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Três Anúncios para um Crime

fevereiro 28, 2018

NOTA: 9

Talvez um dos menos ambiciosos e mais polêmicos dessa temporada do Oscar 2018, o novo filme escrito e dirigido por Martin McDonagh é também um dos mais honestos e engraçados. Passado em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos (Ebbing, no Missouri), Três Anúncios para um Crime retrata o típico norte-americano – do qual já falei também em Eu, Tonya -, aquele que é tão fora da casinha que dá até medo.

Mãe e vendedora em uma loja, Mildred Hayes decide alugar por um ano três outdoors que ficam nas aforas da cidade (daí o nome do filme em inglês). O conteúdo dos anúncios, entretanto, nada tem a ver com a venda de produtos. Mildred decide chamar na chincha a polícia de Ebbing por ter supostamente abandonado o caso de estupro e assassinato de sua filha. Enfurecidos, o policial Jason Dixon e o xerife William Willoughby tentam convencer a mulher a retirar os anúncios, uma vez que conseguiram ganhar publicidade da mídia local e causar sensação entre os habitantes do povoado – criando rixas entre quem está a favor de quem.

Mas o que se segue é uma sequência de gente maluca fazendo maluquices, uma mais bizarra do que a outra. A capacidade de McDonagh de contar uma boa história aqui se faz clara, uma vez que ele nos apresenta situações realistas e cheias de ironia que, além de me perguntar se esse tipo de gente realmente existe a cada instante, me deixavam sentada na ponta da cadeira.

Não é um thriller ou um filme de ação emocionante, mas o diretor consegue nos deixar suspensos a cada sequência, imaginando o que irá acontecer a seguir – e, para mim, a grata surpresa é que eu nunca conseguia adivinhar. Essa característica de brincar com o absurdo, mesclando um humor ímpar com situações improváveis é uma receita de sucesso que ele já havia explorado no ótimo Na Mira do Chefe, e aqui se faz ainda melhor. E por mais louca que toda aquela gente pareça ser, o elenco formidável consegue transmitir uma miríade de sentimentos que tornam aqueles personagens totalmente verossímeis.

Então temos a mãe, enlouquecida pelo luto e pelo descaso da polícia, o ex-marido violento e sua nova namorada que parece mais perdida que cachorro em dia de mudança, o filho retraído, o dono da agência de publicidade que desafia a autoridade, a autoridade composta por um idiota e um homem sensato que logo sai de cena e alguns outros personagens curiosos que compõem um leque de complexidade humana vasto e rico.

Enquanto entendemos a dor de Mildred, sofremos com ela e por ela, mas também pelo filho que lhe restou, devastado também pela perda da irmã e tendo que lidar com uma mãe fora do controle. E se em um primeiro momento era difícil compreender os dois policiais, ao longo da projeção suas ambições e características psicológicas se vão revelando pouco a pouco, de maneira brilhante e objetiva. O final aberto também é um recurso utilizado com eficácia aqui, já que, como disse, tudo pode acontecer.

O arco mais notável é, certamente, o do personagem mais odiável, vivido por Sam Rockwell com carisma e (nem acredito que estou dizendo isso) muita eficiência. Nunca fui fã do ator pois ele sempre interpreta o mesmo tipo (ele mesmo) e o seu Dixon não é muito diferente dos demais. A diferença é que o policial foi escrito de maneira magistral, com nuances que desvelamos devagar, acompanhando a trajetória daquele homem como quem vê as peças de um relógio se encaixando. Passamos por todas as fases: ódio por sua estupidez, pena de sua óbvia incapacidade mental e júbilo porque talvez todas as observações feitas anteriormente fossem somente um pré-conceito. O mais interessante do longa é isso: os personagens, como nós, têm espaço para rir, chorar, sentir pena, compaixão, medo etc.

Mais do que apenas uma figura extremamente poderosa, a estrela do filme, Mildred, é um personagem tridimensional, e Frances McDormand está absolutamente fantástica. Usando sempre moletons – talvez algo que já seja sua marca característica – ela não tem medo do olhar público e vai até o fim para defender sua causa. Uma das cenas mais tocantes, contudo, é aquela na qual Mildred é interrogada por William na delegacia e ambos são interrompidos por um forte acesso de tosse do xerife. E se McDormand certamente merece o prêmio de Melhor Atriz, fica difícil escolher entre o carisma do William de Woody Harrelson ou a estupidez fingida de Sam Rockwell. Ambos estão excelentes (mas Rockwell um pouco mais).

Aliás, Três Anúncios para um Crime levanta uma série de assuntos em pauta atualmente, que com certeza terão destaque durante as premiações da Academia. Os temas de estupro e abuso são o que engatam o longa, sim, mas há também uma clara colocação contra o racismo, infelizmente ainda presente na sociedade. Então, ver um dos atores da magnífica série The Wire participar como o novo chefe de polícia é uma sacada não só genial de escolha de elenco, mas da própria construção do personagem. O nome dele? Abercrombie. Maravilhoso! (lembrando que a marca homônima vira e mexe é acusada de racismo).

