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Um Homem Bom

janeiro 22, 2010
Não tão bom 

Em uma de suas melhores atuações, Viggo encarna o típico cidadão alemão que se deixou enganar pelo sistema nazista quando da ascensão do partido

NOTA: 8,5

Viggo Mortensen é um ator que surpreendeu logo em sua primeira grande aparição no cinema. Este ator norte-americano, filho de pais dinamarqueses, conquistou o coração de donzelas suspirantes e ganhou a admiração de rapazes ao redor do globo como o herói Aragorn, em Senhor dos Anéis. Mas aquela não foi sua melhor atuação.

Depois, fez filmes memoráveis – que alavancaram sua já promissora carreira – como Marcas da Violência e Alatriste, que conta a história do cavaleiro espanhol homônimo. Talvez a atuação em Senhores do Crime como um segurança da máfia russa tenha definido Viggo como um dos melhores atores de hoje.

Apesar do sucesso tardio, Viggo é um homem versátil e capaz dos papéis mais díspares, como o intrépido Nikolai e o ingênuo Halder, deste Um Homem Bom. Exatamente por essa característica tão marcante, Viggo se mostra um verdadeiro camaleão, quase irreconhecível de um filme para outro – com exceção de sua inconfundível voz.

Neste longa do subestimado cineasta brasileiro Vicente Amorim, Halder é um homem exemplar: bom marido, professor, pai no meio de uma família caótica e à beira do colapso nazista de 1939. Uma mulher acomodada e ausente, e uma mãe doente que tenta constantemente o suicídio – e que, por sinal, trabalha muito bem – o empurram para os braços de uma aluna, Anne. Ele se separa da mulher para ficar com a garota – mesmo assim, sua sensatez espera que ela se forme antes de se casarem.

Halder, na mesma época em que começa a se envolver com a garota, escreve um livro sobre a prática da eutanásia que agrada o governo hitlerista. Convidado pelo Partido Nazista a se filiar para distribuir seus conhecimentos aos demais arianos, Halder justifica o título do filme, mas acaba também o distorcendo negativamente.

A ingenuidade com que encara a filiação e o próprio partido nazista o afasta de seu grande amigo judeu, Maurice. Já dentro do sistema nacional-socialista – e sem saber o que fazer para se desvencilhar – Halder ajuda Maurice a fugir dos campos de concentração para a França, com ardil e engenho.

Assim, pouco a pouco, Halder vai ganhando prestígio entre os nazistas e subindo de posto, até que se torna um verdadeiro militar – ainda que com cargo honorário. Em cima do muro, ele só se dá conta da terrível situação em que se encontrava quando é convocado a ir a um campo de concentração, e lá vê o que realmente se passava nas entrelinhas da ideologia. O horror é transposto pela trilha sonora desesperadora e melancólica, mostrando que, quando ele percebe, já era tarde demais para voltar atrás.

O filme evidencia como os alemães se deixaram enganar pela ideologia nazista: se envolvem sabendo onde estão indo, mas sem querer imaginar onde tudo poderia levar. Mostra que a consanguinidade era tão pura que os arianos não podiam ter filhos sem riscos de anomalias – como aconteceu com a família do imperador franco-espanhol Carlos V.

No final, temos a certeza de que nenhum homem é tão bom a ponto de se envolver em uma desgraça tão grande como foi o Holocausto sem estar compromissado de alguma maneira – seja pela ingenuidade com a qual encara os fatos, seja pela cegueira com a qual não se deixa enxergar a verdade.

Titulo Original: Good
Direção: Vicente Amorim
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Roteiro: John Wrathall
Trilha Sonora: Simon Lacey
Fotografia: Andrew Dunn
Tempo de Duração: 96 minutos
Com: Viggo Mortensen (John Halder), Mark Strong (Bouhler), Jason Isaacs (Maurice), Jodie Whittaker (Anne), Steven Mackintosh (Freddie), Gemma Jones (mãe), Ruth Gemmel (Elizabeth) e Adiran Schiller (Goebbels).

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One comment

  1. A crítica fez-me interessar imensamente pelo filme – e nos faz lembrar que os maniqueismos são impostos por jogos de interesses sob o véu de ideologias grandiosas. Existem “demônios” de alma “pura” – que “anjo” seria se seu lado tivesse vencido a guerra.



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