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X-Men 2

dezembro 10, 2010

A guerra continua

O segundo filme da saga X-Men é mais uma bem-sucedida adaptação dos quadrinhos para o cinema

NOTA: 8,5

Voltar alguns anos (não muitos) para falar da mesma tecnologia que temos hoje só que ainda não tão perfeita – ou dos roteiros de HQs ainda em evolução – é um exercício bastante curioso. Reassistir a trilogia dos heróis mais famosos da Marvel (me refiro a X-Men e suas sequências, X-Men 2 e X-Men 3 – Confronto Final) é analisar o início do gênero dos quadrinhos no cinema e perceber, embora isso não seja exatamente uma revelação, que a saga de Bryan Singer foi construída de maneira coerente com o mundo dos mutantes.

Obviamente adaptando algumas das histórias de seus personagens principais, Singer já tem êxito pelo simples fato de ter coesão com sua própria adaptação – que segue linha do tempo e respeita a noção de “sequência”, tomando o ponto de partida deste segundo filme justamente no final do primeiro – quando Erik foi preso em uma cadeia toda feita de plástico, para que fosse impedido de escapar.

Muito bem amarrada com o filme anterior, a história de X-Men 2 gira novamente em torno da briga entre mutantes e humanos, ainda mais acentuada pelo fato de que a natureza do verdadeiro inimigo é indefinida – uma vez que há mocinhos e bandidos de ambos os lados. O cientista militar Will Stryker é um dos que escolhe “lados”, mostrando claramente que deseja guerra contra os mutantes –e, mesmo assim, tem como assistente uma poderosa mutante com os mesmos poderes de Wolverine, incluindo gigantes unhas de adamantium. Tratando com delicadeza a complexidade de seus personagens, Singer constrói caráteres e sentimentos por vezes dúbios e subitamente voláteis, de modo que acompanhamos os pontos de clímax com verdadeira ansiedade.

Além dos mutantes que já conhecemos – Wolverine, Ciclpe, Tempestade, Jean Grey, Vampira e, claro, o professor Charles Xavier -, o diretor apresenta aqueles que formarão no futuro a verdadeira equipe dos X-Men. Curiosamente, ele o faz de maneira que o espectador desavisado jamais desconfie que “monstros” azuis e inicialmente hostis pudessem ser personagens cruciais para a escola de Xavier. Assim, vemos uma criatura invadindo a Casa Branca por meio do teletransporte (executado de maneira brilhante pela direção de arte) e realizando a desesperada e quase bem-sucedida tentativa de assassinar o Presidente dos EUA.

Esta criatura – um homem azul, com rabo, orelhas pontiagudas, dentes afiados, o corpo todo marcado e um rosto peculiarmente assustador – mostra-se uma pessoa muito católica. Quando o vemos na Igreja rezando fervorosamente, Singer põe mais uma vez por terra a ideia de que mutantes não são humanos – ou são incapazes de agir e sentir como tais. Essa ideia é curiosa pois os mutantes podem ser traduzidos como qualquer minoria (comunistas, muçulmanos, judeus, negros, só para ficar em alguns exemplos).

Enquanto isso, temos a história paralela de Wolverine (que se converteu no grande protagonista da série), que no filme anterior saíra para procurar respostas de seu passado que ele não se recorda. Costurando a história com muita maestria, o diretor já começa a dar mostras de que os poderes de Jean Grey estão ficando cada vez mais difíceis de controlar – o que sabemos ser o mote do último filme.

Há mais belíssimas cenas de ação e efeitos especiais, como as da sempre pragmática (e fabulosa) Mística e seus poderes imbatíveis, o Cérebro que permite a Xavier encontrar qualquer mutante em qualquer parte do mundo (extremamente fiel aos quadrinhos), a maravilhosa cena na qual Magneto consegue por fim escapar da prisão, e as angustiantes cenas de Jason, filho de Stryker, que tem o poder de invadir e manipular mentes.

Em busca de suas próprias verdades, Wolverine se depara com os desejos pessoais de Stryker de tê-lo feito inteiro de adamantium (na forte cena na qual Logan entra no laboratório em que foi criado). Para deter o intento do cientista de aniquilar com os mutantes, os seguidores de Xavier devem se aliar aos de sua própria espécie, culminando em excelentes momentos de tensão e atuação – quando vemos todos, alunos de Xavier e Magneto, em uma única nave tendo que se aturar por uma causa maior, é curioso reparar nos diálogos.

“Adoramos o que fez com seu cabelo”, diz o veterano a Vampira, ou quando ele ainda ensina um jovem a não negar sua natureza mutante – tentando angariá-lo para sua própria causa -, Noturno questiona Mística o porquê de ela não usar seus poderes para aparentar humana o tempo todo (uma coisa que ele certamente desejaria poder fazer). A resposta é sensível e inteligente: “Porque não deveríamos ter que fazer isso.”

Intercalando alguns momentos de ação frenética com alívio cômico – principalmente na figura de Wolverine -, é possível observar estes mutantes usando seus incríveis poderes para coisas banais do cotidiano (como gelar uma garrafa de refrigerante instantaneamente ou simplesmente atravessar paredes). Ainda há as explosões apaixonadas entre Logan e Jean – que percebe a estranheza da moça – e a tentativa frustrada de Mística de se fazer passar por ela.

Narrativa inteligente e bem costurada, mas ao mesmo tempo ágil como uma história de heróis deve ser, X-Men 2 lida de maneira clara e delicada com a tristeza da perda, o amor não correspondido, a vingança, a luta por uma causa aparentemente perdida e a expectativa (do público, é claro) de retorno: a premissa para o filme seguinte.

Titulo Original: X2: X-Men United
Direção: Bryan Singer
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2003
Roteiro: Michael Dougherty, Daniel P. Harris e Bryan Singer
Trilha Sonora: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Siegel
Tempo de Duração: 134 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (professor Charles Xavier), Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto), Anna Paquin (Marie D’Acanto/Vampira), Famke Janssen (Dra. Jean Grey), Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Alan Cumming (Kurt Wagner/Noturno), Brian Cox (Will Stryker), Bruce Davison (Senador Robert Kelly), Rebecca Romijn-Stamos (Mística), Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo), Kelly Hu (Lady Letal), Aaron Stanford (John Allerdyce/Pyro), Katie Stuart (Kitty Pride/Lince Negra), Kea Wong (Jubileu), Daniel Cudmore (Peter Rasputin/Colossus) e Shauna Kain (Theresa Cassidy/Syrin).

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