É a presença e força de Mildred, no entanto, que guiam toda a narrativa. Uma mulher forte e independente, que sabe colocar todos os pingos nos “is”, e que não tem pudores de recorrer ao que quer que seja para lidar com abusadores escrotos – sejam eles homens ou mulheres. É um personagem que fala diretamente com as mulheres de hoje, e é impossível não mencionar o movimento que está acontecendo em Hollywood desde outubro passado, o #metoo – hashtag utilizada por celebridades e agora pelo mundo todo para expôr situações de abusos e assédio sexual.

É de uma contemporaneidade incrível e é por essa razão que Três Anúncios para um Crime é a minha aposta para Melhor Filme do Oscar deste ano. Um timing mais do que perfeito para a Academia apoiar a causa, e não sem razão. Um filme ótimo com um contexto atual é tudo que se precisa para ser um vencedor, apesar daquele CGI de veado.

Título Original: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Direção: Martin McDonagh
Gênero: Crime, drama
Ano de Lançamento (EUA): 2017
Roteiro: Martin McDonagh
Trilha Sonora: Carter Burwell
Fotografia: Bem Davis
Tempo de Duração: 1h55
Com: Frances McDormand (Mildred Hayes), Sam Rockwell (Jason Dixon), Woody Harrelson (William Willoughby), Lucas Hedges (Robbie Hayes), Caleb Landry Jones (Red Welby), Kerry Condon (Pamela), Amanda Warren (Denise), Peter Dinklage (James), John Hawkes (Charlie), Samara Weaving (Penelope), Zeljko Ivanek (sargento), Darrell Britt-Gibson (Jerome), Sandy Martin (Dixon mãe), Clarke Peters (chefe Abercrombie).

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Viva! – A vida é uma festa

fevereiro 28, 2018

NOTA: 9

Ao longo de sua próspera trajetória, cada vez que a Pixar decidia fazer um filme era comum esperarmos histórias absolutamente inusitadas, de brinquedos, monstros, carros, peixes, ratos e robôs humanizados. Chegamos ao ponto dos sentimentos com sentimentos no inigualável Divertidamente. Uma das maiores contadores de estórias de todos os tempos e responsável por recriar universos realistas dos humanos com toques fantásticos – como Valente, passado na Escócia, Frozen, nos países nórdicos, e o mais recente Moana, sobre uma princesa polinésia – decidiu agora falar sobre um universo geograficamente muito mais próximo: o México. Finalmente!

Embora não seja a especialidade da Pixar falar sobre pessoas, a união com a Disney tornou isso possível. Quando retratando culturas diferentes, o estúdio se esforçou em buscar elementos característicos de cada povo retratado, por mais fantasiosa que fosse a história, provendo detalhes específicos que tornassem os filmes em únicos. É o caso deste novo Viva! A Vida é uma Festa.

Passado em alguma cidade mexicana durante as festividades do Dia dos Mortos, o longa conta a história do pequeno Miguel e sua paixão proibida pela música – qualquer coisa relacionada havia sido estritamente banida da vida familiar quando sua ancestral, Imelda, foi abandonada pelo marido e se responsabilizou sozinha pela criação da filha pequena, Coco – a avó de Miguel. É esta, inclusive, que dá nome ao filme no título original.

Mas Miguel não quer ser um sapateiro, como todo o resto da família. Ele quer ser como seu ídolo, o falecido Ernesto de la Cruz. Desesperado para provar seu valor como músico, Miguel invade a casa mortuária onde de la Cruz descansa – junto com sua famosa guitarra – e tenta roubar o instrumento para participar de um concurso. É aí que as coisas fogem de seu controle, pois roubar algo no Dia dos Mortos tem consequências gravíssimas.

Encantando com a quantidade de detalhes sobre a vida daquelas pessoas, Viva! se sobressai ao não criar uma caricatura dos personagens – exceto, talvez, do cachorro –, expondo qualidades, defeitos e características de cada personagem sem soar forçado ou ridículo. Assim, as mulheres mais velhas da família são presenças extremamente fortes, criando um círculo matriarcal interessante. Quem manda, ali, são elas.

Visualmente, também, o longa é um espetáculo, no melhor sentido da palavra. Brilhante e colorido, o mundo do lado de lá é rico em cores, texturas e vivacidade, embora tudo ocorra sugestivamente na penumbra da noite. É interessante ver, também, como os atores incluem nas frases expressões e palavras espanholas, o que torna tudo muito mais familiar. E reconhecer o queridinho Gael García Bernal entre aquelas vozes não só é um prazer como um descobrimento, já que o ator mexicano, encarnando um dos personagens mais complexos do longa, também dá uma palhinha como cantor.

