Posts Tagged ‘animação’

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Frozen

fevereiro 19, 2016

frozen-poster1NOTA: 8

Embora não seja um filme novo, uma das últimas animações de princesas dos estúdios Disney continua dando o que falar tanto entre o público adulto – que adota o cenário para criar festas infantis, fantasias etc – quanto pelos pequenos que recebem as sugestões dos pais, vestindo-se como as princesas Elsa e Anna, e comprando toneladas de produtos. Sendo ainda hoje um enorme sucesso, Frozen conquistou o coração de gerações de entusiastas das animações.

Por que isso acontece? Por que as irmãs princesas da Noruega (suponho) cativam de tal maneira o público em geral? Bem, além de ser um digno filme de princesas, com sidekicks engraçadinhos e canções pegajosas, a razão está no próprio conceito do filme. O roteiro de Jennifer Lee, Chris Buck e Shane Morris – baseados no conto “A Rainha da Neve”, de Hans Christian Andersen – conta a história das irmãs princesas de Arendelle que, quando pequenas, adoravam se divertir com os poderes da mais velha, Elsa, capaz de criar gelo e neve.

Um pequeno acidente com Anna faz com que os reis e pais das meninas precisem tomar medidas drásticas: eles curam-na com o poder dos trolls de pedra, que retiram de sua mente as memórias sobre os poderes de Elsa. Esta, tendo que esconder até mesmo da irmã seus perigosos poderes, com medo de feri-la, fecha-se em seu quarto durante anos (ou isso parece) e afasta a amizade de Anna. Quando os pais das princesas morrem em um naufrágio, Elsa se prepara para ser a nova rainha de Arendelle.

A festa da coroação é um momento de alegria para Anna, que não recebia público no castelo desde quando podia se lembrar. Já Elsa, preocupada com a crescente manifestação de seus poderes incontroláveis, quer apenas escondê-los. Mesmo assim, um incidente faz com que Elsa tenha de fugir do castelo, causando enorme desolação no país. Anna, tentando a irmã, recebe a ajuda de Kristoff – um simples vendedor de gelo – e Hans, um príncipe local com quem prometeu se casar.

O que torna Frozen especial é como a relação entre as duas irmãs e o conceito de amor são tratados. A dicotomia das duas irmãs – marcada pelos traços físicos característicos de cada uma – faz com que suas personalidades se oponham e complementem ao mesmo tempo, ensinando não só como deve ser uma saudável relação fraternal, mas também que devemos enfrentar nossos medos de frente, não importa quão terríveis eles possam ser.

Com um design fantástico, Frozen é bem feito ao ponto de variar nos tons de azul do gelo – de longe é escuro e de perto mais claro –, de mostrar as sardas no ombro da ruiva Anna e de nunca nos cansar com a soberba fotografia de Michael Giaimo. Além disso, os diálogos são reveladores, indicando uma postura muito mais moderna do estúdio com relação aos temas que permeiam nosso dia a dia. O humor também é pontual e feito de maneira precisa, sem deixar que os personagens soem fora de contexto.

Com um clímax extremamente diferente dos filmes de princesas que vemos por aí, Frozen trata o público de maneira inteligente, sabendo que a polêmica do “amor verdadeiro” causaria um impacto positivo tanto nos adultos como nas crianças, que agora podem ter modelos de princesas mais reais (embora ainda fantásticas), que não precisam e não devem ter a aprovação masculina para serem quem são.

Ainda assim, embora seja uma obra de qualidade, é inevitável a comparação com outros longas da Disney, como é o caso de Enrolados – cujo design é tão similar ao de Frozen que parecem ser ambientados em um mesmo universo (e talvez sejam) – e que deixa menos ao desejar no quesito enredo. Enquanto Enrolados cria uma fábula, Frozen parte do meio da história, sem jamais explicar como Elsa conseguiu aqueles poderes e porque eles são tão incontroláveis. Se a falta de amor fosse a explicação, Elsa não teria esse problema quando criança, já que sua irmã Anna e seus pais estavam sempre presentes.

Outro problema é a criação do boneco de neve Olaf, que serve de alívio cômico e deveria, também, servir como elo entre as duas irmãs – o que ocorre em uma única tentativa frustrada de convencer Elsa a abandonar o exílio. Confesso que gostaria de ter um pouco mais de ação de Olaf (e menos cantoria) que o simbolizasse como a juventude perdida das princesas.

