Archive for novembro \24\UTC 2010

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People’s Choice Award

novembro 24, 2010

Já saiu a lista para votação do People’s Choice Award que acontece no dia 05 de janeiro de 2011.

O evento escolhe os melhores de 2010 nos quesitos cinema, música e televisão.

O Projetor fez uma estimativa (leia-se, os meus votos) para os vencedores do prêmio. Tenho certeza absoluta que na maioria das categorias eu não estarei afinada com o resto do mundo. Mas opinião é opinião, certo?

Confira abaixo algumas das principais categorias, os selecionados e os votos desta que vos fala – devidamente marcados com um “x”.


Filme Favorito:

Alice no País das Maravilhas
A Origem (x)
Homem de Ferro 2
Toy Story 3
Crepúsculo: Eclipse os fãs “crepusculetes” farão estardalhaço se não ganhar…

Ator de Filmes Favorito:

Johnny Depp
Leonardo Dicaprio (x)
Robert Downey Jr.
Robert Pattinson – quase certeza que ele vai ganhar!
Tayler Lautner – ah, fala sério! pior é saber que ele também tem chances…!

Atriz de Filmes Favorita:

Angelina Jolie
Jenifer Aniston
Julia Roberts (x)
Katherine Hiegl – acho que ela leva…
Kristen Stewart – retiro o que disse acima

Filme de Ação Favorito:

Homem de Ferro 2 – votei em Kick-Ass, mas acho que HdF ganha. Não reclamo.
Kick-Ass (x)
Príncipe de Pérsia
Robin Hood – o pior remake da história
Salt

Estrela de Ação Favorita:

Angelina Jolie
Bradley Cooper
Jackie Chan – porque não Jet Li, né?
Jake Gyllenhall – gosto dele, mas ele fez UM filme de ação na vida.
Robert Downey Jr. (x)

Filme de Drama Favorito:

Alice no País das Maravilhas – drama???
Querido John
A Origem (x) – perceberam que, por mim, levaria todos!
A Rede Social
Crepúsculo: Eclipse – mas adivinha quem vai ganhar…?

Filme de Família Favorito:

Meu Malvado Favorito
Como Treinar seu Dragão
Karatê Kid
Shrek para Sempre
Toy Story 3 (x)

Filme de Comédia Favorito:

Uma Noite Fora de Série
A Mentira
Gente Grande
Sex and the City 2 (x) – pura falta de opção, porque sinceramente não votaria em nenhum
Idas e Vindas do Amor

Estrela de Comédia Favorita:

Adam Sandler – mas nem morta!
Drew Barrymore
Steve Carrell – quase convence. Quase.
Tina Fey (x)
Will Ferrell – mas nem morta! [2]

Time Favorito na Telona:

Uma Noite Fora de Série – Steve Carrell e Tina Fey
A Origem – Leonardo Dicaprio, Jospeh Gordon-Lewitt, Ellen Page, Tom Hardy, Dillep Raq (x)
Homem de Ferro 2 – Robert Downey Jr. e Don Cheadle
Karatê Kid – Jaden Smith e Jackie Chan
Crepúsculo: Eclipse – Robert Pattinson, Kristin Stewart e Taylor Lautner – o trio ménage-lésbicogay. Adivinhem quem ganha, de novo?

Estrela Abaixo dos 25 Favorita:

Emma Watson (x) – o único que se equipara talvez seja Zac Efron
Kristin Stewart
Robert Pattinson
Vanessa Hudgens
Zac Efron

Filme de Horror Favorito:

A Epidemia
O Último Exorcismo
Deixa Ela Entrar (x)
Pesadelo em Elm Street
Resident Evil: Recomeço

Série de Drama Favorita:

The Good Wife
Gossip Girl
Grey’s Anatomy
House (x)apesar de achar que Grey’s ganha
The Vampire Diaries

Ator de Série Dramática Favorito:

Chace Crawford
Hugh Laurie (x) – o mais engraçado é ele ser nominado por drama…justo ele!
Ian Somerhalder – quase que eu votei nele…só porque é lindo hahaha
Patrick Dempsey – tão sem gracinha
Taye Diggs

Atriz de Série Dramática Favorita:

Blake Lively
Julianna Margulies
Kate Walsh
Lisa Edelstein
Sandra Oh (x)

Série de Comédia Favorita: (essa decisão foi muito difícil)

The Big Bang Theory
Glee
How I Met Your Mother
Modern Family
Two and a Half Men (x) – é a antiga, mas ainda é a melhor

