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Up – Altas Aventuras

dezembro 16, 2009

Nas alturas…

Cotado como um dos melhores filmes do ano, Up – Altas Aventuras retrata, de maneira belíssima e singela, a reviravolta na vida de um velhinho

NOTA: 9,5

Cotado como um dos melhores filmes de 2009, indicado ao prêmio de Melhor Animação ao Globo de Ouro – e, portanto, um dos favoritos ao Oscar do ano que vem – a nova animação da Pixar realmente deu o que falar.

E não foi por pouca coisa: com 10 minutos iniciais de emocionar até o mais durão dos machões, a história da vida de Carl Fredericksen desliza diante de nossos olhos despreparados – e, ao final, embotados – com beleza e delicadeza impressionantes. A falta proposital de diálogos torna ainda tudo mais poético – e nos deixamos embalar com a deliciosa trilha sonora, que dá o tom exato à narrativa.

Não fossem estes 10 minutos, aliás, o longa seria bem diferente. Pois a história de Carl e do pequeno Russel começa justamente no ponto em que já conhecemos os motivos do velhinho ser considerado rabugento e ranzinza [uma das mais magníficas cenas, inclusive, é aquela na qual ele desce as escadas por meio de uma cadeirinha elétrica instalada no corrimão, ao som da inconfundível e maravilhosa ópera Carmen, de George Bizet].

Ex-vendedor de balões aposentado – e, com a morte da esposa Ellie, viúvo – Carl, aos 78 anos, está à beira de ser despejado da casa que construiu com a amada para viver em um asilo – por um motivo cômico e triste, ao mesmo tempo. Desesperado com a tentativa pública de ter que se desfazer de sua tão querida morada – na qual todos os objetos de Ellie permanecem na mesmíssima posição desde sua morte -, ele bola o plano perfeito.

Um belo dia, pouco antes de ser “levado” pelos enfermeiros do asilo, Carl recebe a visita de Russel, o enérgico escoteiro de 8 anos que tenta de todas as formas vender suas coisinhas ao antipático senhor. O que ninguém esperava, contudo, é que Carl fosse de fato ser levado nuvens acima: amarrado em milhares de balões de gás coloridos, ele desaparece da cidade.

Seu desejo é realizar o antigo sonho de Ellie de conhecer a América do Sul e viver perto de uma grande e bela cachoeira, imaginada por anos a fio como a paisagem idílica do paraíso. O que o Sr. Fredericksen não esperava era a companhia de Russel, inoportuno – e assustadíssimo – que sem querer fica “preso” na casa voadora. O vovô, totalmente contra sua vontade, é obrigado a aceitar o novo passageiro.

A viagem de Carl e Russel “termina” quando aterrissam em um lugar diferente, desabitado e aparentemente perigoso. Os balões já murchavam, outros estouravam, e a casa começava a perder estabilidade. Os dois aventureiros passam a encontrar muitas criaturas bizarras, como o belo pássaro pré-histórico, todo colorido, e o divertido cachorrinho falante, Dug.

Quando disse que não fossem os minutos iniciais Up poderia ser diferente, se refere ao fato de que, após analisar a tecnologia e o roteiro, constatamos que, juntos, ambos fazem a diferença – e que, consequentemente, sozinhos, talvez não fizessem! O roteiro do longa falha em algumas coisas, assim como a tecnologia não me impressionou tanto quanto em filmes mais antigos do estúdio, como Procurando Nemo.

A locação tão sonhada de Carl e Ellie é, em si, feia. Rochosa e arisca, muito diferente daquilo que imaginamos como um local perfeito e paradisíaco. Além disso, a própria relação entre Carl e Russel é um pouco forçada, uma vez que os personagens não tem tantas coisas em comum que pudessem cativar um ao outro, exceto por pequenos detalhes. Para arrematar, o vilão tem um final tão previsível quanto todos os outros filmes de bandido x mocinho da Disney – o que, por si só, desaponta um pouco.

Embora com algumas ressalvas, pode-se afirmar com segurança que Up é um dos melhores filmes da Pixar, concorrendo com outras estrelas como Monstros S. A. e Wall-E. Estes dois últimos, assim como a história de Carl Fredericksen, abordam histórias não-convencionais ao público infantil, e atraem pela originalidade da trama.

Se o primeiro lidava com a perda de uma pessoa querida pela maturidade, o segundo lida com o amor incondicional [coisa que as crianças, mesmo, só vão entender quando deixam de ser crianças], o terceiro trata da triste e solitária vida de um senhor que está cansado de tudo aquilo, principalmente por conta da morte de sua querida esposa – voltando ao tema da morte de familiares tratada com tanta destreza pelo clássico 2D O Rei Leão.

E é claro que as gags de Up são infalíveis. O cenário, apesar de ter desapontado um pouquinho, é deslumbrante, e a maneira como se construíram os detalhes digitais dos personagens é um espetáculo a parte. O melhor de tudo, mesmo, talvez seja a dublagem e sonoplastia que os diretores optaram por usar.

Primeiro, ver Chico Anysio como Carl é fascinante. A habilidade que este homem tem para conferir tanta emoção e humanidade ao personagem é de fato impressionante! A voz do doberman líder é, também, uma das melhores gags do longa, que fazem eco com o excelente A Era do Gelo 3.

Sinceramente, são estes os filmes que valem a pena: que levam das lágrimas ao riso em poucos minutos – e que, quando saímos do cinema, temos vontade de voltar para mais uma sessão.

Título Original: Up
Direção: Pete Docter
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Direção de Arte: Ralph Eggleston
Tempo de Duração: 96 minutos
Com: Edward Asner/Chico Anysio [Carl Fredericksen], Jordan Nagai/Eduardo Drummond [Russel], Christopher Plummer/Jomery Pozolli [Charles Muntz], Bob Petersen/Nizo Neto [Dug], Delroy Lindo/Reginaldo Primo [Beta], Jerome Ranft/Marco Ribeiro [Gamma], Bob Peterson/Duda Ribeiro [Alpha] e John Ratzenberger/Anderson Coutinho [Tom/mestre de obras].

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4 comentários

  1. Chorei uma duas vezes com Up. Nada mais além disso precisa ser comentado 😛


  2. E mais uma crítica eficiente que me fez interessar imensamente por um filme que sei lá porque cargas d’água deixei passar sem dispensar-lhe a mínima atenção.


  3. Me impressionou pela forma como nos faz enxergar realidades que já conhecemos. Como a solidão na terceira idade, a falta que faz a figura paterna para uma criança, sem contar a forma como o mundo moderno tenta sempre engolir as nossas origens e emoções que nos construiram. Saber disso é uma coisa, sentir isso através de um simples desenho animado é algo que só a Pixar consegue proporcionar.

    =]


  4. Como eu sou ecologicamente chata, só não gostei do velho ter jogado, numa natureza tão exuberante, as tralhas para a casa subir.



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