Porque, afinal de contas, sendo um filme sobre música, Viva! tem bons números musicais, a maioria interpretados pelo jovem e talentoso Anthony Gonzalez, canções contagiantes, algumas tristes e bonitas, outras animadas que dão tom e contextualizam, mas não necessariamente fazem a história andar, mostrando um trabalho sólido de Michael Giacchino. São um complemento interessante – mais interessante, diga-se, do que as músicas usadas em La La Land. Inclusive, ouso dizer que ficará mais na memória do que o suposto musical de Chazelle. Uma das cenas mais fantásticas do longa é, justamente, uma na qual Miguel toca violão apaixonadamente em frente à televisão. Lindo demais!

Viva! É um dos melhores filmes do estúdio, embora não seja o meu favorito. Algumas escorregadas no roteiro (escrito a oito (!) mãos pelos diretores Lee Unkrich e Adrian Molina ao lado de Jason Katz e Matthew Aldrich) poderiam ter deixado a história mais enxuta – em alguns momentos, senti que o enredo se enrolava um pouco, criando mais clímax do que o necessário, e deslizando em anticlimax óbvios. Mas isso não empalidece de maneira nenhuma a importância do longa. Pois, tirando as óbvias questões visuais e tecnológicas, Viva! é uma história tocante sobre o valor da família.

Mas mais do que isso, fala sobre como manter a família por perto, sempre, pois eles são nosso maior alicerce, não importa quão loucos, esquisitos ou diferentes de nós mesmos. Ele são parte da nossa história e aqueles que teremos para o resto da vida, por mais distantes ou desconectados que estejamos no presente. É, também, a primeira animação do estúdio com um protagonista latino, falando sobre sua cultura e a imoportância de temas universais como as recordações, a memória e a importância de relembrar o passado para entendermos o agora.

É um combo irresistível de personagens carismárticos, visuais grandiosos e músicas tocantes. Ou, em outras palavras, sobre como a Disney novamente vai te fazer chorar. Prepare-se.

Título Original: Coco
Direção: Lee Unkrich e Adrian Molina
Gênero: Animação, aventura e comédia
Ano de Lançamento (EUA): 2017
Roteiro: Lee Unkrich, Adrian Molina, Jason Katz e Matthew Aldrich
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Fotografia: Matt Aspbury (câmera) e Danielle Feinberg (iluminação)
Tempo de Duração: 1h45
Com: Anthony Gonzalez (Miguel), Gael García Bernal (Hector), Benjamin Bratt (Ernesto de la Cruz), Alanna Ubach (mamá Imelda), Renee Victor (abuelita), Jaime Camil (papá), Alfonso Arau (papá Julio), Herbert Siguenza (tio Oscar e tio Felipe), Gabriel Iglesias (padre), Ana Ofelia Murguia (mamá Coco), Natalia Cordova-Buckley (Frida Kahlo), Selene Luna (tia Rosita), Edward James Olmos (Chicharrón), Sofía Espinosa (mamá), Dyana Ortelli (tia Victoria).

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O Lobo de Wall Street

fevereiro 25, 2014

21061632_20131127212143127.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxNOTA: 9,5

Quando Martin Scorsese se propõe a fazer algo, seja qual for o tema, sempre presto atenção, pois ele raramente me decepciona – até agora, o único filme que não me enganchou foi A Invenção de Hugo Cabret, mas talvez por preguiça minha. Assim, ao saber de seu novo projeto, mais uma vez ao lado de Leonardo DiCaprio, tive a sensação de que seria um dos grandes filmes do ano.

E eu estava certa: O Lobo de Wall Street é um filmaço, cheio de nuances, personalidades fortes e cenas extravagantes – para dizer o mínimo. Não deixa de ser um filme característico do diretor, que conta a história de um personagem principal problemático e que, estranhamente, consegue nos cativar de maneira irresistível. Leonardo DiCaprio interpreta Jordan Belfort, um homem simples que transforma sua carreira em um case de sucesso.

Belfort começou a vida como corretor em Wall Street e, como era um homem extraordinariamente articulado, em pouco tempo fundou a própria empresa, enriquecendo às custas do dinheiro alheio e sobrevivendo à base de muitas drogas e bebidas. Essa história, verídica e baseada na autobiografia do próprio Belfort – traduzida a roteiro por Terrence Winter –, é o retrato da quadrilha americana da década de 90. Belfort e sua gangue de corretores não usavam violência para desbancar os concorrentes, mas não deixavam a antiga máfia que dominou o país (e os filmes de Scorsese) para trás.

Sádicos e pouco preocupados com o próximo – coisa que a máfia italiana nunca deixou de ser –, os personagens têm diálogos vivazes e rápidos, cheios de uma motivação feroz, instigada por “Wolfie”, ou como os amigos chamavam Belfort. Interpretado por Leonardo DiCaprio de maneira intensa – perdendo em genialidade apenas para o Calvin Candie, de Django – e ao lado do comparsa Donnie Azoff (em outra atuação inspiradíssima do comediante Jonah Hill), Belfort é um homem sem limites.

