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Hellboy 2 – O Exército Dourado

maio 26, 2010
A outra face do demônio 

Roteiro mais consistente e a criatividade aflorada, Guillermo del Toro finalmente eleva a história do demônio ao patamar das excelentes adaptações dos quadrinhos ao cinema

NOTA: 8

Dando continuidade ao post anterior e à adaptação dos quadrinhos de Mike Mignola para a telona, Guillermo del Toro apresentou em Hellboy 2 – O Exército Dourado uma perspectiva nova dos personagens e, ainda assim, seguindo a mesma linha narrativa do primeiro longa. Usando das mesmas técnicas realísticas de maquiagem, sonoplastia, a bela trilha sonora do gênio Danny Elfman e efeitos visuais para criar o fantástico (em todos os sentidos) visual do demônio do bem, o cineasta criou ainda mais veracidade ao mundo o qual já conhecíamos.

Somos introduzidos a uma nova dinâmica entre o recém-formado casal Hellboy e Liz que agora, além de morar juntos, são os únicos capazes de controlar os gênios um do outro – se antes a chama azul de Liz demonstrava imaturidade, a escolha por colocar uma cor de fogo amarelo indica maior controle tanto em seu relacionamento com Red como também mostra que ela agora é capaz de controlar seus poderes.

Extremamente ligado à fantasia, del Toro prossegue com a história de que Hellboy é o protetor da raça humana contra criaturas e monstros do “submundo”. Ao lado do fiel parceiro Abe e do curioso novo líder Johann Krauss – que criativamente bem bolado surge com uma roupa antiga de mergulho (criada pelo professor Trevor Broom) para proteger seu espectro volátil -, a trupe do Ministério de Bizarrices se vê cara a cara com um novo e mais sádico vilão, o príncipe Nuada de Bethmoora – história contada a Hellboy quando ele era criança.

Eles devem impedir que o príncipe se apodere dos fragmentos de uma antiga coroa de ouro que, se colecionados, darão vida ao terrível e indestrutível exército dourado – o ferreiro que deu vida ao exército calculou 70 vezes para cada 70 soldados, e quando um morre, outro renasce (lembrando bastante os cães Sammael do primeiro filme).

A bela voz do príncipe e suas incríveis habilidades de luta se contrastam quando sabemos de sua triste trajetória, e ainda mais pela tentativa de roubar da irmã gêmea, a princesa Nuala, um dos fragmentos da coroa. Como dois lados de uma moeda, os príncipes são como um, mas com características opostas – enquanto Nuada é um personagem sinistro que deseja dominar o mundo, Nuala é delicada e sensível, e procura demover o irmão de sua investida.

A mitologia de Hellboy 2 – se assim pode ser chamada – é totalmente coerente com o visual que del Toro criou. A produção está ainda mais impecável, e é possível observar que desta vez o cineasta não poupou criatividade na hora de desenhar novos personagens – como o impressionante Anjo da Morte (também interpretado por Doug Jones), a incrível fadinha do dente, o troll ou ainda o gigante de pedra. Uma das cenas mais divertidas, inclusive, é a que se passa no mercado troll, no qual podemos identificar figuras tão bizarras quanto as de Star Wars – como uma espécie de Wookie e um Jabba.

A natureza estranha do filme, contudo, não soa absurda ao espectador, já que a maneira como del Toro introduziu os elementos soa fluida e consistente. Com profundidade, o príncipe Nuada expõe a Hellboy uma situação semelhante à vivida por Batman e Coringa em O Cavaleiro das Trevas – um louco combatendo o outro, qual dos dois é o verdadeiro justiceiro? Além disso, as próprias naturezas em conflito de Red e do Dr. Krauss são sempre motivos para infindáveis gags e momentos extremamente divertidos. Mais irônico do que nunca – e, se possível, ainda mais realístico –, Red aflora sua personalidade bruta e sensível ao mesmo tempo, quando demonstra ciúmes de Krauss ou quando se embriaga com Abe e desafoga seus amores por Liz.

Mágico, grotesco e grandioso, agregando tudo que um filme de fantasia pode apresentar, Hellboy 2 tem emoção, história, humor, suspensa, ação. Certamente um prato cheio para quem é fã dos quadrinhos do menino-diabo e também para quem (como eu) nunca leu as histórias e ficou confuso com o final do primeiro filme. Porque sim, do mesmo modo que o Batman de Christopher Nolan teve uma continuação ainda mais brilhante do que o original, este Hellboy 2 também se superou em todos os aspectos. Ponto para Guillermo del Toro, e que venha o tão aguardado O Hobbit!

Tìtulo Original: Hellboy 2 – The Golden Army
Direção: Guillermo del Toro
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Roteiro: Guillermo del Toro, baseado em estória de Mike Mignola e Guillermo del Toro e nos personagens criados por Mike Mignola
Trilha Sonora: Danny Elfman
Fotografia: Guillermo Navarro
Tempo de Duração: 120 minutos
Com: Ron Perlman (Hellboy), Doug Jones (Abe Sapien/Chamberlain/Anjo da Morte), David Hyde Pierce (Abraham Sapien voz), Selma Blair (Liz Sherman), John Hurt (Trevor Bruttenholm), Rupert Evans (John Myers), Jeffrey Tambor (Tom Manning), James Dodd e John Alexander (Johann Krauss), Seth MacFarlane (Johann Krauss voz), Luke Gross (Príncipe Nuada), Anna Walton (Princesa Nuala), Brian Steele (Sr. Wink/ Cronie Troll/Fragglewump), Andrew Hefler (agente Flint), Iván Kamarás (agente Steel), Mike Kelly (agente Marble), Roy Dotrice (Rei Balor), Montsé Ribé (Hellboy jovem), Colin Ford (Hellboy jovem voz).

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One comment

  1. The Golden Army foi bem legal! Gostei tanto da história quanto dos personagens (destaque para o goblin, Krauss e os robôs dourados).

    Agora é esperar pra ver como Hellboy 3 vai ser.



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