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Homem de Ferro 2

julho 12, 2010
Iron baby

Divertido e com doses da excentricidade de Downey Jr., o novo longa de Jon Favreau tem boas cenas de ação e um vilão tão sombrio quanto o Coringa de Heath Ledger

NOTA: 8

Como todos se lembram (e se não, relembrem aqui), na última cena (antes dos créditos) do primeiro filme da franquia, Tony Stark não consegue conter seu ego e revela em uma coletiva de imprensa que é de fato o Homem de Ferro. O começo da sequência é justamente aí, entre o limiar do herói de lata e o superego de Stark. Assim começa Homem de Ferro 2, do diretor Jon Favreau.

A declaração traz consequências quase imediatas ao milionário. No momento em que revela seu segredo nada secreto, há um misterioso homem assistindo a transmissão da notícia ao vivo na Rússia. Este homem é Ivan Vanko (um fabuloso Mickey Rourke) que, em um cubículo com ares de bunker presencia a morte do pai e, quase no mesmo instante, passa a se dedicar à construção de nada menos do que um reator de paládio, idêntico ao que Tony carrega no peito.

Este fato nem passa pela cabeça do inconsequente e infantil Homem de Ferro, que prefere se divertir em constantes exibições de sua própria imagem. Ao contrário do sóbrio Batman (e as comparações são inevitáveis), o herói de Stark é enlatado pela própria grandeza e, em determinado momento, “admite” que “conseguiu privatizar a paz mundial”, em um exercício bem claro de auto-exaltação. O debate que discute a posse da armadura como uma arma do governo ou como propriedade de Tony Stark (“I’m Iron Man”) é um dos pontos altos do filme.

Desinteressado no patrimônio de seu pai, ele nomeia a fiel escudeira Pepper Potts como CEO das Indústrias Stark – o que só reforça a despreocupação do herói com tudo que o cerca – exceto quando diz respeito à bela Natasha Romanoff, sua nova assistente e agente secreta da S.H.I.E.L.D. Sim, a ruivinha e apagadinha Scarlett Johansson como Viúva Negra (ainda bela, porém). Pepper, apesar de assumir o cargo de máxima importância da empresa, ainda é a babá de Stark e zela por seus instintos mais primitivos – como no exato momento que ele vê Natasha lutando com Hogan, em uma cena bem divertida.

Preocupado com sua imagem de galã (e bota galã nisso!), Stark decide participar da corrida de Mônaco. Ele não contava que Ivan, o Chicote Negro, fosse surpreendê-lo no meio da pista, em uma incrível sequência que mescla com precisão cenas de slow motion com fastforward para conferir mais impacto ao incidente. Apesar de querer injetar doses de humor e soar meio ridícula, o momento na qual Stark finalmente veste a armadura e pode responder a Vanko com seus poderes é empolgante.

Intercalando cenas de tensão – como a maioria protagonizadas por Rourke – e de puro entretenimento proporcionadas por Stark, o roteiro de Justin Theroux, ainda que bem entrelaçado, descarrila ao querer seguir o mesmo estilo que consagrou o primeiro longa. A parceria Favreau-Theroux parece ter levado a sério o ditado que diz “em time que está ganhando não se mexe”, mas admito que teria ficado mais satisfeita com um pouco mais de seriedade e menos frivolidade.

Não só por parte de Stark. Como já analisei no primeiro filme da franquia, o Homem de Ferro não é como o Batman em sua essência, e quem esperar por atitudes sóbrias e maduras como a do homem-morcego nos filmes do homem-de-lata pode se decepcionar. Assim, embalado pela trilha mais do que magnífica de AC/DC (novamente um ponto positivo), Stark se diverte pelos ares, escapando do governo e de sua própria responsabilidade como super-herói. Em uma cena desnecessariamente constrangedora, vemos a confusão que ele arruma quando Rhodes resolve acabar com uma de suas festinhas particulares.

Rhodes, aliás, é um personagem que ficou completamente apagado neste segundo filme. O personagem de Terrence Howard foi passado às mãos de Don Cheadle que, por mais que tenha tentado encarnar com o mesmo carisma o amigo de Stark, deixa a desejar – e parece que até mesmo Favreau notou a diferença quando, ainda nas primeiras cenas, apresenta Rhodes primeiro de costas, para revelar que outro ator havia assumido seu papel. Mickey Rourke, entretanto – e, aqui sim, podemos comparar os vilões de Batman e Homem de Ferro 2 -, surge em todas as cenas como o grande protagonista. Seu inglês com sotaque russo, os dentes de ouro, as muitas tatuagens e o cabelo desgrenhado conferem ainda mais veracidade ao personagem sombrio que a todo momento ameaça a segurança de Stark.

Sim, de fato acreditamos que desta vez o Homem de Ferro tem um vilão à sua altura. Concorrente de Stark nas indústrias bélicas, Justin Hammer contrata o físico para liderar um exército de homens de ferro, a partir da armadura primária entregue ao governo por Rhodes. Enquanto Stark tem que lidar com poderosos robôs movidos a paládio, ele deve permanecer atento ao aumento de toxinas em seu sangue, causado pelo reator: “a mesma coisa que te mantém vivo está te matando”, diz o computador Jarvis em certo ponto.

Há alguns momentos muito bons, como o quente debate ao vivo sobre a entrega ou não da armadura ao governo, as interessantes (porém muito curtas) sequências de luta de Scarlett Johanson, ou ainda a excelente sequência que mostra Stark vasculhando a projeção de seu pai, em uma bola que ele expande e comprime “no ar”. É através da maquete e de um vídeo deixado pelo pai que Tony, como o gênio e criador que é, inventa um novo material para substituir o paládio. Nesta outra sequência fantástica, ele literalmente destrói o escritório para “criar” um novo elemento, mais brilhante e muito mais potente.

O decepcionante de Homem de Ferro 2, devo dizer, infelizmente é o final. Apesar de indicar o bom design de som – reparem na sonoplastia dos robôs pisando no solo ao mesmo tempo em que começa a música -, a maneira como Favreau encerra o destino de seu vilão mais sombrio é simplesmente estúpida! A briga nem havia começado e, em pouquíssimos minutos, foi resolvida com tanta rapidez que mais pareceu brincadeira de criança. Bem…não vale associar a criancice de Stark com a maneira do Homem de Ferro lutar.

De qualquer modo, ficou evidente desde o começo que o clima de Tony e Pepper daria em alguma coisa – como de fato deu. Ah, sim! Não esqueça que há uma cena adicional após os créditos, que deixará os fãs puristas com água na boca.

Tìtulo Original: Iron Man 2
Direção: Jon Favreau
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2010
Roteiro: Justin Theroux, baseado nos quadrinhos de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby
Trilha Sonora: John Debney
Fotografia: Matthew Libatique
Tempo de Duração: 117 minutos
Com: Robert Downey Jr. (Tony Stark), Don Cheadle (James “Rohdey” Rhodes), Mickey Rourke (Ivan Vanko), Gwyneth Paltrow (Virgínia “Pepper” Potts), Scarlett Johansson (Natasha Romanoff), Sam Rockwell (Justin Hammer), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Jon Favreau (Hogan), Paul Bettany (Jarvis), John Slattery (Howard Stark) e Stan Lee (Larry King).

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