Ator de Série Cômica Favorito:

Alec Baldwin
Jim Parsons (x)
Matthew Morrison
Neil Patrick Harris
Steve Carrell

Atriz de Série Cômica Favorita:

Alyson Hannigan
Courtney Cox – ela sempre foi a mais sem graça
Eva Longoria Parker
Jane Lynch
Tina Fey (x)

Programa de Competição Favorito:

America’s Got Talent
American Idol (x)já perdeu a graça, mas ainda acho que ganha
Dancing With the Stars
Hell’s Kitchen
So You Think You Can Dance – se não estivesse errada, votaria nesse. É o máximo!

Doutor Favorito:

Christina Yang/Sandra Oh
Derek Shepherd/Patrick Dempsey
Gregory House/Hugh Laurie (x)
James Wilson/Robert Sean Leonard
Meredith Grey/Ellen Pompeo

Família da TV Favorita:

The Griffiths/Family Guy – novamente, se não fosse perder, votaria nesse
The Harpers/Two and a Half Men
The Pritchetts e The Dunphys/Modern Family
The Scavors/Desperate Housewives
The Simpsons/The Simpsons (x) – unanimidade mundial

As categorias que não constam dá para conferir no site do People’s Choice

Vote você também! 🙂

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Harry Potter e as Relíquias da Morte p. 1

novembro 22, 2010

O começo do fim

Primeira parte do sétimo filme do bruxinho já arrecadou US$ 300 milhões nos Estados Unidos e presenteia os fãs com riqueza de detalhes

NOTA: 10

Assistir a Harry Potter e as Relíquias da Morte p. 1 na estreia logo após ter terminado (mesmo) de ler o livro em questão talvez tenha sido uma das coisas mais acertadas que já fiz. Para um fã dos filmes do bruxinho, as duas últimas partes da saga são realmente um marco do cinema e também de muitas vidas que praticamente cresceram junto com Harry. Aos não familiarizados com a história de J. K. Rowling talvez tenha ficado impossível acompanhar Harry, Rony e Hermione em busca das Horcruxes – objetos que contém os pedaços da alma de Lord Voldemort.

Apesar de já ter anunciado seu objetivo no sexto filme, o roteirista Steve Kloves fez uma adaptação ambiciosa do último livro da série. Lord Voldemort está mais forte do que nunca, e agora que Harry fez 17 anos a proteção de sua mãe perdeu a validade ele se encontra na estranha posição de fugitivo – de Voldemort e do Ministério da Magia, tomado pelo bruxo das trevas e seus Comensais da Morte. Mais do que sombrio, diria que Harry Potter 7.1 é um filme tenso e triste. Os atores quase nunca sorriem e suas fugas quase-mal-sucedidas causam nervosismo.

Mas é também um filme que trata do encontro à vida adulta. As cenas nas quais eles se despedem do conforto da vida que levavam enquanto estudavam em Hogwarts são belas e carregadas de melancolia. Ver as cenas de Hermione apagando a memória dos pais enquanto seu rosto some das fotografias, e de Harry olhando para o minúsculo armário no qual dormiu por onze anos são tocantes. O que realmente parece surpreender (apesar de não ser nenhuma novidade) é o elenco que dele faz parte.

E, pela primeira vez em todos estes anos, o mérito é todo do jovem elenco, principalmente de Rupert Grint e Emma Watson, que encenam Rony e Hermione com muita segurança e carga dramática. Muitas das cenas mais emocionantes, inclusive, são protagonizadas por eles. A cena em que Rony vai embora do acampamento é forte e Grint parece ter encontrado o ponto exato para tornar a cena comovente. Em outra cena, agoniante como a passagem no livro –  a tortura de Hermione pelas mãos de Belatriz Lestrange -, Watson faz um trabalho memorável rivalizando de igual para igual com a veterana Helena Bonham Carter.

A maioria dos outros personagens têm aparições tão curtas que reforçam a ideia do elenco de suporte do filme tão grandioso que só tem a acrescentar. Assim, Ralph Fiennes, Jason Isaacs, Bill Nighy, Jonh Hurt e Rhys Ifans que têm papeis relativamente maiores, dão o já costumeiro brilho aos personagens que interpretam tão bem. Andy Linden como o bicheiro Mundungo Fletcher se saiu muito bem e até mesmo os atores que fizeram Harry, Ron e Hermione no Ministério da Magia imitaram com fidelidade as atuações dos três jovens atores.

