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Avatar

fevereiro 11, 2010
A caixa de Pandora

Com tecnologia revolucionária, James Cameron desponta novamente como o precursor das novas tendências cinematográficas da década 

NOTA: 8,5

É muito difícil me atualizar quanto aos vários filmes que estrearam nos últimos três meses. Contudo, com a aproximação do Oscar e a iminência de sair vencedor, já está mais do que na hora de fazer uma crítica digna a Avatar, o novo filme de James Cameron. Para começar, digo que já não sou muito fã dos temas que o diretor escolhe para abordar suas histórias. Titanic (1997), seu último grande sucesso – vencedor de bilheterias até então -, é uma historieta brega de amor entre dois personagens, que viveram a real situação do naufrágio do navio RMS Titanic, considerado indestrutível até a desgraça de 1912.

Já naquela época, entretanto, Cameron inovou a arte cinematográfica ao expandir os limites da tela widescreen, sem contar na imensa produção de reproduzir com verossimilhança a tragédia marítima. Com este Avatar, tem-se quase a mesma impressão deixada do sucesso de antanho.

Um filme grandioso, do início ao fim: o nome avatar remete diretamente à revolução tecnológica que vivemos hoje – com os “avatares” que usamos como imagens na internet – até os créditos finais, exalando a epopéia que foi rodar essa película. Epopéia hercúlea, reforço, pois a produção demorou mais de 7 anos para se concretizar. A demora deu-se pela inexistência de tecnologia que comportasse a imaginação do diretor.

Assim, surgiu um filme que chamou a atenção do mundo inteiro. Alavancou bilheterias ao redor do globo, superando até mesmo o ultrapassado Titanic. Não vou discorrer nem aqui e nem agora sobre a rapidez com que novos fenômenos explodem e se propagam via internet ou por meios noticiosos. O fato é que a tecnologia de Avatar é revolucionária.

Digam os críticos o que quiserem. Este é um filme que guia a nova tendência cinematográfica. Não se trata, contudo, de uma revolução no modo como se conta a história. Afinal, desde que surgiram as estórias escritas – e temos aí Platões, Aristóteles e Dantes Alighieris para confirmar a versão -, conta-se uma história com começo, meio e fim. E clímax, de preferência.

E, por incrível que pareça, é exatamente o essencial que torna Avatar um filme bom, apenas. Pois, despido da tecnologia que o abrilhanta, ele é somente mais um longa sobre o maniqueísmo dos Estados Unidos (diga-se de passagem, um dos mais ferozes que já vi), a destruição da natureza, o vilão que se torna herói e sua final redenção. Alguma novidade? Por enquanto não.

Jake Sully, um veterano de guerra paraplégico, é escolhido pelo governo norte-americano para substituir seu irmão gêmeo em uma missão especial no planeta Pandora. Ele deveria utilizar um avatar do povo nativo do país, os humanóides Na’vi, criado à semelhança de seu falecido irmão, e se infiltrar entre eles para conseguir importantes informações sobre um raro e valiosíssimo minério.

Ao ser telepaticamente transportado ao corpo do gigante azul, Jake vivencia experiências que nós mesmos quase podemos sentir – a cena na qual ele, podendo de fato andar, escapa do laboratório e sai correndo floresta adentro é realmente impressionante. Em uma missão com os biólogos da equipe, Jake se perde do resto dos humanos e é encontrado por Neytiri. É neste ponto que a magia começa. 

Como toda velha história de colonialismo ianque, a índia (digo, Na’vi) acolhe o estrangeiro branco entre seu povo, confia nele, ensina-o seus costumes e tradições. O forasteiro, por fim, se rende à ligação que aquela gente tem com a natureza e aos encantos da donzela – filha do chefe da tribo – que o recepcionou. E sim, se isto parece óbvio por si só, os diálogos e os caráteres dos personagens são desenvolvidos tendo como base o clichê – o que só pode resultar em seqüências igualmente clichês. É como se estivéssemos vendo um velho filme com outra cara – para citar recentes, o Apocalypto, de Mel Gibson, e até mesmo O Senhor dos Anéis, têm praticamente o mesmo tom.

As personalidades são tão mal desenvolvidas que não há margens para a complexidade. Os vilões são somente vilões, e os heróis, heróis. O protagonista, único que deveria mostrar conflito interno, não tem motivações pertinentes – tampouco as têm os vilões. Toda a fúria reprimida de Jake não tem exatamente um turning point, no qual os espectadores possam dizer que foi uma mudança brusca de caráter, uma redenção.

