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Harry Potter e as Relíquias da Morte p. 2

julho 11, 2011

O fim de uma era

Menos cativante do que a primeira parte, o desfecho da saga de Harry Potter leva fãs às lágrimas e encerra definitivamente as aventuras do jovem bruxo

NOTA: 9

Então acabou. Dez longos anos depois, a saga cinematográfica do bruxinho finalmente teve um desfecho, desnecessário dizer, cercado por suspense e intensa exploração midiática. Os fãs de Harry Potter que aguardaram ansiosamente esta última parte de As Relíquias da Morte certamente terão motivos de sobra para chorar do começo ao fim do filme. Afinal, seguindo o ritmo da primeira parte, o roteirista Steve Kloves e o diretor David Yates transpuseram o livro de J. K. Rowling frame a frame.

Está tudo ali? Sim, absolutamente tudo. Diálogos, cenários, personagens, memórias, batalhas, vitórias e mortes, condensadas em 125 minutos de projeção. Se é suficiente? Lamento dizer, mas creio que não. Apesar de ter se saído admiravelmente bem nos dois últimos filmes da franquia (apesar do meio-fracasso de Harry Potter e a Ordem da Fênix), ambos roteirista e cineasta escorregam ao dar vida à última parte do livro em questão. São erros grotescos e reprováveis? De forma alguma. Pequenos deslizes – que nada têm a ver com a adaptação em si – mas que tiram um pouco do brilho e do fôlego que esse momento final deveria ter.

Encontramos Harry, Hermione e Rony exatamente no mesmo ponto em que os deixamos ano passado: na casa de Gui e Fleur, após terem escapado da mansão dos Malfoy e das garras de Belatriz Lestrange. Convencido de que uma das horcruxes está no cofre de Belatriz em Gringotes, o jovem bruxo pede a ajuda de Grampo, duende que ele ajudou a salvar das mãos de Lorde Voldemort. Com um plano mirabolante de transformar Hermione em Belatriz por meio da poção polissuco (em um momento divertido e bastante inspirado da maravilhosa Helena Bonham Carter), os quatro se arriscam para encontrar a taça que pertencera a Helga Hufflepuff. Nem tudo sai como o planejado, e eles acabam encurralados. Para fugir, uma única opção: o dragão que guardava o cofre. Um dragão extremamente convincente, diga-se, de aspecto doentio, mais lembrando uma lagarta cega do que um animal realmente perigoso (o que só aumenta o terror de seu rastro).

Do lombo do animal os garotos se dirigem a Hogwarts, onde certamente poderiam encontrar a Horcrux relacionada à Ravena Ravenclaw. Rapidamente (e no sentido mais literal possível) os três garotos aparatam em Hogsmeade, a vila bruxa, e acionam o alarme que avisaria caso Potter aparecesse por lá. Ajudados por Aberforth Dumbledore, irmão do ex-diretor da escola, eles entram em Hogwarts para encontrar Neville, Luna, Gina e todos os outros membros da AD escondidos e sob a forte pressão do novo diretor, que é ninguém menos do que Severo Snape. A partir do momento em que Harry pisa na escola, é imediatamente avisado que os Comensais da Morte sabem de sua presença e inicia-se, sem mais delongas, a batalha final.

Desde a chegada dos amigos à destruição da taça por Rony e Hermione (e seu tão aguardado primeiro beijo em frente às câmeras); a conversa com o fantasma da Corvinal; a confusão dentro da Sala Precisa e a destruição do diadema-Horcrux até o início do ataque do exército de Voldemort, tudo parece passar como um borrão. A rapidez com que os fatos são contados dá breves tréguas, e a primeira delas é na morte de Snape – certamente uma das cenas mais chocantes desse longa, não só pela morte do personagem em si, mas pela brutalidade com a qual acontece. Não vemos Snape ser atacado diretamente mas, pior do que isso, ouvimos as mordidas da cobra, os gemidos de dor, o corpo batendo contra a parede…

O clímax do personagem, quando Harry vê os segredos tão bem guardados do professor de Poções que ele acreditava odiá-lo, é o momento que levará os fãs às lágrimas compulsivas. Comprovando que Alan Rickman é o homem perfeito para viver o professor de Poções, a atuação do veterano é tocante. Mesmo quando sibila as palavras devagar, como se as mastigasse antes de cuspir, o ator demonstra o olhar digno de compaixão. É uma pena notar que outros atores tão bem qualificados quanto Rickman apareçam menos – caso de Jason Isaacs, Maggie Smith, Mark Williams, David Thewlis e a própria Bonham Carter.

O roteiro retoma o ritmo alucinado quando Harry decide ir à Floresta Proibida enfrentar Voldemort de uma vez por todas – e faz nova pausa para a conversa entre o garoto e Alvo Dumbledore dentro de sua imaginação, quando estava no limiar entre a vida e a morte. Tudo torna a acontecer em um novo piscar de olhos: a morte de Belatriz pelas mãos da Sra. Weasley (uma cena que não levou mais de 2 minutos); a morte de Nagini pelas mãos de Neville e a morte de metade dos personagens (não precisamos de tanto spoiler assim, certo?) até a cena em que Harry finalmente derrota Voldemort e volta para a escola triunfante, entre seus amigos mortos e feridos.

