Archive for janeiro \31\UTC 2011

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Biutiful

janeiro 31, 2011

Nu e cru

A realidade nas mãos de Iñárritu parece ainda mais cruel e miserável, graças também ao roteiro consistente feito a seis mãos e à atuação impecável de Javier Bardem

NOTA: 9,5

Desde que estreou em Hollywood (e no mundo) em 2000 com o pesado Amores Brutos – que também revelou o jovem talento de Gael García Bernal – o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu ficou conhecido como um autor visceral, que trabalha no meio-fio entre o grotesco e o singelo e aborda o desespero e a podridão do submundo – seja ele norte-americano, mexicano ou, no caso do novo filme do diretor, espanhol.

Indicado ao Oscar de “Melhor Filme Estrangeiro” (e também ao de “Melhor Ator” para Javier Bardem), Biutiful é praticamente um resumo de toda a atividade cinematográfica de Iñárritu, que une o desagradável ao belo, a realidade ao sonho (ou desejo) e a veracidade de um mundo que insistimos em não enxergar mesmo estando tão visível. Soma-se a isso o fato de que Bardem talvez tenha entregado seu personagem mais intenso – ainda mais do que o assassino impiedoso de Onde os Fracos Não Tem Vez, dos irmãos Coen.

Ele interpreta Úxbal, um homem que vive à margem da sociedade espanhola e luta pela sobrevivência da maneira mais ingrata possível: fazendo bicos como médium, ele ainda lida com a manufatura ilegal de chineses e a posterior venda destes produtos de maneira igualmente ilegal por senegaleses nas Ramblas de Barcelona –  que só percebemos ser pela silhueta da Sagrada Família, para mais de metade do filme. Além disso, ele ainda sofre com as frequentes intervenções de um irmão omisso e da ex-esposa bipolar, Marambra, na vida pessoal e na criação dos dois filhos (a pré-adolescente Ana e o pequeno Mateo).

Demonstrando a aspereza da vida de Úxbal com imagens extremamente significativas – em closes fechados, design de produção sujo e mal-cuidado, e a fotografia acinzentada de Rodrigo Prieto, com cores mais apagadas – Iñárritu não se contenta a somente explorar a desgraça da condição social de seu personagem como também incute na trama uma doença terminal sem possibilidade de melhora – e, por conseguinte, uma realidade que não tem perspectiva de mudança – constantes conflitos psicológicos entre a exploração dos imigrantes e a chance de dar a eles uma vida digna – ainda que difícil – e a denúncia da própria sociedade espanhola: a corrupção da polícia, a conivência com a ilegalidade, a indiferença para com os necessitados (em especial os imigrantes africanos) etc.

Propositalmente longo para reforçar o incômodo do próprio personagem, Bardem se joga de cabeça naquele homem. Sua extrema magreza, a pele macilenta e os olhos fundos de noites mal dormidas não deixam enganar que, além da doença que o consome, sua própria consciência não descansa nunca.

Diferente da narrativa de seus outros filmes, a história de Biutiful é contada de maneira linear, com poucos vai-véns, focada na miséria de Úxbal e das poucas pessoas ao seu redor – e, ainda assim, sem se aprofundar demasiado em nenhuma delas.

O único e breve momento de respiro é um almoço em família, que mostra a descontração de Marambra, Úxbal e os filhos em uma cena delicada, quente e acolhedora, que arranca alguns risos e suspiros dos espectadores para descontrair tanta aridez, e é mostrada de maneira bastante verossímil e humana. Mesmo a cena em que Úxbal visita o corpo do pai que nunca conheceu pode parecer tocante, se comparada à dureza do restante da projeção. Um bom momento, no qual um diálogo é mais significativo do que a cena no qual está inserido, Úxbal é informado pela também médium Bea que, quando ele morrer – fato para o qual deve estar preparado – “o Universo irá cuidar delas [as crianças].” A resposta daquele homem sofrido chega a ser engraçada, de tão real: “Sim, mas o Universo não paga o aluguel.”

Cheio de simbolismos a primeiro momento indecifráveis (as borboletas negras que anunciam a chegada da morte conforme se proliferam no teto), Biutiful pode ser definido como um filme pesado, sombrio e que, ainda assim, deixa a premissa da vida após a morte, do reencontro, da redenção e outras possibilidades de temas espirituais que pretendo não desenvolver para não estragar a resolução de cada um. Resolução que ainda gera perguntas, com relação à pessoa que aparece em uma visão de Úxbal, momentos antes do fim – era ele? Era Ige? Era um chinês?

