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A Forma da Água

março 2, 2018

NOTA: 6

Quando vi que o novo filme de Guillermo del Toro estava concorrendo a diversos prêmios do Oscar, pensei em duas alternativas: ou ele mudou seu estilo tão próprio para algo mais comerciável, ou ele fez um novo O Labirinto do Fauno – uma fábula maravilhosa sobre perda, vida e morte durante a Guerra Civil espanhola. Infelizmente, a primeira alternativa é a que mais se aproxima da realidade, embora ele certamente tenha buscado o mesmo tom de poesia de sua obra-prima.

A história gira em torno de Elisa Esposito, uma moça muda e solitária, que trabalha de faxineira em um laboratório do governo nos anos 60 e tem como melhores amigos seu vizinho gay, Giles, e Zelda, sua colega de trabalho. E, ainda que seja muda, Elisa não parece perder as boas coisas da vida. Além de ter como hábito diário fazer ovos cozidos de lanche, ela se masturba todos os dias – o que é mostrado em cena numa tentativa de quebra de tabu – e frequentemente visita Giles em seu apartamento. Os dois dividem a paixão por musicais e até tem um número adorável no qual sapateiam juntos no sofá. A única coisa que lhe falta é o amor.

Utilizando o contexto da Guerra Fria, a vida de todos muda quando os cientistas trazem uma criatura-peixe misteriosa, uma espécie de deus reverenciado na Amazônia latina. Elisa, imediatamente fascinada, estabelece um contato amistoso, primeiro oferecendo comida e, depois, colocando músicas e dançando para “ele”. Assim, com estilo que me lembrou Peixe Grande, o longa tem tom fabulesco desde o início, ajudado em grande parte pema fotografia de Dan Laustsen e pela bela trilha de Alexandre Desplat. A “princesa muda” aparece logo na primeira sequência dormindo na sua própria sala de estar, mas debaixo d’água, já dando indícios do que vai acontecer.

Obviamente nem tudo são flores, pois obviamente há um novo chefe de segurança que obviamente não se dá bem com a criatura e a maltrata sem motivo aparente (vivido por Michael Shannon, obviamente). Percebem? É um roteiro que já vimos mil vezes e, a partir do momento no qual Elisa decide ajudar a criatura, sabemos de praticamente tudo que vai acontecer a seguir. É uma mistura bizarra entre Pocahontas e Ela, na qual Elisa se apaixona por uma “pessoa” tão diferente e precisa salvá-la de seus pares malvados.

Uma das coisas que mais me incomodou em A Forma da Água (como podem ter percebido) foi a obviedade no geral, a começar por Strickland, vivido por Michael Shannon como todos os vilões que este já fez. Sua ambição é vaga – ele é um veterano que trabalha para o governo – e sua maldade injustificável ou incompreensível. A princípio, pensei que poderia ser por ciúmes, mas ao longo de toda a projeção, ele se comporta de maneira igual, antes ou depois de se interessar por Elisa.

Além do que, há demasiadas cenas envolvendo sua família e momentos mais íntimos de sua vida particular como se isso fosse indicar alguma mudança de caráter, e não indica. O personagem de Michael Stuhlbarg, que parece estar ali só para contextualizar a trama política que está por trás, também tem uma trajetória bastante óbvia, por todos os sinais que vai dando ao longo do filme. Aqui ele não se sai tão bem como o pai de Elio em Me Chame Pelo Seu Nome.

Mas o filme não é só obviedades. A direção é muito boa, e há cenas interessantes, como a da transição de sonho para musical ou a realização do sonho de toda criança: transformar o banheiro em uma piscina gigante. A fotografia também é muito boa, bem como a trilha, e as atrizes se saem maravilhosamente bem. Octavia Spencer protagoniza alguns dos melhores momentos do filme. Sua personagem, cheia de sarcasmo, é o oposto daquele vivido no bom Estrelas Além do Tempo, já que no último ela é uma mulher que se impõe e neste ela é apenas uma faxineira assustada. E é muito curioso reparar como as cenas nas quais ela aparece limpando foguetes ou a sala de controles fazem uma rima com o longa de Theodore Melfi. O diretor de elenco, Robin Cook, está de parabéns pela escolha.

Já Sally Hawkins encarna Elisa com doçura e confiança, embora a falta de complexidade da personagem impede que se sinta aquilo que ela sente: o amor passional, incondicional. No entanto, preciso ressaltar que o filme é passado na década de 60, e as pessoas com as condições de Elisa eram frequentemente marginalizadas. De qualquer maneira, mesmo sabendo disso, o personagem não parece nada infeliz. Sua incompletude me foi estranha e sua curiosidade tão intensa pela criatura me soou forçada – embora eu entenda que ela estava em busca de um amor simples e verdadeiro. Não julgo as formas de amor como elas se expressam, seja por homens-peixe ou por robôs. Só não consegui me conectar no mesmo nível quem em Ela, por exemplo.