Os artefatos mostrados neste filme também são interessantes de observar: a mágica bolsinha de contas de Hermione, e até mesmo Monstro e Dobby aparecem mais bem feitos do que nos filmes anteriores. Por isso, a cena protagonizada pelo elfo é certamente a mais comovente. Algumas cenas são marcantes, como o divertido momento em que Radcliffe interpreta diferentes versões de si mesmo através da poção polissuco, a perseguição no Ministério e estrunchamento de Rony, tudo tratado com muita naturalidade, o que confere ainda mais verossimilhança e realismo ao mundo descrito.

O roteiro de Kloves é fiel ao extremo, quase transcrevendo diálogos e transpondo para a tela detalhes que só mesmo os fãs dos livros notarão. Algumas pequenas passagens me impressionaram mais, e tornaram o longa muito mais belo aos meus olhos. David Yates e Kloves poderiam ter colocado mensagens subliminares em alguns destes momentos com os dizeres “aos fãs, com carinho”: quando Remo e Tonks quase anunciam a gravidez; Ron e Hermione dormindo de mãos quase dadas, como se tivessem se soltado durante a noite; a menina fazendo carinho no cabelo de Harry depois que eles decidiram ir a Godric’s Hollow; ou, o mais impressionante de tudo, o fato de os Comensais aparecerem instantaneamente quando Xenofílio Lovegood fala o nome de Você-Sabe-Quem. Tudo isso tirado do livro, sem mais nem menos.

Um dos momentos mais belos, talvez, seja a cena em que Harry e Hermione dançam juntos ternamente como dois irmãos, mostrando a doçura do relacionamento que desenvolveram apesar de suas frustradas tentativas; adolescentes perdidos no ermo em uma missão desesperada. A poética fábula animada dos três irmãos e as relíquias da morte é, além de lúdica e necessária para justificar o título do livro/filme, de um bom gosto imenso, comprovando o acerto de Stuart Craig em toda a produção visual do filme.

A decisão de dividir o livro em duas partes, ao contrário do que a maioria dos críticos têm dito, foi  (ao meu ver) concebida como uma homenagem aos fãs que acompanharam Harry durante dez longos anos. Kloves fez questão de inserir na narrativa os fatos principais de cada capítulo, fazendo uma ou outra mudança necessária – a perspectiva de outros personagens além da de Harry, por exemplo, são extremamente necessárias para o filme funcionar como um todo, além de algumas explicações não tão necessárias, mas bem pontuadas.

Talvez Yates não tenha introduzido nenhuma marca sua. Talvez isso seja ruim para o cinema, mas certamente era o desfecho que os fãs mereciam e esperavam. Ver o capítulo final tomando forma é triste e não havia melhor maneira de presentear o público do que com essa imensa riqueza de detalhes.

Titulo Original: Harry Potter and the Deathly Hallows part one
Direção: David Yates
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (Reino Unido/Estados Unidos): 2010
Roteiro: Steve Kloves, baseado no livro de J. K. Rowling
Trilha sonora: Alexander Desplat
Fotografia: Eduardo Serra
Tempo de Duração: 146 minutos
Com: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Rupert Grint (Rony Weasley), Tom Felton (Draco Malfoy), Bonnie Wright (Gina Weasley), Evanna Lynch (Luna Lovegood), Helena Bonham Carter (Belatriz Lestrange), James Campbell Bower (Gellert Grindelwald), Robbie Coltrane (Rúbeo Hagrid), Warwick Davis (Grampo), Hazel Douglas (Batilda Bagshot), Ralph Fiennes (Lord Voldemort), Michael Gambon (Alvo Dumbledore), Brendan Gleeson (Alastor Olho-Tonto Moody), Domhnall Gleeson (Bill Weasley), Richard Griffiths (Válter Dursley), George Harris (Kingsley Schacklebolt), Guy Henry (Pio Thicknesse), Frances de la Tour (Madame Maxime), John Hurt (Olivaras), Rhys Ifans (Xenofílio Lovegood), Jason Isaacs (Lúcio Malfoy), Andy Linden (Mundungo Fletcher), David Legeno (Fenrir Greyback), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Toby Jones (voz de Dobby), Simon McBurney (voz de Monstro), Helen McCrory (Narcisa Malfoy), Nick Moran (sequestrador), Peter Mullan (Yaxley), Bill Nighy (Rufo Scrimgeour), James e Oliver Phelps (Fred e Jorge Weasley), Clémence Poésy (Fleur Delacour), Alan Rickman (Severo Snape), Fiona Shaw (Petúnia Dursley), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), Imelda Staunton (Dolores Umbridge), Natalia Tena (Ninfadora Tonks), David Thewlis (Remo Lupin), Julie Walters (Molly Weasley), Mark Williams (Arthur Weasley).