Como cada pessoa com quem conversei deu uma resposta diferente, acredito que o sucesso do filme esteja também no que cada um absorve e conclui sobre ele. O que é, considerando a trama densa e caótica, mais um ponto positivo.

Titulo Original: Biutiful
Direção: Alejandro González Iñárritu
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (México/Espanha): 2010
Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Armando Bo e Nicolás Giacobon
Trilha sonora: Gustavo Santaolalla
Fotografia: Rodrigo Prieto
Tempo de Duração: 147 minutos
Com: Javier Bardem (Úxbal), Maricel Álvarez (Marambra), Hanaa Bouchaib (Ana), Guillermo Estrella (Mateo), Cheikh Ndiaye (Ekweme), Eduard Fernández (Tito), Diaryatou Daff (Ige), Taisheng Cheng (Hai), Luo Jin (Liwei), Lang Sofia Lin (Li), Chibuikwem Chukwuma (Samuel), Rubén Ochandiano (Zanc), Ana Wagener (Bea).

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Oscar 2011

janeiro 26, 2011

Demorou, mas saiu. Com apenas um mês de antecedência, a Academia liberou a lista dos indicados ao Oscar 2011. A premiação, que será no dia 27/02, já parece querer valorizar os vencedores do Globo de Ouro, e os favoritos da crítica.

Confira a lista abaixo e opine: quem serão os grandes vencedores da noite? Lembrando que o meu palpite está destacado em negrito com um “x”

Melhor Filme
Cisne Negro (x)
O Vencedor
A Origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma

Melhor Ator
Javier Bardem, em Biutiful
Jeff Bridges, em Bravura Indômita
Jesse Eisenberg, em A Rede Social
James Franco, em 127 Horas
Colin Firth, em O Discurso do Rei (x)

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, em O Vencedor (x)
John Hawkes, em Inverno da Alma
Jeremy Renner, em Atração Perigosa
Mark Ruffalo, em Minhas Mães e Meu Pai
Geoffrey Rush, em O Discurso do Rei

Melhor Atriz
Annette Bening, em Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman, em  Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence, em Inverno da Alma
Natalie Portman, em Cisne Negro (x)
Michelle Williams, em Blue Valentine

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams, em O Vencedor
Helena Bonham Carter, em O Discurso do Rei
Melissa Leo, em O Vencedor (x)
Hailee Steinfeld, em Bravura Indômita
Jacki Weaver, em Reino Animal

Melhor Animação
Como Treinar Seu Dragão, de Chris Sanders e Dean DeBlois
O Mágico, de Sylvain Chomet
Toy Story 3, de Lee Unkrich (x)

Direção de Arte
Alice no País das Maravilhas (Walt Disney) –  Robert Stromberg , Karen O’Hara
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I (Warner Bros.) –  Stuart Craig (Design de Produção) e Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Origem (Warner Bros.) – Guy Hendrix Dyas (Design de Produção), Larry Dias and Doug Mowat (Decoração de Set) (x)
O Discurso do Rei (Paramount) Eve Stewart (Design de Produção) e Judy Farr (Decoração de Set)
Bravura Indômita (Paramount) – Jess Gonchor (Design de Produção) e Nancy Haigh (Decoração de Set)

Melhor Fotografia
Cisne Negro, Matthew Libatique
A Origem, Wally Pfister
O Discurso do Rei, Danny Cohen
Bravura Indômita, Roger Deakins (x)
A Rede Social, Jeff Cronenweth

Melhor Figurino
Alice no País das Maravilhas, Colleen Atwood (x)
I Am Love, Antonella Cannarozzi
O Discurso do Rei, Jenny Beavan
A Tempestade, Sandy Powell
Bravura Indômita, Mary Zophres

Melhor Diretor
Darren Aronofsky, Cisne Negro (x)
David Fincher, A Rede Social
Tom Hooper, O Discurso do Rei
David O. Russell, O Vencedor
Joel & Ethan Cohen, Bravura Indômita

Melhor Documentário
Exit Through The Gift Shop, Paranoid Pictures
Gasland, Gasland Productions
Inside Job, Representational Pictures
Restrepo, Outpost Films
Lixo Extraordinário, Almega Projects Production (x)

Melhor Documentário de Curta-Metragem*
Killing in the name
Poster girl
Strangers no more
Sun come up
The warriors of Qiugang