Mesmo com alguns tropeços, Frozen se firma como um ótimo filme, trazendo ainda mais certeza à Disney de que apostar em seu sempre mutável público jovem – apostando na modernidade que este representa – é a escolha mais certa a se fazer. Agora só falta esperar por um filme de temática LGBT, o que não duvido que possa acontecer em breve.

Título Original: Frozen
Direção: Chris Buck e Jennifer Lee
Gênero: Animação, aventura, comédia
Ano de Lançamento (Estados Unidos): 2013
Roteiro: Jennifer Lee, Chris Buck e Shane Morris, baseado no conto de Hans Christian Andersen
Trilha sonora: Christopher Beck
Fotografia: Michael Giaimo
Tempo de duração: 102 minutos
Com: Kristen Bell (Anna), Idina Menzel (Elsa), Jonathan Groff (Kristoff), Josh Gad (Olaf), Santino Fontana (Hans), Alan Tudyk (Duque), Ciarán Hinds (trolls Vovô e Pabbie), Livvy Stubenrauch (Anna criança), Eva Bella (Elsa criança), Spencer Ganus (Elsa adolescente).

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Shrek Para Sempre

julho 15, 2010
Nunca mais? 

Novo filme sobre a mesma história, Shrek Para Sempre tem o mérito das gags inteligentes e de homenagear a menina dos olhos da Dream Works

NOTA: 8,5

Ainda me lembro com perfeição do frenesi em torno da Dream Works quando o estúdio lançou o primeiro filme de Shrek, em 2001. O ogro verde encarnava o anti-herói literário que, por mais egoísta que fosse, lutava por alguma coisa – a salvação de seu precioso pântano. Arrogante, Shrek não tinha amigos até conhecer por acaso o falante Burro. Juntos, eles se meteram na enrascada de salvar uma princesa que estava presa em um castelo guardado por um dragão.

Ninguém esperava, contudo, que a moça a ser salva era vítima de um feitiço e era também uma ogra, e muito menos que o dragão perigoso era uma fêmea solitária e carente. Esperávamos ainda menos um filme irônico, recheado de piadinhas explícitas sobre o mundo de contos-de-fadas e que tinha como protagonistas dois ogros nojentos e rudes. Pois foi assim que Shrek conquistou o público adulto: fazendo piadas com os sonhos infantis.

O filme que se seguiu era na mesma linha, e apresentava um personagem carismático: o tal Gato de Botas, que conquistou – esse sim – a todos com os grandes olhos pidões. O velho ditado já dizia que “um é pouco, dois é bom e três é demais”. O terceiro filme já soava como um capítulo a mais da história que não tinha necessidade de ser contado. Já sabíamos da vida do ogro tudo que precisávamos.

Após uma franquia relativamente bem-sucedida, o público de Shrek migrou de adultos para crianças (não intencionalmente, creio) e precisava de um desfecho. Sim, eu sei que Shrek Para Sempre não é o último e definitivo filme da série, mas foi assim que me pareceu. Com tom melancólico e saudosista do começo ao fim, o longa começa retratando a vida feliz de um quase ex-ogro – já que Shrek saiu do status de ser temido para o de celebridade. No pântano em que vive com Fiona e seus três filhotes, ele aparentemente leva uma vida feliz.

Mas, como todo ser humano macho (ok, ele é um ogro, mas a regra se aplica), Shrek começa a ver sua tão amada solidão escorrendo pelo ralo quando tem que se dedicar 100% à vida de casado e aos filhos. Enquanto isso, o trambiqueiro Rumpelstiltiskin (ou só Rumpel, ou só Stilskin) vive de fazer acordos que sejam benéficos para ele e muito desvantajosos para os outros. Foi de responsabilidade dele, inclusive, prender Fiona no castelo. O que Rumpel não contava era que Shrek iria aparecer para salvá-la.

Neste imbróglio e desejando escapar do mundo rotineiro o mais rápido possível, Shrek faz um acordo com Rumpel, que lhe dá a chance de ter um dia só para ele, em troca de um dia qualquer de sua vida. Rumpel, muito espertinho, escolhe o dia do nascimento do herói.

