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Capitão América – O Primeiro Vingador

agosto 15, 2011

O primeiro vingador

Um pouco melhor do que os anteriores filmes da Marvel, Capitão América é um filme mediano e uma sucessão de clichês de guerra

NOTA: 8

Nunca gostei do Capitão América. Sempre pulei suas histórias nos quadrinhos e me interessei quase nada ou pouquíssimo pela trajetória de morte, achado e despertar de Steve Rogers. Na minha cabeça o personagem sempre foi uma sombra do Super-Homem (outro para quem nunca dei a mínima). Ambos patriotas ao extremo, símbolos fascistas da nação mais egocêntrica do planeta. As histórias do Capitão eram permeadas de clichês como as do homem de aço. E o novo filme da Marvel está aí para provar que o herói nada mais é do que um objeto (sub)utilizado como propaganda pelo governo norteamericano da Segunda Guerra Mundial até hoje.

O filme conta como Steve Rogers, um franzino e miúdo rapaz do Brooklin, Nova York, tenta repetidas vezes se alistar no exército norte-americano para ajudar o país a combater as “forças do mal” (= nazismo), em 1943. Sua fragilidade física, entretanto, o mantém longe do front de batalha – ao contrário de seu robusto melhor amigo, Bucky Barnes. Com a ajuda do Dr. Abraham Eskirne ele consegue enfim se alistar – somente para ser utilizado como cobaia de um experimento. É de uma sensibilidade imensa enfatizar a enorme cabeça de Chris Evans sobre um corpo magricela (por meio de ótimos efeitos visuais), como na cena em que ele aparece treinando com um capacete muito maior do que seu porte permite.

A tal experiência, encabeçada pelo genial Howard Stark, pai do Homem de Ferro -, Rogers se transforma em um supersoldado. E, agora sim, vemos Evans em plena forma física (o que não é de todo ruim, meninas). Usado primariamente como propaganda de guerra pelo governo, Rogers não hesita em usar uma roupa ridícula com a estampa da bandeira dos Estados Unidos para incentivar população e o próprio exército a “fazer o que é certo”. Concordo que este filme do capitão possa soar como mais uma introdução ao longa vindouro, mas há alguns méritos na direção de Joe Johnston que merecem créditos. Por exemplo, o fato de Howard Stark ser muitíssimo parecido com o Tony de Robert Downey Jr., ou o simples fato de seu personagem ter alguma relevância na narrativa, interligando o Universo Marvel de forma integral.

Na vida pré-supersoldado também há referências interessantes sobre a personalidade de Steve Rogers – o fato de duas vezes ter se defendido com “escudos”: um redondo (a tampa de uma lata de lixo) e um improvisado (quando se protege das balas de um bandido). O design de produção é eficaz ao reproduzir o mundo da década de 1940. A fotografia colabora para a ambientação, mais sépia para a cidade e azulada para os campos de batalha e quartel general, indicando o que cada um representa ao próprio personagem.

Confesso que o filme me surpreendeu por captar a essência primordial de Rogers e mais ainda por Evans ter conseguido transpor a melancolia do protagonista à tela – dava tanto crédito ao ator quanto ao personagem que ele interpreta. Ao contrário do inexpressivo Ryan Reynolds (o assassino de Hal Jordan), Evans deu ao Capitão América a dimensão de um homem bom e soturno, uma imagem que respeita a memória do personagem nos quadrinhos. Humilde e realista, um herói com bom senso – e, justamente por isso, clichê até o último fio de cabelo (bombas com nomes? Sério?).

Isso só acontece, contudo, à medida em que o próprio personagem simboliza valores que não estão mais em voga, em um mundo que busca cada vez menos aceitar a guerra como justificativa para qualquer violência contra povos de diferentes religiões e ideologias. Ainda hoje os Estados Unidos buscam essa aliança com a população, tentando convencê-la a todo custo de que seus novos heróis, os milhões de soldados que são enviados ao Oriente Próximo, estão lá para defender a causa da nação norteamericana. Mas que causa é essa? Lutar, matar e morrer por uma ideologia e religião que não é a deles? Essa tática foi implantada por George Bush pai na década de 90 quando a Guerra do Golfo eclodiu e continuada por Bush filho no início do milênio – mas obviamente já difundida na medíocre mentalidade imperalista ocidental.

Russos, soviéticos, iraquianos, iranianos, palestinos, islamitas. Os vilões mudam, mas a guerra continua, encabeçada pelos países de primeiro mundo que – tal qual as organizações fictícias dos quadrinhos -, pretendem excluir as minorias rebeldes por meio da força. Não compactuo com as ideologias terroristas que hoje dominam o mundo, separatistas ou religiosas, mas não posso deixar de pensar que os heróis da era capitalista estão em franca decadência.

Soa também deslocado, portanto, colocar Johann Schimidt como um oficial nazista rebelde que não gosta da ditadura hitleriana mas age de maneira exatamente igual – dominação do mundo é um clichê de heróis, convenhamos. Como o Caveira Vermelha e líder da Hidra, Hugo Weaving pouco pode fazer a não ser forçar um irritante sotaque alemão.Suas motivações são nulas e a relação de Dr. Zola com Schimidt parecem um episódio de Pink & Cérebro.

As boas cenas são imediatamente destruídas por piadinhas fora de contexto. Tenho dois exemplos na manga: 1) quando Steve resgata um pelotão inteiro e volta triunfante ao QG, Peggy Carter (a boa Hayley Atwell) arruina o momento soltando um doloroso “você está atrasado”; 2) na cena em que Steve lamenta a morte de um amigo. O modo como o avião cai não explica como o corpo do herói foi congelado – algo que é superficiamente mencionado por Tony Stark ao final do segundo Hulk, e só conhecendo toda a filmografia da Marvel seria possível deduzir isso.

O filme falha, por fim, ao tentar explicar como Rogers ficou 70 anos desacordado e a cena de seu despertar é apenas um gancho para o que está por vir. Variando de cenas medianas a boas, Capitão América ainda é melhor do que Thor ou Homem de Ferro 2 – o que, de certa forma, não deixa de ser um alívio. Essa ideia é imediatamente destruída pelo trailer dos Vingadores ao final dos créditos que infelizmente só reforça como pode dar tudo muito errado ao juntar tantos protagonistas e piadinhas em um só filme.

Titulo Original: Captain America: The First Avenger
Direção: Joe Johnston
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2011
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely e Joss Whedon
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Fotografia: Shelly Johnson
Tempo de Duração: 124 minutos
Com: Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Hugo Weaving (Johan Schmidt/Caveira Vermelha), Tommy Lee Jones (Coronel Chester Phillips), Stanley Tucci (Dr. Abraham Erskine), Dominic Cooper (Howard Stark), Hayley Atwell (Peggy Carter), Richard Armitage (Heinz Kruger), Sebastian Stan (James “Bucky” Barnes), Natalie Dormer (Recruta Lorraine), Neal McDonough (Dum Dum Dugan), Toby Jones (Arnim Zola), JJ Feild (Montgomery Falsworth/Union Jack), Anatole Taubman (Roeder), Kenneth Choi (Jim Morita), Christian Black (sargento Buck).

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