Melhor Montagem
Cisne Negro, Andrew Wesiblum
O Vencedor, Pamela Martin
O Discurso do Rei, Tariq-Anwar
127 Horas, Jon Harris
A Rede Social, Angus Wall e Kirk Baxter (x)

Melhor Filme Estrangeiro
Biutiful (México) (x)
Dogtooth (Grécia)
Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
Incêndios (Canadá)
Fora da Lei (Algéria)

Melhor Maquiagem*
A Minha Versão do Amor, Adrien Morot
The Way Back, Edouard F. Henriques, Gregory Funk e Yolanda Toussieng
O Lobisomem, Rick Baker e Dave Elsey

Melhor Trilha Sonora
Como Treinar o Seu Dragão, John Powell
A Origem, Hans Zimmer
O Discurso do Rei,  Alexandre Desplat
127 Horas, A.R. Rahman
A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross (x)

Melhor Canção
Coming Home, Country Strong
I See The Light, Enrolados
If I Rise, 127 Horas
We Belong Together, Toy Story 3 (x)

Melhor Curta Animado
Day & Night (x) – só palpitei porque vi e achei brilhante!
the Gruffalo
Let’s Pollut
The Lost Thing
Madagascar

Melhor Curta*
The Confession
The Crush
God Of Love
Na Wewe
Wish 143

Melhor Edição de Som
A Origem, Richard King (x)
Toy Story 3, Tom Myers e Michael Silvers
Tron – O Legado, Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague
Bravura Indômita, Skip Lievsay e Craig Berkey
Incontrolável, Mark P. Stoeckinger

Melhor Mixagem de Som
A Origem, Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick (x)
O Discurso do Rei, Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
Salt, Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan e William Sarokin
A Rede Social, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick e Mark Weingarten
Bravura Indômita, Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland

Efeitos Visuais
Alice no País das Maravilhas, Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips
Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte I, Tim Burke, John Richardson, Christian Manz e Nicolas Aithadi
A Origem, Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley e Peter Bebb (x)
Homem de Ferro II, Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright e Daniel Sudick
Além da Vida, Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell

Melhor Roteiro Adaptado
Aaron Sorkin, A Rede Social (x)
Marguerite Roberts, Bravura Indômita
Danny Boyle e Simon Beaufoy, 127 Horas
Debra Granik e Anne Rosellini, Inverno da Alma
Michael Arndt, Toy Story 3

Melhor Roteiro Original
Christopher Nolan, A Origem (x)
David Seidler, O Discurso do Rei
Mike Leigh, Another Year
Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson, O Vencedor
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, Minhas Mães e Meu Pai

PS: As categorias com asterisco não arrisquei palpites por não ter visto nenhum dos indicados.

