Archive for outubro \27\UTC 2009

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O Albergue Espanhol

outubro 27, 2009

Barcelona, como te quiero!

Sol, calor, estudos, baladas, paixões e a linda Barcelona: combinação melhor, impossível!

NOTA: 8,5

Romain Duris não é um ótimo ator; entretanto, não é por isso que deixa de ser um dos meus atores franceses preferidos. E eu o descobri com este Albergue Espanhol, de 2002.

Digo isso pois os motivos que me levam a gostar deste filme são todos pessoais, não levando em conta a fragilidade do roteiro ou a atuação sem graça de Duris. Na verdade, isso não importa para mim. Este é daqueles tocam fundo logo na primeira cena. 

Para contextualizar, eu havia voltado de minha primeira viagem europeia [feita em 2005] – mais especificamente, direto de Barcelona. Se não me engano foi na noite seguinte em que cheguei que tive a oportunidade de assistir a este filme, sem querer, na televisão.

O filme começa com a vida de Xavier, um estudante de economia em Paris prestes a se formar, aos 25 anos. Para aceitar um emprego indicado por seu pai, ele precisa dominar o espanhol. É por isso que decide terminar a faculdade na catalunha, o que não agrada sua namorada Martine – interpretada muito bem por Tautou, que dá a personagem a frieza e mesquinharia necessárias para impulsionar Xavier a novas vivências.

Ao chegar à cidade espanhola, o francês encontra uma residência com gente de toda parte do mundo: a conterrânea Isabelle, a inglesa Wendy [e o irmão desajeitado, William[, a espanhola Soledad, o italiano Alessandro e o egípcio Tobias. Não é fácil conviver com mais seis pessoas em um pequeno apartamento! O melhor destes personagens é a fidelidade, uma vez que escolheram um de cada nacionalidade para representar um pouco do que seu próprio povo representa.

Apesar das adversidades, Xavier descobre um novo mundo, expandindo não só seu domínio no espanhol como também sua própria filosofia de vida e identidade. O filme retrata uma prática comum dos estudantes europeus, de viajar para estudar e conhecer gente nova.

Se no princípio o filme parece chato e cansativo, algumas cenas encantadoras revelam a vida de todos os estudantes de intercâmbio, em um retrato fiel da juventude europeia. A melhor cena, sem dúvidas, é aquela na qual Wendy recebe a inesperada visita do namorado enquanto está com outro homem no quarto, e seus amigos precisam ajudá-la a não ser descoberta.

Personagens bem construídas, paisagens belíssimas da cidade, cenas engraçadas e tocantes, e o desenvolvimento emocional de Xavier se desenrolam aos olhos enamorados dos espectadores que buscarem um agradável retorno às viagens pessoais, ou um retorno à juventude ou ainda um retorno à própria Barcelona – um local de absoluta apologia.

Singelo e delicado, Albergue Espanhol é verossímil ao mostrar os personagens levando vidas cotidianas de estudantes (estudando, fazendo trabalhos, indo para baladas). E é exatamente por este motivo que se torna tão especial – uma viagem parecida feita no início deste ano comprova que o filme, além de verossímil, é uma apologia à saudade. Este é para ter em casa, para poder ver, rever, re-rever…e relembrar.

Título Original:
L’Aubergue Spagnole
Direção: Cédric Klapish
Gênero: Comédia romântica
Ano de Lançamento (França/Espanha): 2002
Roteiro: Cédric Klapish
Trilha Sonora: Loïc Dury
Fotografia: Dominique Colin
Tempo de Duração: 115 minutos
Com: Romain Duris [Xavier], Judith Godrèche [Anne-Sophie], Audrey Tautou [Martine], Cécile de France [Isabelle], Kelly Reily [Wendy], Cristina Brondo [Soledad], Federico D’Anna [Alessandro], Barnaby Metschurat [Tobias], Kevin Bishop [William], Xavier de Guillebon [Jean-Michel], Irene Montalà [Neus], Olivier Raynal [Bruce] e Martine Demaret [mãe de Xavier]

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

outubro 13, 2009

Sombrio e maduro

Nova franquia do bruxinho surpreende os não-leitores com filmagem sombria e atuação madura dos protagonistas

NOTA: 8

Para quem gosta da série dos livros de J. K. Rowling, esta talvez não seja a coluna ideal para se ler. Afinal, além de não ser leitora do fenômeno Harry Potter, considero a própria história do bruxinho mero compêndio de fantasias maiores e mais bem elaboradas – mas isso não vem ao caso.