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Cirkus Columbia

novembro 18, 2010

Histórias de um país em guerra

Apresentado na Mostra Internacional de Cinema, Cirkus Columbia leva graça e suavidade às sequelas deixadas pelas constantes guerras civis do leste europeu

NOTA: 10

Indicado ao Oscar de 2011 por “Melhor Filme Estrangeiro”, Cirkus Columbia deu as caras em São Paulo durante a 34ª Mostra Internacional de Cinema. O filme, do diretor Danis Tanovic, reconstrói os instantes entre a queda da União Soviética em 1991 e a cruel guerra civil que iniciaria no ano seguinte, dando frente à separação da Bósnia e Herzegovina. Instantes de fato, pois sabemos que o leste europeu enfrentou sucessivas e sangrentas guerras (Sarajevo ter sido o ponto de partida para a 1ª Guerra é mais do que uma simples coincidência).

Suavizando o tema fatalmente trágico, Tanovic imprime à narrativa um tom mais leve e cordial. Martin é um belo rapaz de seus quase vinte anos que mora com a mãe, Lucija (a atriz que fez Danielle Rousseau em Lost), e não sente a falta que o pai faz – que fugiu do comunismo russo e se refugiou na Alemanha. Apesar de alegre e descontraído, a mensagem subliminar existe: o comunismo caiu e junto com ela a URSS e, agora livre para voltar para casa, Divko retorna triunfante à Bósnia e a sua antiga casa.

Mas para se apossar novamente dela, ele precisa despejar Lucija e mandá-los para a periferia da cidade. Para piorar, a bela Azra, uma moça bem mais jovem, vem a tiracolo e desperta o desejo em todos os homens da região – com exceção, talvez, do velho Pivac, um major do exército (já quase falido), visivelmente apaixonado por Lucija.

Tanovic apresenta Divko primeiramente como um homem digno de repulsa – uma cena que representa isso bem é aquela na qual ele come o olho de um cabrito, para aflição geral do público e da namorada. Conforme a narrativa se desenvolve e ganha profundidade, vemos que os motivos pelos quais Divko saiu do país eram bem diferentes dos fatos apresentados pela ex-mulher. Assim, seu caráter dúbio é posto a prova, e ele torna-se um personagem real, plausível, sem as caricaturas de um “vilão”.

Assim, mesmo quando Martin e Azra saem à procura do gato de estimação de Divko – e, evidentemente, criam muita intimidade – e pensamos ser por puro capricho do homem, Tanovic dá ao turning point uma reviravolta inteligente. Com leves pitadas de humor (nas horas mais do que certas), é curioso ver a displicência com a qual Martin entra e sai da casa “do pai” enquanto ele está lá ou, ainda, a cena na qual finalmente Azra visualiza o gato que tanto procuraram.

Explicando o motivo do desentendimento decênio de Lucija e Divko com muita elegância, o diretor redime o personagem e acaba tudo como um final feliz dos contos de Érico Veríssimo: tudo acaba bem, não fosse aquele pequeno detalhe que fica para trás, denotando uma tristeza futura e iminente, mas que jamais é dita de maneira explícita – e com isso me refiro à belíssima cena final.

Titulo Original: Cirkus Columbia
Direção: Danis Tanovic
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Bóznia e Herzegovina, França, Inglaterra, Alemanha, Eslovênia, Bélgica e Sérvia): 2010
Roteiro: Danis Tanovic, baseado no livro de Ivica Djikic
Fotografia: Walther van den Ende
Tempo de Duração: 113 minutos
Com: Miki Manojlovic (Divko), Boris Ler (Martin), Mira Furlan (Lucija), Jelena Stupljanin (Azra) e Mario Knezovic (major Pivac).

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Minhas Mães e Meu Pai

novembro 10, 2010

Convenções para quê?