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Clássicos p. 1

janeiro 20, 2011

Último adeus

Dizem que sou a cara do meu tio, mas também poderiam dizer que sou a cara dos meus irmãos, do primo, do avô, do ascendente mais distante daquele pedacinho minúsculo de terra do outro lado do oceano, há quilômetros de distância, afinal a família é toda a mesma, por gerações e gerações continuará sendo sempre a mesma, aquela do moleque que empina pipa na rua batida de terra, que suja os sapatos brancos e os colarinhos dos alinhados, mas ninguém poderia dizer que eu sou filho do meu pai, aquele carcamano grisalho, de poucas palavras e olhos vívidos, de queixo saliente e fala precisa, quase venenosa, sempre palpitando na vida da famiglia que ele construiu quando chegou aqui, e depois abarcou o resto que se foi despejando dos navios imigrantes feito ratos no bueiro, abarcou a todos, os pais, os avós, os tios, os primos, todos, e todos obedeciam o que ele falava, porque ele era o chefe da famiglia, e era ele quem decidia por todos o que deveríamos fazer, mas ninguém nunca poderia dizer que eu, o caçula, tomaria conta de todos depois que o velho carcamano morresse, ah, não, porque pensar na morte do velho Don era pensar no inconcebível, como a famiglia se sustentaria sem ele era impensável, e ninguém botou fé em mim, o caçula, o pirralho, que a velharada toda mandava e sentava o pau e sentava a lenha e sentava a cinta, e o pai não ligava, na verdade achava que era isso mesmo, que eu tinha que apanhar para aprender a ser homem de verdade, a ser o chefe, porque o chefe bate e tem que bater sem ter dó de quem apanha, e o apanhado nem precisa estar merecendo apanhar, às vezes bastava só uma palavra, um gesto de mal educação, de afronta, e a famiglia inteira se voltava contra ele, e as mortes vieram uma, duas, três, o primogênito, meu irmão mais velho, que foi meter o bedelho e a língua comprida na famiglia alheia acabou cheio de tiros no peito, assassinado sem mais, o corpo largado no meio da estrada, e ninguém teve coragem de dar a notícia ao velho, porque ninguém sabia se o velho ia fazer como os reis de antigamente que mandavam matar os portadores das más notícias, mas o pai não matou mais ninguém, chorou apenas e se aposentou, foi morrer de velho lá nas terras de longe, e apesar de ninguém ter acreditado que eu daria um bom chefe eu vim e mostrei a todos que mandava igual o pai, mandava matar inclusive aquele que não obedecia as minhas regras dentro da famiglia, o meu próprio irmão, que foi levado pro meio do mar para parecer acidente e é claro que eu não me orgulho disso hoje, mas na época achei que era necessário, apesar dos gritos e dos choros incessantes da mãe e da irmã, mas isso não importa, porque as mulheres não têm que se meter nos assuntos dos chefes, afinal o chefe sou eu, e quem decide as vidas de todos agora sou eu, e ainda que esteja velho e não saiba mais o que fazer com a famiglia, minha própria filha se envolveu com o maledeto, aquele que vai ser o próximo chefe quando eu morrer, mas não queria, nunca quis que ela se envolvesse porque quem está dentro não consegue sair eu sei, já tentei, fui puxado pra dentro de novo, e exigem de mim a postura que meu pai tinha, a de homem sereno e intocável mas eu não sou como ele, não, não sou, e minha filha, minha linda menina, se envolveu com a canalha do meu sucessor, e boa coisa disso não veio, é claro, eu previ, preciso me confessar, preciso me redimir os pecados da carne da alma dos fios de cabelo que o velho pai tinha, iguaizinhos os meus, me lembro bem de seus olhos bondosos cuidando da famiglia como eu jamais pude cuidar, trouxe tristezas pra mãe, matei meu irmão sem dó nem piedade, só porque ele fez uma afronta à famiglia, uma coisa que não consigo me lembrar, porque tudo que importava era a segurança da minha filha, já que minha mulher, que ainda é minha mulher apesar de não ser mais minha, se recusa a dividir a cama comigo, se recusa a carregar filhos meus, até mesmo aborto a filha da puta já fez, não pude admitir nem nunca vou, e não admiti que minha filha fizesse o que fez, mas não pude evitar, ela está tão linda, crescida, mulher feita, e se envolveu com aquele carcamano, desgraçado que tirou-a de mim, ela era tudo que me restava, e sem ela já não sou mais pai, nem chefe da famiglia nem velho, restará de mim apenas uma vaga lembrança que não chega aos pés do meu velho pai, que falta ele faz, como queria que ele tivesse vivido para ver como governei, mandei, matei, como fui cego e precisei de seus conselhos, minha filha querida, que falta ela faz, como pude ser tão idiota a ponto de deixar isso acontecer, minha criança, me desculpe, que falta você faz, desculpe o seu velho pai, não pude evitar, minha filha, desculpe o seu velho, me desculpe…

———————–

Esse texto foi inspirado em muitas coisas, ultimamente no meu primo Luis Vassallo, que escreveu um dos livros mais tocantes que eu li nos últimos tempos. Com o texto, inauguro hoje a seção Clássicos do Projetor, que faz um paralelo (pode ser longínquo, não sei se atingi meu objetivo) de filmes e literatura. Em cada mês vou fazer um post mergulhando nos filmes que eu considero os clássicos, os melhores e farei relatos mais íntimos, da maneira que eu mesma vejo esses filmes – que são, geralmente, aqueles que compartilham suas histórias como se nós fôssemos parte dela.

Para quem não sacou a brincadeira, o texto foi total e inteiramente baseado naquele que eu considero o melhor filme do mundo, a trilogia de O Poderoso Chefão, do Coppola. Claro que tudo que eu disser será insuficiente, porque a trilogia é o retrato de todas as famílias italianas radicadas nas Américas, em maior ou menor grau; é o retrato de uma época, das características italianas mais latentes, aquelas que reconhecemos nos nossos pais, irmãos, tios e primos. A fala alta, rápida, gesticulada e alegre, típica.

Não seria justo, afinal, eu tentar escrever qualquer crítica que fosse sobre os Chefões. Seria injustiça com quem lê, com quem fez, até mesmo comigo, que escrevo, porque me faltariam elogios – e aí seria uma apologia e não uma crítica, certo?

