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Review de Lost (por que gostar?)

junho 1, 2010
Ao final, lágrimas

Considerada uma das séries mais assistidas nos últimos anos, Lost angariou uma legião de fãs e ainda terá muitos motivos para ser debatida 

Seis longos anos após a queda do voo Oceanic 815 em uma Ilha do Pacífico, finalmente os mistérios mais pungentes dos sobreviventes foram desvendados. Para o bem ou para o mal, Lost encerrou sua última e sexta temporada em grande estilo, com um episódio de 100 minutos que lançou por terra todas as diversas teorias e especulações que foram feitas durante todo este tempo.

Nada mais justo, portanto, do que analisar esta que foi uma das séries televisivas mais bem-sucedidas de todos os tempos, angariando fãs de todo tipo ao redor do mundo, conquistando os corações dos mais céticos quanto à mitologia apresentada pelos criadores J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse.

Há quem se considere mais como Jack, “homens da ciência”, que explicavam todos os fenômenos da misteriosa Ilha a partir das curiosas manifestações eletromagnéticas do local. Há também quem se julgue mais parecido com Locke, “homens da fé”, que, como o personagem, acreditavam que todas aquelas pessoas foram levadas à ilha por motivos específicos, e todos tinham papéis importantes a desempenhar nos destinos de cada um.Na realidade, não importa como você, caro leitor, se julgue, pois dentro de todos nós – telespectadores e amantes da série – temos um pouco de todos esses personagens pelos quais nos importamos durante seis anos, os quais nos aproximamos intimamente, conhecemos seus segredos mais profundos e acompanhamos seus desenvolvimentos emocionais e físicos. A verdade é que Lost sempre foi uma série sobre as pessoas: a mitologia da Ilha era uma metáfora e um complemento para explicar o que todos os sobreviventes faziam com relação uns aos outros. 

E quando me perguntam que graça achei e continuo achando em Lost, minha resposta é essa: muito além de todos os mistérios, os personagens retratados são espelhos de nós mesmos, de nossas próprias angústias e desejos. Exatamente por isso, Lindelof, Abrams e Cuse têm os méritos de serem considerados de grande gênio criativo. Desde o episódio piloto eles sabiam como a série iria terminar, pois não esperavam buscar respostas para todas as perguntas que levantavam.

O formato da série estava fechado e tudo que acontecia de extraordinário na Ilha não é necessário para compreender do que Lost realmente trata. Como é de conhecimento de todos que acompanharam a série, Lost iniciou seu plano tratando de um universo micro – o dos personagens. Pelo método de flashbacks, pouco a pouco conhecíamos quem eram aquelas pessoas e o que levou-as a embarcar no fatídico voo que colidiria na ilha.

A primeira temporada, veiculada entre 2004 e 2005, começa e termina praticamente no mesmo ponto. Apesar de todos os estranhos eventos – um urso polar, o monstro de fumaça, uma misteriosa escotilha e os chamados “os Outros” (habitantes originais da Ilha antes da queda do voo) -, acompanhamos a trajetória dos sobreviventes em seu primeiro contato, suas primeiras e frustradas tentativas de escapar daquele que seria o lugar de redenção para todos. Como disseram os próprios idealizadores, ao final da primeira temporada tivemos a impressão de que Lost não duraria tanto quanto durou, nem evoluiria da maneira com que foi feita. A épica última cena do último episódio mostra alguns personagens embarcando em um pequeno barco a vela em busca de socorro, ao som da majestosa trilha de Michael Giacchino, o mar azul à frente como único obstáculo – o tom homérico jamais deu a pista de que o plano mudaria tanto até o fim da série.

Um pouco menos focada nos sobreviventes, a segunda temporada responde muito menos perguntas do que levanta indagações, e os espectadores certamente sentiram que este não era um roteiro comum. Quando todos em Hollywood parecem se basear em coisas do passado ou já feitas para criar outras, Lost arrebata pela originalidade – sem dúvida alguma, seu ponto mais forte. Este é o momento de afastarmos um pouco o plano e analisar a série sobre a perspectiva “fé x ciência”, além de nos depararmos com mistérios como a Iniciativa Dharma, os números de Desmond e mais fatos sobre a vida dos sobreviventes antes do voo – incluindo aqueles da outra parte do avião.