Seguindo à risca os ensinamentos do ex-chefe, Mark Hanna – um Matthew McConaughey que, embora não apareça por mais de 15 minutos, rouba quase o filme inteiro para si –, ele leva a vida ao extremo, usando drogas desenfreadamente e fazendo a melhor reinterpretação do personagem de Ray Liotta de Os Bons Companheiros que eu já vi. Fica difícil imaginar que a Academia não vá presenteá-lo com o Oscar de melhor ator este ano.

De qualquer maneira, Scorsese faz um filme divertido, engraçado e ao mesmo tempo com a constante lembrança de que Belfort não pode sair impune pela série de crimes que comete por onde passa. A fotografia clara, brilhante e alegre de Rodrigo Prieto – antigo colaborador do cineasta – parece contradizer de propósito essa mensagem negativa expressada pela trilha sonora, composta por Howard Shore. O design de som aparece, também, de maneira orgânica e muito bem pensada – há uma cena em que Belfort está fazendo um discurso, por exemplo, e a trilha, o silêncio e o design de som se intercalam, criando uma atmosfera vibrante. Coisa de gênio.

Calejado, Scorsese sabe como conduzir o filme de maneira que reconheçamos o carisma de Belfort tanto quanto seus colegas o reconhecem – venerando-o como a um líder religioso – e, ao mesmo tempo, possamos dar risada de seu papel muitas vezes ridículo. E aquela cena em que ele está em um telefone público num hotel é das mais cômicas da carreira do cineasta. O fio narrativo também é conduzido de maneira espetacular, introduzindo elementos que ajudam na compreensão da história – como corrigir elementos da narrativa no momento em que ela está sendo contada – e chamando o espectador de idiota sem o menor pudor, como o próprio Belfort faz questão de fazer, por exemplo, ao interromper uma fala complexa por acreditar que nós, que estamos de fora do mundo financeiro, acharíamos aquilo chato e confuso.

Embora use alguns links mais óbvios, como o do iate afundando, Scorsese jamais deixa de ser convincente e verossímil ao contar a história. Com uma narrativa subversiva e escancarada, o filme não se dá ao trabalho de dizer que Belfort é um canalha. Nós mesmos deduzimos isso ao longo das quase três horas de projeção. O Lobo de Wall Street é, enfim, mais um dos inúmeros méritos do diretor.

Título Original: The Wolf of Wall Street
Direção: Martin Scorsese
Gênero: Comédia
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Terrence Winter, baseado no livro de Jordan Belfort
Trilha sonora: Howard Shore
Fotografia: Rodrigo Prieto
Tempo de duração: 179 minutos
Com: Leonardo DiCaprio (Jordan Belfort), Jonah Hill (Donnie Azoff), Margot Robie (Naomi Lapaglia), Matthew McConaughey (Mark Hanna), Kyle Chandler (agente Patrick Denham), Rob Reiner (Max Belfort), Jon Bernthal (Brad), Jon Favreau (Manny Riskin), Jean Dujardin (Jean-Jacques Saurel), Joanna Lumley (tia Emma), Cristin Milioti (Teresa Petrillo).

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O Hobbit: A Desolação de Smaug

janeiro 23, 2014

20131124-1-copia-2NOTA: 9

A segunda parte da história de Bilbo Bolseiro estreou mês passado e, como toda continuação, teve a intenção de adiantar a história em direção a um desfecho épico – ou seria só a intenção do diretor, Peter Jackson? Seja como for, O Hobbit – A Desolação de Smaug supera a primeira parte em alguns pontos. O primeiro deles é no próprio roteiro que, embora tenha sua dose de problemas, é muito mais divertido e dinâmico, deixando espaço para apreciarmos alguns detalhes que haviam passado em branco na primeira projeção – o que também funciona no sentido oposto, evidenciando alguns absurdos de conteúdo. Por exemplo, grande parte das cenas de ação são mais bem trabalhadas, desde a entrada na casa de Beorn até a cena final com o dragão. Entretanto, e apesar de todos os esforços do cineasta, o 3D é muito mal empregado, provacando mal-estar no espectador nas cenas de maior movimentação.

De qualquer maneira, é curioso observar como Jackson se preocupou em ressaltar a natureza de cada raça, o que não havia acontecido em O Senhor dos Aneis. Aqui, os orcs não falam sequer uma palavra da “língua comum”, o que é a mesmo tempo curioso e tem um efeito de contextualização ótimo – se naquela época Sauron, que usava a língua comum, ainda não estava forte, não faria sentido seus servos serem habituais a ela. O que bate de frente com outro tema que abordo mais adiante.