Portanto, espero que gostem!

Títulos Originais: The Godfather I, The Godfather II e Godfather III
Direção: Francis Ford Coppola
Gêneros: Drama
Anos de Lançamento (EUA): 1972, 1974 e 1990
Roteiros: Mario Puzo e Francis Ford Coppola, baseado em livro de Mario Puzo
Trilhas sonoras: Nino Rota; Nino Rota e Carmine Coppola e Carmine Coppola
Fotografias: Gordon Willis
Tempos de Duração: 171 minutos, 220 minutos e 172 minutos
Com: Marlon Brando (Don Vito Corleone), Al Pacino (Michael Corleone), James Caan (Santino Corleone), Richard S. Castellano (Peter Clemenza), Robert Duvall (Tom Hagen), Richard Cont (Don Emilio Barzini), Al Lettieri (Virgil ‘The Turk’ Sollozzo), Diane Keaton (Kay Adams), Talia Shire (Connie Corleone Rizzi), Gianni Russo (Carlo Rizzi), John Cazale (Fredo Corleone), Robert De Niro (Vito Corleone jovem), Michael V. Gazzo (Frankie Pentangeli), Richard Bright (Al Neri), Gastone Moschin (Don Fanucci), Andy Garcia (Vincent Mancini), Eli Wallach (Don Altobello), Joe Mantegna (Joey Zasa), George Hamilton (B.J. Harrison), Bridget Fonda (Grace Hamilton), Sofia Coppola (Mary Corleone), Franc D’Ambrosio (Anthony Vito Corleone).

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Globo de Ouro 2011 – Os Vencedores

janeiro 17, 2011

A premiação que aconteceu em Beverly Hills, Los Angeles (EUA) no último dia 16 (domingo) não teve muitas novidades. Algumas escolhas eram tão óbvias que o Globo de Ouro está se tornando somente um pré-Oscar, antecedendo o que vai rolar de fato no tapete vermelho em fevereiro.

Confira e compare abaixo os palpites do Projetor e os vencedores da noite. Os palpites estão marcados com um ‘x’ e os vencedores estão em vermelho. Os que tem os dois obviamente coincidem.

Melhor Filme – Drama
A Rede Social (x)
A Origem
O Vencedor
O Discurso do Rei
Cisne Negro

Melhor Atriz – Drama
Natalie Portman, Cisne Negro
Michelle Williams, Blue Valentine
Nicole Kidman, Rabbit Hole (x)
Halle Berry, Frankie & Alice
Jennifer Lawrence, Inverno da Alma

Melhor Ator – Drama
Jesse Eisenberg, The Social Network (x)
Colin Firth, O Discurso do Rei
James Franco, 127 Horas
Ryan Gosling, Blue Valentine
Mark Wahlberg, O Vencedor

Melhor Musical ou Comédia
BurlesqueRed – Aposentados e Perigosos
Alice no País das Maravilhas
Minhas Mães e Meu Pai (x)
O Turista

Melhor Atriz – Musical ou Comédia
Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai (x)
Angelina Jolie, O Turista
Julianne Moore, Minhas Mães e Meu Pai
Emma Stone, A Mentira
Anne Hathaway, O Amor e Outras Drogas

Melhor Ator – Musical ou Comédia
Johnny Depp, O Turista (x)
Jake Gyllenhaal, O Amor e Outras Drogas
Kevin Spacey, Casino Jack
Paul Giamatti, Minha Versão para o Amor
Johnny Depp, Alice no País das Maravilhas

Melhor Atriz Coadjuvante – Drama
Amy Adams, O vencedor
Helena Bonham Carter, O Discurso do Rei (x)
Melissa Leo, O Vencedor
Mila Kunis, Cisne Negro
Jacki Weaver, Reino Animal

Melhor Ator Coadjuvante – Drama
Jeremy Renner, Atração Perigosa
Andrew Garfield, A Rede Social (x)
Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
Michael Douglas, Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
Christian Bale, O Vencedor se eu já tivesse visto quando saiu a lista dos concorrentes, com certeza o teria indicado…

Melhor Animação
Como Treinar Seu Dragão
O Mágico
Enrolados
Toy Story 3 (x)
Meu Malvador Favorito

Melhor Filme Estrangeiro
O Concerto
The Edge
Biutiful (x)
I Am Love (Io Sono L’Amore)
Em um Mundo Melhor