O que importa, de fato, é que a série de filmes sobre Harry e seus amigos vem ganhando mais notoriedade até mesmo entre o público mais velho, à medida que o tom da narrativa se torna mais denso e sombrio.

Encontramos Harry no sexto ano do colégio Hogwarts de magia, alguns meses após ter perdido a única família que tinha, seu padrinho Sirius Black – como bem se sabe, assassinado por Bellatrix Lestrange no final do longa anterior.

Mas o início deste filme, diferentemente dos outros, assusta até quem já conhece a história. Vemos os Comensais da Morte sobrevoando uma Londres nublada – que, vá lá, não é novidade, mas colabora para a atmosfera ameaçadora. Os cruéis servos de Voldemort passam a atacar os “trouxas”, pessoas comuns, causando furor entre toda a população.

E assim reencontramos Daniel Radcliffe, crescido e com cara de menino-homem, às voltas com as lições de Dumbledore para combater Voldemort, as aulas de magia de Snape e do novo professor, Horácio Slughorn e, inesperadamente, às voltas como novas paixões. Porque, paralelo à história do menino bruxo que luta contra o Lorde das Trevas, está o adolescente que cresceu em busca de novas experiências.

Todo o filme, aliás, é uma forte evidência de que os hormônios estão à flor da pele tanto para Harry quanto para todos os seus colegas. Ron, Hermione e até a já mocinha Gina Weasly exasperam a juventude da idade. O tom, contudo, não está para brincadeiras.

Muito mais sombrio, com tons de cinza e sem muita vivacidade, o mundo da magia está abalado com a revelação de que Você-Sabe-Quem está realmente de volta. E cabe a Harry, ao lado de Dumbledore, tentar descobrir peças importantes na vida de Voldemort enquanto ele ainda era apenas o estudante Tom Riddle. É possível ver o mal em ação, recrutando novos servos, como Draco Malfoy – que, se ainda não havia se revelado como um possível servidor de Voldemort, aqui é preparado para uma missão especial e surpreendente.

O diretor David Yates e o roteirista Steven Kloves acertaram por um lado, mas deixaram uma ponta solta: para aqueles que não leram o livro, a informação sobre o “enigma do príncipe” fique solta no ar. Quem, afinal, é o príncipe mestiço? Qual é este tal enigma tão crucial que precisa ser desvendado?

A resposta vem de maneira bruta e súbita, sem muitas explicações, em um momento de tensão que não permitia interrupções na história dessa maneira. Mas, ainda assim, mesmo confuso para os não-familiarizados com a trama, é latente o medo que envolve o mundo da magia.

Talvez o longa tenha sido salvo, mais uma vez, pelas excelentes atuações de nomes de peso – como Helena Bonham Carter, o maravilhoso Ralph Fiennes, Alan Rickman, Jim Broadbent e o hipponga Michael Gambon. Também é interessante reencontrar alguns itens fantásticos (literalmente) utilizados nos outros filmes, como a capa que deixa invisível e o Mapa do Maroto (o mapa de Hogwarts, que segue os passos de quem se quer observar.

Assim, neste clima de temores e cheio de expectativas negativas, Yates e Kloves preparam os próximos longas que encerram a saga – o último livro, Harry Potter e as Relíquias da Morte, será dividido em duas partes e lançado em 2010 e 2011. Nada mais a fazer, só nos resta esperar o fim dos tempos e a batalha épica do bem contra o mal.