Não preciso dizer que meus personagens favoritos são Gandalf e Bilbo – cuja dinâmica entre os atores Sir Ian McKellen e Martin Freeman se faz notar em cada cena. Suas atuações conferem grandeza e complexidade. O dragão Smaug é o elemento mais esperado de todo o filme, e não decepciona. Seu design é condizente com o de um monstro tolkieniano, e sua “atuação” pela voz e espírito de Benedict Cumberbatch – que também faz a aterrorizante voz do Necromante – é o ponto alto do filme.

Outra figura que os fãs desejavam muito ver é o homem-urso Beorn, que também se mostra interessante – embora nem de longe demonstre o perigo que Gandalf anuncia antes de invadir sua casa. Posso escalar aqui sem pestanejar minhas três cenas preferidas: a toca das aranhas, a fuga pelo rio e a conversa de Bilbo com Smaug – e, novamente, cada uma dessas sequências tem sua parcela de problemas. Na primeira, pude me dar conta do design de som, feito de maneira idêntica à trilogia do Anel, o que deixa o filme um pouco óbvio.

A cena em que Bilbo e os anões conseguem fugir dentro de barris é engraçada e muito bem bolada. Porém, como dito acima, a ação é bastante prejudicada pelo 3D. Tanto que em determinado momento não sabemos se os personagens que vemos são elfos ou orcs – e só essa comparação já dá a dimensão do problema. E, enquanto a cena de Bilbo com Smaug é inspirada, verossímil e, ainda assim, totalmente coincidente com o livro, o que se passa depois em Erebor – e na própria Esgaroth – me pareceu bastante absurdo, para dizer o mínimo.

Talvez a maior dificuldade da projeção seja manter-se coerente. A partir do momento em que os personagens chegam à Cidade do Lago, o filme fica algo maçante, já que é aí onde se concentra a maior quantidade de problemas dessa continuação. A começar pela tensão desnecessária que Jackson e os roteiristas parecem fazer questão de criar a cada minuto. Quando chegam diante da porta de Erebor (a escada, por sinal, tem um conceito incrível) os anões e Bilbo perdem a última luz do Dia de Dúrin. Analisemos:

1) Por que diabos eles abandonam quatro anões para trás? Isso não faz o menor sentido – nem mesmo para justificar o que acontecerá com eles na sequência; 2) Contrariando toda a caracterização que o cineasta havia feito na trilogia anterior, Thorin (o pior herói de todos os tempos, mas isso fica para o último filme), os anões desistem de buscar a entrada para a Montanha Solitária. E aquela história de que eles são cabeças-duras e extremamente teimosos? Para contextualizar, cito o próprio filme: “você não aprendeu nada com a teimosia dos anões?” 3) Para que a tensão desnecessária de quase perder a chave – e, em outro momento, vemos Bilbo quase perdendo o Anel – se todos sabemos que eles vão entrar – e que o Anel não é perdido? E, finalmente, 4) Os anões não viram, no capítulo anterior, que Elrond leu o mapa sob a luz da lua porque estava escrito em mithril? Não seria excessivamente óbvio supor que a porta também estaria desenhada em mithril? Aparentemente não.

Agora, chegando à questão principal (e ainda sobre os anões): como (deus, como?!) Peter Jackson inclui um romance entre Kili e Tauriel? Um anão e uma elfa. Como? Por quê? Qual o fundamento disso? Além de ser os 20 minutos a mais que sobram no filme, não há, em toda a mitologia de Tolkien, qualquer informação que embase essa decisão. É fato conhecido na Terra-Média que elfos e anões se odeiam, e que esse ódio finalmente termina com a amizade entre Legolas e Gimli. Se, ao invés disso, ele tivesse colocado um romance entre Legolas e Tauriel, seria ruim, mas seria, ao menos, mais justificável. Isso não tem defesa – e ele ainda deu toques de Arwen, quando ela curou Frodo depois de levar a facada do Rei Bruxo, com luzinha santa e tudo o mais! Ah, não, Peter!

Há alguns problemas indissociáveis de O Hobbit 2. Problemas que, provavelmente, serão repetidos – e aqui estou pensando no terrível desfecho que Jackson bolou para o romance “proibido” – e poderão se agigantar conforme nos aproximamos do fim. Só posso esperar que o diretor não seja tão megalômano a ponto de achar que deve incluir sua marca registrada a cada take, e que se preocupe em desenvolver a complexa história que aguarda a última parte, Lá e de Volta Outra Vez, para ser lançada em dezembro desse ano. Ele não terá outra oportunidade.

