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Caramelo

agosto 4, 2009

Doçura árabe

Dirigido e atuado por Nadine Labaki, Caramelo mostra o cotidiano de mulheres perdidas entre o provincianismo do Oriente Médio e a evolução do Líbano

NOTA: 8,5

Por conta do trabalho e da faculdade estive ausente por um tempo, e deixei o blog às moscas. Não mais! Vou tentar atualizá-lo com mais frequência, como fazia antes.

Para voltar à ativa em clima ameno, nada como falar de um filme também de clima ameno, mas que levanta o espírito. Daqueles filmes bonitos, alegres e contemporâneos, mas que ainda guardam um aspecto provinciano fortíssimo. Trata-se do libanês Caramelo, produção da também atriz Nadine Labaki.

Primeiro longa de uma atriz libanesa, Caramelo conta histórias de cinco mulheres que trabalham em um salão de beleza, cada qual com seus próprios problemas, convivendo com a liberalidade aparente do país. Tão provinciana quanto qualquer outro país que passou por revoluções e pela modernidade – mas que não soube aproveitar os fatos e atos tão bem quanto os verdadeiros revolucionários e vanguardistas europeus – a cidade de Beirute é representada aqui como se o mundo ainda estivesse na década de 80.

Aparentemente liberais, eu disse, porque o Líbano deste século continua muito conservador, quase primitivo e cheio de paradoxos – seguindo ainda (infelizmente) os passos muçulmanos que ainda dominam o Oriente Médio, afetada pelas três religiões que co-existem no país (cristianismo, judaísmo e islamismo).

Mesmo tão paradoxal, a vida destas mulheres estão levemente entrelaçadas seja por uma outra pessoa ou por fatos corriqueiros. E, exatamente por serem tão corriqueiros, o roteiro acaba se mostrando um pouco frágil, já que mostrar fatos comuns da vida destas pessoas não é nenhuma novidade para o espectador.

A surpresa fica por conta da ambientação diferente, do ponto de vista oriental e falado em uma língua tão distinta e peculiar à nossa. Além de um fato que é impossível de não reparar: a incrível beleza dessas mulheres (e também dos homens), começando pela “protagonista” Layale, de lindos olhos penetrantes. A trilha sonora é muito boa, e colabora para transportar o espectador a este mundo tão diferente e que pensamos conhecer.

A singularidade, porém, com o qual os tabus são tratados contém uma sensualidade especial – casamento, adultério, homossexualismo, etc. É um filme sexy, mas não vulgar, com enorme colaboração das belezas atuantes.

Para mim o filme é especialmente belo por mostrar uma cultura tão distante, mas tão próxima (meus dois avós maternos eram libaneses). A cena final, na qual uma das personagens canta em um casamento é lindíssima e, honestamente, quase leva aos prantos.

Se não vale uma sessão de cinema (para mim, claro, valeu!), vale alugar para conhecer. O tipo de filme que parece não acrescentar muito, mas conta como um belo conhecimento a mais. Dedico este post ao meu chef, que considera minhas opiniões sobre cinema muito relevantes! Espero que ele assista o filme (e goste), motivado pelo comentário aqui feito.

Título Original: Sukkar Banat
Direção: Nadine Labaki
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (França/Líbano): 2007
Roteiro: Rodney El Haddad, Jihad Hojeily e Nadine Labaki
Trilha Sonora: Khaled Mouzannar
Fotografia: Yves Sehnaoui
Tempo de duração: 95 minutos
Com: Nadine Labaki (Layale), Yasmine Elmasri (Nisrine), Joanna Moukarzel (Rima), Gisèle Aouad (Jamale), Adel Karam (Youssef), Sihame Haddad (Rose), Aziza Semaan (Lili), Fatmeh Safa (Siham), Dimitri Staneofski (Charles), Fadia Stella (Christine) e Ismail Antar (Bassam).

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