Acontece que A Forma da Água, por mais poético que seja, jamais chega a alcançar o nível de carisma necessário para que nos apaixonemos pela criatura como Elisa o faz. É um ser humanóide, com alguma inteligência (já que consegue reproduzir a língua de sinais que a moça lhe ensina) e zero aparência. É um peixe. Não há como tirar dali qualquer reação amorosa. Quase não dá para tirar nada, já que o ser nem sequer transparece emoções e faz barulhos bizarros de monstro marinho. Aliás, a criatura se parece muito com uma coisa específica: o personagem Abe de Hellboy, um dos primeiros filmes do cineasta mexicano O ator é o mesmo Doug Jones de sempre, e a semelhança física entre este e aquele é patente.

Resumindo, A Forma da Água é um filme gostoso e visualmente bonito, mas que tirou o lugar de filmes melhores na competição por sua ambição de retratar um amor inusual mas que, para mim, peca por falta de carisma e paixão.

Título Original: The Shape of Water
Direção: Guillermo del Toro
Gênero: Aventura, drama, fantasia
Ano de Lançamento (EUA): 2017
Roteiro: Guillermo del Toro e Vanessa Taylor
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Fotografia: Dan Laustsen
Tempo de Duração: 2h03
Com: Sally Hawkins (Elisa Esposito), Michael Shannon (Richard Strickland), Richard Jenkins (Giles), Octavia Spencer (Zelda Fuller), Michael Stuhlbarg (Dr. Robert Hoffstetler), Doug Jones (homem-peixe), Nick Searcy (general Hoyt).

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Hellboy 2 – O Exército Dourado

maio 26, 2010
A outra face do demônio 

Roteiro mais consistente e a criatividade aflorada, Guillermo del Toro finalmente eleva a história do demônio ao patamar das excelentes adaptações dos quadrinhos ao cinema

NOTA: 8

Dando continuidade ao post anterior e à adaptação dos quadrinhos de Mike Mignola para a telona, Guillermo del Toro apresentou em Hellboy 2 – O Exército Dourado uma perspectiva nova dos personagens e, ainda assim, seguindo a mesma linha narrativa do primeiro longa. Usando das mesmas técnicas realísticas de maquiagem, sonoplastia, a bela trilha sonora do gênio Danny Elfman e efeitos visuais para criar o fantástico (em todos os sentidos) visual do demônio do bem, o cineasta criou ainda mais veracidade ao mundo o qual já conhecíamos.

Somos introduzidos a uma nova dinâmica entre o recém-formado casal Hellboy e Liz que agora, além de morar juntos, são os únicos capazes de controlar os gênios um do outro – se antes a chama azul de Liz demonstrava imaturidade, a escolha por colocar uma cor de fogo amarelo indica maior controle tanto em seu relacionamento com Red como também mostra que ela agora é capaz de controlar seus poderes.

Extremamente ligado à fantasia, del Toro prossegue com a história de que Hellboy é o protetor da raça humana contra criaturas e monstros do “submundo”. Ao lado do fiel parceiro Abe e do curioso novo líder Johann Krauss – que criativamente bem bolado surge com uma roupa antiga de mergulho (criada pelo professor Trevor Broom) para proteger seu espectro volátil -, a trupe do Ministério de Bizarrices se vê cara a cara com um novo e mais sádico vilão, o príncipe Nuada de Bethmoora – história contada a Hellboy quando ele era criança.

Eles devem impedir que o príncipe se apodere dos fragmentos de uma antiga coroa de ouro que, se colecionados, darão vida ao terrível e indestrutível exército dourado – o ferreiro que deu vida ao exército calculou 70 vezes para cada 70 soldados, e quando um morre, outro renasce (lembrando bastante os cães Sammael do primeiro filme).

A bela voz do príncipe e suas incríveis habilidades de luta se contrastam quando sabemos de sua triste trajetória, e ainda mais pela tentativa de roubar da irmã gêmea, a princesa Nuala, um dos fragmentos da coroa. Como dois lados de uma moeda, os príncipes são como um, mas com características opostas – enquanto Nuada é um personagem sinistro que deseja dominar o mundo, Nuala é delicada e sensível, e procura demover o irmão de sua investida.

A mitologia de Hellboy 2 – se assim pode ser chamada – é totalmente coerente com o visual que del Toro criou. A produção está ainda mais impecável, e é possível observar que desta vez o cineasta não poupou criatividade na hora de desenhar novos personagens – como o impressionante Anjo da Morte (também interpretado por Doug Jones), a incrível fadinha do dente, o troll ou ainda o gigante de pedra. Uma das cenas mais divertidas, inclusive, é a que se passa no mercado troll, no qual podemos identificar figuras tão bizarras quanto as de Star Wars – como uma espécie de Wookie e um Jabba.