Título Original: The Hobbit – The Desolation of Smaug
Direção: Peter Jackson
Gênero: Aventura, fantasia
Ano de Lançamento (EUA/Nova Zelândia): 2013
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro
Trilha sonora: Howard Shore
Fotografia: Andrew Lesnie
Tempo de duração: 161 minutos
Com: Martin Freeman (Bilbo Bolseiro), Ian McKellen (Gandlalf), Richard Armitage (Thorin Escudo de Carvalho), Ken Stott (Balin), Graham McTavish (Dwalin), William Kircher (Bifur), James Nesbitt (Bofur), Stephen Hunter (Bombur), Dean O’Gorman (Fili), Aidan Turner (Kili), John Callen (Óin), Peter Hambleton (Glóin), Jed Brophy (Nori), Mark Hadlow (Dori), Orlando Bloom (Legolas), Evangeline Lilly (Tauriel), Lee Pace (Thranduil), Cate Blanchett (Galadriel), Benedict Cumberbatch (Necromante/Smaug), Mikael Persbrandt (Beorn), Sylvester McCoy (Radagast), Luke Evans (Bard/Girion), Stephen Fry (senhor da Cidade do Lago), Ryan Gage (Alfrid), Manu Bennett (Azog) e Lawrence Makoare (Bolg).

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Universidade Monstros

julho 16, 2013

universidade-monstros-poster2NOTA: 9,5

Já faz muito tempo que a Pixar se firmou como um dos estúdios mais bem-sucedidos do mercado cinematográfico. Os sucessos lançados ao longo de 25 anos de carreira falam por si só e, embora haja um ou outro escorregão nessa trajetória, o fato é que suas animações são esperadas por um público tão vasto que abrange pessoas de todas as idades (o que não deixa de ser surpreendente). Por isso, mesmo não superando os grandes clássicos como Toy Story e Procurando Nemo, a nova produção da Disney-Pixar é admirável.

A história de Universidade Monstros é absolutamente previsível, uma vez que todos os eventos desse filme devem levar àquilo que vimos no adorável Monstros S.A., de 2001. E ainda que o roteiro possa lembrar qualquer outro filme norte-americano de high school, confesso que fiquei bem impressionada. Acompanhamos – do jardim de infância à universidade – a vida do jovem Mike Wazowski, um monstrinho verde, com um único olho e muito pequeno se comparado aos colegas de sala. Sua única ambição na vida é se tornar um assustador da fábrica Monstros S.A.

Mas Mike tem um problema: ele não é assustador. Sua aparência fofinha, a voz esganiçada (em português ou no original) e seu tamanho diminuto fazem de Mike motivo de riso quando decide entrar no curso para formação de assustadores na universidade. Lá ele conhece e rivaliza com o grandalhão James T. Sullivan, filho do grande (e assustador) Sullivan, cuja reputação é levada em alta conta pelos professores e demais alunos. Mas ninguém é mais assustador ali do que a diretora Dean Hardscrabble (um trocadilho interessante, inclusive).

Uma disputa faz com que Mike e Sulley sejam expulsos das aulas de susto e, juntos, devem fazer o impossível para reconquistar sua credibilidade com a diretora. Eles se aliam ao grupo nerd, o mais improvável, para vencer uma dura competição. Se ganhar todas as provas, usando suas habilidades e inteligência, o grupo ganha prestígio na universidade e Mike e Sulley podem voltar às aulas de susto.

Sim, esse é o enredo (escrito a seis mãos por Dan Scanlon, Daniel Gerson e Robert L. Baird), e as possibilidades do que pode ou não acontecer se estreitam a ponto de se tornarem transparentes como água. Mas só até certo ponto. Estamos, afinal, falando da Pixar (embora haja muito de Disney). Ainda que contenha uma história cujo final já sabemos, o que os leva até lá é interessante. É previsível na medida em que sabemos que tudo vai dar certo, já que eles eventualmente conseguem empregos como assustadores na fábrica. Mas surpreende pelo como.

Sem contar que, tratando-se do estúdio em questão, não esperava mais do que gráficos magníficos. Texturas quase palpáveis, ambientes grandiosos (como a sala dos sustos, que mais parece uma catedral) e, o mais importante, personagens com características e personalidades únicas. Além disso, há inúmeras referências ao longa anterior – como era de se esperar. Mas são referências divertidas e inusitadas (como o primeiro companheiro de quarto de Mike, ou a peça de teatro, encenada ao final de Monstros S.A., que aqui aparece em frases e de maneira muito sutil).

A história é mirabolante, mas adorável como seus personagens. A mensagem também é bonita e positiva, de que devemos aceitar quem somos e nossas habilidades, sem nos preocuparmos com o que os outros vão pensar de nós – um dilema eterno para todos, creio eu.

