Archive for dezembro \24\UTC 2009

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O Casamento do Meu Melhor Amigo

dezembro 24, 2009

Ele disse não

Comédia romântica sobre o relacionamento do melhor amigo, este filme lançou a carreira de muitos atores e  tem uma das cenas mais memoráveis do  cinema

NOTA: 7,5

Este filme não é tão antigo assim, mas já é um clássico absoluto tanto entre o público  feminino quanto masculino. O que muito  colabora para seu sucesso é o inegável  carisma [e beleza] de Julia Roberts que, à  época tinha 30 anos – mas aparentava  alguns a menos.

Somente ela já faz o filme valer a pena. Como não bastasse, Dermot Mulroney, igualmente aparentando bem menos idade do que seus 34 anos diziam, esbanja talento e sensualidade. Além destes dois grandes nomes, há uma ainda inexperiente e belíssima Cameron Diaz, para completar um elenco que não podia ficar mais bonito.

Em 1997, este foi o primeiro filme de grande sucesso tanto de Cameron [que se lançou com O Máscara, de 1994] quanto de Dermot – Julia já era Uma Linda Mulher há anos. A história dos grandes amigos Julianne e Michael tem um longo histórico, desde a época no qual, ainda jovens, prometeram-se que se ainda estivessem solteiros quando completassem 30 anos, se casariam.

Às vésperas da data, Julianne recebe a notícia de que Michael iria se casar e que ela havia sido convidada para ser uma das madrinhas. Julianne, confusa com os próprios sentimentos, aceita em consideração ao velho amigo, mas não tarde demais para admitir que sempre o amou.

Disposta a fazer Michael desistir de Kimberly, sua nova [e afetada] noiva, Julianne usa de todas as táticas possíveis. Na cena mais memorável do filme – aquela na qual, no jantar de noivado, o restaurante todo solta a voz para cantar I Say a Little Pray for You, por Diana King – George, amigo de Julianne, interpreta bem seu papel de namorado lindo, simpático, engraçado – e gay!

Sem sucesso na empreitada, George convence Julianne a dizer a verdade para Michael, de que ela estava apaixonada. Talvez o grande sucesso do filme seja exatamente o fracasso, e a frustração de se convencer de que as coisas não saem como planejamos, ou como queremos.

Apesar de ser um sucesso inegável, é necessário ressaltar que, assim como temos simpatia por Julianne e sua tentativa desesperada, também nos afeiçoamos aos noivos. Chatinha, a personagem de Julia chega mesmo a irritar com sua insistência.

Isso inevitavelmente cria uma tensão psicológica que só ao final do filme será ajustada – com aquilo que achamos que seria “o certo”, ainda que não possa ser chamado de final feliz. Assim, Julianne tem sua redenção, de certa forma, enquanto ela se conforma com a escolha de seu amigo, os dois noivos têm o aval do próprio espectador para serem felizes.

Título Original: My Best Friend’s Wedding
Direção: P. J. Hogan
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (EUA): 1997
Roteiro: Ronald Bass
Trilha Sonora: James Newton Howard
Fotografia: László Kovács
Tempo de Duração: 95 minutos
Com: Julia Roberts [Julianne Potter], Dermot Mulroney [Michael O’Neal], Cameron Diaz [Kimberly Wallace], Rupert Everett [George Downes], Philip Bosco [Walter Wallace], Philip Bosco [Walter Wallace], M. Emmet Walsh [Joe O’Neal], Rachel Griffiths [Samantha Newhouse], Carrie Preston [Mandy Newhouse], Susan Sullivan [Isabelle Wallace], Christopher Masterson [Scotty O’Neal] e Paul Giamatti.

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Up – Altas Aventuras

dezembro 16, 2009

Nas alturas…

Cotado como um dos melhores filmes do ano, Up – Altas Aventuras retrata, de maneira belíssima e singela, a reviravolta na vida de um velhinho

NOTA: 9,5

Cotado como um dos melhores filmes de 2009, indicado ao prêmio de Melhor Animação ao Globo de Ouro – e, portanto, um dos favoritos ao Oscar do ano que vem – a nova animação da Pixar realmente deu o que falar.

E não foi por pouca coisa: com 10 minutos iniciais de emocionar até o mais durão dos machões, a história da vida de Carl Fredericksen desliza diante de nossos olhos despreparados – e, ao final, embotados – com beleza e delicadeza impressionantes. A falta proposital de diálogos torna ainda tudo mais poético – e nos deixamos embalar com a deliciosa trilha sonora, que dá o tom exato à narrativa.