Título Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Direção: David Yates
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Steve Kloves, baseado em livro de J. K. Rowling
Trilha Sonora: Nicholas Hooper
Fotografia: Bruno Delbonnel
Tempo de Duração: 133 minutos
Com: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Rupert Grint (Ron Weasley), Ralph Fiennes (Lord Voldemort), James e Oliver Phelps (Fred e Jorge Weasley), Bonnie Wright (Gina Weasley), Michael Gambon (Alvo Dumbledore), Alan Rickman (Severo Snape), Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange), Jim Broadbent (Horácio Slughorn), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), David Thewlis (Remo Lupin), Maggie Smith (Minerva McGonagall), Tom Felton (Draco Malfoy), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Katie Leung (Cho Chang), Evanna Lynch (Luna Lovegood), Mark Williams (Arthur Weasley) e Julie Walters (Molly Weasley).

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Os Imperdoáveis

outubro 9, 2009

Imbatível

Como sempre fenomenal, Clint Eastwood presenteia os fãs do velho oeste com um dos precursores de seu estilo atual

NOTA: 9,5

O filme é de 92, mas quem se importa? Não estou aqui para falar só de novidades, mas daquilo que merece ser dito – ou mal-falado. Felizmente, não é este o caso de Os Imperdoáveis que, como sugere a grafia, é imperdível.

Clint Eastwood novamente. Porque ele é simplesmente um dos maiores atores do cinema atual. E com este longa, ele encerra definitivamente sua carreira de bandoleiro do velho oeste interpretando o bandido Bill Munny. Morgan Freeman, ao lado do velho Clint, faz uma das duplas mais bem-sucedidas da história do cinema e, ao mesmo tempo, a mais abatida.

Munny e Ned Logan, dois pistoleiros aposentados, são ofertados por um jovem e petulante malandro com uma proposta que, nos tempos da juventude, seria irresistível: mil dólares para matar os homens que cortaram o rosto de uma jovem prostituta. Com família e já assentados, eles recusam em um primeiro momento, acreditando que a vida de bandido estava acabada.

O espírito pistoleiro, entretanto, fala mais alto no coração de Munny e ele convence o amigo a participar da empreitada, que tinha tudo para ser um sucesso – considerando a carreira e a fama que conquistaram com o tempo. A sutileza aparece nos momentos mais cruciais, quando os dois precisam de toda a mira para matar e a visão gasta já não permite mais.

Cheios de compaixão e definitivamente cansados daquele tipo de vida, os bandoleiros só decidem levar a cabo a missão por questão (sempre!) de honra. Belo, triste e de um incrível realismo, os imperdoáveis justificam seu epíteto no final mais emocionante e empolgante da história faroeste.

Ainda mais envolvente se torna o filme quando sabemos que, a partir daquele momento, Clint abandona os chapéus de abas largas e as pistolas para viver papéis muito mais profundos, e também para dirigir outros filmes que entraram para a concorrida lista dos 100 melhores filmes do século – como As Pontes de Madison, Menina de Ouro e o recente [e maravilhoso] Gran Torino.

Encerrando o bangue-bangue em grande estilo, Os Imperdoáveis foi o responsável por levantar a bola do gênero na década de 90, imortalizar a carreira de Clint e emocionar até os mais durões fãs do western.

Título Original: Unforgiven
Direção: Clint Eastwood
Gênero: Faroeste
Ano de Lançamento (EUA): 1992
Roteiro: Clint Eastwood
Trilha Sonora: Lennie Niehaus
Fotografia: Jack N. Green
Tempo de Duração: 131 minutos
Com: Clint Eastwood (Bill Munny), Morgan Freeman (Ned Logan), Gene Hackman (Little Bill Dagget), Richard Harris (Bob, o inglês), Jaimz Woolvett (Schofield Kid), Saul Rubinek (W.W. Beauchamp) e Anna Levine (Delilah Fitzgerald).