h1

Blue Jasmine

fevereiro 9, 2015

55043_CTHE_AmarayKeepcaseCoverNOTA: 8,5

O cineasta Woody Allen ficou conhecido, ultimamente, por levar seus personagens a lugares turísticos apresentando-os de uma maneira idílica, quase como se aquelas cidades fossem outras. Depois de nos levar a Paris e a Roma, Allen retorna a sua amada Nova York para contar a história de Jasmine, uma socialite mimada, acostumada às regalias, cuja vida é despedaçada ao descobrir que seu marido, Hal, a traía.

Em um momento de desespero, ela decide contar tudo aquilo que sabia acontecer debaixo de seu teto – mas nunca havia questionado – ao FBI. Dizendo que havia sido cega pelas falcatruas de Hal, Jasmine decide deixar Nova York para morar com Ginger, a irmã igualmente adotada – e que não poderia ser mais diferente – em São Francisco.

Enquanto Ginger se contenta com o pouco, mostrando ser uma pessoa simplória, Jasmine não se conforma com o estilo de vida medíocre da irmã e faz de tudo para demonstrá-lo. Embora se encontre na mais absoluta miséria, Jasmine não faz questão de ser simpática ou cordial. Ao contrário: sentindo-se vítima das ações do marido (mesmo sendo cúmplice), a ex-socialite recusa-se a trabalhar com qualquer coisa que seja “muito servil” – como a secretária de um dentista.

Claramente entrando em um colapso nervoso, Jasmine é uma figura tragicômica. Suas preocupações são tão pequenas se comparadas aos problemas do “mundo real” – a começar por sua irmã – que o riso vem, inevitavelmente. Mas Blue Jasmine está longe de ser uma comédia.

Um dos poucos filmes pesados e dramáticos da carreira de Allen, este longa concentra-se nas loucuras da personagem central, sua paranoia, hipocondrismo e sinceridade cruéis. E Cate Blanchett se sai maravilhosamente bem ao encarnar essa figura excêntrica e triste, beirando à demência. Tanto que só conseguimos dimensionar o tamanho de sua dor quando percebemos que ela não só fala sozinha como revive, em diálogos, as brigas com o ex-marido, chora ao telefone com uma possível paquera – como se fosse incapaz de ser amada – etc.

Mostrando-se ser um interessante estudo de caso do diretor, Blue Jasmine ainda faz brilhar o talento dos atores coadjuvantes, a começar por Sally Hawkings, mas também os comediantes Louis C. K. e Andrew Dice Clark. E embora as atuações sejam impecáveis, há alguns elementos do longa que deixam um pouco a desejar.

A trilha sonora, como de costume, é um jazz triste e melancólico que casaria bem com a personagem-título se não nos remetesse diretamente aos longas mais recentes e alegres de Allen. Esse contraste acaba prejudicando um pouco o clima, mas de maneira alguma a experiência final. Há, também, um personagem colocado no roteiro quase exclusivamente para criar o elemento discórdia entre as irmãs, já que seu papel é pouco relevante para as personagens em si.

Mesmo sendo um dos pontos altos na carreira de Blanchett, não tenho dúvidas de que prefiro o Woody Allen feliz e irônico de Meia-Noite em Paris.

Título Original: Blue Jasmine
Direção: Woody Allen
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Woody Allen
Fotografia: Javier Aguirresarobe
Tempo de duração: 98 minutos
Com: Cate Blanchett (Jasmine), Alec Baldwin (Hal), Sally Hawkins (Ginger), Daniel Jenks (Matthew), Andrew Dice Clay (Augie), Louis C. K. (Al), Peter Sarsgaard (Dwight).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: