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O Inferno de Henri-Georges Clouzot

setembro 11, 2010
Revolução infernal

Suposta obra-prima de Henri-Georges Clouzot que nunca foi terminada vira documentário e mostra cenas inéditas dos bastidores

NOTA: 7,5

Henri-Georges Clouzot era um homem de princípios. Na contra-corrente do maior fenômeno cinematográfico (a nouvelle vague), ele encabeçava projetos monstruosos, que certamente denotavam seu gênio preciso, mas também criavam situações extremamente complicadas para a produção de filmes em uma época de florescimento cultural.

Assim, quando Clouzot decidiu filmar o que seria a maior experiência do cinema, tacharam-no de louco e sua reputação veio por água abaixo. O Inferno, título que levaria o filme então iniciado em 1964, é também o título deste documentário sobre o próprio inferno de Clouzot – que viria a ser a produção como um todo. A história girava em torno de um casal e das crises de ciúmes doentio do marido, vivido por Serge Reggiani, para com sua belíssima mulher, interpretada por Romy Schneider.

Baseando-se em experiências sensoriais, a premissa de O Inferno seria fazer a audiência acompanhar os delírios do marido enciumado por visões, nas quais ele via e ouvia coisas, e enxergava tudo e todos de maneira peculiar – e assustadora.

Diz o documentário que o próprio roteiro demorou muito a ser terminado, tamanha a complexidade e neurose do protagonista. Mas diz também que a falta de tecnologia obrigou a equipe de “efeitos especiais” e fotografia a encontrar maneiras absurdas de transpor para a tela aquilo que estava na mente brilhante de Clouzot. Assim, o que era seu maior sonho tornou-se seu maior pesadelo.

Com um orçamento praticamente infinito, Clouzot não se dava por satisfeito, e seus testes com maquiagem, luzes, sombras, figurino e ambientação se prolongaram por anos a fio. O diretor foi perdendo o rumo aos poucos, deixando-se ludibriar pela enorme quantidade de dinheiro disponível e se entregando de corpo e alma a qualquer maluquice que lhe surgisse na mente.

Apesar de conter belíssimas imagens e mostrar o curioso ponto de vista de diversas pessoas da equipe de Clouzot, há uma certa mágoa em todas elas, que viram seus esforços se mostrarem inúteis quando, 185 rolos de filme e 13 horas de imagens capturadas depois, o protagonista abandona as filmagens. Posteriormente enlouquecido com a pressão, Clouzot sofre de um ataque cardíaco.

Se o filme seria ou não um sucesso é difícil dizer. O documentário tampouco revela muito além dos bastidores, e ficamos com a nítida sensação de que Clouzot era ainda mais louco do que gênio – seria ele a própria Pantera Cor-de-Rosa? De qualquer modo, é interessante observar que O Inferno poderia ter se tornado revolucionário caso o projeto tivesse tomado forma.

O diretor de nouvelle vague Claude Chabrol (que, ironicamente, desprezou Clouzot na época), realmente chegou a filmar o roteiro original de Henri-Georges em 1994, em um filme que se chama – adivinhem – O Ciúme.

Titulo Original: L’Enfer d’Henri-George Clouzot
Direção: Serge Bromberg e Ruxandra Medrea
Gênero: Documentário
Ano de Lançamento (França): 2009
Roteiro: Serge Bromberg e Ruxandra Medrea, baseado em cenas de “Inferno”, de Henri-Georges Clouzot
Trilha sonora: Bruno Alexlu
Fotografia: Irina Lubtchansky e Jerôme Krumenacker
Tempo de Duração: 94 minutos
Com: Bérenice Béjo, Jacques Gamblin, Romy Schneider e Serge Reggiani.

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