A natureza estranha do filme, contudo, não soa absurda ao espectador, já que a maneira como del Toro introduziu os elementos soa fluida e consistente. Com profundidade, o príncipe Nuada expõe a Hellboy uma situação semelhante à vivida por Batman e Coringa em O Cavaleiro das Trevas – um louco combatendo o outro, qual dos dois é o verdadeiro justiceiro? Além disso, as próprias naturezas em conflito de Red e do Dr. Krauss são sempre motivos para infindáveis gags e momentos extremamente divertidos. Mais irônico do que nunca – e, se possível, ainda mais realístico –, Red aflora sua personalidade bruta e sensível ao mesmo tempo, quando demonstra ciúmes de Krauss ou quando se embriaga com Abe e desafoga seus amores por Liz.

Mágico, grotesco e grandioso, agregando tudo que um filme de fantasia pode apresentar, Hellboy 2 tem emoção, história, humor, suspensa, ação. Certamente um prato cheio para quem é fã dos quadrinhos do menino-diabo e também para quem (como eu) nunca leu as histórias e ficou confuso com o final do primeiro filme. Porque sim, do mesmo modo que o Batman de Christopher Nolan teve uma continuação ainda mais brilhante do que o original, este Hellboy 2 também se superou em todos os aspectos. Ponto para Guillermo del Toro, e que venha o tão aguardado O Hobbit!

Tìtulo Original: Hellboy 2 – The Golden Army
Direção: Guillermo del Toro
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Roteiro: Guillermo del Toro, baseado em estória de Mike Mignola e Guillermo del Toro e nos personagens criados por Mike Mignola
Trilha Sonora: Danny Elfman
Fotografia: Guillermo Navarro
Tempo de Duração: 120 minutos
Com: Ron Perlman (Hellboy), Doug Jones (Abe Sapien/Chamberlain/Anjo da Morte), David Hyde Pierce (Abraham Sapien voz), Selma Blair (Liz Sherman), John Hurt (Trevor Bruttenholm), Rupert Evans (John Myers), Jeffrey Tambor (Tom Manning), James Dodd e John Alexander (Johann Krauss), Seth MacFarlane (Johann Krauss voz), Luke Gross (Príncipe Nuada), Anna Walton (Princesa Nuala), Brian Steele (Sr. Wink/ Cronie Troll/Fragglewump), Andrew Hefler (agente Flint), Iván Kamarás (agente Steel), Mike Kelly (agente Marble), Roy Dotrice (Rei Balor), Montsé Ribé (Hellboy jovem), Colin Ford (Hellboy jovem voz).

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Hellboy

maio 19, 2010
Uma face do demônio

Apesar de ser uma interessante e divertida construção do personagem de Mike Mignola, Hellboy tem sérios problemas de roteiro

NOTA: 7

O que faz de um homem, um homem? Suas origens? Suas conquistas? Este é o mote que inicia o primeiro filme de Guillermo del Toro sobre personagens em quadrinho – como anda tão na moda ultimamente. No início, acompanhamos uma breve introdução do tema de Hellboy (história originalmente criada por Mike Mignola e publicada pela Dark Horse em 1998), com narração do próprio professor Trevor Bruttenholm em 1944, então com 28 anos e já um paranormal a serviço do governo de Franklin Roosevelt.

À época, os nazistas buscavam um meio de unir ciência e magia negra para ter vantagens na 2ª Guerra. A intenção era libertar os sete deuses do caos, presos em uma dimensão paralela, para dominar o mundo. Diz o letreiro inicial que estes deuses iriam, com ajuda, sair da prisão de cristal que os prende, conquistar a terra e incendiar os céus.

Mas por que é necessário saber disso? Porque, primeiro: a história do filme Hellboy, se contada para quem nunca leu os quadrinhos (o que é o meu caso), é uma confusão. Segundo: estes eventos explicam como o diabo – ainda criança – foi propositalmente libertado da outra dimensão e caiu na nossa. O mais curioso é que o responsável por essa ação é ninguém menos do que o místico russo Grigori Rasputin – aqui demonizado, estritamente ligado à magia negra em questão, que usa até mesmo a palavra “ragnarók” para indicar o fim do mundo. O cineasta fez que com a vida de Rasputin fosse estendida (ou que ele ressuscitasse), e o transformou…bem, no vilão, o que mais esperavam?

Passada a ação inicial, vamos direto à história do pequeno diabo encontrado neste dia pelo professor, que denomina corretamente a relação de “um pai desesperado para um filho indesejado”. Criado em um ambiente propício – o curioso Departamento Paranormal de Defesa -, Hellboy não envelhece como os homens. Cronologicamente desde seu achado ele tem 60 anos, mas sua mentalidade e físico indicam que ele está na faixa dos 20.

