bem feito, tem uma narrativa totalmente diferente dos outros dois filmes, e lembra mais o antigo desenho Em Busca do Vale Perdido. Ao contrário do melodrama pré-histórico, contudo, o humor é introduzido com esperteza em cenas cruciais, sem estragar os momentos que exigem seriedade, e sempre dando um toque de leveza quando pode.

Superando todas as expectativas em torno do lançamento do longa, A Era do Gelo 3 tem seus defeitos. Apesar de toda comicidade, alguns diálogos são muito clichês – o que é até perdoável, em se tratando de um filme infantil. A fala final de Ellie na última cena é um duro golpe para quem odeia frases de efeito, ainda mais quando evocam coisas que não deveriam (não vou dizer, para não estragar nada! Pode ter gente que não liga…mas eu ligo!).

Mas o pior de tudo fica por conta da dublagem. Eu até penso que a Cláudia Jimenez é uma atriz interessante, que teve seus altos como comediante. Se ela sabe, entretanto, atuar em frente às câmeras, é preciso um esforço maior na hora de atuar somente com a voz. Ellie é uma elefanta carismática que deveria ser cínica por natureza e, infelizmente, Jimenez não consegue passar isso para o espectador – ao contrário de Queen Latifah.

As reações da Ellie brasileira têm todas o mesmo tom, se ela está feliz ou triste, empolgada ou preocupada. Não posso dizer que qualquer outra atriz cairia como uma luva, mas acho que desta vez erraram a mão. Diogo Vilela como Manny também é uma má escolha, forçando uma rouquidão que distoa do personagem e da dublagem original. Se por um lado estes dois apagam os personagens, Márcio Garcia e Tadeu Mello dão um show na dublagem de Diego e Sid, respectivamente. A versão dos dois é até melhor do que a original em inglês.

Carlos Saldanha, ponto pra você!

Título Original: Ice Age 3 – Dawn of the Dinoussaurs
Direção: Carlos Saldanha
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Michael Berg, Peter Acckerman, Mike Reiss e Yoni Brenner, baseado em história de Jason Carter Eaton
Trilha Sonora: John Powell
Direção de Arte: Mike Knapp
Tempo de Duração: 94 minutos
Com: John Leguizamo/Tadeu Mello (Sid), Denis Laery/Márcio Garcia (Diego), Ray Romano/Diogo Vilela (Manny), Queen Latifah/Cláudia Jimenez (Ellie), Simon Pegg/Alexandre Moreno (Buck), Seann William Scott (Crash) e Josh Peck (Eddie).