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X-Men 3: O Confronto Final

junho 3, 2011

O fim de uma era

Com outro diretor, a saga dos X-Men tem continuidade com trama complexa e profunda, trazendo novos personagens e dilemas

NOTA: 9

Fechando o ciclo dos filmes dos mutantes, este X-Men 3 – O Confronto Final é um belo exemplo de como as sequências podem (e devem) se favorecer. Isso é, sem dúvida, um mérito do diretor Brett Ratner, que entrou no lugar de Bryan Singer (responsável pelos dois primeiros filmes) para concluir a saga dos mutantes. Entrelaçando os roteiros com bastante habilidade, Ratner aproveita o mote do último longa para criar uma nova trama e um conflito psicológico ainda maior para os heróis. Situando a trupe de Magneto não como a inimiga mas como o outro lado da moeda, o diretor cria mais pontos de conflito ideológico do que propriamente físico.

A história começa a partir do ponto em que fomos deixados no fim de X-Men 2 Unlimited – ou seja, com a suposta morte de Jean Grey para salvar os amigos. Mas não exatamente daí. Voltamos vinte anos no tempo, quando Erik e Charles foram juntos (talvez ainda como aliados) conhecer a pequena Jean, uma jovem assustada que não tinha total controle de seu poder telecinético. Nada de novo – já sabemos que Xavier recruta mutantes para sua escola de “superdotados”. Avançamos dez anos (ainda não chegamos ao tempo real do longa) e vemos o também jovem Warren Worthington III que, com medo de ser descoberto pelo pai, Warren II, se esforça para arrancar as enormes asas de anjo que sua mutação lhe dá, em uma cena que inspira pena e angústia.

Anos se passam e vemos que Warren II passou a vida financiando um projeto capaz de “curar” a mutação genética através dos incríveis poderes de um menino – que tem a capacidade de anular os poderes de outros mutantes que se aproximam dele (como na excelente cena em que Hank McCoy o visita e, por um momento, vislumbra sua pele “normal”) -, os cientistas criam um composto químico capaz de curar essas “anomalias”. Em outras palavras, uma arma biológica. É a premissa para a raça humana exterminar definitivamente os homo superiors. Ciente de que uma guerra se aproxima e de que os mutantes só precisam aceitar quem são para vencê-la, Magneto convoca a Irmandade e reúne um verdadeiro exército para sequestrar o garoto e acabar com os humanos.

Impelidos a impedir Magneto da guerra iminente, os X-Men devem lidar também com o ressurgimento de Jean como a Fênix – o alter ego da mutante classe 5 (ou nível ômega), dos mais poderosos do mundo e que foi suprimido durante toda sua vida graças à intervenção de Charles – e com as sombrias ações que culminariam na morte (em cenas extremamente fortes e tocantes) de dois personagens centrais e fundamentais para a escola de Xavier. O único capaz de controlar a situação é Wolverine, graças ao seu fator regenerativo. Obrigado a por fim no poder ilimitado de Jean, Logan é novamente colocado como um dos personagens centrais da trama – o que fica claro na belíssima cena final – “Você morreria por eles?”, pergunta Jean. “Não, não por eles. Por você”, responde ele.

Um personagem que neste filme aparece como secundário também busca o consolo de uma vida normal a partir da cura. Assim, seguindo a linha dos anteriores, Ratner aborda a questão de que os jovens, sejam eles como forem, buscam se encaixar na sociedade. O ponto crucial da história dos X-Men é e sempre foi, portanto, a aceitação. E essa é a premissa que norteou a direção com bastante coerência durante a produção dos três filmes. Poderíamos facilmente substituir “mutação genética” por homossexualismo, religião ou raça – e a cena em que Mística salva Magneto da cura é fascinante por isso (“Minha querida, você não é mais uma de nós”, diz ele ao abandoná-la).

Embora haja uma mudança dos quadrinhos ao cinema, os personagens certamente adaptados foram para responder às questões levantadas pela própria saga, e não somente para satisfazer os fãs mais ardorosos. E isto é, certamente, mais um mérito tanto do roteiro quanto da direção, que soube condensar os personagens e suas histórias – e não modificar – para dar-lhes novas formas e caras. A trilogia dos mutantes é um compêndio de diversas histórias, versões e personagens mas que, dentro de seu próprio universo (o cinematográfico), é extremamente coerente e coesa.

Essa premissa norteia até mesmo as cenas de ação que, mesmo entre tantos poderes sobrenaturais e magníficos, são realistas e verossímeis. Os efeitos especiais (excetuando um errinho ou outro), a fotografia (minha cena favorita é já no terceiro ato, quando Jean libera a Fênix e seu cabelo parece pegar fogo) e a trilha sonora são contidos e se encaixam de maneira orgânica na narrativa, conferindo o tom épico e triste que o fim da saga merecia. E, mesmo sabendo que essa franquia não vai ser retomada do ponto em que parou, Ratner faz questão de, como nos filmes anteriores, deixar nas cenas adicionais (após os créditos) uma promessa de que nem tudo tem um fim definitivo (uma ótima cena, inclusive).

Titulo Original: X-Men: The Last Stand
Direção: Brett Ratner
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Roteiro: Zak Penn e Simon Kinberg
Trilha Sonora: John Powell
Fotografia: James Muro e Philippe Rousselot
Tempo de Duração: 103 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (professor Charles Xavier), Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto), Anna Paquin (Marie D’Acanto/Vampira), Famke Janssen (Jean Grey/Fênix), Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Kelseu Grammer (Dr. Hank McCoy/Fera), Rebecca Romijn-Stamos (Raven Darkholme/Mística), Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo), Ellen Page (Kitty Pride/Lince Negra), Ben Foster (Warren Worthington III/Anjo), Olivia Williams (Dra. Moira McTaggert), Vinnie Jones (Cain Marko/Fanático), Ken Leung (Maxwell Jordan / Quill), Daniel Cudmore (Peter Rasputin/Colossus), Aaron Stanford (John Allerdyce/Pyro), Shauna Kain (Theresa Rourke/Siryn), Mei Melançon (Elizabeth Braddock/Psylocke), Vince Murdocco (Ômega Vermelho), Michael Murphy (Warren Worthington, Sr.), Kea Wong (Jubilation Lee/Jubileu), Desiree Zurowski (Elaine Grey), Josef Sommer (Presidente dos EUA), Haley Ramm (Jean Grey pequena), Cayden Boyd (Warren Worthington III pequeno).

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