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Paris

dezembro 1, 2009
Enchanté 

Novo filme de Cédric Klapish aborda a vida parisiense sob a ótica de vários personagens, a lá Robert Altman

NOTA: 7,5

Com um título desses, e com a trajetória dos últimos anos do cineasta Cédric Klapish, eu não poderia deixar de assistir este Paris, lançado no meio deste ano. Afinal, qualquer que fosse a premissa, é sempre bom recordar.

Paris! Ah, Paris! Terra dos encantos mil, iluminada por sua centelha cultural, por prédios baixos, visual verdejante e de atmosfera arrebatadora. É assim, neste clima de total embriaguez, que Klapish presta uma singela homenagem à tão adorada cidade-luz.

Adorada, cultuada, Paris embala os sonhos de todos os brasileiros que refletem nela a essência da Europa. É exatamente esta essência que o diretor tenta aproximar ao nível cotidiano dos habitantes da cidade.

Assim como a parceria Almodóvar-Cruz e Allen-Johanson parece funcionar, Klapish traz novamente à cena Romain Duris, interpretando o bonitão e solteiro Pierre, um dançarino que logo no princípio descobre precisar de um transplante de coração para poder sobreviver. Mergulhando na profunda carga emocional do personagem, a irmã Élise [Juliette, mais linda do que nunca] parece ser o sustentáculo da família, sempre forte e resistente – tentando passar ao caçula estas mesmas características.

Assim, do mesmo jeito que conhecemos estes irmãos, embarcamos na história de diversas personagens que, sutilmente, entrelaçam seus caminhos. É a linda vizinha de Pierre, que começa a ter um caso com o professor da universidade, o vendedor de frutas que se relaciona com a moça da padaria que Pierre frequenta…Paris é desconstruída aos nossos olhos pelos próprios habitantes.

Embora tenha o mesmo clima leve e extasiante de seus predecessores O Albergue Espanhol e Bonecas Russas, a construção narrativa é diferente. E, exatamente por não colocar as personagens todas em um mesmo ambiente, talvez Klapish não tenha sabido dar a profundidade necessária a elas.

O roteiro é desconexo, algumas frases de efeito são tão clichês que chegam a incomodar. O mais curioso, entretanto, é que o professor de história apareça exatamente em sua função: a de explicar o que está acontecendo ali.

O tema da imigração é um outro defeito que considero grave. Todos sabemos que os africanos já fazem parte da população parisiense e, quem sabe, daqui alguns anos eles sejam a maioria. Assim, a história dos imigrantes surge como um elo frouxo, como só mais um clichê. Duris, embora trabalhe muito bem, também funciona como a parte mais constrangedora e piegas [talvez desnecessária] do longa.

Apesar de confuso, as histórias são divertidas e nos deixamos envolver com algumas delas. Sentimos as dimensões de Paris, que nos mostra sua grandeza e pequenez – geográfica e metaforicamente.

O final causa um estranhamento inexplicável. Mesmo tendo gostado do filme, ficamos com a sensação de que faltava alguma coisa acontecer. A explicação pode vir do fato de que talvez as historietas sejam um reflexo da sociedade parisiense, mas, ao mesmo tempo [e isto é óbvio], são histórias que ocorrem em toda parte do mundo.

Assim, mesmo querendo mostrar o quanto Paris é única, singular e até mesmo insubstituível para quem lá vive, Klapish cai na armadilha de mostrar uma cidade como outra qualquer, em belíssimos cenários, com personagens comuns e pouco aprofundados, que reconhecemos em nossos próprios relacionamentos pessoais.

Titulo Original: Paris
Direção: Cédric Klapish
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (França): 2008
Roteiro: Cédric Klapish
Trilha sonora: vários
Tempo de Duração: 130 minutos
Com: Juliette Binoche [Élise], Romain Duris [Pierre], Fabrice Luchini [Roland Verneuil], Albert Dupontel [Jean], François Cluzet [Philippe Verneuil] e Karin Viard [a padeira].
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