Melhor Diretor – Drama
David Fincher, A Rede Social (x)
David O. Russell, O Vencedor
Darren Aronofsky, Cisne Negro
Tom Hooper, O Discurso do Rei
Christopher Nolan, A Origem

Melhor Roteiro – Drama
127 Horas, Danny Boyle & Simon Beaufoy
Minhas Mães e Meu Pai, Lisa Chodolenko & Stuart Blumberg
A Origem, Christopher Nolan (x)
O Discurso do Rei, David Seidler
A Rede Social, Aaron Sorkin

Trilha Sonora Original
O Discurso do Rei, Alexandre Desplat
Alice no País das Maravilhas, Danny Elfman
127 Horas – A. R. Rahman
A Rede Social, Trent Reznor & Atticus Ross
A Origem, Hans Zimmer (x)

Canção Original
“I See the Light”, Enrolados (x)
“You Haven’t Seen the Last of Me Yet”, Burlesque
“Bound to You”, Burlesque
“There’s a Place for Us”, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
“Coming Home”, Country Strong

É…como eu falei, algumas nomeações eram mais do que óbvias. Achei que A Rede Social levou muito mais prêmios do que deveria (merecer todos merecem…), como o de trilha sonora. Mas o Oscar está logo aí para provar o que a Academia realmente decide.

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Abutres

janeiro 11, 2011

Singelo cotidiano

Mais uma bela produção de Darín, novo filme de Pablo Trapero trata do dia a dia portenho sob perspectiva diferenciada – e com grande potencial para o Oscar 2011

NOTA: 9

Admito que a filmografia do diretor Pablo Trapero me era desconhecida até este filme, no qual ele escalou o sempre magnânimo Ricardo Darín para encarnar um personagem dúbio, de profissão  duvidosa, e que ainda assim cativa o público. Em parte, é claro que a vida de Héctor Sosa ganha muito mais brilho sob o olhar crítico do ator portenho, sempre brilhante em suas interpretações (em especial por conseguir mostrar com tanta clareza a ambiguidade do personagem em questão).

Intitulado de abutre pelos médicos e pelos que conhecem a penosa profissão, Sosa pula de hospital em hospital para “ajudar” – mesmo sem a licença de advogado – as vítimas a cobrarem indenizações das seguradoras para depois roubar-lhes grande parte do dinheiro. Em uma dessas corridas pela cidade ele encontra a paramédica Luján e se interessa instantaneamente por ela.

A princípio Luján não se deixa envolver e, enquanto se enche de anestésicos para aguentar a pressão, Sosa começa a aparecer com mais e mais frequência nos plantões noturnos do hospital para qual trabalha. Com a câmera sempre oscilante ao focar os dois personagens e com belos closes, Trapero cria para a dupla um ambiente que não parecia propício ao romance. Mesmo assim, ele acontece – o que dá a sensação de que algo claramente vai dar errado.

Sosa decide, por conta de seu relacionamento com Luján, sair do escritório e mudar de vida, o que não agrada em nada a seu chefe, que praticamente o obriga a continuar na função – às custas de muita porrada. A relação do casal passa por altos e baixos, encontros e reencontros, (não pretendo dar muitos detalhes) e a pressão cresce à medida que se envolvem. Ao mesmo tempo em que Sosa está determinado a deixar a vida de extorsões, Luján se envolve cada vez mais com a faceta criminosa do namorado.

Assim, Trapero cria personagens extremamente carismáticos, mesmo em seus momentos mais solitários, que mesclam as luzes e trevas de cada um. O design de produção também é extremamente eficiente, que mostra a bagunça, sujeira e excesso de papéis do escritório de Sosa, e os maus cuidados do hospital de Luján (a luz piscando, alguns lugares sem lâmpadas, a falta de leitos etc).

Não bastasse isso, Abutres foi rodado majoritariamente durante a noite, não só pelos plantões da médica, mas para aumentar ainda mais a sensação de enclausuramento dos personagens. A luz natural aparece vez ou outra pela janela, mas nunca incidente na cena. Somente a última sequência, nervosa, bem feita e chocante, explora a luz do crepúsculo.

Extremamente realista, a primeira cena de Darín na tela é apanhando – e assim seguirá até o fim, não se impressione. Na segunda metade do filme foi quando percebi que ele estava sempre coberto de sangue – o seu ou não. O roteiro picado que mostra com fidelidade o dia a dia extenuante daquelas pessoas denota ainda mais realismo. Sem contar, é claro, nas incríveis atuações – tendo como ponto máximo o desespero e vivacidade de Luján ao executar o plano maluco de Sosa de sair da situação degradante que se encontravam.

