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Ele Não Está TÃO Afim de Você

janeiro 14, 2010
 

Realidade (para mulheres)

Comédia romântica fala sobre as decepções amorosas e sobre o ponto de vista masculino do porque as relações dão errado

NOTA: 8

Antes de mais nada, consideremos o seguinte contexto: quando fui à Espanha no início do ano passado, conheci um rapaz. Tivemos um romance de férias, daqueles que só duram enquanto você está na cidade. Quando voltei, mantivemos contato por cerca de seis meses, fazendo promessas e juras de amor.

Combinamos de nos reencontrar, para ver se o tal romance o era mesmo, ou se era apenas carência de ambas as partes. O resultado foi um pé na bunda e um coração partido (evidentemente causado por ele, caso contrário não me daria ao trabalho de contar). A volta foi triste e dolorosa, mas, de certo modo, um alívio.

Ao chegar em casa e me esparramar no sofá para um filme, ligo a televisão e, coincidentemente ou não, estava prestes (prestes!!) a começar Ele Não Está TÃO Afim de Você. E, por pensar que esse era justamente meu caso, não poderia ter caído melhor.

Dado o contexto, vamos ao filme. A história é cheia de paralelismos de personagens românticas, desiludidas, garanhões e resolvidos, que, de uma forma ou de outra, acabam tendo relações uns com os outros. Começamos com Gigi, uma romântica incurável que não entende que os relacionamentos fracassados não são sua culpa. Ela conhece Conor em um bar e espera um retorno – a famosa ligação do dia seguinte que raramente acontece.

Gigi volta ao bar para tentar encontrá-lo e acaba conhecendo Alex, amigo e companheiro de apartamento de Conor. Ele tem uma visão realista e até simplista que as mulheres custam a aceitar: o fato de que um homem simplesmente não está afim de sair com ela. O que Gigi não sabe é que Conor está apaixonado por Anna, uma cantora que o trata como um grande amigo.

Anna, por sua vez, conhece Bem, um homem interessante no meio de uma crise no casamento com Janine. Apesar de estar mal, Janine aconselha Gigi, sua amiga de trabalho, sobre o caso de Connor. Outra amiga de trabalho das meninas é Beth, que namora Neil há 7 anos e sonha em se casar – o que ele obviamente não quer.

Alternando os cortes entre uma e outra história, acompanhamos os fracassos e sucessos destes relacionamentos, que são basicamente os estereótipos dos sentimentos os quais compartilhamos: amamos sem sermos correspondidos; somos amados, mas não queremos; procuramos um amor; tentamos remediá-lo quando já não há mais solução…

Divertido, o longa se diferencia por tratar justamente do tema que nós, mulheres, temos tanta dificuldade em admitir: que não somos as únicas belas e irresistíveis no mundo, e que os homens podem não se interessar por nós tanto quanto gostaríamos. E a grande sacada é que nós agimos assim com os homens, mas não admitimos o mesmo tratamento. Somos especiais, exclusivas e devemos viver grandes amores com todos os homens com os quais desejamos ter uma relação.

Apesar das personagens serem interessantes e o roteiro bem construído, o final não conseguiu fugir ao clichê de todos os filmes de comédia romântica – do final feliz, seja lá qual for ele. E isso, se comparado ao clima de decepção e realidade com que o longa vinha sendo tratado até então, é uma distorção que não combina com a narrativa.

Mas, para aquelas que precisam descobrir que talvez ele realmente não esteja tão afim de você – e para os homens que tentam explicar, mas não conseguem – é um ótimo entretenimento.

Titulo Original: He’s Just NOT That Into You
Direção: Ken Kwapis
Gênero: Comédia romântica
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Abby Kohn e Marc Silverstein, baseado no livro de Greg Behrendt e Liz Tuccillo
Trilha Sonora: Cliff Eidelman
Fotografia: John Bailey
Tempo de Duração: 109 minutos
Com: Scarlett Johansson (Anna), Bradley Cooper (Ben), Ben Affleck (Neil), Jennifer Aniston (Beth), Jennifer Connelly (Janine), Drew Barrymore (Mary), Natasha Leggero (Amber), Kris Kristofferson (Ken Murphy), Kevin Connolly (Connor), Ginnifer Goodwin (Gigi), Justin Long (Alex). 

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One comment

  1. Antes de mais nada, surpreendeu-me a confissão do início do post – e somos gratos a ela, uma vez que inunda a crítica de todo um colorido próprio. Filmes como este me divertem por ilustrarem uma situação pela qual todos já passaram em algum momento – a rejeição, “sem maiores explicações”, e ter de lidar com isso. Quem já desvendou todo o aglomerado de sentimentos confusos repleto de culpas secretas que é o coração alheio?
    Contudo, também lamento pelo final feliz clichê – a vida real não é tão gentil.



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