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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

outubro 13, 2009

Sombrio e maduro

Nova franquia do bruxinho surpreende os não-leitores com filmagem sombria e atuação madura dos protagonistas

NOTA: 8

Para quem gosta da série dos livros de J. K. Rowling, esta talvez não seja a coluna ideal para se ler. Afinal, além de não ser leitora do fenômeno Harry Potter, considero a própria história do bruxinho mero compêndio de fantasias maiores e mais bem elaboradas – mas isso não vem ao caso.

O que importa, de fato, é que a série de filmes sobre Harry e seus amigos vem ganhando mais notoriedade até mesmo entre o público mais velho, à medida que o tom da narrativa se torna mais denso e sombrio.

Encontramos Harry no sexto ano do colégio Hogwarts de magia, alguns meses após ter perdido a única família que tinha, seu padrinho Sirius Black – como bem se sabe, assassinado por Bellatrix Lestrange no final do longa anterior.

Mas o início deste filme, diferentemente dos outros, assusta até quem já conhece a história. Vemos os Comensais da Morte sobrevoando uma Londres nublada – que, vá lá, não é novidade, mas colabora para a atmosfera ameaçadora. Os cruéis servos de Voldemort passam a atacar os “trouxas”, pessoas comuns, causando furor entre toda a população.

E assim reencontramos Daniel Radcliffe, crescido e com cara de menino-homem, às voltas com as lições de Dumbledore para combater Voldemort, as aulas de magia de Snape e do novo professor, Horácio Slughorn e, inesperadamente, às voltas como novas paixões. Porque, paralelo à história do menino bruxo que luta contra o Lorde das Trevas, está o adolescente que cresceu em busca de novas experiências.

Todo o filme, aliás, é uma forte evidência de que os hormônios estão à flor da pele tanto para Harry quanto para todos os seus colegas. Ron, Hermione e até a já mocinha Gina Weasly exasperam a juventude da idade. O tom, contudo, não está para brincadeiras.

Muito mais sombrio, com tons de cinza e sem muita vivacidade, o mundo da magia está abalado com a revelação de que Você-Sabe-Quem está realmente de volta. E cabe a Harry, ao lado de Dumbledore, tentar descobrir peças importantes na vida de Voldemort enquanto ele ainda era apenas o estudante Tom Riddle. É possível ver o mal em ação, recrutando novos servos, como Draco Malfoy – que, se ainda não havia se revelado como um possível servidor de Voldemort, aqui é preparado para uma missão especial e surpreendente.

O diretor David Yates e o roteirista Steven Kloves acertaram por um lado, mas deixaram uma ponta solta: para aqueles que não leram o livro, a informação sobre o “enigma do príncipe” fique solta no ar. Quem, afinal, é o príncipe mestiço? Qual é este tal enigma tão crucial que precisa ser desvendado?

A resposta vem de maneira bruta e súbita, sem muitas explicações, em um momento de tensão que não permitia interrupções na história dessa maneira. Mas, ainda assim, mesmo confuso para os não-familiarizados com a trama, é latente o medo que envolve o mundo da magia.

Talvez o longa tenha sido salvo, mais uma vez, pelas excelentes atuações de nomes de peso – como Helena Bonham Carter, o maravilhoso Ralph Fiennes, Alan Rickman, Jim Broadbent e o hipponga Michael Gambon. Também é interessante reencontrar alguns itens fantásticos (literalmente) utilizados nos outros filmes, como a capa que deixa invisível e o Mapa do Maroto (o mapa de Hogwarts, que segue os passos de quem se quer observar.

Assim, neste clima de temores e cheio de expectativas negativas, Yates e Kloves preparam os próximos longas que encerram a saga – o último livro, Harry Potter e as Relíquias da Morte, será dividido em duas partes e lançado em 2010 e 2011. Nada mais a fazer, só nos resta esperar o fim dos tempos e a batalha épica do bem contra o mal.

Título Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Direção: David Yates
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Steve Kloves, baseado em livro de J. K. Rowling
Trilha Sonora: Nicholas Hooper
Fotografia: Bruno Delbonnel
Tempo de Duração: 133 minutos
Com: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Rupert Grint (Ron Weasley), Ralph Fiennes (Lord Voldemort), James e Oliver Phelps (Fred e Jorge Weasley), Bonnie Wright (Gina Weasley), Michael Gambon (Alvo Dumbledore), Alan Rickman (Severo Snape), Helena Bonham Carter (Bellatrix Lestrange), Jim Broadbent (Horácio Slughorn), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), David Thewlis (Remo Lupin), Maggie Smith (Minerva McGonagall), Tom Felton (Draco Malfoy), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Katie Leung (Cho Chang), Evanna Lynch (Luna Lovegood), Mark Williams (Arthur Weasley) e Julie Walters (Molly Weasley).

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One comment

  1. Eu sou absurdamente fã. Mas a primeira vez que vi esse filme eu acho que nunca tinha odiado tanto um diretor por estragar tanto um livro… Aquela coisa de "precisava mudar tanto a coisa toda?" e tal. mas a segunda vez, eu tirei a capa de fã e fui analisar o resto. Bem… a fotografia dele e seus efeitos são muito bem feitos e ótimos de ver, o tom sombrio que o livro passa, o filme incorporou dando a quem assistia a idéia de que "a coisa tava feia" mesmo. E nesse ponto eu tiro o chapéu. Realmente ficou bom.Mas novamente a fã falando… Esse foi o pior filme da série! Foi insuportavelmente decepcionante em relação ao livro… aquela coisa de "precisavam mesmo fazer isso com a história?" me veio à mente tantas vezes que vc não faz idéia.No mais, o artigo ta excelente. Até pra uma fã! =)=*



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