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Por Uns Dólares a Mais

fevereiro 8, 2010
Eterno clássico

Faroeste de Leone reúne elementos que revolucionaram o “fazer filmes” da década de 60

NOTA:
10 

Dizer que os filmes de Sergio Leone são um clássico é redundância da mais pura. Além de terem sido feitos na época em que os filmes são geralmente alcunhados de clássicos – nos idos da década de 60 -, o elenco, a fotografia e a trilha sonora sempre andaram de mãos tão bem atadas que realmente é inegável conferir ao cineasta e sua equipe o valor que merecem.

Equipe, aliás, encabeçada por atores magníficos no auge da carreira, como Clint Eastwood e o já falecido Lee Van Cleef. Após o sucesso de Por um Punhado de Dólares, de 1964 (no qual Clint era o protagonista), Leone investiu em mais um longa do gênero western, que faria ainda mais sucesso do que o anterior, alavancando definitivamente a carreira do bonitão do oeste.

Por Uns Dólares a Mais é a história de Douglas Mortimer e Manco, dois caçadores de recompensas do velho-oeste americano que se encontram no meio da caçada e, para “não atirarem um nas costas do outro” – coisa que, como bem aponta o personagem de Cleef, eles não querem – fazem uma parceria.

O plano é capturar o mais temido bandido da redondeza, fugido da prisão: El Índio. A recompensa seria satisfatória tanto em dinheiro quanto para a moral dos nossos “mocinhos”. Quem conhece Leone, entretanto, sabe que uma de suas características é não ter “mocinhos”, em seus filmes. A partir daí já sabemos quais escrúpulos esperar dos personagens.

As atuações são o ponto alto do longa, mas algumas cenas memoráveis merecem ser relembradas, como a da chegada de Mortimer em Tucumcari; Clint no bar e depois encontrando o xerife que o denunciou; a sequência da contagem no banco e o encontro dos protagonistas via binóculos; o profeta que revela a Manco quem é o outro caçador; e o primeiro encontro de Manco e Mortimer.

O discurso lúcido de Índio para seu bando – explicando como roubariam o banco de El Paso – aliado ao show de atuação de Gian Maria Volonté, rende uma das mais maravilhosas cenas do filme. “Sua sorte cessou naquele dia, pois, já preso, ele encontrou comigo”, diz ele sobre o carpinteiro que fez o cofre que pretendiam roubar.

A genialidade dos diálogos de Luciano Vicenzoni aparecem nos momentos certos, trazendo ironia e comicidade nas doses exatas. Um dos exemplos mais incríveis é quando Mortimer e Manco estão conversando no quarto do hotel e Manco faz uma pergunta que soa indiscreta. Então Mortimer responde: “a pergunta não é indiscreta, mas talvez a resposta possa ser”. Na sequência, Manco pergunta “escute, coronel, você já foi jovem alguma vez?”. Outro exemplo cômico – mas não por isso menos interessante – é aquele no qual Mortimer afronta o corcunda do bando de Índio e o dono do bar onde se encontram lhe diz “o senhor escolheu justo o meu bar para cometer suicídio?”.

O diretor italiano prioriza as atuações dos atores com closes que se tornaram sua marca registrada. Assim, além de criar belíssimos efeitos, os atores devem se concentrar muito mais para dar o efeito desejado e o resultado perfeito. Pode-se perceber isso quando encontramos Índio pela primeira vez na prisão, e a primeira coisa que vemos é o close nos olhos vermelhos insanos. Ou ainda quando Mortimer encara o cartaz da recompensa de Índio, e o plano alterna para os olhos de procurado e caçador, aproximando a câmera dos olhos de ambos.

Mas Leone não seria tudo que é sem a colaboração e genialidade de Ennio Morriconi, o responsável por todas as suas trilhas sonoras. A parceria transborda pela tela em algumas cenas memoráveis como a própria abertura do longa: um momento sem som, somente com a sonoplastia de fósforo acendendo as famosas cigarrilhas. Um cavaleiro vem a tropel, lá de longe.

Ouve-se o som de um tiro e o cavaleiro cai; o cavalo continua – e aí entra a música impressionante do maestro italiano e o anúncio dos créditos iniciais.

A música dos relógios que de Índio e Mortimer expressam, ao mesmo tempo, desespero (ou loucura) quando nas mãos de um e tristeza nas mãos de outro, o que reflete a capacidade de Morriconi de criar uma única trilha para dois sentimentos distintos – quando não díspares. 

Impossível é, portanto, atribuir um só mérito a Por Uns Dólares a Mais, uma vez que tudo no filme é excelente. A história, diferente dos spaghetti da época, é profunda e cheia de reviravoltas. Os caráteres dos personagens são bem explorados e conduzidos, o que confere a cada um deles muita personalidade. Este é um clássico que merece estar nas prateleiras mais visíveis das dvdtecas.

Titulo Original:
Per Qualche Dollare in Più
Direção: Sergio Leone
Gênero: Faroeste
Ano de Lançamento (Itália/Mônaco/Espanha): 1965
Roteiro: Sergio Leone e Luciano Vicenzoni, baseado em história de SergioLeone e Fulvio Morsella
Trilha Sonora: Ennio Morriconi
Tempo de Duração: 130 minutos
Com: Clint Eastwood (Manco), Lee Van Cleef (Douglas Mortimer), Gian Maria Volonté (Índio), Luigi Pistilli (Groggy), Panos Papadopulos (Sanho Perez), Aldo Sambrell (Cuccillo), Mario Brega (Nino), Joseph Egger (profeta), Lorenzo Robledo (Tomaso), Luis Rodríguez (Guy Calloway) e Mara Krupp (Mary).

Trailer fabuloso!!!

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