Título Original: Monsters University
Direção: Dan Scanlon
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2013
Roteiro: Dan Scanlon, Daniel Gerson e Robert L. Baird
Trilha sonora: Randy Newman
Tempo de duração: 107 minutos
Com: Billy Cristal/Sérgio Stern (Mike Wasowski), John Goodman/Mauro Ramos (James Sullivan), Steve Buscemi/Márcio Simões (Randall), Helen Mirren/Mariangela Cantú (Dean Hardscrabble), Joel Murray/Samir Murad (Don Carlton), Sean Hayes/Marcos Souza (Terri Perry), Dave Foley/Sérgio Cantú (Terry Perry), Julia Sweeney/Aline Ghezzi (Sherri Squibbles), Alfred Molina/Reinaldo Pimenta (professor Knight), Bob Peterson/Manolo Rey (Roz), John Ratzenberger/ Cláudio Galvan (Yeti), Frank Oz/Marco Ribeiro (Jeff Fungus).

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Homem de Ferro 3

abril 25, 2013

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Novo filme da Marvel, Homem de Ferro 3 tem novo diretor e restabelece a ligação do carismático personagem com o público

NOTA: 9

Três anos depois do último longa “solo” de Tony Stark – um dos principais super heróis da Marvel – a franquia retorna em clima festivo. Embora o novo capítulo comece de maneira mais melancólica do que o habitual, parece que a editora encontra no personagem de Robert Downey Jr. seu porto-seguro. A começar pelo próprio ator que, diferente dos outros heróis apáticos que participam da iniciativa dos Vingadores, se encaixa com tamanha perfeição ao papel que às vezes esquecemos que Tony não é Robert, e vice-versa.

O ataque de alienígenas e a intervenção divina em Nova York (tema de Os Vingadores) deixaram o velho Tony Stark inseguro, paranóico, insone e com ataques de ansiedade. Sua maior preocupação – a segurança de sua amada Pepper Potts – é tema de constantes pesadelos já que ele, como nós, sabe que a vida de um super herói é uma guerra interminável contra o mal.

Consumido pela culpa, o filme começa com a narração em off do protagonista recordando uma fatídica viagem à Suíça, em 1999, que mudaria sua vida. Anos mais tarde, um novo inimigo surgiria para culpar o mundo ocidental – em especial os Estados Unidos – pela desgraça que ocorre no Oriente (não sem razão, vale ressaltar). O vilão Mandarim, a nova ameaça do nosso herói, rapidamente assume a postura de terrorista, invadindo a rede nacional de televisão norte-americana para entregar ameaças de morte aos civis e ao presidente.

Como era de se esperar, a guerra de Mandarim contra os EUA é logo levada para o lado pessoal por Stark, que chama o vilão para um combate corpo a corpo. A partir de então, seguem-se, sequencias de ação e violência inesperadas. Criando tensão eficaz e quase ininterrupta, o novo diretor da franquia, Shane Black, trouxe novo vigor ao personagem, e estabelece uma ligação intrínseca com o público, muito mais afiada do que nos dois capítulos anteriores.

E se há um mérito inegável nessa nova película é a quantidade de momentos surpreendentes e um clímax grandioso. Enquanto Tony continua irreverente, divertido e bem-humorado – mesmo quando está à beira do abismo – sentimos sua vulnerabilidade e fraqueza. Reafirmando o caráter humano do herói, voltamos a vê-lo em plena atividade intelectual – ou seja, construindo parafernálias com sucata – provando, novamente, que é diferente de seus amigos mutantes, e que não passa de um homem mortal que busca sempre o aperfeiçoamento.

O ator Bem Kingsley se sai incrivelmente bem como o Mandarim, em uma espetacular mistura de influências – que vão dos vilões de Bill Nighy aos mocinhos de Liam Neeson – entre muitos outros. O roteiro, escrito a quatro mãos por Black e Drew Pearce, escorrega na hora de definir com precisão os contextos histórico e político. A impressão que fica é a de que esses elementos – como aconteceu com muito mais força nos outros filmes da Marvel – são simples subterfúgios, que não interferem em nada para a vitória dos heróis.

Por outro lado, é necessário reconhecer o feito de que este, muito mais do que qualquer outro longa da editora (mas muito, muito menos do que a trilogia Batman, de Christopher Nolan), parece ter saído das páginas de um gibi. Aliás, me equivoco. O filme inteiro parece uma história em quadrinho. Tanto a fotografia como o enquadramento e a edição – sem contar nas piadas e alívios cômicos que, para mim, funcionaram muito bem – deixam Homem de Ferro 3 com cara daquilo que nasceu para ser. Reunindo todos os elementos de uma HQ das antigas – emoção, tensão, romance, surpresa e final feliz – pode-se dizer que o filme é exitoso.

A trilha sonora, embora não seja marcante, funciona bem. Entretanto, como na maioria dos filmes lançados recentemente, o 3D é desnecessário; uma perda de tempo, dinheiro e investimento. Como disse acima, mesmo que o roteiro cometa alguns deslizes, o longa dá a entender – ainda que seja muito improvável – que essa foi a última aventura do herói, com um sentido de finalização da trilogia. Ao final dos créditos, entretanto, e como é de praxe, sabemos que a Marvel jamais deixará um personagem tão carismático como Tony Stark descansar em paz. Ele retornará, com certeza.

