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A Vida de Mozart (minissérie)

julho 1, 2010
Vida louca, vida breve 

Maior biografia cinematográfica da vida de Mozart reúne fatos e imagens de um dos maiores compositores da história da música

NOTA: 9

A biografia de alguns artistas clássicos já foi tão passada e repassada em estudos, livros, revistas e todo tipo de publicação, que às vezes desacredito que uma nova produção possa trazer à tona algum fato realmente diferente e não-divulgado. No caso de Beethoven e Mozart, Minha Amada Imortal e Amadeus (respectivamente) se encarregam de contar, com elementos ficcionais, parte da vida dos compositores.

É nesta lacuna que surge A Vida de Mozart, uma minissérie austríaca rodada em 1991 que conta a vida de um dos maiores gênios da música, com detalhes relevantes para entender quem foi o revolucionário artista da música erudita no século XVIII. Dividida em três episódios de cerca meia hora cada, a primeira parte retrata a infância do jovem Amadeus, dos 6 aos 18 anos (1762-1774), aproximadamente.

Menino prodígio e caçula de uma família de 7 irmãos, “aprendeu as notas antes das letras”, conforme o pai, Leopold, orgulhava-se de dizer. Com apenas 6 anos de idade, o pequeno Johann Chrysostom Wolfgang Amadeus Mozart já compunha seus primeiros minuetos e era o orgulho da família burguesa, de Salzburgo, Áustria. Leopold, também um compositor de relativo sucesso, era um homem autoritário e manipulador, espancava o menino quando este não atendia às necessidades musicais convenientes ao gênio que já demonstrava ser – e também quando dava mostras prematuras de sua personalidade impertinente.

Assim, sem poder ser criança e convivendo com os talentos da família para as artes (a mãe tinha uma linda voz), Mozart cresceu com o pai sempre às voltas de suas asas, podando e agenciando sua promissora carreira. Foi pela óbvia influência de Leopold que ainda muito jovem Mozart conseguiu se apresentar na corte da Imperatriz Maria Teresa de Habsburgo. Também com pouca idade foi agraciado pela Igreja com a maior distinção que o Vaticano concedia a um homem vivo na época. Mozart estudou ópera em Milão e viajou por toda Europa, se apresentando para bispos e reis.

Ousado e quase anárquico (e ao contrário de Amadeus, nada caricato), o jovem músico sempre demonstrou que a infância que não lhe foi concedida viver, sempre retornava em suas atitudes e reações – quando não o ouviam, ele se enfurecia como uma criança mimada. Ele deixou o sucesso subir à cabeça muito cedo, tornando-se arrogante e inconsequente – apesar de particularmente aceitar que ele se considerasse um gênio, uma vez que eu mesma penso isso. Ainda que brevemente contada (e com alguns cortes bruscos na transição das idades), a infância do músico foi mostrada de maneira leve e divertida, enquanto a modelagem de sua vida adulta foi baseada na repreensão do pai, que não o deixava levar uma vida “normal”, e marcada pelas intromissões da Igreja, que nunca aceitou seu evidente talento.

O segundo episódio se concentra nos chamados “vinte e poucos anos” de Mozart, entre 1776 e 1787 – no apogeu de sua vida e carreira (em 1786 ele termina a ópera “Le nozze di Figaro”). Com liberdade para criar as mais polêmicas obras e ovacionado pelo público (especialmente o feminino), o músico se deparou com a repentina morte de sua mãe, Anna Maria, que acabou a triste vida sozinha. É nesse mesmo período que Mozart começa a se relacionar com a prima – e aqui, o diretor fez a excelente escolha de não explicitar o conteúdo sexual, somente denotar que havia um. Ainda mais irreverente e consciente de seu inato talento, ele buscou os meios para se apresentar ao Arquiduque José II de Habsburgo-Lorena. A cena, emocionante e divertida, é só mais um exemplo das habilidades do artista.

Mozart foi morar em uma pensão na qual só havia mulheres e, apesar de cortejar a filha mais velha da anfitriã, acabou casando-se com Konstanze, a filha do meio. E aqui um fato que pouca gente (incluindo eu) conhecia: ele entrou para a ordem maçônica, e começa a compor óperas de tom ainda mais ultrajantes às autoridades da época. A magnífica “Don Giovani” surgiu sem que ele precisasse corrigir uma linha (“as mãos não acompanham os pensamentos”), mas a ópera foi rejeitada pelo público – que, desgostosa com os caminhos que Mozart estava traçando, nomeia Antonio Salieri (o dono do teatro de Viena) como mestre de capela, cargo que Mozart almejava há tempos. Esse fato é um dos principais responsáveis pela decadência moral e física do compositor, que fica infantilmente fragilizado.

Com o episódio 3 e o iminente final de sua vida (de 1787 a 1791, dos 31 aos 35 anos), Mozart demonstrou que conduziu muito mal suas escolhas. Apesar de traumatizado psicologicamente, ele preferiu se rebelar a se conformar – o que lhe custou talvez até caro demais. Foi abandonado pela esposa, vivia em um apartamento sujo e mal-cuidado, não foi mais reconhecido pelo público e seu vício por álcool e pelo jogo se intensificou. Não é de se espantar que um homem de seu intelecto e capacidades, vivendo em tais condições, tenha começado a ficar louco.