Chega a ser irritante como o filme pode ser previsível. É claro que o acordo não dá certo e Shrek se encontra em uma posição muito difícil: ele é jogado para uma vida paralela na qual nunca conheceu o Burro ou salvou Fiona. Sozinho no mundo, ele só percebe o erro clássico do “perder para valorizar” quando vê que terá que reconquistar todos os seus amigos e o amor de sua vida.

Muito mais realista graficamente do que os anteriores – reparem na textura das peles e dos tecidos -, Shrek Para Sempre usa da mesmíssima fórmula que consagrou os dois primeiros longas: piadas pontuais que não foram feitas para crianças entenderem (como a do Rei Midas ou o acampamento das bruxas como se fossem ciganas), personagens carismáticos (ainda que os mesmos) e roteiro bem construído – ainda que previsível, repito. E é exatamente por isso que o filme funciona.

A história é praticamente a mesma, só que dentro de outra história. Shrek deve convencer o Burro e o Gato de que é o amor da vida de Fiona para quebrar o feitiço de Rumpel e tudo voltar ao normal. Mesmo assim, houve um novo “up” para a franquia. Algumas cenas memoráveis, como o encanto do Flautista de Hamelin, a relação do Burro e do Gato em um momento bem específico, e as referências do Gato (um enorme gato, aliás) a flamenco, são absolutamente geniais. Ou ainda Rumpel, que em determinado momento coloca uma peruca vermelha que remete aos duende-trolls (quem não lembra o nome, certamente lembra do boneco).

Shrek Para Sempre é um filme mediano que fala basicamente das mesmas coisas de uma outra maneira, mas é também uma bonita homenagem à série e ao consagrado personagem. O revival funciona. Sentimos uma imensa nostalgia ao relembrar que fizemos parte da “revolução animada” e o filme marca por ser um mais do mesmo daqueles gostosos de se ver. Para rir do começo ao fim.

Se o próximo longa da franquia vai ser bom ou não, é melhor não esperar. O que importa é que Shrek reconquistou seu público, e provou que o verdão tem profundidade para ser bom e mau, para divertir ou entediar. E isso que faz dele tão…humano.

Tìtulo Original: Shrek Forever After
Direção: Mike Mitchell
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2010
Roteiro: Josh Klausner e Darren Lemke
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Yong Duk Jhun
Tempo de Duração: 93 minutos
Com: Mike Meyers (Shrek), Cameron Diaz (Fiona), Eddie Murphy (Burro), Antonio Banderas (Gato de Botas), Walt Dhorm (Rumpelstiltiskin), Julie Andrews (Rainha Lilian), John Cleese (Rei Harold), Jon Hamm (Brogan), Craig Robinson (Cookie), Larry King (Doris), Aron Warner (Lobo Mau), Mike Mitchelle (Butter Pants) e Conrad Vernon (Gingy).

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Wall•E

março 3, 2010
Outter Space

Uma das mais belas produções da Disney Pixar, Wall•E é realista e sutil, porém subestimado

NOTA: 10

Protelei muito. Depois dos maravilhosos antecessores Procurando Nemo, Carros e Ratatouille, duvidei que os estúdios Pixar tinham algo mais a oferecer. Isso frequentemente acontece, e ainda bem que podemos nos redimir e mudar de opinião. Pois se Wall•E não é o longa mais famoso, deveria ganhar muito mais créditos do que ganhou na época de seu lançamento.

Recordo-me de ouvir diversas críticas negativas a respeito da história, de que era tudo muito parado, com poucas falas. Claro, para a revolução tecnológica que vivemos de três em três meses (quando não menos), um filme de animação feito para o grande público que seja poético, sutil e recheado com onomatopéias realmente não parece muito atraente.

Não se deixe enganar, caro leitor. Wall•E é uma das produções mais belas do Walt Disney digital, com roteiro comparável ao do também subestimado Corcunda de Notre Dame – que falam de coisas que as pessoas geralmente não gostam de falar, como as próprias responsabilidades com o mundo, sejam elas ecológicas ou sociais (para quem não se lembra, o antigo desenho de 1996 trata do preconceito e aceitação de um deficiente físico).

A história gira em torno do robozinho que dá nome ao filme, de olhos tristes e cativantes, habitante de uma Terra abandonada no ano 2700 para cumprir sua missão: compactar e organizar todo o lixo criado pelos homens, que agora inunda o planeta – o que se mostra uma função absolutamente inútil.

