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O Clã das Adagas Voadoras

junho 21, 2010
Mais do mesmo

Com visual elegante e cativante, O Clã das Adagas Voadoras peca por enfocar história de amor e esquecer do contexto inicial

NOTA:
7,5 

A primeira cena de O Clã das Adagas Voadoras dá a sensação de que estamos vendo um mais-do-mesmo sem fim: eterna repetição de rostos, cores, sons e até mesmo de movimentos. Pudera: o filme é do mesmo diretor do fabuloso Herói (de 2002). E apesar disso, não chega nem aos pés do anterior. Mesmo classificado como drama, o longa chega por vezes a ser cômico, de tão exagerado.

É fato sabido que a maior parte das produções chinesas tem temas fantásticos, de um gênero exclusivo da cultura do país – o chamado wuxia pian, caracterizado por “voos” nas caminhada e lutas, ambientados em paisagens idílicas. Mesmo sabendo desta tradição, é visível ao espectador como estas características foram quase abusivamente exaltadas, dando ao filme um tom muito mais teatral do que o esperado.

Sem tirar o brilho da bela Ziyi Zhang – que a cada filme em que atua se mostra mais talentosa -, o diretor aposta, como de costume, na paleta de cores fortes (em especial o verde), nas cenas de batalha empolgantes e muito bem coreografadas e em uma história de amor a lá Romeu e Julieta – encenada por Ziyi e por Takeshi Kaneshiro. É uma pena, contudo, que ao contrário do filme anterior, O Clã das Adagas Voadoras esqueça (literalmente) do contexto histórico-político para se concentrar no romance do casal.

Xiao Mei é uma agente cega do tal Clã que intitula o filme e que pretende derrubar o corrompido governo chinês. Vivendo como espiã dentro do palácio, logo nos primeiros minutos vemos toda a habilidade de Yimou ao criar uma harmoniosa disputa que mistura sons, cores, música e texturas espetaculares. Em um misto de acrobacias, dança e artes marciais, a trilha sonora evoca o tom de paz e quietude mesmo nas cenas de ação. As lutas, aliás, são o ponto forte do longa. Esta sequência inicial e a cena no meio do bambuzal são memoráveis.

As excelentes fotografia e sonoplastia, entretanto, não são suficientes para amparar o frágil roteiro que se perde pela rapidez e clichê dos acontecimentos. Ainda assim, é preciso ressaltar que o triângulo amoroso formado pelo casal e por um agente do Clã me pareceu bem inesperado – o que certamente não afundou o filme completamente. Apesar disso, acredito que foram boas revelações contadas de maneira estranha.

Ziyi e Kaneshiro também não ficam apagados pelo roteiro – ao contrário! Como o enfoque é justamente na relação de ambos, suas atuações foram fundamentais para o relativo sucesso e empatia do público. Com algumas poucas metáforas interessantes (como a cena em que Xiao Mei e Jin se despedem, ambos de costas, em uma clara alusão à luta e à perda), o final do filme é certamente “salvo” pela impressionante paisagem trabalhada sob a fotografia do mestre Zhao Xiaoding.

Visualmente encantador, O Clã das Adagas Voadoras infelizmente cativa pelos motivos errados: se concentrar em uma história de amor clichê e dar demasiado enfoque à fotografia. O contexto, que no início do filme parecia o essencial, foi se perdendo durante a trama, e deixa o filme completamente vazio de significado. Tanto é assim que, tempos depois de ter assistido ao longa, o que me pega à memória é a historinha de amor mais manjada desde os tempos de Homero.

Título Original: Shi Mian Mai Fu
Direção: Zhang Yimou
Gênero: Drama e ação
Ano de Lançamento (China): 2004
Roteiro: Zhang Yimou, Li Feng e Wang Bin
Trilha Sonora: Shigeru Umebayashi
Fotografia: Zhao Xiaoding
Tempo de duração: 119 minutos
Com: Zhang Ziyi (Xiao Mei), Takeshi Kaneshiro (Jin), Song Dandan (Yee) e Andy Lay (Leo).

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