Archive for junho \30\UTC 2013

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Star Trek – Além da Escuridão

junho 30, 2013

Star-Trek-Into-Darkness-2013-Movie-PosterLuz no fim do túnel

Nova produção de J. J. Abrams e Damon Lindelof é madura, traz a segurança de ambos realizadores e emociona do começo ao fim

NOTA: 10

Fui recentemente iniciada na cultura de Star Trek, por insistência de um primo, que é admirador profundo. Comecei assistindo a alguns episódios antigos (dos mais icônicos e clássicos) da série original de TV, e vi o segundo filme da década de 80, A Ira de Khan. Digo isso, pois essa iniciação foi fundamental para me aproximar do universo moderno da saga criado por J. J. Abrams, que sofreu tantas mudanças de elenco e trajetória em seus quase 50 anos de existência.

Abrams – responsável pelo mediano Super 8 e pelo surpreendente Missão Impossível – Protocolo Fantasma – é muito bem-sucedido em sua reaproximação com um público mais jovem, e consegue, desde o introdutório Star Trek a este novo longa, Star Trek – Além da Escuridão, trazer temas antigos, milhares de referências que agradam os trekkers mais fanáticos e, principalmente, histórias envolventes, tensas e bonitas.

Dito isso, fui pega de surpresa com a quantidade de palavras exultantes em meu caderno, expressando o quanto estava achando a trama absurdamente boa. O roteiro, escrito po Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof – parceiro de Abrams e responsáveis pelo brilhantismo da série Lost – acompanha a história da tropa estelar da Enterprise. Se no filme anterior havíamos visto como James Kirk consegue superar o insuperável teste para capitão da nave, neste o vemos como o já renomado capitão.

Ao lado do sempre enigmático e inabalável Spock, o clima de que a trupe continua viajando pelo espaço “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve” permanece, levando-os a conhecer civilizações fantásticas, da tribo do início do filme – que coloca em cena incríveis contrastes de amarelo, vermelho e branco – aos temíveis e eternos inimigos da Federação, os klingons (prometo não revelar mais nada!).

A história se move com fluidez, e as referências que pululam cá e lá são emocionantes – até para alguém como eu, que sou praticamente leiga no tema. Tanto elenco quanto roteiro estão muito menos preocupados em desagradar aos fãs, relaxando quanto à rigidez da mitologia (embora tudo seja pensado milimetricamente), seguindo a “mitologia paralela” criada para estas versões modernas – cuja explicação é dada em uma única cena da projeção. Assim, é com imensa satisfação que vemos velhos personagens aparecendo em cena – e quem viu o primeiro sabe do que estou falando.

O que talvez chame mais a atenção, contudo, é a dubiedade do vilão. Sem querer estragar a surpresa – embora os trekkers já devam saber quem é – Benedict Cumberbatch encara o personagem de maneira espetacular, sem jamais entregar completamente sua complexidade psicológica. Portanto, ao mesmo tempo em que pode ser terrivelmente frio e calculista, não deixa de se emocionar ao contar sua história, relembrando a triste trajetória de seu povo – e tudo aquilo que ele precisa fazer para resgatá-lo. Com um quê de Assassin’s Creed, ele é ágil, extremamente forte e, para arrematar, tem uma voz hipnotizante.

Como havia dito na minha crítica anterior de O Grande Gatsby, fiquei surpresa com a qualidade do 3D utilizado pelo diretor: na medida, sem extravagâncias que deixam o espectador enjoado, mas que causam o efeito desejado de imersão na tela. A trilha sonora composta por Michael Giacchino é marcante, e também um ponto alto do filme. J. J. Abrams é extremamente feliz com essa produção, deixando para trás em sua filmografia algumas pavorosas películas, e consolidando-se como um cineasta seguro, que sabe conduzir um filme de fantasia com cenas de ação.

Titulo Original: Star Trek – Into Darkness
Direção: J. J. Abrams
Gênero: Ficção científica, ação e aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman e Damon Lindelof
Trilha sonora: Michael Giacchino
Fotografia: Daniel Mindel
Tempo de Duração: 130 minutos
Com: Chris Pine (James Kirk), Zachary Quinto (Spock), Zoe Saldana (Uhura), Karl Urban (Bones), Simon Pegg (Scott), John Cho (Sulu), Benedict Cumberbatch (John Harrison), Anton Yelchin (Chekov), Bruce Greenwood (Pike), Peter Weller (almirante Marcus), Alice Eve (Carol), Leonard Nimoy (Spock Prime).