Apesar de ter olhinhos caídos, Wall•E é um lobo solitário, que tem por companhia a si mesmo, uma infindável coleção de objetos humanos (o que me lembrou de imediato a coleção de Ariel, de A Pequena Sereia, um clássico 2D) e uma simpática baratinha (sim, é possível), com os quais aparentemente se dá muito bem. Uma cena encantadora, inclusive, é a emoção que Wall•E sente ao assistir a uma cópia em VHS de Alô, Dolly (1969), parte de sua “biblioteca pessoal’.

A primeira meia hora do longa limita-se a contar o dia-a-dia do robô, em planos sem diálogo, mas com cores quentes que lembram a ferrugem e poeira que se encontra nosso planeta. A trilha sonora ajuda a compor o momento melancólico, com músicas como “La Vie en Rose” (com Louis Armstrong) e o tema de 2001: Uma Odisséia no Espaço. É neste contexto que um novo robô chega a Terra, para buscar um possível “tesouro”. Uma robô, para ser mais exata: EVA.

A mágica de Wall•E está no encontro dos dois robozinhos, que deixam de lado suas funções básicas (obedecer aos criadores) para buscar e encontrar a própria individualidade. A beleza de ver dois seres “inanimados”, duas máquinas, ganharem vida e se permitirem sentir emoções humanas é o ponto crucial da animação. A antropomorfização da Pixar nunca foi tão bem sucedida quanto no olhar choroso de Wall•E – que remete diretamente ao sucesso que os olhinhos do Gato de Botas de Shrek 2 fizeram, mas sem o apelo cômico do filme da Dream Works.

Além de ser plasticamente belíssimo, o novo filme de Andrew Stanton é realista em muitos sentidos. Desde colocar os humanos como seres obesos e egoístas, que não conseguem perceber uns aos outros por não desgrudarem de suas televisões particulares, até o emprego da câmera como se fosse manipulada manualmente (em uma cena, o “cameraman” tem que ajustar rapidamente o foco após ser atingido por carrinhos de supermercado).

Como toda obra de arte, o filme sutilmente faz referências às suas inspirações. Além do que já foi citado anteriormente, o robô AUTO, da nave humana Axioma, lembra de imediato o terrível manipulador HAL 9000 do clássico de Stanley Kubrick.

A alma que Stanton empregou tanto em Wall•E como em EVA demonstra a beleza das relações de duas “pessoas” que podem não se gostar a primeira vista, mas são conquistadas pela doçura e gentileza uma da outra. Além disso, as vozes criadas por Ben Burtt (o gênio por trás de Star Wars) são totalmente verossímeis, conferindo aos personagens ainda mais personalidade (com outras palavras, são fofos!).

Apesar da Pixar investir em filmes infantis, Wall•E acabou se tornando um filme mais adulto, que lida com preconceitos, diferenças, aceitações – nem sempre bem-sucedidas. Isso é só mais um mérito do estúdio da Disney, e uma ousadia mais do que acertada do diretor.

Título Original: Wall•E
Direção: Andrew Stanton
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Roteiro: Andrew Stanton
Trilha Sonora: Thomas Newman
Direção de Arte: Ralph Eggleston
Tempo de Duração: 97 minutos
Com: Ben Burtt (Wall•E/M-O), Elissa Knight (EVA), Jeff Garlin (Capitão), Fred Willlard (Shelby Forthright), John Razenberger (John), Kathy Najimy (Mary) e Sigourney Waever (AUTO)

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A Bela Adormecida

janeiro 20, 2010
Era uma vez…

Animação da Disney ganha edição especial de 50º aniversário com remasterização de som e imagem, transformando o clássico em ainda mais clássico 


NOTA:
9,5

Ainda não tive tempo suficiente para comentar todos os relançamentos da Disney – só o fiz com a remasterização em Blu-ray de A Branca de Neve e os Sete Anões. Mas, como todo clássico merece segundas, terceiras e quartas análises, é bom relembrar os primeiros e famosos sucessos da fabriqueta do Dr. Walt.