Lisa Cholodenko tenta estimular a discussão contra o preconceito homossexual com novo longa, falhando miseravelmente

NOTA: 6

Se formos analisar Minhas Mães e Meu Pai superficialmente, diríamos que é um filme interessante por abordar a vida de uma família nada convencional: duas mulheres casadas, mães de filhos diferentes (uma menina e um menino) gerados a partir do esperma de um mesmo doador, vivem pacificamente debaixo do teto de um dos países desenvolvidos mais preconceituosos do mundo.

Sorte a sua, caríssimo leitor, que este blog não se presta a análises superficiais. Pois apesar de soar extremamente sensível ao lidar com o tema de pais homossexuais, o roteiro – feito a quatro mãos por Stuart Blumberg e a diretora, Lisa Cholodenko – se perde no meio do caminho. A primeira metade parece promissora, quando aborda a vida já em crise da paisagista Jules e a ginecologista Nic, e seus dois filhos, Laser e Joni.

Por insistência do irmão, Joni decide contatar o pai para que pudessem conhecê-lo e, assim, saber exatamente de quem herdaram alguns de seus genes. A princípio leve e divertido, Laser e Joni conseguem aproximar Paul das mães, fazendo com que se conheçam e criem uma mínima intimidade – a cena do primeiro encontro entre os pais é, de fato, bem concebida como extremamente constrangedora.

Há algumas cenas que dão brilho no começo do longa (como o fato das mães transarem vendo um filme pornô gay, ou a discussão a respeito da sexualidade de Laser), mas que imediatamente se perdem com o preconceito inato com o qual os personagens são desenvolvidos. A partir do momento que o roteiro estabelece Jules como uma pessoa mais sensível e suscetível a fatores externos, ela se envolve sem mais explicações em um romance com Paul. Sem acrescentar nada, isso só põe em jogo a sexualidade de Jules que, definitivamente, não estava em pauta.

Ao mesmo tempo em que coloca Jules como a sensível, Nic é pintada como o “macho’ da relação de maneira extremamente preconceituosa e caricata – é ela quem põe dinheiro dentro de casa, é ela a traída, a injustiçada e quem dá a palavra final. Curioso, não?

Mia Wasikowska se sai muito bem no papel da filha mais velha que está prestes a ir para a universidade, e é notável o esforço de Annete Benning e Juliane Moore ao retratar com fidelidade um casal lésbico. Mark Ruffalo também não se sai mal no papel de Paul, o pai e bonitão mulherengo – sua voz pacífica condizendo com o restaurante orgânico que administra.

Infelizmente, nem mesmo as atuações destes grandes atores foi suficiente para salvar os personagens mal desenvolvidos e de um egoísmo profundo. A partir do momento em que permitem a participação ativa de Paul na educação dos filhos (ainda que de maneira muito informal), elas o “aceitam” como um membro da família há muito perdido.

Estava tudo indo muito bem, até eu começar a perceber que o roteiro apontava o preconceito das mães como justificável pelo simples fato de elas serem gays. Sim, vamos apoiar o movimento, dizem eles. Vamos aproveitar para colocar uma negra maravilhosa no papel de uma mulher magoada com um homem garanhão. Se podemos conquistar uma minoria, porque não duas?

Paul ingressa na família com a mesma rapidez com que é dispensado – após sua última briga com Nic a respeito de estar “agredindo o núcleo familiar para o qual não foi convidado” (o que sabemos ser mentira) ele simplesmente desaparece de cena (como também já havia acontecido com os amigos de Laser e Joni). Porque, afinal, os meninos trouxeram Paul para a vida deles, se aproximaram dele e, quando começavam a entrar de cabeça no pai que jamais pensaram em ter, o expulsam? Quer dizer que ele não é nada importante? É engraçado como todo extremismo anti-preconceito é um preconceito em si.

Para arrematar, até mesmo o título em inglês soa superficial – afinal, o filme é do ponto de vista das crianças (Minhas Mães e Meu Pai) ou dos pais (The Kids Are Allright)? Nem mesmo isto ficou claro.

Titulo Original: The Kids Are Allright
Direção: Lisa Cholodenko
Gênero: Comédia dramática
Ano de Lançamento (EUA): 2010
Roteiro: Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko
Trilha Sonora: Carter Burwell, Nathan Larson e Craig Wedren
Fotografia: Jadue-Lillo
Tempo de Duração: 106 minutos
Com: Julianne Moore (Jules), Annette Benning (Nic), Mia Wasikowska (Joni), Josh Hutcherson (Laser), Mark Ruffalo (Paul), Yaya DaCosta (Tanya), Eric Eisner (Joel).