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A Outra História Americana

dezembro 8, 2009

Triste realidade

Filme sobre racismo e redenção são temática de um dos primeiros longas do então promissor ator Edward Norton

NOTA: 9

Como eu já comentei algumas vezes neste blog, existem alguns atores com os quais temos identificações imediatas, desde o primeiro momento que os vemos atuando. Eu, como todo cinéfilo – acima de tudo! – tenho atores preferidos, e procuro assistir toda a obra de cada um para conhecer exatamente quem eles são – dentro e fora dos filmes.

Embora seja um artista muito discreto em sua vida pessoal [diferentemente de outros astros de que gosto muito, como o próprio Brad Pitt], Edward Norton é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores atores de sua geração. Seus maiores papéis, também sem dúvida nenhuma, foram aqueles que o levaram ao limite.

Personagens complexas e problemáticas, até esquizofrênicas, como é o caso do neonazista Derek Vinyard, desenvolvido no ótimo A Outra História Americana. Este filme de 1998 é o terceiro da carreira do ator, e foi com ele que Norton ganhou projeção internacional – e um posterior convite para estrelar outro problemático no já clássico Clube da Luta.

A outra história americana conta, como sugere o título, sobre uma sociedade que ninguém vê, a sociedade do subúrbio norte-americano, cheia de preconceitos e graves problemas. Um deles é o próprio Derek. Influenciado desde cedo pelo pai a criar pré-conceitos contra negros, judeus e qualquer outra raça que não os caucasianos, Derek vai se alimenta pela ideia que o pai lhe incute de que os negros não prestam, e deveriam todos ser mandados para outro lugar que não os Estados Unidos.

Quando o pai é assassinado, Derek se vê obrigado a cuidar da família: a mãe e dois irmãos: Doris e o caçula Daniel que, apesar de sempre querer seguir os passos do irmão, demonstrou não concordar [ou entender] aquilo que pai pregava. Obviamente, como toda família suburbana do país, eles estudavam em colégios públicos e tinham amigos negros.

Derek cresce, e forma uma gangue de racistas. Bom interlocutor, ele consegue juntar ao seu redor um grupo de delinquentes inconsequentes, que saem pela cidade aterrorizando a vizinhança – tal o medievalismo. A violência e radicalismo levam-no a cometer um dos crimes mais atrozes da história do cinema.

Preso, Derek começa a conviver com outra realidade totalmente diferente. Na cadeia, ele vê que aquilo em que ele acreditava ser uma maneira melhor de viver é pura bobagem, disseminada por homens carecas e acerebrados. Mesmo relutante, ele conhece um homem [negro, claro] que o ensina importantes lições de moral. Quando ele sai da prisão, após três anos deve conviver e consertar a realidade que seu irmão caçula, Danny, adotou para si e seus jovens amigos.

Com maestria, Derek dá vida a esse homem perturbado e em busca da redenção de seus valores pessoais, que deve não somente conduzir a própria vida e de sua família, de sua namorada Stacey, como também guiar todos aqueles que o seguiram por anos a fio, através de uma ideologia falha e estúpida. Uma violência que ele próprio cultivou e disseminou. E é claro que o mérito vai para McKenna, que escreveu um roteiro polêmico e, ao mesmo tempo, bonito. Se não me engano, este é um dos primeiros filmes a retratar esta temática com tanta precisão e verossimilhança.

O elenco coadjuvante também é muito bom. A direção de arte e a direção são boas, apesar de não terem particularmente chamado minha atenção para nenhuma cena em particular. É evidente que a cena de agressão quando da prisão de Derek é bem feita, e pudica o suficiente para não mostrar a violência do ato.

Este, talvez, tenha sido a única falha que eu poderia apontar. Não chega a ser um erro, mas é mais uma escolha talvez não acertada do diretor. Não é uma questão de fazer filmes violentos, mas, já que se retrata um tema tão grotesco quanto o neonazismo no século XXI, uma intervenção mais chocante poderia ter caído bem.

Título Original: American History X
Direção: Tony Kaye
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 1998
Roteiro: David McKenna
Trilha Sonora: Anne Dudley
Fotografia: J. Kyler Black e Dan Olexiewicz
Tempo de Duração: 119 minutos
Com: Edward Norton [Derek Vinyard], Edward Furlong [Danny Vinyard], Beverly D’Angelo [Doris Vinyard], Jennifer Lien [Davina Vinyard], Ethan Suplee [Seth], Fairuza Balk [Stacey], Avery Brooks [Dr. Bob Sweeney], Elliott Gould [Murray], Stacy Keach [Cameron Alexander], Guy Torry [Lamont], William Russ [Dennos Vinyard], Joseph Cortese [Rasmussen], Jason Bose Smith [Little Henry], Antonio David Lyons [Lawrence] e Alex Sol [Match McCormick]

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3 comentários

  1. Amei esse filme. Simplesmente muito bom!Ótima análise Mamá.Beijos, NI


  2. Nossa. Eu não assisti isso? Merda, minha memória está falhando e eu não tenho certeza… porque eu ADORO ESSE TIPO DE FILME – filmes sobre ódio, racismo, intolerância. Não faço questão que tenham finais felizes.


  3. Escrevi um artigo sobre o filme contando o grande problema ideológico de “controle de mentes” que ainda existe hoje. Indico aqui: http://lounge.obviousmag.org/fabulas_do_mundo_esquecido/2014/07/os-dois-lados-racistas-de-a-outra-historia-americana.html



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