Mas mais do que os personagens, a vida cotidiana de Buenos Aires é mostrada de maneira tão singela que é impossível imaginar as nossas ainda hesitantes produções alcançarem o nível de profundidade dos hermanos vizinhos. Um fato banal se transforma em uma deliciosa história de suspense, policial, amor, vingança e outros temas implícitos. É esta bela história que representa a Argentina no Oscar 2011 de “Melhor Filme Estrangeiro”. E eu torço, como eu torci ano passado por O Segredo de Seus Olhos, que Abutres leve o prêmio. Trapero merece. E Darín ainda mais.

Titulo Original: Carancho
Direção: Pablo Trapero
Gênero: DramAno de Lançamento (Argentina/Chile/França/Coreia do Sul): 2010
Roteiro: Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre e Pablo Trapero
Fotografia: Julián Apezteguia
Tempo de Duração: 107 minutos
Com: Ricardo Darín (Héctor Sosa), Martina Gusmán (Luján), Carlos Weber, José Luis Arias, Loren Acuña, Gabriel Almirón, José Manuel Espeche.

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A Rede Social

janeiro 3, 2011

Vida virtual

Dono de uma das maiores empresas do mundo, a vida irônica de Mark Zuckerberg é retratada com os toques de mestre de David Fincher

NOTA: 10

Existem algumas pessoas no mundo que merecem o status que alcançaram. Mark Zuckerberg sem dúvida é uma delas. O bilionário mais jovem do planeta tem todos os motivos para se orgulhar de seu trabalho – afinal, quem hoje em dia não tem Facebook? Os excluídos digitalmente. Ok. Mas para a maioria dos internautas, o Facebook já faz parte da rotina.

É lá que dividimos fotos, vídeos, mensagens, amigos…nossas vidas inteiras. Portanto, é irônico pensar que o grande criador disso tudo, da rede que conecta a todos, que reúne velhos amigos, divide fotos, experiências e até mesmo status de relacionamentos, tenha perdido o único amigo que ele tinha. A vida social de Mark Zuckerberg, de fato, é um completo fracasso. Se não soubéssemos quem ele é e o que fez, diríamos que é um looser.

E é isso que torna A Rede Social um grande filme. Não é uma mera biografia, não é um caso de conto-de-fadas. É a história real de um menino de vinte e poucos anos que, no momento em que teve tudo, não tinha mais nada. Seu único e grande amigo processou-o e Mark viu-se sozinho – mesmo estando conectado a mais de 500 milhões de pessoas por meio de sua grande criação.

E Jesse Eisenberg convence como o gênio estudante de programação da prestigiadíssima Harvard, uma das melhores universidades do mundo. Até mesmo fisicamente parecido com Zuckerberg, o jovem ator, de fala rápida e pensamentos dispersos, surpreende o espectador pela ironia nas respostas – o que é um retrato claro de sua mente que não descansa nunca.

Por vezes como o Dr. House, Zuckerberg pode deixar os amigos suspensos no meio de uma conversa caso seja iluminado com uma ideia brilhante. Diálogos ferozes – a rapidez de Jesse expressa bem o cérebro fervilhante de Mark e seu desinteresse em tudo que o cerca, exceto seus próprios projetos – especialmente com a namorada, ilustra seu caráter insensível e sarcástico, e que ele era incapaz de notar que estava ferindo os sentimentos da garota.

O término do namoro causou um acesso de fúria em Zuckerberg, que criou, então, um viral, no qual comparava a beleza de suas colegas de universidade. O viral teve 22 mil acessos em uma única noite, derrubando a segura rede de Harvard. Por raiva ou por conta de sua mente inquieta, o garoto chama a atenção dos gêmeos Winklevoss. Com uma proposta semi-feita (já que Zuckerberg aceita antes mesmo de terminarem a conversa), ele começa a criação da “HarvardConnection”: uma rede exlcusiva que reuniria os amigos, fotos, vídeos e tudo mais que eles desejassem compartilhar.

