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janeiro 22, 2013

021415_600¡La alegria ya viene!

Explorando a campanha política que derrubou o ditador chileno Pinochet, o novo filme de Pablo Larráin encara com sensibilidade a dureza da época

NOTA: 9,5

O general Augusto Pinochet foi dos maiores ditadores e assassinos da história da América Latina. Após dar um golpe de Estado que levou o então presidente socialista Salvador Allende a suicidar-se, foi eleito com cargo vitalício de 1973 a 1990. O novo filme de Pablo Larráin situa-se em 1988, quando o governo convocou um plebiscito para que o povo decidisse se seu governo deveria continuar ou não.

Logo nos minutos iniciais, fica claro que a medida foi falsamente articulada pelo próprio ditador, para mostrar ao mundo sua justiça e senso de democracia. A oposição esquerdista do Chile, obviamente preocupada com essa medida arbitrária de repressão, fica em dúvida se deve ou não participar do plebiscito, já que era praticamente uma causa perdida.

É aqui que entra um grupo de publicitários e artistas que estavam decididos a dirigir a campanha do “Não”, entre eles, o jovem René Saavedra. Contrário a essa ideia está Lucho, chefe de René e dono da empresa de publicidade na qual ele trabalha – e que, coincidentemente, havia sido aceito no grupo que coordenaria a campanha do “Sim”.

Tem início, então, um árduo trabalho de, mais do que simplesmente proteger o conteúdo produzido – ambos os lados teriam um telejornal de 15 minutos para expor suas ideias –, mas de manter a segurança daqueles a sua volta (amigos e familiares). Pois conforme a campanha opositora deixa de ser ingênua e passa a realmente tocar as pessoas, o grupo de René passa também a sofrer com a pressão de ser um opositor do governo.

Se no início temos a impressão de que René é infantilizado pela ideia da alegria que permeia a campanha – indo contra colocar nos vídeos imagens tristes e de gente sofrendo –, conforme vai crescendo e ganhando adeptos, aumenta o senso de humor e piada em torno da figura de Pinochet.

O êxito foi conseguir trazer ao grupo de votantes as idosas, que tinham medo de que o país voltasse a ser a miséria que era antes do ditador, e os jovens descrentes da mudança. A campanha do Sim, por sua vez, de ameaçadora passou a copiar as ideias do Não, obrigando a oposição a lutar (mais uma vez) contra a perseguição e a censura.

A fotografia de Estefania Larráin, impressa em uma película antiga, como se datada da época, consegue captar a tensão dos momentos de reunião ou durantes as manifestações. A direção de Pablo é bastante coerente, especialmente pelo uso da câmera na mão, com a qual segue os personagens como se fosse uma espiã – em especial nas cenas relacionadas aos “comunistas”. Além disso, para dar veracidade total, Larráin usa cenas da verdadeira campanha e de pessoas que apoiaram-na fora do Chile (como Richard Dreyfuss e Jane Fonda).

É um filme sensível e bonito, que retrata a dureza da época com a mesma leveza da própria campanha do Não, misturando toques de humor, humanismo e esperança. É um filme esclarecedor sobre a história do Chile, que inclusive faz parte de uma trilogia – o antes e o depois da ditadura. É tudo o que o norte-americano Argo poderia ter sido e não foi.

Titulo Original: No
Direção: Pablo Larráin
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Chile/França/EUA): 2012
Roteiro: Pedro Peirano
Trilha sonora: Sebastián Marín
Fotografia: Estefania Larráin
Tempo de Duração: 110 minutos
Com: Gael García Bernal (René Saavedra), Alfredo Castro (Lucho Guzmán), Antonia Zegers (Veronica Carvajal), Luis Gnecco (José Tomás Urrutia), Marcial Tagle (Costa), Néstor Cantillana (Fernando Arancibia), Jaime Vadell (Ministro Fernández), Pascal Montero (Simón).

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