A luz que surgiu para Locke no último momento do último episódio pareceu que solucionaria a vida de todos – deles e nossa. Ledo engano, é claro.

A escotilha somente revelou ainda mais mistérios sobre a Dharma e os cientistas que ali chegaram na década de 70. Quem foram aquelas pessoas? O que elas faziam ali? Aos poucos, a terceira temporada mostra que não é só da escotilha encontrada por Locke que a Iniciativa se ocupou: outras estações espalhadas pela ilha eram ainda mais questionáveis. Além disso, o plano passa a entrelaçar a vida dos Outros com a Iniciativa e outros mistérios envolvendo as peculiares habilidades de Desmond. É aqui que temos a breve participação de Rodrigo Santoro como Paulo e o primeiro contato de Juliet, uma dos Outros, com o grupo dos sobreviventes.Mas chega de flashbacks! Pois se há outro mérito em Lost é o de nunca ter medo de brincar com a narrativa, sempre explorando novos modos de contar a história e propositalmente confundir (e prender) os espectadores. Na quarta temporada o plano se expande ainda mais, e temos visões da vida de alguns dos sobreviventes do voo como se eles tivessem saído da Ilha e voltado à civilização. Logo aprendemos que sim, os seis remanescentes foram resgatados – fato apresentado somente no último episódio, quando por fim entendemos o início da temporada e fechamos mais um ciclo. Além dos já queridos personagens, temos Jacob, um dos mistérios mais questionados de todo o programa. Quem é este, afinal, que dita as regras, que comanda os ditos e desditos de Jack, Ben e de todos que se aventuram na Ilha? 

Assim se desenha a quinta temporada, começando aos poucos a explicar alguns pequenos mistérios irrelevantes da ilha. Conhecemos novos personagens, vemos muitos deles morrerem – por nada? – e seguimos acompanhando aqueles que precisam se reencontrar. Pelas propriedades do lugar – e pelas ações de Ben -, a ilha passa por uma transformação brutal, e alguns dos personagens fazem uma viagem no tempo, retornando a 1977 (quando a Iniciativa Dharma havia há pouco se estabelecido, e precisava de novos recrutas). Enquanto isso, os Oceanic 6 – aqueles que foram resgatados no final da temporada anterior – estão convencidos de que precisam retornar à ilha para salvar os amigos e cumprir seu destino. Ao retornar, alguns deles não voltam no tempo como esperado. Na desesperada tentativa de unir novamente os dois períodos no espaço-tempo, os personagens são deixados para, mais uma vez, expandirmos a visão do plano micro para macro. O mais impressionante, contudo, fica por conta de Locke, sua relação com o monstro de fumaça e Jacob – e, claro, magníficas e memoráveis atuações de Michael Emerson e Terry O’ Quinn.

A sexta temporada encarrega-se, obviamente, de juntar as pontas soltas deixadas sobre a vida dessas pessoas. Com eficácia e grande habilidade, Lindeloff e Cuse introduzem o conceito dos flashsideways – momentos em que vemos uma realidade paralela, na qual os personagens que sobreviveram vivem uma vida normal em Los Angeles, como se o voo da Oceanic nunca tivesse caído. É com tensão e emoção que acompanhamos a trajetória final de Jack – que se mostrou afinal o grande protagonista e líder, como desde o início tendia a ser -, Sawyer, Kate, Locke, Charlie, Claire, Sun, Jin, Hugo, Sayid e até mesmo de Juliet, Ben, Miles, David, Charlotte, Boone, Shannon, Libby e tantos outros personagens que passaram pela vida destas pessoas e mudaram-na de algum jeito.

Claro, também aprendemos sobre a natureza da ilha e, ainda que não tenha agradado aos fãs puristas que esperavam por respostas mais científicas, sabemos por fim que Jacob e o Homem de Preto eram parte da mitologia de Lost, que fez desta série uma incrível reflexão sobre conceitos como deus ex machina (ou fé x razão), bem x mal; ou seja, sobre a humanidade em si. E se tudo isso pode parecer batido e clichê, está justamente aí o grande mérito do programa. Como mencionei no início do texto, Lost é uma série sobre redenção. O final, emotivo e bem amarrado, redimiu os personagens e aqueles que esperavam ver algo que lhes desse motivos para dizer “valeu a pena”.