Ao sentir que estava perto da morte – através de uma curiosa metáfora de um passarinho – Mozart começa a composição de seu réquiem. Com fortes indícios da loucura que o acometeria, seus pensamentos eram todos voltados para o fato de que morreria logo. E compôs, nesse período, dezenas de peças. “Quanto mais pobre fica, melhor compõe”, um dos personagens chega a dizer. Ele compõe o próprio réquiem em seu leito de morte, praticamente um escravo da música. Mozart falece devido a uma infecção nos rins, em condições miseráveis; seu cortejo foi acompanhado por algumas poucas pessoas (incluindo o próprio Salieri). Como foi enterrado em uma vala comum, ninguém sabe o local exato de sua sepultura.

Gênio incompreendido, Mozart era medroso, “a criança que não teve infância e o homem que nunca cresceu”. Em estilo de bio-documentário, a ausência do narrador colabora para criar o tom verídico – juntamente com as belas atuações dos intérpretes de Mozart, a fotografia e a ambientação. Esta última, aliás, é especial: as cenas foram rodadas em 70 locações histórias (entre Salzburgo, Viena e Praga), e contou com mais de 3500 figurantes. Usando belos recursos visuais (como nas cenas que resgatam a brincadeira de cabra-cega), a breve vida de Mozart é apresentada de forma interessante e leve.

Um turbilhão de informações, contudo, impede que o final seja tão dramático e intenso como realmente a vida do artista foi. Artimanha do diretor? Difícil deduzir. O fato é que apesar de ser o melhor compêndio sobre a vida de Mozart, ainda ficaram algumas pontas soltas – talvez, até mesmo por falta de registros históricos. Ainda assim, há cenas são absolutamente desnecessárias (como a de Mozart sendo chutado para fora de uma sala, impondo uma comicidade inexistente na narrativa), cortes bruscos durante as passagens de tempo e alguns personagens simplesmente ficam sem explicação, não sabemos direito quem era quem e qual a importância da pessoa naquele momento. Mas acredito que a maior crítica que tenho a fazer é que, curiosamente diferente de Amadeus, A Vida de Mozart não mostra as grandes músicas sendo apresentadas. Certamente uma falha. Algumas cenas mais musicais teriam dado ainda mais veracidade e leveza, e agradado olhos e ouvidos dos admiradores das obras.

Título Original: Wolfgang A. Mozart
Direção: Juraj Herz
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Alemanha): 1991
Roteiro:
Juraj Herz
Tempo de Duração: 150 minutos
Com: Alexander Lutz (Mozart), Barbara Wussow (Aloisia), August Schmölzer (Schikaneder), Toni Böhm (Leopold Mozart), Hana Militká (Anna Maria Mozart), Jitka Havlícková (Anna Nannerl), Magdalena Reifová (Konstanze), Frantisek Nemec (Joseph Haydn), Boris Rösner (Antonio Salieri).

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One comment

  1. Para mim mozart foi o melhor e sempre sera mas a coisa que me faz dizer que mozart e o melhor e que nunca vi uma pessoas a tocar cravo aos 3 anos e aos 4 anos cravo e violino e aos 5 anos a compor a sua primeira sinfonia e aos 7 anos a primeira melodia e aos 12 anos a sua primeira opera completa por isso e que eu digo ningem vai ser igual a mozar tambem porque perdeu sua mae em paris perdeu o cargo de mestre da capela e perdeu 4 filho que nem chegavam a ter 1 ano e ponto final e perdeu seu pai leopol .Mas quando ouço o requiem de mozart principalmente a “lacrimosa”chorro porque foi umas das ultimas horas de mozart antes de falecer e e um bocado dificil um musico tao bom morrer tao novo e ensaiando o seu proprio requem.Mas umas das operas que eu mais gosto são as bodas de figarro porque gosto da parte do homem a medir a cama e gosto de don giovanni porque mozart compos assim dizer para seu pai.Mas tambem mozart aos 12 anos de idade já tinha visitado 12 paises.Mas quando Constanze Weber, que estava em Paris, ficou sabendo
    da morte de Mozart e partiu para Viena afim de visitar o túmulo do marido.
    Ao chegar lá, entrou em desespero ao saber que Mozart havia sido enterrado
    como indigente, sem que lhe dessem nem uma placa com seu nome como lápide. Era dezembro (inverno europeu), fazia frio e chovia em Viena. Constanze
    resolveu ‘vasculhar’ o cemitério à procura de alguma ‘pista’ que pudesse
    dizer onde Mozart fôra enterrado. Procurando entre os túmulos, viu um
    pequeno corpo, congelado pelo frio, em cima da terra batida. Chegando perto
    reconhece o cachorro querido de Mozart. Hoje, quem visitar Viena, verá um
    grande mausoléu, onde está o corpo de Mozart e de seu cachorro. Foi por
    causa do amor desse animal de estimação que Mozart pode ser achado e
    removido da vala comum onde fôra enterrado. Ele permaneceu com seu dono até
    depois do final. Morreu junto ao tumulo de seu dono porque, sem ele, não
    poderia mais viver.
    ‘Em toda a história do mundo há apenas uma coisa que o dinheiro não pode
    comprar : o abano da cauda de um cachorro.”



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