Feito em 1959, esta foi uma das primeiras animações do estúdio, oito anos após o sucesso de Cinderela (de 1951). Esta história foi baseada no conto-de-fadas escrito pelo francês Charles Perrault em 1697 – que, por sua vez, baseou sua história no conto de 1624 Sole, Luna e Talia extraído do livro Pentamerone, de Giambattista Basile.

O filme é um conto sobre um reino na França que vive sob as cercanias do castelo da bruxa Malévola. Com o nascimento da princesa herdeira, as três fadas Flora, Fauna e Primavera são convidadas para agraciar a menina com dons que a façam a mais bela e graciosa princesa de todos os tempos.

Ofendida e enciumada, Malévola aparece no batismo de Aurora para dar também suas graças à princesa. Os reis temeram que o pior pudesse acontecer vindo de tão terrível bruxa, e ela de fato não deixa por menos: impõe à pequena uma maldição que deveria tirar-lhe a vida em seu 16º aniversário, quando furaria o dedo em uma roca. Primavera, que ainda não havia dado seu dom, tenta o máximo reverter a maldição, dizendo que, ao invés de morrer, a princesa dormiria por 100 anos, e seria despertada com um beijo de verdadeiro amor.

Os reis, tementes de que a profecia se tornasse realidade, mandaram queimar todas as rocas do reino. As fadas, contudo, estavam preocupadas com o ambiente em que a menina iria crescer. Com o consentimento dos pais, elas levam Aurora para ser criada como sobrinha de três camponesas, sob o nome de Rosa.

O conto é uma história de amor clássica, na qual o príncipe deve acordar a princesa adormecida com um beijo do amor verdadeiro – ao estilo de Branca de Neve. Porém, com mais ação e suspense que a primeira animação da Disney, A Bela Adormecida é bonito, emocionante e muito bem feito.

Além de ter uma belíssima e bem trabalhada fotografia, a trilha sonora foi totalmente composta a partir de canções adaptadas do balê Sleeping Beauty, de Tchaikovsky. Por isso, o longa concorreu ao Oscar como “Melhor Ttrilha Sonora de Filme Musical”, além de uma indicação ao Grammy na categoria “Melhor Álbum de Trilha Sonora Original para Cinema/Televisão”.

Com uma produção caríssima (a mais cara desde Pinóquio, de 1940), A Bela Adormecida foi o primeiro longa-metragem animado a ser filmado em bitola 70 mm e a usar largamente os recursos do widescreen.


Titulo Original:
The Sleeping Beauty
Direção: Clyde Geronimi
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 1959
Roteiro: Charles Perrault, Erdman Penner, Joe Rinaldi,Winston Hibler, Bill Peet, Ted Sears, Ralph Wright, Milt Banta
Trilha Sonora: Piotr Ilitch Tchaikovsky
Tempo de Duração: 75 minutos
Com: Maria Alice Barreto (Princesa Aurora/Rosa diálogos), Norma Maria (Princesa Aurora/Rosa canções), Maurício Sherman (Príncipe Filipe diálogos), Osny Silva (Príncipe Filipe canções), Heloísa Helena (Malévola), Nancy Wanderley (Flora), Joyce de Oliveira (Primavera), Nádia Maria (Fauna), Hamilton Ferreira (Rei Humberto), Roberto de Cleto (Rei Estevão) e Selma Lopes (rainha, mãe de Aurora).

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Up – Altas Aventuras

dezembro 16, 2009

Nas alturas…

Cotado como um dos melhores filmes do ano, Up – Altas Aventuras retrata, de maneira belíssima e singela, a reviravolta na vida de um velhinho

NOTA: 9,5

Cotado como um dos melhores filmes de 2009, indicado ao prêmio de Melhor Animação ao Globo de Ouro – e, portanto, um dos favoritos ao Oscar do ano que vem – a nova animação da Pixar realmente deu o que falar.

E não foi por pouca coisa: com 10 minutos iniciais de emocionar até o mais durão dos machões, a história da vida de Carl Fredericksen desliza diante de nossos olhos despreparados – e, ao final, embotados – com beleza e delicadeza impressionantes. A falta proposital de diálogos torna ainda tudo mais poético – e nos deixamos embalar com a deliciosa trilha sonora, que dá o tom exato à narrativa.