Digo que sim, para mim valeu a pena esperar seis anos por isso. Obrigada, Lost, por me proporcionar lágrimas, risadas, emoções e suspenses.

Título Original: Lost
Direção: Jack Bender, Stephen Williams, Paul A. Edwards, Tucker Gates
Gênero: Ficção Científica, suspense, drama, aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Trilha Sonora: Michael Giachinno
Elenco: Adewale Akinnuoye-Agbaje (Mr. Eko), Andrea Gabriel (Nadia Jarrah), Cynthia Watros (Libby), Daniel Dae Kim (Jin Kwon), Dominic Monaghan (Charlie Pace), Dylan Minnette (David Shephard), Elizabeth Mitchell (Juliet Burke), Emilie de Ravin (Claire Littleton), Evangeline Lilly (Kate Austen), Fionnula Flanagan (Eloise Hawking), François Chau (Pierre Chang), Henry Ian Cusick (Desmond Hume), Ian Somerhalder (Boone Carlyle), Jeff Fahey (Frank Lapidus), Jeremy Davies (Daniel Faraday), John Terry (Christian Shephard), Jorge Garcia (Hugo Reyes), Josh Holloway (James “Sawyer” Ford), Katey Sagal (Helen), Ken Leung (Miles Straume), Kevin Tighe (Anthony Cooper), Madison e Pono (Vincent), Maggie Grace (Shannon Rutherford), Malcolm David Kelley (Walt Lloyd), Mark Pellegrino (Jacob), Matthew Fox (Jack Shephard), Michael Emerson (Ben Linus), Michelle Rodriguez (Ana-Lucia Cortez), Mira Furlan (Danielle Rousseau), Naveen Andrews (Sayid Jarrah), Nestor Carbonell (Richard Alpert), Rebecca Mader (Charlotte Lewis), Sam Anderson (Bernard Nadler), Sonya Walger (Penelope Widmore), Tania Raymonde (Alex Rousseau), Terry O’Quinn (John Locke), Titus Welliver (Homem de Preto), Tom Connolly (Charles Widmore), William Mapother (Ethan Goodspeed), Yunjin Kim (Sun Kwon) Zuleikha Robinson (Ilana)

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6 comentários

  1. Destesto a série e não entendo a hype em torno dela.


  2. Show, Mamá! Vc manda muito bem em textos assim. Admiro!


  3. Ou melhor, PRINCIPALMENTE em textos desse gênero rs


  4. Hahahha brigada Marisosa! Que bom que vc gosta! =]


  5. Boa análise! Nota-se que foi escrita visceralmente. Gostaria de ler algo assim de quem não gostou da série. Meio impossível. Não dá para assistir e não gostar. E o final foi soberbo. Desde sempre o Homem procura respostas para seus questionamentos existenciais.
    Parabéns pelo texto. Vamos ver se conseguimos outra série para um mergulho tão passional.


  6. Sou uma admiradora incondicional da série… acabei de ver o ultimo episódio e estou decepcionadíssima. JURO!!! ja tinha pensado q eles estariam todos mortos, mas como enrredaram tanto cheguei a abandonar a ideia e esperar algo mais grandioso!! que decepção!!! uma série tão boa com um final tão pobresinho… ficam montes de questões no ar e, para além do mais, com este final, muitas coisas para trás perdem totalmente o sentido. para darem este final, deveriam ter terminado a série qd fizeram o pessoal pensar que a ilha era uma especie de limbo e q o jacob era o BEM e o irmão o MAL… PONTO FINAL…
    Este final deixa muito, muito a desejar… que palhaçada. para acabar assim não era necessário terem feito a 6 temporada…
    só fico feliz por não ter visto a série na tv… só de pensar q houveram pessoas q esperaram 6 anos por este final… acho q matava os gajos q a realizaram! ainda bem q vi toda a serie em meses… ENFIM….MUITO TRISTE



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