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Trapaça

janeiro 7, 2015

American-HustleNOTA: 7

Depois do enorme êxito com o excelente O Vencedor, de 2011, o diretor David O. Russell volta a trabalhar com Christian Bale e Amy Adams em um projeto ousado, cuja história se desenrola em uma década já caricata por si só, mas que Russell consegue deixar ainda mais extravagante. Logo após assistir ao também extravagante (mas infinitamente melhor O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese), fica claro ao espectador que o cineasta mais jovem buscava uma homenagem a um dos mestres do Cinema.

Acompanhamos a história inspirada em fatos reais de Irving Rosenfeld, um trapaceiro de primeira que se alia à bela e igualmente trapaceira Sydney para aplicar o golpe da pirâmide: empreste-me dinheiro e eu te tornarei rico. O emprestador, obviamente, jamais via um centavo novamente. Eles iam relativamente bem até toparem com o agente do FBI, Richie DiMaso que, em troca da liberdade, obriga o casal a ajudarem-no a pegar peixes maiores, como mafiosos e o bondoso prefeito de New Jersey, Carmine Polito.

O problema de Irving realmente começa quando ele é obrigado a colocar no mesmo cenário de Sydney sua histérica e ignorante esposa, Rosalyn, e precisa aguentar tanto a arrogância quanto a própria corrupção do agente para o qual agora trabalha. Forçando na caracterização de seus personagens, Russell transforma a todos em palhaços extravagantes. Desde os cabelos exagerados do elenco aos risos forçados de Bradley Cooper como DiMaso fazem de Trapaça um filme ambíguo.

Embora demonstre técnica e precisão ao tentar “imitar” o estilo de Scorsese – narrações em off, movimentos de câmera com closes em objetos específicos, planos-sequência e uma trilha sonora que ajudam a compor a história – Russell acaba pecando justamente no exagero de alguns momentos. O mais problemático deles é, sem dúvida, a escalação do elenco.

Por um lado, Christian Bale e Amy Adams dão mais do que conta do recado, trazendo personagens complexos e interpretados com maestria por ambos. Juntos, eles e o carismático prefeito de Jeremy Renner compõem o melhor do longa. Por outro lado, Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, como Rosalyn, apresentam o mesmo comportamento histérico exibido no regular O Lado Bom da Vida. Ambos, com uma característica que tende ao absurdo por natureza, forçam suas atuações de tal maneira que não soam orgânicas. A sensação que tive foi que Cooper gostaria de ser exageradamente natural como Jack Nicholson, falhando estrepitosamente no meio do caminho.

Já no caso de Lawrence – que é uma atriz que admiro muito – o problema parece ainda mais grave. Obviamente escalada para um papel no qual a personagem deveria ser muito mais velha, Lawrence parece desconfortável o tempo todo, como se a própria Rosalyn estivesse atuando. Suas cenas são esteticamente perfeitas, mas emocionalmente vazias. Para finalizar, admito que foi um pouco decepcionante ver o grande comediante Louis C. K. interpretar um personagem tão insípido como o chefe de DiMaso.

Como disse acima, o filme se salva pelas atuações de Bale, Adams e Renner e por sua história convincente, no qual os “mocinhos” do FBI se transformam em vilões, demonstrando ambição além do limite e buscando destruir a vida de políticos e mafiosos a qualquer custo em troca de reconhecimento e fama. Mas, mesmo tendo uma premissa interessante, o excesso de explicações para que o espectador entenda a história demonstra não só a fragilidade do roteiro, escrito por Russell e Eric Singer, mas a insegurança do próprio Russell ao tentar assumir uma posição scorseseana.

Título Original: American Hustle
Direção: David O. Russell
Gênero: Crime/Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Eric Singer e David O. Russell
Trilha sonora: Danny Elfman
Fotografia: Linus Sandgren
Tempo de duração: 138 minutos
Com: Christian Bale (Irving Rosenfeld), Bradley Cooper (Richie DiMaso), Amy Adams (Sydney Prosser), Jennifer Lawrence (Rosalyn Rosendfeld), Jeremy Renner (Carmine Polito) e Louis C. K. (Stoddard Thorsen).

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