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RocknRolla

julho 20, 2009

Gângsters de quinta

Cansativo e confuso, Rocknrolla pode ser uma boa opção para um filme agradável que não acrescenta nada a não ser a versatilidade de Gerard Butler

NOTA: 7

Alguns gêneros, quando se consagram, são imitados até o último frame. Apesar de ter gostado da nova produção de Guy Ritchie, a expectativa era de que o diretor conseguisse reproduzir seu sucesso de Snatch – Porcos e Diamantes (2000), um dos filmes mais brilhantes da última década.

Em um estilo muito mais parecido com o excelente Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (primeiro filme de sucesso de Ritchie, de 1998, que lançou a carreira do também excelente ator inglês Jason Statham), RocknRolla tenta recuperar o estilo dos golpes e reviravoltas de ladrões, que infelizmente foi quebrado com as lamentáveis sequências de Onze Homens e Um Segredo (apesar do original ser bastante interessante).

Apesar de Statham não estar no elenco deste longa, a atmosfera que Ritchie cria é como se o ator inglês fosse o próprio narrador. Gerard Butler, charmoso e cafajeste, lidera com certo sucesso o papel do atrapalhado e aproveitador One Two, na companhia do fiel Mumbles. Após os sucessos de 300 e (do gracinha) P.S. Eu te Amo, Butler parece confiante para interpretar o ladrão, e o interpreta de maneira excelente. Tragicômico e desesperado, um dos melhores momentos é protagonizado por ele.

Mas, tão confuso e tão cheio de gente, o uso do narrador é obrigatório para explicar quem é quem, o que fazem e porque, e como o filme vai se desenrolar. Custa-nos a entender que o narrador é um personagem à parte, e não aparece em momento algum – ao contrário de todos os outros filmes nesse estilo que Ritchie fez. Procuramos identificar a voz do narrador em algum dos personagens e, quando constatamos que “ele” não existe, fica uma sensação estranha de não estarmos acompanhando o que está acontecendo. A velocidade com a qual as coisas acontecem também colabora com este sentimento. Tudo rápido demais.

Tentar fazer um resumo seria estragar as poucas – mas excelentes – surpresas que o filme traz. Do meio para o final o filme melhora, como se tomasse um novo fôlego – graças à cômica cena de perseguição com os russos. Mas o frágil roteiro não é capaz de explicar perguntas fundamentais como “o que são os rocknrolla e porque diabos têm esse nome?”. Apesar de ter momentos engraçados e revelações inesperadas, o longa não se sustenta.

Meio clichê e mais-do-mesmo, RocknRolla, no fim, é um filme bom, mas não excelente. Sem eira nem beira, sem pé na cabeça, o que sobra ao final é a sensação de ter visto algo bacana, mas ter também a certeza de que os motivos para tal serão rapidamente esquecidos.

O que tem de melhor é oferecido por atores como Tom Wilkinson – que, como sempre, dá um show de atuação – e pela boa trilha sonora: para os malandros, nada melhor do que um bom e velho rock n’ roll. E como o próprio título evoca, o gênero predomina com guitarras pesadas e sujas na maior parte do tempo.

Título Original: RocknRolla
Direção: Guy Ritchie
Gênero: Ação
Ano de Lançamento (Inglaterra): 2008
Roteiro: Guy Ritchie
Trilha Sonora: Steve Isles
Fotografia: David Higgs
Tempo de Duração: 114 minutos
Com: Gerard Butler (One Tow), Idris Elba (Mumbles), Thandie Newton (Stella), Jeremy Piven (Mickey), Blake Riston (Johnny Sloane), Karel Roden (Uri Omovich), Mark Strong (Archie), Bronson Webb (Paul), Tom Wilkinson (Lenny Cole), Michael Ryan (Pete), Tom Hardy (Handsome Bob) e Toby Kebbell (Johnny Quid).

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