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X-Men Estendido

setembro 22, 2010
“A evolução somos nós” 

Primeira adaptação dos quadrinhos para o cinema, X-Men tem versão estendida, com cenas excluídas e inseridas no meio da narrativa

NOTA: 8

Dia desses estive na locadora para alugar um filme que já tinha visto. É, algo que eu já tinha visto, mas queria rever – por isso minha lista não se renova com tanta frequência. Vi lá o DVD de X-Men Estendido, ou seja, com cenas adicionais e deletadas do longa original de Bryan Singer. Aluguei.

Fiquei imaginando se eles fariam como a versão estendida de Donnie Brasco, que inseriu as cenas deletadas com tanta maestria que mal era possível notar a diferença entre um e outro – mas, ao final, ter a nítida sensação de que a história estava mais completa.

Como já conhecia o filme, estava esperando cenas totalmente reveladoras sobre a história ou sobre os personagens – que, para quem não sabe, são muito bem construídos e analisados ao longo da projeção. Para minha surpresa, as cenas excluídas foram encaixadas no meio da narrativa junto com as cenas originais, quebrando totalmente o ritmo – sim, eles repetem a mesma sequência com as duas cenas.

Além de ser uma maneira estranha de lançar uma edição especial estendida, é extremamente incômodo e burro o fato de repetirmos uma mesma sequência com uma ou outra mudança – o filme fica duas vezes mais longo! A maneira, por exemplo, como Marie (a Vampira) conhece Bobby (ou Homem de Gelo) na escola de Xavier é diferente. Apesar de serem divertidas de assistir, não dá para notar muita diferença.

Apesar de não haver nenhuma mudança absurda de roteiro, o filme continua sendo interessante como da primeira vez que o vi. Para quem não conhece, X-Men é a adaptação dos quadrinhos da Marvel, com enfoque em dois personagens “principais” (ou mais populares): Wolverine e Vampira. As duas sequências também seguem a mesma lógica, acompanhando as escolhas e dúvidas de ambos.

A história, situada dentro do contexto marveliano, retrata a batalha entre os mutantes (liderados por Magneto e sua gangue) e os humanos (liderados pelo Senador Robert Kelly). Com um discurso calcado na lógica, o Senador afirma que os mutantes são uma ameaça ao mundo humano e devem ser “contidos”. Magneto, em contrapartida, tenta defender sua própria espécie e é radicalmente contra o segregacionismo – sendo ele próprio vítima do nazismo, mostrado nas tocantes cenas iniciais.

Entre a faca e o fogo estão os mutantes da escola de Charles Xavier, que buscam maneiras diplomáticas de mostrar aos humanos que os mutantes podem (e devem) controlar seus poderes e usá-los para o bem. Synger, contudo, não se baseia no maniqueísmo e explora muito bem o conflito entre os três lados.

O roteiro bem construído explora os personagens mais importantes, como Ciclope, Jean Grey, Tempestade e Mística – em atores muito bem caracterizados, como Hugh Jackman com seu humor cínico e o sempre brilhante Ian McKellen – e seus próprios conflitos internos, enquanto tentam lidar com seus poderes em mutação e evolução constantes.

Assim, quando vemos o relacionamento entre Jean e Scott, ou a amizade e respeito entre Charles e Erik, temos a certeza de que Singer se preocupou com a adaptação que iria transportar para as telas.  O diretor fez questão de mostrar alguns dos poderes mais incríveis destes mutantes – algumas brilhantes mostras são a tempestade de Ororo, a luta contra Mística, o modo como Magneto controla o solo que ele caminha e balas de revólver, a intensidade dos raios de Ciclope, e a força das garras de Wolverine, entre muitos outros exemplos interessantes.

Ainda assim, é inegável que existam muitos pontos falhos – só o fato da Vampira ser retratada como uma menina, e não como uma adulta, já diz tudo. É claro que para quem quiser saber a verdadeira história da Vampira, basta dar um Google.

Neste caso, totalmente fora do contexto dos quadrinhos e inserido no contexto criado pelo diretor, é interessante ver a relação de admiração entre ela e Logan. Quase uma relação de pai e filha – poderia ter sido com a Mística ou com o Magneto? Não faria o menor sentido, e acho que todos concordam. E também não faria sentido inserir Gambit aqui.

X-Men não é o melhor filme do gênero, mas certamente é um belo exemplo de estilo do diretor e o ensaio para os filmes posteriores, que continuariam a saga em uma teia mais complexa e dramática – e muito mais interessante!

Titulo Original: X-Men
Direção: Bryan Singer
Gênero: Ação
Ano de Lançamento (EUA): 2000
Roteiro: David Hayter, Tom DeSanto e Bryan Singer, baseados em histórias de Stan Lee e Jack Kirby
Trilha Sonora: Michael Kamen
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Tempo de Duração: 104 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (professor Charles Xavier), Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto), Anna Paquin (Marie D’Acanto/Vampira), Famke Janssen (Dra. Jean Grey), Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Bruce Davison (Senador Robert Kelly), Rebecca Romijn-Stamos (Mística), Ray Park (Toad), Tyler Mane (Dentes-de-Sabre), Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo).

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