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O Anel dos Nibelungos

fevereiro 19, 2010

A história que virou mito

Recente, a história de Siegfried e do anel dos Nibelungos é transposta para a tela com modéstia e fidelidade às histórias originais

NOTA: 8

Criado originalmente para ser uma série de televisão, O Anel dos Nibelungos é uma adaptação da obra de Richard Wagner – baseada, por sua vez, na lenda nórdica do tesouro dos Nibelungos e do herói Siegfried (ou Sigurd) – e, consequentemente, uma mistura de ambas as histórias.

Dividido em quatro partes tal como a ópera do compositor alemão, a série completa para a televisão foi exibida recentemente no especial de Natal da rede Bandeirantes. Ao contrário do que o leitor pode imaginar, este post não é para esculachar a adaptação, se não para exaltá-la.

Sim, para falar o quão bem feita é esta produção de 2004, que quase ninguém conhece e muito pouca gente daria crédito – assim como eu, de início, tampouco dei. Feliz é o acaso, contudo, que nos faz topar com algumas coisas que quebrem nossos paradigmas e conceitos. Sim, pois ao contrário de algumas adaptações famosas que ganharam os cinemas – como é o caso do fraquíssimo Beowulf O Anel dos Nibelungos segue o mesmo ritmo da ópera de Wagner, com todos os elementos necessários para que a história funcione de maneira verossímil e consistente.

Para elucidar aqueles que não conhecem a história, a ópera começa quando o anão Alberich atreve-se a roubar um lendário tesouro do leito do rio Reno enquanto três ninfas que o protegiam se distraem. Com este ouro, o nibelungo forja um anel mágico, capaz de dar poder ilimitado àquele que o possui. Cobiçado até mesmo por Odin, o deus supremo da mitologia nórdica, o anel cai nas mãos de Fafnir, o dragão.

Criado pelo anão Mime, Siegfried torna-se um jovem valente e destemido. Ele reforja Nothung – a espada que fora de seu pai, Sigmund, e antes dele, de seu avô, Odin – e sai à caça de Fafnir, matando-o. Bebendo e banhando-se no sangue do dragão, Siegfried ganha o dom de entender a língua dos pássaros e a dádiva de ser invencível.

Enquanto isso, a valquíria Brünhilde, filha dileta de Odin e responsável por conduzir a alma de guerreiros mortos ao Valhalla, é aprisionada em um círculo de fogo por desobedecer a uma ordem do pai – ela tentou separar Sigmund de sua irmã, Sieglinde, para que não cometessem o incesto que geraria Siegfried. Brünhilde estava condenada a dormir até que alguém que não tivesse medo viesse salvá-la. Em posse do anel e de Nothung, Siegfried sai para resgatar a valquíria. Os dois se apaixonam e fazem juras de amor.

Em busca de novas aventuras, Siegfried depara-se com o burgúndio Hagen, filho de Alberich. Este lhe dá uma bebida que lhe tira a memória e, sem saber de seu romance com Brünhilde, Siegfried conhece Kriemhild, irmã de Hagen e Gunther. Este último pretendia casar-se com a valquíria e, como era covarde e fraco, pede a Siegfried que se transforme nele para conquistá-la. Brünhilde, sem saber do que se tratava, é vencida pelo guerreiro, e deve casar-se com ele. Quando descobre ser traída, Brünhilde decide vingar-se, sem saber o motivo da traição. A partir daí, uma carreira de acontecimentos trágicos, mortes e revelações sucedem-se aos nibelungos.

Este é o mote principal sobre o qual também gira a história do filme. Somente para esclarecimento, a lenda original, entre escrita na Idade Média, tem início quando Siegfried chega ao castelo de Gunther onde mora Kriemhild, já de posse do anel e famoso por ter matado Fafnir. A segunda parte conta como, depois da morte de Siegfried, Kriemhild torna-se a esposa de Átila, o Huno. Mas, para o caso do filme, isso não vem ao caso.

Misturando com eficácia os temas tanto da obra original quanto da ópera, o roteiro é bem construído, e narra com fidelidade os acontecimentos da lenda nórdica, de maneira que ambas as histórias se encaixem perfeitamente. Com pouquíssimas exceções – como a cena dos fantasmas na caverna de Fafnir – tudo é verossímil e incrivelmente bem feito, desde o elenco até a caracterização dos personagens. Até mesmo o dragão é real e plausível – confesso que tive medo quando se aproximava a hora da dita cena. Medo este totalmente infundado.

Trilha sonora, figurinos, as locações da África do Sul, atuações (especialmente de Brenno Fürmann e Kristanna Loken), direção…nada é excepcional, mas feito modestamente, não exageros nem escassez de efeitos especiais. De modo geral, o filme não é “tosco”. Posso arriscar dizer que é bom. Uma interessante maneira de ver toda a lenda desenrolando-se diante dos nossos olhos. É uma pena que, como feito exclusivamente para a televisão, não exista DVD nem mesmo para locação.

Título Original: Ring of the Nibelungs
Direção: Uli Edel
Gênero: Fantasia/Aventura
Ano de Lançamento (Alemanha/Itália/Reino Unido/EUA): 2004
Roteiro: Diane Duane, Peter Morwood e Uli Edel
Trilha Sonora: Ilan Eshkeri
Fotografia: Elemér Ragálvi
Tempo de Duração: 184 minutos
Com: Brenno Fürmann (Eric/Siegfried), Kristanna Loken (Brünhilde), Alicia Witt (Kriemhild), Julian Sands (Hagen), Samuel West (Gunther), Sean Higgs (Alberich), Robert Pattinson (Giselher), Götz Otto (Thorkwin), Ralf Moeller (Thorkilt), Tamsin MacCarthy (Seigland), Leonard Moss (Siegmund) e Ryan Slabbert (Siegfried criança).

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8 comentários

  1. ok que eu nunca veria esse filme se não tivesse lido essa ótima crítica a ele aqui no projetor. sou bem preconceituoso com filmes B (ou que aparentam ser B) que querem se passar por A. agora deu vontade de conferir.


  2. Ótima crítica. Parabéns.

    Acabei de assistir o filme e vim procurar na internet mais conteúdo sobre o mesmo. Eu não conhecia o filme e acabei assistindo ao acaso, passou na Band novamente.

    Abs,


    • Obrigada pelo comentário, Victor! Volte sempre! =]


  3. Assisti o filme na Band e no início não gostei muito, mas depois me surpreendeu, muito rico.

    Fui pesquisar na internet e me surpreendi novamente sabendo que a história original vem de uma ópera!


  4. Assisti ao final do filme na band ontem
    Como sou fã da mitologia nórdica ele me chamou muita atenção! (além de me lembrar também Cavaleiros do Zodiaco rs)

    Não é uma super produção, mas é muito bom! Adoro filmes épicos!

    Porém, eu não acho a trilha sonora dele! E a música do final é linda! Será que alguém sabe o nome?


    • não sei se já descobriram o nome da música que toca no final do filme O Anel dos Nibelungos. A música se chama riding on the rocks, cantada por Katie Knight Adams


  5. kara achei o filme muito bom,gosto de filmes assim!!!
    se alguem souber de filmes assim postem ai xD


  6. nosso eu gostei muito desse filme ja assisti duas vezes sem querer a historia e muito bonita e me emocionai muito mais que na primeira vez que vi recomendo vcs assistirem de novo muitos filmes de hoje tem super qualidade super estrelas mais tem historias ruins parecem que nao sabem fazer mais historias boas deveriam refazer esses filmes di novo mais mesmo assim nao vai ser bom como foi



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