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Gravidade

janeiro 16, 2014

gravity-alt-poster-doaly-small-610x915NOTA: 8

Quando assisti Gravidade no cinema, tinha a possibilidade de optar pela sala 4D – que é um nível acima do 3D. Fiquei curiosa e resolvi experimentar. Digo isso logo de início porque acho que mudou totalmente a perspectiva do filme. Já no começo da projeção percebi o que as tais cadeiras 4D fazem: se mexem, como em um simulador. No caso deste novo projeto do mexicano Alfonso Cuarón, não poderia ser mais conveniente estar se balançando na frente da tela. Explico agora.

Gravidade se passa inteiramente no espaço, enquanto uma equipe de astronautas trabalha duramente para consertar o telescópio Hubble. A equipe é formada por dois astronautas experientes – um deles Matt Kowalski, interpretado por George Clooney – e a Dra. Ryan Stone, uma engenheira médica novata. No meio da operação, entretanto, ocorre um perigoso acidente que muda os planos para a equipe, e os três devem fazer manobras arriscadas para conseguir escapar ilesos.

A graça do 4D se apresentava a cada giro da câmera, quando nos movíamos ao mesmo tempo, simulando nossa presença no espaço. Embora soe desconfortável, a sensação foi de tirar o fôlego. O roteiro, escrito por Cuarón ao lado de seu filho, Jonás, conta uma história simples mas que, devido às circunstâncias nas quais se encontram os personagens, cresce em tensão na medida exata, contando apenas com fatores reais daquele ambiente inóspito.

Os diálogos também são interessantes e a todo momento nos ajudam na construção daquelas pessoas. Então, em determinado momento, quando ouvimos uma confissão da Dra. Stone em um momento particularmente delicado, sentimos todo o peso de sua circunspeção e a origem de seu caráter rígido. Isso, claro, é grande mérito da atriz que a interpreta: Sandra Bullock (pronto, falei. E jamais achei que falaria algo assim). Mas Bullock me surpreendeu por sua capacidade de imersão no papel.

Com um ambiente totalmente situado no espaço, Cuarón tem liberdade para explorar esse universo, e o faz de maneira absolutamente brilhante. Assim, acompanhamos um momento crítico de um personagem enquanto ele fica girando, à deriva, sem pontos de referência – e, de repente, o diretor nos coloca dentro do capacete do personagem, e em seu ponto de vista. O terror de uma situação dessas é palpável. Além disso, finalmente alguém teve a decência de não cometer o erro mais crasso em filmes espaciais: o da reprodução de som (Star Wars que me perdoe). Portanto, alguns momentos da projeção são puro silêncio, colaborando para inserir-nos em um ambiente cada vez mais claustrofóbico, se comparado à infinita imensidão do espaço.

O 3D desse filme também é aplicado com parcimônia e de uma maneira que quase nunca se vê em Hollywood – digo, da maneira que deveria ser: sem dar dor de cabeça ao telespectador. A trilha sonora funciona, igualmente, de maneira orgânica, mesclando-se ao design de som com muita eficácia. Com uma fotografia fabulosa de Emmanuel Lubezki, que cobre a Terra sob os diferentes ângulos dos personagens, Cuarón insere alguns momentos a lá A Árvore da Vida de pura contemplação. Assim, a cena em que a personagem de Bullock consegue finalmente se livrar da roupa de astronauta e se encontra já a salvo dentro da nave é de uma beleza, digamos, familiar.

Para complementar, o cineasta faz questão de homenagear algumas produções que, certamente, são influência em sua vida. Não é a toa, por exemplo, que o comando que orienta os astronautas a partir de Houston é a voz de Ed Harris, ator que também interpretou o comando de Houston em Apollo 13. E talvez não seja por acaso que a frase “I have a bad feeling about this” – famosa por ser dita nos três filmes originais de Star Wars por personagens diferentes em cada um – apareça aqui em duas ocasiões.

Gravidade é, enfim, um belo drama sobre superação, recomeço, sobre a própria vida no espaço e sobre a ciência que leva o homem até lá. Mais ainda, para mim é uma reafirmação da própria capacidade do homem de ter autocontrole e se superar.

Título Original: Gravity
Direção: Alfonso Cuarón
Gênero: Drama, ficção científica, thriller
Ano de Lançamento (EUA/Reino Unido): 2013
Roteiro: Alfonso Cuarón e Jonás Cuarón
Trilha sonora: Steven Price
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Tempo de duração: 90 minutos
Com: Sandra Bullock (Dra. Ryan Stone), George Clooney (Matt Kowalski), Ed Harris (Houston).

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