Não fossem estes 10 minutos, aliás, o longa seria bem diferente. Pois a história de Carl e do pequeno Russel começa justamente no ponto em que já conhecemos os motivos do velhinho ser considerado rabugento e ranzinza [uma das mais magníficas cenas, inclusive, é aquela na qual ele desce as escadas por meio de uma cadeirinha elétrica instalada no corrimão, ao som da inconfundível e maravilhosa ópera Carmen, de George Bizet].

Ex-vendedor de balões aposentado – e, com a morte da esposa Ellie, viúvo – Carl, aos 78 anos, está à beira de ser despejado da casa que construiu com a amada para viver em um asilo – por um motivo cômico e triste, ao mesmo tempo. Desesperado com a tentativa pública de ter que se desfazer de sua tão querida morada – na qual todos os objetos de Ellie permanecem na mesmíssima posição desde sua morte -, ele bola o plano perfeito.

Um belo dia, pouco antes de ser “levado” pelos enfermeiros do asilo, Carl recebe a visita de Russel, o enérgico escoteiro de 8 anos que tenta de todas as formas vender suas coisinhas ao antipático senhor. O que ninguém esperava, contudo, é que Carl fosse de fato ser levado nuvens acima: amarrado em milhares de balões de gás coloridos, ele desaparece da cidade.

Seu desejo é realizar o antigo sonho de Ellie de conhecer a América do Sul e viver perto de uma grande e bela cachoeira, imaginada por anos a fio como a paisagem idílica do paraíso. O que o Sr. Fredericksen não esperava era a companhia de Russel, inoportuno – e assustadíssimo – que sem querer fica “preso” na casa voadora. O vovô, totalmente contra sua vontade, é obrigado a aceitar o novo passageiro.

A viagem de Carl e Russel “termina” quando aterrissam em um lugar diferente, desabitado e aparentemente perigoso. Os balões já murchavam, outros estouravam, e a casa começava a perder estabilidade. Os dois aventureiros passam a encontrar muitas criaturas bizarras, como o belo pássaro pré-histórico, todo colorido, e o divertido cachorrinho falante, Dug.

Quando disse que não fossem os minutos iniciais Up poderia ser diferente, se refere ao fato de que, após analisar a tecnologia e o roteiro, constatamos que, juntos, ambos fazem a diferença – e que, consequentemente, sozinhos, talvez não fizessem! O roteiro do longa falha em algumas coisas, assim como a tecnologia não me impressionou tanto quanto em filmes mais antigos do estúdio, como Procurando Nemo.

A locação tão sonhada de Carl e Ellie é, em si, feia. Rochosa e arisca, muito diferente daquilo que imaginamos como um local perfeito e paradisíaco. Além disso, a própria relação entre Carl e Russel é um pouco forçada, uma vez que os personagens não tem tantas coisas em comum que pudessem cativar um ao outro, exceto por pequenos detalhes. Para arrematar, o vilão tem um final tão previsível quanto todos os outros filmes de bandido x mocinho da Disney – o que, por si só, desaponta um pouco.

Embora com algumas ressalvas, pode-se afirmar com segurança que Up é um dos melhores filmes da Pixar, concorrendo com outras estrelas como Monstros S. A. e Wall-E. Estes dois últimos, assim como a história de Carl Fredericksen, abordam histórias não-convencionais ao público infantil, e atraem pela originalidade da trama.

Se o primeiro lidava com a perda de uma pessoa querida pela maturidade, o segundo lida com o amor incondicional [coisa que as crianças, mesmo, só vão entender quando deixam de ser crianças], o terceiro trata da triste e solitária vida de um senhor que está cansado de tudo aquilo, principalmente por conta da morte de sua querida esposa – voltando ao tema da morte de familiares tratada com tanta destreza pelo clássico 2D O Rei Leão.

E é claro que as gags de Up são infalíveis. O cenário, apesar de ter desapontado um pouquinho, é deslumbrante, e a maneira como se construíram os detalhes digitais dos personagens é um espetáculo a parte. O melhor de tudo, mesmo, talvez seja a dublagem e sonoplastia que os diretores optaram por usar.

Primeiro, ver Chico Anysio como Carl é fascinante. A habilidade que este homem tem para conferir tanta emoção e humanidade ao personagem é de fato impressionante! A voz do doberman líder é, também, uma das melhores gags do longa, que fazem eco com o excelente A Era do Gelo 3.

Sinceramente, são estes os filmes que valem a pena: que levam das lágrimas ao riso em poucos minutos – e que, quando saímos do cinema, temos vontade de voltar para mais uma sessão.