São momentos memoráveis? Sem dúvida. E emocionantes também. Até os mínimos detalhes foram lembrados. É importante frisar, portanto, que Harry Potter e as Relíquias da Morte p. 2 será um prato cheio para quem esperou tanto tempo pelo fim. A batalha é tensa, nos deixa pregados na cadeira, as mortes são dolorosas e apresentadas de maneira bonita. A parte técnica é um dos grandes méritos deste longa (ainda mais quando visto em Imax, o que recomendo fortemente). O design de produção é impecável – a Sala Precisa e seus entulhos é um dos cenários mais fascinantes de toda a saga –, a trilha sonora é grandiosa, mas sabe os momentos certos de silêncio, os CGIs são convincentes e bem feitos e o roteiro consegue espaço para inserir algumas linhas de humor. Além, é claro, de sermos agraciados com um Voldemort mais cruel e irascível do que nunca, cujo sorriso sedento é um indício de medo – méritos absolutos do magnífico Ralph Fiennes, que coroa a personalidade do vilão de maneira primorosa.

O que aconteceu, então? Bem, em primeiro lugar, acredito que o defeito não esteja no filme, mas no livro. Sim, pois como disse nos parágrafos acima, a produção não esqueceu nada, os diálogos foram praticamente transpostos para as telas. O defeito do fim da história é o fim da história em si: ainda que tenham conseguido mostrar a morte do vilão de maneira um pouco menos estúpida, tudo acaba bem demais, rápido demais. Não há uma comemoração grandiosa como a batalha que a precede prometia. Não há a promessa de elevar Harry ao degrau mais alto de admiração. Ele é um herói, mas não parece (é nessas horas que me lembro: isso não é Tolkien e nem O Senhor dos Anéis).

O epílogo do livro é vergonhoso e anti-climático. Por sorte, o filme conseguiu fazer a sequência um pouco menos dolorosa – o que não quer dizer que não tenha sido de qualquer jeito. A maquiagem que envelheceu os atores não foi suficiente para esconder os traços de garotos que todos conservaram e funciona somente sob um determinado ângulo (muito de perto, quando era possível ver algumas rugas de expressão). Para piorar, ficou evidente que os atores mirins, interpretando os filhos dos casais, não tinham a menor intimidade com os protagonistas.

Claro que Daniel Radcliffe – o único jovem ator que pareceu melhor do que nunca ao transpor as angústias e dores de Harry – Emma Watson e Rupert Grint (menos inspirados do que na primeira parte) dão uma força aos pequenos, tornando tudo um pouco menos constrangedor. Não pretendo tirar o entusiasmo dos fãs ardorosos, mas esse epílogo é, para mim, um dos piores desfechos de histórias dos últimos tempos.

De todo modo, boa ou ruim, a saga acabou. Confesso que me emocionei com algumas cenas e fiquei com vontade de assistir outra vez logo depois que saí do cinema. A história de Harry Potter acompanhou a minha geração e ver isso tudo terminar é, de certa forma, ver um fim para as aventuras do bruxinho e para as nossas fantasias. É como se a maioridade nos atingisse como um golpe de machado. E não nos resta nada a não ser seguir adiante.

Titulo Original: Harry Potter and the Deatlhy Hallows p. 2
Direção: David Yates
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2011
Roteiro: Steve Kloves
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Fotografia: Eduardo Serra
Tempo de Duração: 125 minutos
Com: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Rupert Grint (Rony Weasley), Tom Felton (Draco Malfoy), Bonnie Wright (Gina Weasley), Evanna Lynch (Luna Lovegood), Helena Bonham Carter (Belatriz Lestrange), Robbie Coltrane (Rúbeo Hagrid), Bonnie Wright (Gina Wesley), Warwick Davis (Grampo/Filius Flitwick), Ciarán Hinds (Aberforth Dumbledore), Maggie Smith (Minerva McGonagall), Ralph Fiennes (Lord Voldemort), Michael Gambon (Alvo Dumbledore), Domhnall Gleeson (Bill Weasley), George Harris (Kingsley Schacklebolt), John Hurt (Olivaras), Jason Isaacs (Lúcio Malfoy), David Legeno (Fenrir Greyback), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Helen McCrory (Narcisa Malfoy), Peter Mullan (Yaxley), James e Oliver Phelps (Fred e Jorge Weasley), Clémence Poésy (Fleur Delacour), Alan Rickman (Severo Snape), Timothy Spall (Pedro Pettigrew), Natalia Tena (Ninfadora Tonks), David Thewlis (Remo Lupin), Julie Walters (Molly Weasley), Mark Williams (Arthur Weasley), Jamie Campbell Bower (Gellert Grindelwald), Gary Oldman (Sirius Black), Emma Thompson (Sibila Trelawney), Jim Broadbent (Horácio Slughorn), Kelly Macdonald (Dama Cinzenta), David Bradley (Argo Filch), Miriam Margolyes (Pomona Sprout), Geraldine Somerville (Lilian Potter), Adrian Rawlins (Tiago Potter), Devon Murray (Simas Finnigan), Jessie Cave (Lilá Brown), Luke Newberry (Teddy Lupin), Josh Herdman (Gregory Goyle), Afshan Azad (Padma Patil), Chris Rankin (Percy Weasley), Alfie Enoch (Dino Thomas), Benedict Clarke (Severo Snape – jovem), Shefali Chowdhury (Parvati Patil), Scarlett Byrne (Pansy Parkinson), Will Dunn (Tiago Sirius Potter).

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