A semente havia sido plantada. Zuckerberg deu um jeito nada politicamente correto de roubar a ideia dos gêmeos e criar ele mesmo um site chamado “thefacebook”, tendo como único parceiro e diretor o amigo brasileiro Eduardo Saverin. Enfurecidos com o roubo, os gêmeos hesitam muito até decidirem que a única coisa que afetaria Zuckerberg seria um belo processo. Essas cenas são exibidas como flashforward, enquanto assistimos a criação do site de fato – e concluímos que, apesar da imoralidade toda da questão, Zuckerberg foi muito mais esperto e bem mais rápido.

Tão rápido que em apenas 36h ele colocou o “thefacebook” no ar, atraindo a atenção dos estudantes de Harvard – e obtendo a inscrição de 650 pessoas na mesma noite. Um fato mais que notável. Por isso, ele chama a atenção de Sean Parker, uma raposa veterana do mundo corporativo online e de processos múltiplos – sendo ele o criador daquele antigo Napster, o site de música online que enfureceu artistas ao redor do mundo todo.

Vivido por Justin Timberlake (um cantor que, corajosamente, encarna o personagem mais odiado do mundo fonográfico), Parker é o bon vivant que ensina a Zuckerberg o caminho mais rápido para o dinheiro fácil. Muito, muito dinheiro. Mais eficiente do que Saverin, Parker apresenta o jovem empresário a grandes investidores, que começam a acreditar no Facebook – sem o “the”. Sugestão que, aliás, partiu do próprio Parker (e foi, como bem sabemos, mais do que acertada!). A interferência provoca a fúria e o ciúmes de Eduardo, que se vê mais e mais excluídos dos planos do amigo – a ponto de processá-lo por diminuir sua parte como co-criador.

A narrativa apressada é uma boa escolha de David Fincher, que prefere acelearar a tensão e a ansiedade dos próprios fatos – já que não ocorre nenhuma ação de fato. Muitas cenas geniais para pessoas brilhantes: o teste para os futuros estagiários do site, regado a muitas bebidas e um desafio em programação, é um dos pontos altos para o espectador e para os amigos Zuckerberg-Saverin, quando o projeto finalmente começa a sair do papel.

Os processos foram resolvidos, a parceria com Parker dissolvida (após um vexame com a polícia) e, ainda assim, Zuckerkberg é hoje o bilionário mais jovem do mundo. O Facebook está estimado em aproximadamente US$ 50 bilhões. Mas, se Fincher retratou Mark com a veracidade que acredito ter retratado, duvido muito que o Facebook seja vendido – a não ser que o site atinja um valor ainda inestimado, que, na cabeça do bilionário, seja suficiente para sustentar seus tataranetos, daqui algumas boas décadas.

Titulo Original: The Social Network
Direção: David Fincher
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2010
Roteiro: Aaron Sorkin, baseado em livro de Ben Mezrich
Trilha sonora: Trent Reznor
Fotografia: Jeff Cronenweth
Tempo de Duração: 121 minutos
Com: Jesse Eisenberg (Mark Zuckerberg), Andrew Garfield (Eduardo Saverin), Justin Timberlake (Sean Parker), Armie Hammer (gêmeos Winklevoss), Max Minghella (Divya Narendra), Jospeh Mazzello (Dustin Moskovitz), Rooney Mara (Erica Albright), Brenda Song (Christy Lee).

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Os números de 2010

janeiro 3, 2011

É com muita alegria que publico o primeiro post do ano, com uma pequena retrospectiva de 2010. Segundo as estatísticas do WordPress, o Projetor teve excelente índice de popularidade (quadro abaixo).

Apesar de ter um bom número de visualizações, o número de comentários não corresponde – leitor que tem preguiça, desinteresse, por discordar ou qualquer outro motivo do tipo não costuma comentar, né?

Vejam a seguir o formulário completo.

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 9,700 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 23 747s cheios.

Em 2010, escreveu 46 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 69 artigos. Fez upload de 59 imagens, ocupando um total de 7mb. Isso equivale a cerca de 1 imagens por semana.

The busiest day of the year was 25 de dezembro with 208 views. The most popular post that day was O Anel dos Nibelungos.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, google.com.br, cinemaemcena.com.br, facebook.com e orkut.com.br

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por homem de ferro, o casamento do meu melhor amigo, joe kidd, american history x e o anel dos nibelungos

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

O Anel dos Nibelungos fevereiro, 2010
5 comentários

2

O Casamento do Meu Melhor Amigo dezembro, 2009
1 comentário

3

O Corcunda de Notre Dame abril, 2010
2 comentários

4

Crianças Invisíveis julho, 2009
1 comentário

5

A Outra História Americana dezembro, 2009
2 comentários