Título Original: Up
Direção: Pete Docter
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Direção de Arte: Ralph Eggleston
Tempo de Duração: 96 minutos
Com: Edward Asner/Chico Anysio [Carl Fredericksen], Jordan Nagai/Eduardo Drummond [Russel], Christopher Plummer/Jomery Pozolli [Charles Muntz], Bob Petersen/Nizo Neto [Dug], Delroy Lindo/Reginaldo Primo [Beta], Jerome Ranft/Marco Ribeiro [Gamma], Bob Peterson/Duda Ribeiro [Alpha] e John Ratzenberger/Anderson Coutinho [Tom/mestre de obras].

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A Outra História Americana

dezembro 8, 2009

Triste realidade

Filme sobre racismo e redenção são temática de um dos primeiros longas do então promissor ator Edward Norton

NOTA: 9

Como eu já comentei algumas vezes neste blog, existem alguns atores com os quais temos identificações imediatas, desde o primeiro momento que os vemos atuando. Eu, como todo cinéfilo – acima de tudo! – tenho atores preferidos, e procuro assistir toda a obra de cada um para conhecer exatamente quem eles são – dentro e fora dos filmes.

Embora seja um artista muito discreto em sua vida pessoal [diferentemente de outros astros de que gosto muito, como o próprio Brad Pitt], Edward Norton é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores atores de sua geração. Seus maiores papéis, também sem dúvida nenhuma, foram aqueles que o levaram ao limite.

Personagens complexas e problemáticas, até esquizofrênicas, como é o caso do neonazista Derek Vinyard, desenvolvido no ótimo A Outra História Americana. Este filme de 1998 é o terceiro da carreira do ator, e foi com ele que Norton ganhou projeção internacional – e um posterior convite para estrelar outro problemático no já clássico Clube da Luta.

A outra história americana conta, como sugere o título, sobre uma sociedade que ninguém vê, a sociedade do subúrbio norte-americano, cheia de preconceitos e graves problemas. Um deles é o próprio Derek. Influenciado desde cedo pelo pai a criar pré-conceitos contra negros, judeus e qualquer outra raça que não os caucasianos, Derek vai se alimenta pela ideia que o pai lhe incute de que os negros não prestam, e deveriam todos ser mandados para outro lugar que não os Estados Unidos.

Quando o pai é assassinado, Derek se vê obrigado a cuidar da família: a mãe e dois irmãos: Doris e o caçula Daniel que, apesar de sempre querer seguir os passos do irmão, demonstrou não concordar [ou entender] aquilo que pai pregava. Obviamente, como toda família suburbana do país, eles estudavam em colégios públicos e tinham amigos negros.

Derek cresce, e forma uma gangue de racistas. Bom interlocutor, ele consegue juntar ao seu redor um grupo de delinquentes inconsequentes, que saem pela cidade aterrorizando a vizinhança – tal o medievalismo. A violência e radicalismo levam-no a cometer um dos crimes mais atrozes da história do cinema.

Preso, Derek começa a conviver com outra realidade totalmente diferente. Na cadeia, ele vê que aquilo em que ele acreditava ser uma maneira melhor de viver é pura bobagem, disseminada por homens carecas e acerebrados. Mesmo relutante, ele conhece um homem [negro, claro] que o ensina importantes lições de moral. Quando ele sai da prisão, após três anos deve conviver e consertar a realidade que seu irmão caçula, Danny, adotou para si e seus jovens amigos.

Com maestria, Derek dá vida a esse homem perturbado e em busca da redenção de seus valores pessoais, que deve não somente conduzir a própria vida e de sua família, de sua namorada Stacey, como também guiar todos aqueles que o seguiram por anos a fio, através de uma ideologia falha e estúpida. Uma violência que ele próprio cultivou e disseminou. E é claro que o mérito vai para McKenna, que escreveu um roteiro polêmico e, ao mesmo tempo, bonito. Se não me engano, este é um dos primeiros filmes a retratar esta temática com tanta precisão e verossimilhança.

O elenco coadjuvante também é muito bom. A direção de arte e a direção são boas, apesar de não terem particularmente chamado minha atenção para nenhuma cena em particular. É evidente que a cena de agressão quando da prisão de Derek é bem feita, e pudica o suficiente para não mostrar a violência do ato.

Este, talvez, tenha sido a única falha que eu poderia apontar. Não chega a ser um erro, mas é mais uma escolha talvez não acertada do diretor. Não é uma questão de fazer filmes violentos, mas, já que se retrata um tema tão grotesco quanto o neonazismo no século XXI, uma intervenção mais chocante poderia ter caído bem.

