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A Rede Social

janeiro 3, 2011

Vida virtual

Dono de uma das maiores empresas do mundo, a vida irônica de Mark Zuckerberg é retratada com os toques de mestre de David Fincher

NOTA: 10

Existem algumas pessoas no mundo que merecem o status que alcançaram. Mark Zuckerberg sem dúvida é uma delas. O bilionário mais jovem do planeta tem todos os motivos para se orgulhar de seu trabalho – afinal, quem hoje em dia não tem Facebook? Os excluídos digitalmente. Ok. Mas para a maioria dos internautas, o Facebook já faz parte da rotina.

É lá que dividimos fotos, vídeos, mensagens, amigos…nossas vidas inteiras. Portanto, é irônico pensar que o grande criador disso tudo, da rede que conecta a todos, que reúne velhos amigos, divide fotos, experiências e até mesmo status de relacionamentos, tenha perdido o único amigo que ele tinha. A vida social de Mark Zuckerberg, de fato, é um completo fracasso. Se não soubéssemos quem ele é e o que fez, diríamos que é um looser.

E é isso que torna A Rede Social um grande filme. Não é uma mera biografia, não é um caso de conto-de-fadas. É a história real de um menino de vinte e poucos anos que, no momento em que teve tudo, não tinha mais nada. Seu único e grande amigo processou-o e Mark viu-se sozinho – mesmo estando conectado a mais de 500 milhões de pessoas por meio de sua grande criação.

E Jesse Eisenberg convence como o gênio estudante de programação da prestigiadíssima Harvard, uma das melhores universidades do mundo. Até mesmo fisicamente parecido com Zuckerberg, o jovem ator, de fala rápida e pensamentos dispersos, surpreende o espectador pela ironia nas respostas – o que é um retrato claro de sua mente que não descansa nunca.

Por vezes como o Dr. House, Zuckerberg pode deixar os amigos suspensos no meio de uma conversa caso seja iluminado com uma ideia brilhante. Diálogos ferozes – a rapidez de Jesse expressa bem o cérebro fervilhante de Mark e seu desinteresse em tudo que o cerca, exceto seus próprios projetos – especialmente com a namorada, ilustra seu caráter insensível e sarcástico, e que ele era incapaz de notar que estava ferindo os sentimentos da garota.

O término do namoro causou um acesso de fúria em Zuckerberg, que criou, então, um viral, no qual comparava a beleza de suas colegas de universidade. O viral teve 22 mil acessos em uma única noite, derrubando a segura rede de Harvard. Por raiva ou por conta de sua mente inquieta, o garoto chama a atenção dos gêmeos Winklevoss. Com uma proposta semi-feita (já que Zuckerberg aceita antes mesmo de terminarem a conversa), ele começa a criação da “HarvardConnection”: uma rede exlcusiva que reuniria os amigos, fotos, vídeos e tudo mais que eles desejassem compartilhar.

A semente havia sido plantada. Zuckerberg deu um jeito nada politicamente correto de roubar a ideia dos gêmeos e criar ele mesmo um site chamado “thefacebook”, tendo como único parceiro e diretor o amigo brasileiro Eduardo Saverin. Enfurecidos com o roubo, os gêmeos hesitam muito até decidirem que a única coisa que afetaria Zuckerberg seria um belo processo. Essas cenas são exibidas como flashforward, enquanto assistimos a criação do site de fato – e concluímos que, apesar da imoralidade toda da questão, Zuckerberg foi muito mais esperto e bem mais rápido.

Tão rápido que em apenas 36h ele colocou o “thefacebook” no ar, atraindo a atenção dos estudantes de Harvard – e obtendo a inscrição de 650 pessoas na mesma noite. Um fato mais que notável. Por isso, ele chama a atenção de Sean Parker, uma raposa veterana do mundo corporativo online e de processos múltiplos – sendo ele o criador daquele antigo Napster, o site de música online que enfureceu artistas ao redor do mundo todo.

Vivido por Justin Timberlake (um cantor que, corajosamente, encarna o personagem mais odiado do mundo fonográfico), Parker é o bon vivant que ensina a Zuckerberg o caminho mais rápido para o dinheiro fácil. Muito, muito dinheiro. Mais eficiente do que Saverin, Parker apresenta o jovem empresário a grandes investidores, que começam a acreditar no Facebook – sem o “the”. Sugestão que, aliás, partiu do próprio Parker (e foi, como bem sabemos, mais do que acertada!). A interferência provoca a fúria e o ciúmes de Eduardo, que se vê mais e mais excluídos dos planos do amigo – a ponto de processá-lo por diminuir sua parte como co-criador.

A narrativa apressada é uma boa escolha de David Fincher, que prefere acelearar a tensão e a ansiedade dos próprios fatos – já que não ocorre nenhuma ação de fato. Muitas cenas geniais para pessoas brilhantes: o teste para os futuros estagiários do site, regado a muitas bebidas e um desafio em programação, é um dos pontos altos para o espectador e para os amigos Zuckerberg-Saverin, quando o projeto finalmente começa a sair do papel.

Os processos foram resolvidos, a parceria com Parker dissolvida (após um vexame com a polícia) e, ainda assim, Zuckerkberg é hoje o bilionário mais jovem do mundo. O Facebook está estimado em aproximadamente US$ 50 bilhões. Mas, se Fincher retratou Mark com a veracidade que acredito ter retratado, duvido muito que o Facebook seja vendido – a não ser que o site atinja um valor ainda inestimado, que, na cabeça do bilionário, seja suficiente para sustentar seus tataranetos, daqui algumas boas décadas.

Titulo Original: The Social Network
Direção: David Fincher
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2010
Roteiro: Aaron Sorkin, baseado em livro de Ben Mezrich
Trilha sonora: Trent Reznor
Fotografia: Jeff Cronenweth
Tempo de Duração: 121 minutos
Com: Jesse Eisenberg (Mark Zuckerberg), Andrew Garfield (Eduardo Saverin), Justin Timberlake (Sean Parker), Armie Hammer (gêmeos Winklevoss), Max Minghella (Divya Narendra), Jospeh Mazzello (Dustin Moskovitz), Rooney Mara (Erica Albright), Brenda Song (Christy Lee).

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2 comentários

  1. yeah!

    mto bom mesmo, dificil perder a atenção durante esse filme
    =P


  2. Amo muito minha crítica de cinema favorita!!!

    Seu blog está excelente, Mama, sem exageros.
    acabei de ler as novidades.

    grande beijo



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