Não fossem estes 10 minutos, aliás, o longa seria bem diferente. Pois a história de Carl e do pequeno Russel começa justamente no ponto em que já conhecemos os motivos do velhinho ser considerado rabugento e ranzinza [uma das mais magníficas cenas, inclusive, é aquela na qual ele desce as escadas por meio de uma cadeirinha elétrica instalada no corrimão, ao som da inconfundível e maravilhosa ópera Carmen, de George Bizet].

Ex-vendedor de balões aposentado – e, com a morte da esposa Ellie, viúvo – Carl, aos 78 anos, está à beira de ser despejado da casa que construiu com a amada para viver em um asilo – por um motivo cômico e triste, ao mesmo tempo. Desesperado com a tentativa pública de ter que se desfazer de sua tão querida morada – na qual todos os objetos de Ellie permanecem na mesmíssima posição desde sua morte -, ele bola o plano perfeito.

Um belo dia, pouco antes de ser “levado” pelos enfermeiros do asilo, Carl recebe a visita de Russel, o enérgico escoteiro de 8 anos que tenta de todas as formas vender suas coisinhas ao antipático senhor. O que ninguém esperava, contudo, é que Carl fosse de fato ser levado nuvens acima: amarrado em milhares de balões de gás coloridos, ele desaparece da cidade.

Seu desejo é realizar o antigo sonho de Ellie de conhecer a América do Sul e viver perto de uma grande e bela cachoeira, imaginada por anos a fio como a paisagem idílica do paraíso. O que o Sr. Fredericksen não esperava era a companhia de Russel, inoportuno – e assustadíssimo – que sem querer fica “preso” na casa voadora. O vovô, totalmente contra sua vontade, é obrigado a aceitar o novo passageiro.

A viagem de Carl e Russel “termina” quando aterrissam em um lugar diferente, desabitado e aparentemente perigoso. Os balões já murchavam, outros estouravam, e a casa começava a perder estabilidade. Os dois aventureiros passam a encontrar muitas criaturas bizarras, como o belo pássaro pré-histórico, todo colorido, e o divertido cachorrinho falante, Dug.

Quando disse que não fossem os minutos iniciais Up poderia ser diferente, se refere ao fato de que, após analisar a tecnologia e o roteiro, constatamos que, juntos, ambos fazem a diferença – e que, consequentemente, sozinhos, talvez não fizessem! O roteiro do longa falha em algumas coisas, assim como a tecnologia não me impressionou tanto quanto em filmes mais antigos do estúdio, como Procurando Nemo.

A locação tão sonhada de Carl e Ellie é, em si, feia. Rochosa e arisca, muito diferente daquilo que imaginamos como um local perfeito e paradisíaco. Além disso, a própria relação entre Carl e Russel é um pouco forçada, uma vez que os personagens não tem tantas coisas em comum que pudessem cativar um ao outro, exceto por pequenos detalhes. Para arrematar, o vilão tem um final tão previsível quanto todos os outros filmes de bandido x mocinho da Disney – o que, por si só, desaponta um pouco.

Embora com algumas ressalvas, pode-se afirmar com segurança que Up é um dos melhores filmes da Pixar, concorrendo com outras estrelas como Monstros S. A. e Wall-E. Estes dois últimos, assim como a história de Carl Fredericksen, abordam histórias não-convencionais ao público infantil, e atraem pela originalidade da trama.

Se o primeiro lidava com a perda de uma pessoa querida pela maturidade, o segundo lida com o amor incondicional [coisa que as crianças, mesmo, só vão entender quando deixam de ser crianças], o terceiro trata da triste e solitária vida de um senhor que está cansado de tudo aquilo, principalmente por conta da morte de sua querida esposa – voltando ao tema da morte de familiares tratada com tanta destreza pelo clássico 2D O Rei Leão.

E é claro que as gags de Up são infalíveis. O cenário, apesar de ter desapontado um pouquinho, é deslumbrante, e a maneira como se construíram os detalhes digitais dos personagens é um espetáculo a parte. O melhor de tudo, mesmo, talvez seja a dublagem e sonoplastia que os diretores optaram por usar.

Primeiro, ver Chico Anysio como Carl é fascinante. A habilidade que este homem tem para conferir tanta emoção e humanidade ao personagem é de fato impressionante! A voz do doberman líder é, também, uma das melhores gags do longa, que fazem eco com o excelente A Era do Gelo 3.