Título Original: American History X
Direção: Tony Kaye
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 1998
Roteiro: David McKenna
Trilha Sonora: Anne Dudley
Fotografia: J. Kyler Black e Dan Olexiewicz
Tempo de Duração: 119 minutos
Com: Edward Norton [Derek Vinyard], Edward Furlong [Danny Vinyard], Beverly D’Angelo [Doris Vinyard], Jennifer Lien [Davina Vinyard], Ethan Suplee [Seth], Fairuza Balk [Stacey], Avery Brooks [Dr. Bob Sweeney], Elliott Gould [Murray], Stacy Keach [Cameron Alexander], Guy Torry [Lamont], William Russ [Dennos Vinyard], Joseph Cortese [Rasmussen], Jason Bose Smith [Little Henry], Antonio David Lyons [Lawrence] e Alex Sol [Match McCormick]

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Paris

dezembro 1, 2009
Enchanté 

Novo filme de Cédric Klapish aborda a vida parisiense sob a ótica de vários personagens, a lá Robert Altman

NOTA: 7,5

Com um título desses, e com a trajetória dos últimos anos do cineasta Cédric Klapish, eu não poderia deixar de assistir este Paris, lançado no meio deste ano. Afinal, qualquer que fosse a premissa, é sempre bom recordar.

Paris! Ah, Paris! Terra dos encantos mil, iluminada por sua centelha cultural, por prédios baixos, visual verdejante e de atmosfera arrebatadora. É assim, neste clima de total embriaguez, que Klapish presta uma singela homenagem à tão adorada cidade-luz.

Adorada, cultuada, Paris embala os sonhos de todos os brasileiros que refletem nela a essência da Europa. É exatamente esta essência que o diretor tenta aproximar ao nível cotidiano dos habitantes da cidade.

Assim como a parceria Almodóvar-Cruz e Allen-Johanson parece funcionar, Klapish traz novamente à cena Romain Duris, interpretando o bonitão e solteiro Pierre, um dançarino que logo no princípio descobre precisar de um transplante de coração para poder sobreviver. Mergulhando na profunda carga emocional do personagem, a irmã Élise [Juliette, mais linda do que nunca] parece ser o sustentáculo da família, sempre forte e resistente – tentando passar ao caçula estas mesmas características.

Assim, do mesmo jeito que conhecemos estes irmãos, embarcamos na história de diversas personagens que, sutilmente, entrelaçam seus caminhos. É a linda vizinha de Pierre, que começa a ter um caso com o professor da universidade, o vendedor de frutas que se relaciona com a moça da padaria que Pierre frequenta…Paris é desconstruída aos nossos olhos pelos próprios habitantes.

Embora tenha o mesmo clima leve e extasiante de seus predecessores O Albergue Espanhol e Bonecas Russas, a construção narrativa é diferente. E, exatamente por não colocar as personagens todas em um mesmo ambiente, talvez Klapish não tenha sabido dar a profundidade necessária a elas.

O roteiro é desconexo, algumas frases de efeito são tão clichês que chegam a incomodar. O mais curioso, entretanto, é que o professor de história apareça exatamente em sua função: a de explicar o que está acontecendo ali.

O tema da imigração é um outro defeito que considero grave. Todos sabemos que os africanos já fazem parte da população parisiense e, quem sabe, daqui alguns anos eles sejam a maioria. Assim, a história dos imigrantes surge como um elo frouxo, como só mais um clichê. Duris, embora trabalhe muito bem, também funciona como a parte mais constrangedora e piegas [talvez desnecessária] do longa.

Apesar de confuso, as histórias são divertidas e nos deixamos envolver com algumas delas. Sentimos as dimensões de Paris, que nos mostra sua grandeza e pequenez – geográfica e metaforicamente.

O final causa um estranhamento inexplicável. Mesmo tendo gostado do filme, ficamos com a sensação de que faltava alguma coisa acontecer. A explicação pode vir do fato de que talvez as historietas sejam um reflexo da sociedade parisiense, mas, ao mesmo tempo [e isto é óbvio], são histórias que ocorrem em toda parte do mundo.

Assim, mesmo querendo mostrar o quanto Paris é única, singular e até mesmo insubstituível para quem lá vive, Klapish cai na armadilha de mostrar uma cidade como outra qualquer, em belíssimos cenários, com personagens comuns e pouco aprofundados, que reconhecemos em nossos próprios relacionamentos pessoais.

Titulo Original: Paris
Direção: Cédric Klapish
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (França): 2008
Roteiro: Cédric Klapish
Trilha sonora: vários
Tempo de Duração: 130 minutos
Com: Juliette Binoche [Élise], Romain Duris [Pierre], Fabrice Luchini [Roland Verneuil], Albert Dupontel [Jean], François Cluzet [Philippe Verneuil] e Karin Viard [a padeira].