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Rainha dos Condenados

junho 19, 2009

Vampirismo fail

Filme bizarro sobre a história do famoso personagem de Anne Rice é salvo pela atuação do esquelético e vampiresco Stuart Towsend

NOTA: 2,5

Geralmente quando nos interessamos por um ator ou diretor, a tendência é que busquemos todas as referências possíveis para fazer jus ao nosso gosto – às vezes, sim, admito: duvidável. Como isso acontece o tempo todo, resolvi me aprofundar um pouco na carreira de Stuart Townsend. O bonitão fez poucos filmes de sucesso, mas sua boa atuação (e sua bela aparência) me incentivaram a me buscar mais referências cinematográficas – ainda que o longa seja uma porcaria.

É exatamente este o caso de Rainha dos Condenados. Por indicação de um amigo, resolvi assistir a esta versão da história do vampiro Lestat, o mais famoso chupa-pescoços do mundo. É muito difícil desbancar Entrevista com o Vampiro, primeiro filme do vampiro que eu vi, já que considero uma das – senão a melhor – atuações de Tom Cruise.

Rainha dos Condenados é tão sem pé nem cabeça que chega a ser risível. Lestat é apaixonado por rock n’ roll – claro, afinal é coisa do demo. A introdução é boa, quase nos faz acreditar que continue assim até o final. Ledo, ledo engano. Lestat, cansado de sua imortalidade monótona, desperta um belo dia de seu sono profundo por causa de uma banda vizinha barulhenta. Encantado com o potencial “para o mal” do grupo, Lestat logo se torna o líder e vocalista rockstar.

Não preciso dizer que a primeira incongruência já está aí: todos sabem que ele é um vampiro, mas isso não parece surtir muito efeito (quem acreditaria, afinal?). Grande parte da fama de Lestat se dá pela anunciação em alto e bom tom de que não se importa que a tão secreta identidade/privacidade dos vampiros esteja sendo desmascarada. A mídia, entrando no que pensa ser um joguinho de estrela, anuncia nos quatro cantos que Lestat é um astro.

Sua fama é indiscutível. Aparentemente sem motivo nenhum para querer desmascarar os comparsas vampíricos, ele convoca a todos que querem ameaçá-lo a um confronto real. “Come out, come out, wherever you are”, diz ele. Diversas vezes, cansativamente (sim, sim, já entendemos o recado!).

Jornalistas, população, fãs, todos parecem não levar a sério a “vampiricidade” de Lestat, até que ele anuncia um enorme show com sua banda, capaz de acordar todos os mortos vivos. Quem não gostar que se apresente. Até este ponto, a história parece correr bem, não fossem os personagens e situações bizarras que surgem no meio da narrativa.

Lestat foi “criado” em meados do século XVII por Marius, aquele a quem se pode chamar de pai dos vampiros. Após abandoná-lo por confrontos de personalidade (ou seja, por nada), Lestat se vê sozinho no mundo e começa a vagar na solidão eterna. Quando imaginamos que Marius é o vilão do confronto final, descobrimos ser ele um personagem carismático e que tenta acabar com o desejo maluco de Lestat de se expor de maneira tão sem explicação.

O vilão é de fato uma mulher com uma fantasia carnavalesca, que anda “semi” o filme inteiro: seminua, com a boca semi-aberta e os olhos semicerrados. A Rainha Akasha é de natureza tão inexplicável quanto a vampiricidade adormecida da mortal Jesse Reeves – uma moça apaixonada por vampiros, que trabalha não se sabe onde para um tal de David (um homem obcecado por Marius e também pela jovem, mas que tampouco tem qualquer relação com o próprio Lestat ou o filme. Ele gosta de vampiros, mas e daí?).

Jesse é o par romântico de Lestat, por mais absurdo que isso possa soar. Se havia alguma intenção de manter segredo sobre o fato, os diretores falharam desde o início. Enquanto Akasha exerce sua maldade, ela fala com sotaque egípcio (ou teoricamente, ou pelas vestimentas, era pra ser) e os braços sempre abertos, em sinal de desejo constante.

Já Jesse é o contraponto: inocente, pura, tonta. Ela conhece Lestat uma noite em um pub de vampiros (pois é, isso porque sua existência era secreta!) , o qual ela foi bisbilhotar mesmo com os avisos de cuidado de David.

Se isso parece confuso, imaginem que há de fato um bar de vampiros no meio de Londres, as pessoas têm conhecimento dele, e nada de extraordinário é feito a respeito. Lestat obviamente se apaixona pela jovem, mas recusa o pedido que ela lhe faz de se tornar uma vampira e acompanhá-lo na longa (!!) estrada da eternidade.

Quando imaginamos que o filme poderia acabar razoavelmente com a paixão dos dois em uma cena desconfortante, mas aceitável, é quando a tal Rainha Akasha desperta (de uma maneira de fato risível), e resolve realizar o desejo de Lestat de não passar a eternidade sozinho: ela seria a companhia perfeita.

Uma das poucas coisas boas do filme, Stuart interpreta muito bem a malícia de Lestat, que finge estar apaixonado pela Rainha e, após descobrir que ela comete mais atrocidades do que ele gostaria, bola um plano para matá-la. A ajuda vem da família vampira de Jesse (ahá!) e da confraria dos vampiros, que não querem conviver com a “mãe de todos os vampiros”, como era conhecida Akasha – ainda que fiquemos sem explicações do porquê.

Neste ponto, já não é mais possível levar o filme a sério. As coisas vão acontecendo sem mais explicações, como se tudo fosse natural como o dia e a noite. O final é evidente, já estava explícito quando eu disse que poderia ter acabado ali mesmo.

De tão estranho, não é possível classificá-lo. Não é terror, não é drama, não é ação. Tampouco aventura. Não é nada. O filme é um apanhado de informações dispersas sobre vampiros. O roteiro é fraquíssimo e muito mal amarrado, os efeitos especiais são toscos, a fotografia e a direção são medianas. O que salva mesmo é ver Stuart em uma de suas primeiras grandes aparições.

Magérrimo e pálido como um morto vivo, ele está lindo e sua atuação é cativante. Seu sotaque e sua voz são muito agradáveis de se ouvir. Fora isso, nada, absolutamente nada, convence. A história, a vilã, os mocinhos, o rock, o casal, nada. No fim, o filme não deixa sensação nenhuma. Levantei da cadeira e desliguei o DVD como se não tivesse assistido nada, e imediatamente voltei minha atenção para qualquer outra coisa.

Esbocei os primeiros rascunhos sobre o texto, mas demorei propositadamente uma semana para escrevê-lo: queria ver o quanto poderia lembrar. A resposta? Muito pouco. Mas é claro que o recomendo: para quem quiser discordar ou não de mim.

Titulo Original: Queen of the Damned
Direção: Michael Rymer
Gênero: Suspense
Ano de Lançamento (EUA): 2002
Roteiro: Scott Abbott e Michael Petroni, baseado nos livros de Anne Rice
Trilha Sonora: Jonathan H. Davis e Richard Gibb
Fotografia: Ian Baker
Tempo de Duração: 101 minutos
Com: Stuart Towsend (Lestat de Lioncour), Marguerite Moreau (Jesse Reeves), Aaliyah (Rainha Akasha), Vincent Perez (Marius), Paul McGann (David Talbot) e Lena Olin (Maharet).