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O Grande Gatsby

junho 27, 2013

The-Great-Gatsby-Movie-Poster-2013O mistério de Jay

Novo filme de Baz Luhrmann tem todos os elementos típicos do diretor, de grande elenco à temas modernos e fantasiosos

NOTA: 7,5

Eu não li o clássico homônimo escrito por F. Scott Fitzgerald. Talvez este seja um dos maiores empecilhos para falar do novo filme de Baz Luhrmann, O Grande Gatsby. Caracterizado por fazer longas grandiosos, com temas musicais modernos mesclados a temas antigos e planos repletos de travelling, o diretor foi responsável pelo esplêndido Moulin Rouge e uma belíssima adaptação do romance shakespeariano Romeu e Julieta.

Retomando os filmes de época, ele agora retrata a sociedade norte-americana da década de 20 – tal como nos conta Fitzgerald em seu livro. Para contar sua história, ele busca no personagem de Nick Carraway a ponte entre o passado e o presente – onde, em um consultório psiquiátrico, ele tenta recontar parte de sua vida ao lado do encantador Jay Gatsby através de um livro.

Apesar de não ser fã de Tobey Maguire (ele estragou o Homem-Aranha e vice-versa), confesso que há carisma em sua performance, e certo tom de ingenuidade que colaboram para a evolução da história, uma vez que Nick aparece sempre como espectador e quase nunca se intromete nas relações das pessoas que o cercam. Assim, por intermédio dele, conhecemos o misterioso Jay Gatsby, interpretado de maneira propositadamente caricata por Leonardo DiCaprio – que insiste em dizer seu costumeiro bordão “old sport” de nove entre cada dez palavras.

Por uma eventualidade, inicialmente, geográfica – Carraway compra uma pequena casa de campo ao lado do palacete de Gatsby –, ambos se conhecem. O narrador recebe um convite pessoal (e único) para as festas megalomaníacas que o magnata realizava em sua mansão, sem entender bem o motivo da exclusividade. Logo, descobrimos que o motivo da aproximação dos dois homens era Daisy, prima de Nick, com quem Jay teve um pequeno affair no passado – e era apaixonado por ela desde então. Interpretada com delicadeza e doçura por Carey Mulligan – adereçada com joias e roupas invejáveis – a personagem ganha profundidade conforme a história avança. Bem como a personalidade misteriosa de Jay que vai sendo desvendada pouco a pouco: como ele conseguiu tudo o que tem e quais foram suas motivações.

Quem assistiu a qualquer filme do cineasta não irá se impressionar com o clima épico e festivo da película, ou tampouco com a fotografia brilhante e colorida, e a trilha sonora de rap e hip-hop para ilustrar as danças da época. Os travellings, como mencionei acima, são constantes e, aliados aos belos letreiros estilizados que aparecem – para contar a história e fazendo óbvias alusões à obra original – de maneira muito orgânica vez ou outra, finalmente o 3D parece ter mostrado a que veio. Isso é claramente mérito de Luhrmann, que mostrou aos seus antecessores incompetentes, com raras exceções, como é que se faz.

Embora eu não tenha lido o livro, sei de uma coisa: a sensação que fiquei ao final do filme não é a mesma que esperava, já que algumas pessoas já haviam me advertido. Ao final, esperava sentir uma terrível compaixão por um personagem, e uma raiva imensa por outro. Mas, na minha cabeça, de alguma maneira, as coisas se inverteram. Tive a impressão, do ponto de vista leigo literário, que aquele fim não era o mesmo. Embora essas mesmas pessoas que leram o livro tenham adorado o filme, não consegui sentir o mesmo êxtase de quando assisti o melado (e maravilhoso, não nego) musical de Luhrmann pela primeira vez. Talvez seja necessária uma segunda visita – agora, com o livro na cabeça.

Titulo Original: The Great Gatsby
Direção: Baz Luhrmann
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pearce
Trilha sonora: Craig Armstrong
Fotografia: Simon Duggan
Tempo de Duração: 142 minutos
Com: Leonardo DiCaprio (Jay Gatsby), Carey Mulligan (Daisy), Tobey Maguire (Nick Carraway), Joel Edgerton (Tom Buchanan), Isla Fisher (Myrtle Wilson).