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Minhas Tardes com Margueritte

julho 27, 2011

Momentos esquecíveis

Produção com Gérard Depardieu agrada as multidões emocionadas mas peca por falta de profundidade e desenvolvimento psicológico

NOTA: 7,5

Estou ficando velha. Ou cri-cri. Ou os dois. É inevitável recordar do personagem Anton Ego (do filme Ratatouille) quando saio praticamente impassível de uma sessão de cinema, enquanto os outros espectadores (sem exceções) secam as lágrimas com um sorriso melancólico no rosto. Sou eu a insensível, portanto? Porque ao que parece Minhas Tardes com Margueritte afetou a todos, menos a mim. Não que o filme seja ruim. Mas quando procuro um adjetivo para defini-lo só consigo pensar em “bonitinho”. E aí está todo o problema.

Uma produção que só alcance o status de bonitinha não pode estar certa. E ainda que conte com Obelix digo, Gérard Depardieu, no elenco, ps personagens se desenvolvem a ponto de formar caricaturas, apenas – o que em si é até triste, já que a premissa poderia fazer deste o novo Conversando com Mamãe.

Germain Chazes é um homem simples, iletrado e com um coração do tamanho de seu corpanzil. Sua rotina é entediante e seus amigos, como sua mãe, não cansam de tratá-lo como a um imbecil. A única que parece perceber a bondade é a namoradinha Anette (no diminutivo mesmo, pois por mais que aceite a humildade do companheiro, não deixa de se comunicar com ele como se fosse um bebezão). Outra pessoa que percebe de imediato a doçura de Germain é Margueritte, uma senhora de 95 anos solitária que vive em um asilo e tem paixão por bons livros.

Em uma tarde amarelada de sol Germain senta-se ao lado da velhinha e ela, por um impulso maior, começa a ler para ele – que acaba se tornando um excelente ouvinte, a ponto de gostar da leitura e querer fazer o mesmo pela nova amiga, que se tornava cada dia mais cega. Ao mesmo tempo em que vemos a terna relação construída pelos dois personagens, vemos um abobalhado protagonista ser diminuído frequentemente pelos amigos e pela mãe megera.

Ainda que o amor entre Germain e Margueritte tenha surgido de maneira espontânea e fraternal (como uma mãe a um filho), as próprias relações são forçadas – inclusive entre ele e Anette. Depardieu representa bem a estupidez do personagem mas exagera na desconcentração, dando a entender que ele, como ator, estava com a cabeça a quilômetros de distância de onde deveria estar. Assim, quando há uma revelação sobre o passado de Germain deixado por sua mãe – que, lembrem-se, desprezou-o até o literal último suspiro – a situação soa estranha e fora de contexto.

O desfecho encontrado pelos roteiristas Jean Becker e Jean-Loup Dabadie tampouco satisfaz e aparece como uma versão simplista para colocar Germain e Margueritte novamente em contato um com o outro – atenção, spoiler! -, afinal, o salto para ambos é abrupto demais. Se tratavam com tanta polidez para, de repente, irem morar sob o mesmo teto tal qual “a família que eu nunca tive”? É, realmente uma história de amor sem dizer eu te amo, como bem pontua a narração de Depardieu ao final. Faltou aprofundar esse amor (e os personagens) em situações mais complexas e bem desenvolvidas.

Titulo Original: La Tête en Friche
Direção: Jean Becker
Gênero: Comédia dramática
Ano de Lançamento (França): 2011
Roteiro: Jean Becker e Jean-Loup Dabadie, baseados no romance de Marie-Sabine Roger
Trilha Sonora: Laurent Voulzy
Fotografia: Arthur Cloquet
Tempo de Duração: 122 minutos
Com: Gérard Depardieu (Germain Chazes), Gisèle Casadesus (Margueritte), Sophie Guillemin (Annette), Maurane (Francine), Patrick Bouchitey (Landremont), Jean-François Stévenin (Jojo), François-Xavier Demaison (Gardini), Matthieu Dahan (Julien), Claire Maurier (mãe), Anne Le Guernec (mãe jovem), Lyès Salem (Youssef), Bruno Ricci (Marco), Gilles Détroit (Dévallée).

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