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O Golpista do Ano

julho 27, 2010
Tragicomédia amarga

Adaptação de livro homônimo, O Golpista do Ano narra com excessiva leveza a vida de um dos criminosos mais perigosos dos EUA. Segundo Hollywood, claro

NOTA: 8

Quando o primeiro pôster de O Golpista do Ano saiu eu pensei: “preciso ver esse filme!” Jim Carrey e Ewan McGregor interpretando gays? Era a prova de morte pela qual eles passariam para provar que são bons atores – mesmo não precisando, já que sou grande fã de ambos. Não digo que não me interessei pelo papel de Rodrigo Santoro. Simplesmente já sabia o que iria acontecer – ele aparece sem camisa, diria uma ou duas frases e sairia de cena sem mais.

Bem, eu estava certa sobre tudo. A química entre Carrey e McGregor é sem dúvida o grande motriz do filme de Glenn Ficarra e John Requa. A história é verídica, coisa que os diretores pretendem deixar bem claro desde o início – quando dizem logo no letreiro inicial “Isto realmente aconteceu. Mesmo” – adivinhando os próprios questionamentos do espectador sobre a vida de golpes e trambiques do ex-policial Steven Russell que, após um acidente decide abandonar a vida com a mulher e a filha para assumir sua homossexualidade.

Cenas brilhantes (como a da própria revelação de Steven) mostram onde os cineastas se sobressaem. A narrativa ligeiramente fragmentada acompanha o longa como se o espectador estivesse de fato relembrando as memórias do protagonista – nada mais justo, uma vez que o filme é baseado no livro homônimo. Com humor e graças à imensa capacidade dos atores de absorver as características dos personagens, O Golpista do Ano é um “pega-para-capar” do começo ao fim.

Steven, para sustentar sua luxuosa vida gay e a de seus amantes, ignora a lei e seu envolvimento com ela e passa a aplicar golpes em tudo e em todos. Se faz passar por advogado, médico, diretor financeiro, sempre muito bem sucedido em empreitadas ousadas. Preso mais de 14 vezes – e escapando da prisão todas elas – Steven é um sujeito excessivamente manipulador, de Q.I. elevado, capaz de analisar os fatos e as conjunturas rapidamente – uma espécie de Sherlock Holmes moderno. Mas suas ações acabam se voltando justo contra a pessoa que mais ama.

Como disse acima, o sucesso da narrativa se deve a interpretação de McGregor ao encarnar o ingênuo e romântico Philip Morris, e de Carrey como um lunático, porém bem-humorado trapaceiro. Há cenas tocantes, como os vários momentos de carinho entre os dois amantes, interpretadas sem pudores ou preconceitos pelos atores – que até, em determinado momento, trocam beijos de verdade.

Admito que o turning point do roteiro – que obviamente não direi qual é – me levou às lágrimas (novamente, graças às interpretações). Mas ora, este é um filme de Hollywood e o otimismo não pode sair de cena de repente. Steven Russel foi considerado uma vergonha ao governo americano. Sua história foi realmente inacreditável e o tom final da projeção, leve como o restante do filme, deixa claro que aquilo mais parecia um conto de ninar do que realmente uma história verídica.

O que realmente aconteceu e o que Hollywood deturpou? Se havia a proposta de contar a vida deste homem, “o fim” (não de sua vida, adianto) deixou a sensação de final feliz. É mesmo um final feliz? Para nós, certamente. Mas é uma visão tipicamente hollywoodiana. O que é bem triste para uma produção classificada como “comédia romântica inteligente”.

PS: não havia a menor necessidade de mudar o título. “Eu te amo, Philip Morris” seria uma excelente tradução.

Titulo Original: I Love You Philip Morris!
Direção: Glenn Ficarra e John Requa
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (França/EUA): 2009
Roteiro: John Requa e Glenn Ficarra, baseado no livro de Steve McVicker
Trilha Sonora: Nick Urata
Fotografia: Xavier Pérez Grobert
Tempo de Duração: 102 minutos
Com: Jim Carrey (Steven Russell), Ewan McGregor (Philip Morris), Rodrigo Santoro (Jimmy Kemple), Leslie Mann (Debbie) e Brennan Brown (Larry Bukheim).

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