Escondendo mistérios intrigantes – como todos os fatos envolvendo a queda de Hitler -, o departamento do professor Bruttenholm é uma espécie de quartel-general. Lá cria-se especialistas em caçar monstros e outras criaturas não pertecentes ao nosso mundo, chefiados, é claro, por Hellboy – carinhosamente chamado de Red. Para tentar amenizar o terrível gênio do demônio, o pai da criatura contrata o incrédulo agente John Myers – que, em uma cena brilhante, observa os quadrinhos da Dark Horse e o próprio Hellboy ao mesmo tempo, indicando que por trás da história toda há um fundo de verdade.

Usando métodos completamente convincentes (e fantásticos) de maquiagem e efeitos visuais para criar o aspecto dos personagens do DPD, é muito interessante observar as bizarras características do gentil Abraham Sapiens (homenagens nada sutis à raça humana e a Abraham Lincoln), ou do próprio Hellboy. Seu corpo vermelho e musculoso, os chifres lixados (para tentar amenizar a horrenda aparência), a cauda e, principalmente, a roupa surrada como de muitos e longos anos em missões corpo-a-corpo, por mais absurdos que pareçam, são convincentes. Também é preciso ressaltar as belíssimas construções de Sammael, o cão do inferno, todas as vezes que ele renasce.

Com imagens sombrias envolvendo a religião (indicando o ateísmo ou ceticismo de del Toro?) e figuras ao mesmo tempo interessantes e repulsivas – como Kroenen, o melhor e mais assustador assassino de Hitler -, o diretor consegue transpor o mundo absurdo de Mignola para a tela com grande eficácia. Alguns problemas de roteiro, contudo, tornam o filme somente mais um do gênero – que agora figura com nomes de muito mais peso como Homem de Ferro, Batman e a trilogia X-Men.

O que realmente importa de Hellboy não é exatamente a história contada – uma vez que ela é quase simplória -, mas os personagens envolvidos, que apresentam os maiores graus de profundidade dramática e também as maiores decepções. No topo da primeira lista com certeza estão Hellboy e Liz, os improváveis e futuros amantes separados pela feiúra do demônio (para ele) e pela incontrolável pirocinese da moça (para ela). Lidamos com as duas personalidades conflitantes, o humor ácido e bem pontuado de Red, e a singela atuação de Selma Blair – mais linda do que nunca.

A excelente trilha sonora de Marco Beltrami e a também perfeita sonoplastia pontuam as frases politicamente incorretas do herói com brilhantismo, e realmente vibramos com cada piadinha que ele faz ao se deparar com o perigo (em um diálogo, Abe diz “em 5 segundos, Sammael depositou 3 ovos em seu braço”, ao que ele responde ironicamente “e nem me pagou uma bebida”). Ou ainda, a hilária “participação” de Ivan Climatovich, evidenciando que são estes momentos que fazem o filme.

Do outro lado estão Myers – personagem completamente dispensável, que aparentemente serviu somente para provar a Liz de que Red é seu grande amor – e, infelizmente, Rasputin. Sem emoção ou grande impacto, o vilão nunca chega a de fato nos assustar, seja com seu aspecto sombrio ou por suas intenções maléficas. Justamente por lidar com um ser indestrutível como Hellboy, Rasputin surge como um vilão fadado ao fracasso – o que não é exatamente o que esperamos de um embate maniqueísta.

O final chega a ser frustrante. Depois de tanta ação, o herói rapidamente se livra de um gigantesco monstro, justo a tempo de salvar Liz. Sabemos que ele é imortal, mas foi tudo muito depressa! O modo como Myers encerra o questionamento levantado pelo professor Bruttenholm no começo é piegas, previsível e até mesmo um pouco constrangedor. É uma quebra brusca de enredo e de ritmo, que leva o espectador a absorver as cenas finais e simplesmente ignorá-las, como se não fizessem parte do resto da trama.

Tìtulo Original: Hellboy
Direção: Guillermo del Toro
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Roteiro: Guillermo del Toro, baseado em estória de Guillermo del Toro e Peter Briggs e nos personagens criados por Mike Mignola
Trilha Sonora: Marco Beltrami
Tempo de Duração: 112 minutos
Com: Ron Perlman (Hellboy), Doug Jones (Abraham Sapien), David Hyde Pierce (Abraham Sapien voz), Selma Blair (Liz Sherman), John Hurt (Trevor Bruttenholm), Rupert Evans (John Myers), Corey Johnson (agente Clay), Karel Roden (Grigori Rasputin), Biddy Hodson (Ilsa) e Jeffrey Tambor (Tom Manning).