Titulo Original: Iron Man 3
Direção: Shane Black
Gênero: Ação
Ano de Lançamento (EUA/China): 2013
Roteiro: Drew Pearce e Shane Black, baseados nas histórias de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby
Trilha sonora: Brian Tyler
Fotografia: John Toll
Tempo de Duração: 130 minutos
Com: Robert Downey Jr. (Tony Stark/ Homem de Ferro), Guy Pearce (Aldrich Killian), Ben Kingsley (Mandarim), Gwyneth Paltrow (Pepper Pots), Rebecca Hall (Maya Hansen), Paul Bettany (Jarvis), Don Cheadle (James Rhodes), Jon Favreau (Happy Hogan), William Sadler (Sal Kennedy), James Badge Dale (Eric Savin), Dale Dickey (Mrs. Davis), Ty Simpkins (Harley), Marco Sanchez (vice-presidente).

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janeiro 22, 2013

021415_600¡La alegria ya viene!

Explorando a campanha política que derrubou o ditador chileno Pinochet, o novo filme de Pablo Larráin encara com sensibilidade a dureza da época

NOTA: 9,5

O general Augusto Pinochet foi dos maiores ditadores e assassinos da história da América Latina. Após dar um golpe de Estado que levou o então presidente socialista Salvador Allende a suicidar-se, foi eleito com cargo vitalício de 1973 a 1990. O novo filme de Pablo Larráin situa-se em 1988, quando o governo convocou um plebiscito para que o povo decidisse se seu governo deveria continuar ou não.

Logo nos minutos iniciais, fica claro que a medida foi falsamente articulada pelo próprio ditador, para mostrar ao mundo sua justiça e senso de democracia. A oposição esquerdista do Chile, obviamente preocupada com essa medida arbitrária de repressão, fica em dúvida se deve ou não participar do plebiscito, já que era praticamente uma causa perdida.

É aqui que entra um grupo de publicitários e artistas que estavam decididos a dirigir a campanha do “Não”, entre eles, o jovem René Saavedra. Contrário a essa ideia está Lucho, chefe de René e dono da empresa de publicidade na qual ele trabalha – e que, coincidentemente, havia sido aceito no grupo que coordenaria a campanha do “Sim”.

Tem início, então, um árduo trabalho de, mais do que simplesmente proteger o conteúdo produzido – ambos os lados teriam um telejornal de 15 minutos para expor suas ideias –, mas de manter a segurança daqueles a sua volta (amigos e familiares). Pois conforme a campanha opositora deixa de ser ingênua e passa a realmente tocar as pessoas, o grupo de René passa também a sofrer com a pressão de ser um opositor do governo.

Se no início temos a impressão de que René é infantilizado pela ideia da alegria que permeia a campanha – indo contra colocar nos vídeos imagens tristes e de gente sofrendo –, conforme vai crescendo e ganhando adeptos, aumenta o senso de humor e piada em torno da figura de Pinochet.

O êxito foi conseguir trazer ao grupo de votantes as idosas, que tinham medo de que o país voltasse a ser a miséria que era antes do ditador, e os jovens descrentes da mudança. A campanha do Sim, por sua vez, de ameaçadora passou a copiar as ideias do Não, obrigando a oposição a lutar (mais uma vez) contra a perseguição e a censura.

A fotografia de Estefania Larráin, impressa em uma película antiga, como se datada da época, consegue captar a tensão dos momentos de reunião ou durantes as manifestações. A direção de Pablo é bastante coerente, especialmente pelo uso da câmera na mão, com a qual segue os personagens como se fosse uma espiã – em especial nas cenas relacionadas aos “comunistas”. Além disso, para dar veracidade total, Larráin usa cenas da verdadeira campanha e de pessoas que apoiaram-na fora do Chile (como Richard Dreyfuss e Jane Fonda).

É um filme sensível e bonito, que retrata a dureza da época com a mesma leveza da própria campanha do Não, misturando toques de humor, humanismo e esperança. É um filme esclarecedor sobre a história do Chile, que inclusive faz parte de uma trilogia – o antes e o depois da ditadura. É tudo o que o norte-americano Argo poderia ter sido e não foi.

Titulo Original: No
Direção: Pablo Larráin
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Chile/França/EUA): 2012
Roteiro: Pedro Peirano
Trilha sonora: Sebastián Marín
Fotografia: Estefania Larráin
Tempo de Duração: 110 minutos
Com: Gael García Bernal (René Saavedra), Alfredo Castro (Lucho Guzmán), Antonia Zegers (Veronica Carvajal), Luis Gnecco (José Tomás Urrutia), Marcial Tagle (Costa), Néstor Cantillana (Fernando Arancibia), Jaime Vadell (Ministro Fernández), Pascal Montero (Simón).