Sinceramente, são estes os filmes que valem a pena: que levam das lágrimas ao riso em poucos minutos – e que, quando saímos do cinema, temos vontade de voltar para mais uma sessão.

Título Original: Up
Direção: Pete Docter
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 2009
Roteiro: Pete Docter, Bob Peterson e Thomas McCarthy
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Direção de Arte: Ralph Eggleston
Tempo de Duração: 96 minutos
Com: Edward Asner/Chico Anysio [Carl Fredericksen], Jordan Nagai/Eduardo Drummond [Russel], Christopher Plummer/Jomery Pozolli [Charles Muntz], Bob Petersen/Nizo Neto [Dug], Delroy Lindo/Reginaldo Primo [Beta], Jerome Ranft/Marco Ribeiro [Gamma], Bob Peterson/Duda Ribeiro [Alpha] e John Ratzenberger/Anderson Coutinho [Tom/mestre de obras].

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Branca de Neve e Os Sete Anões

setembro 16, 2009

Bonequinha de neve

Relançamento em Blu-ray de um dos maiores clássicos da Disney, A Branca de Neve e Os Sete Anões tem músicas e imagens melhoradas

NOTA: 9,5

Quando pequena, eu era viciada em todos os desenhos feitos pela Disney. Tinha a fita da maioria e assistia pelo menos uma vez por dia a algum deles. Havia alguns, entretanto, que não figuravam entre os meus favoritos e acabaram de fora dos top 5. Bambi, Branca de Neve e Os Sete Anões e A Dama e o Vagabundo eram algumas das (poucas) animações que eu simplesmente não conseguia passar da metade. O meu negócio, admito, era com princesas.

Sim, eu sei que Branca de Neve é uma princesinha que vive sob o jugo da malvada madrasta e rainha. Mas alguma coisa na história simplesmente não me cativava. Por conta do traço do desenho mais antigo, a história mais curta e menos “viva”, não me emocionava muito.

O tempo passa e muda nossas cabeças, felizmente. Com o relançamento do clássico remasterizado pela gigante, tive a oportunidade de relembrar, que digam o que digam, a Disney foi e continua sendo a maior patrocinadora de cérebros no gênero das animações (e se tornará ainda mais, com a recente compra da Marvel).

Primeiro longa-metragem animado do mundo, Branca de Neve e Os Sete Anões foi lançado em 1937 e levou três anos para ser concluído, além de ter ganhado um Oscar especial * o mais curioso, acompanhado de sete mini-estatuetas, em homenagem aos anões. A famigerada trilha sonora foi a primeira gravação feita para um filme, e também a primeira a ser usada para ajudar no andamento da história.

Acumulando muitos fatos curiosos nos seus arquivos, o desenho é uma recriação do conto-de-fadas homônimo dos irmãos alemães Grimm. Se em minha infância não fui muito ligada à estória, a remasterização com imagem e som renovados veio para me provar que clássicos são clássicos, e que Branca de Neve e Os Sete Anões será sempre um filme agradável de assistir, um não importa a época ou a idade.

Título Original: Snow White and the Seven Dwarfs
Direção: David Hand
Gênero: Animação
Ano de Lançamento (EUA): 1937
Roteiro: Dorothy Ann Blank, Richard Creedon, Merrill De Maris, Otto Englander, Earl Hurd, Dick Rickard, Ted Sears e Webb Smith, baseado em estória de Jacob Ludwig Carl Grimm e Wilhelm Carl Grimm
Trilha Sonora: Frank Churchill, Leigh Harline, Paul J. Smith e Larry Morey
Fotografia: Maxwell Morgan
Direção de Arte: Ken Anderson, Tom Codrick, Hugh Hennesy, John Hubley, Harold Miles, Kendall O’Connor, Charles Philippi, Hazel Sewell, Terrell Stapp, McLaren Stewart e Gustaf Tenngre
Tempo de Duração: 83 minutos
Com: Adriana Caselotti (Branca de Neve), Harry Stockwell (Príncipe), Lucille La Verne (Rainha Má), Moroni Olsen (Espelho mágico), Billy Gilbert (Atchim), Pinto Colvig (Soneca / Zangado), Otis Harlan (Feliz), Scotty Mattraw (Dengoso), Roy Atwell (Mestre), Stuart Buchanan (Caçador).