Então a única coisa que torna o filme especial é a tecnologia? Sim, é a tecnologia. Assistir aqueles seres azuis gigantes de três metros se emocionar, falar, se mexer e interagir com todo o mundo criado por Cameron é deslumbrante. Maravilhosamente bem construído, Pandora é um mundo plausível. Suas criaturas são fascinantes, especialmente quando a noite cai e tudo se ilumina. Os detalhes das peles, o brilho dos olhos e os movimentos corporais são shows à parte.

O visual criado pela equipe do talentoso Richard Taylor – o mesmo que criou toda a tecnologia e criaturas de O Senhor dos Anéis, e que provavelmente também fará de O Hobbit – é magnífico, aliada à genialidade de direção de Cameron e da atuação de Zoe Saldana, principalmente, tornam este um filme único!

Pois, caros leitores, Avatar é para ser visto no cinema, em 3D, em poltronas confortáveis, de preferência bem longe da tela para que se possa ter plena noção das maravilhas criadas e reproduzidas pelo veterano cineasta. Ele, obviamente tem seus méritos. É um filme para quem aprecia o cinema acima de tudo como arte.

PS: classifiquei como 10 os efeitos especiais e visuais, e dei 7 para a narrativa, o que chega à média 8,5

Titulo Original: Avatar
Direção: James Cameron
Gênero: Ficção-científica
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: James Cameron
Trilha Sonora: James Horner
Fotografia: Mauro Fiore
Tempo de Duração: 166  minutos
Com: Sam Worthington (Jake Sully), Zoe Saldana (Neytiri), Michelle Rodriguez (Trudy Chacon), Sigourney Weaver (Dra. Grace Augustine), Giovanni Ribisi (Selfridge), Stephen Lang (Coronel Quaritch), Joel Moore (Norm Spellman), Laz Alonso (Tsu’Tey) e Matt Gerald (Lyle Wainfleet)

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4 comentários

  1. Ótimo post, Mamá!

    Clara e eu estávamos na ponta da fila da pré-estréia de Avatar aqui em BH e valeu muito a pena ter esperado. Apesar do roteiro ser quase inexistente, de tão banal, os efeitos e o 3D pagam o ingresso.


  2. Eu NÃO GOSTO desse tipo de filme.

    ODIEI Avatar.

    Ao mesmo tempo em que gostei.

    Por quê?

    Como você mesma disse, como está nítido para todos, o filme é um poço fumegante de todos os clichês possíveis e imagináveis. Todos. Nem me darei o trabalho de repetir o que você já discorreu habilmente na resenha.

    QUAL O GRANDE MÉRITO? Ser um marco, assim como foi “E o Vento Levou”, primeiro longa “adulto” colorido no cinema: Avatar é o primeiro longa “adulto” de “grande sucesso” a vomitar a tecnologia 3D.

    E o 3D agora invade outros filmes nos quais se espera sucesso, como por exemplo o novo longa do Homem-Aranha.

    Não gosto desse tipo de filme mastigado e batido feito pra vender – lógico que eu também quero ganhar dinheiro, mas arte sem alma feita unicamente para vender não considero como arte.

    Mas o filme É uma obra de arte. Visual.

    Infelizmente, poços de clichê SEMPRE atingem TODOS, até mesmo os mais críticos – meu momento de catarse foi quando a própria Natureza tomou parte no conflito, enviando animais e plantas contra os “malvados humanos brancos comedores de criancinhas”.

    Os Na’vi eram os africanos, na minha visão – e assim se atinge até o crítico mais azedo. ARGH!

    Outra coisa que me enoja: temas de fantasia que só são largamente aceitos quando em “grandes sucessos”; o tema fantasia é comumente tratado como “infantil” – exceto nas grandes obras da moda, em que ouço pessoas dizendo que “tal filme me fez aprender a sonhar”. OK!

    Sem mais. Resenha ótima, as always.


  3. Excelente resenha. Traduz com perfeição o que vimos na telona. Nota 8,5 para o filme e 10 para voce.


  4. Concordo em gênero, número e grau com a análise sobre o filme. Mas discordo de uma das notas, a tecnologia realmente merece 10, com louvor. Porém, a história e o roteiro levariam de mim no máximo um 5. Exatamente a metade de uma nota completa, afinal, o roteiro fez o papel dele perfeitamente, porém, sem criatividade passa a ser apenas roteiro funcional, e não um bom roteiro.
    Ótimo texto, bela análise.

    =]



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