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Punho de Ferro

abril 24, 2017

NOTA: 3,5

Preparem-se para o textão.

Quem acompanha as séries produzidas pela parceria Marvel + Netflix, já sabe que qualidade é um sinônimo. As duas primeiras temporadas de Demolidor, e as primeiras temporadas tanto de Jessica Jones quanto de Luke Cage foram um tiro atrás da outra – e com isso quero dizer que galera tombava morta de tão maravilhadas que ficaram. Embora a última peque pela falta de ação – quando comparada com as outras duas – e fraco desenvolvimento do vilão, é inegável que esse é o trio-parada-dura da Marvel na telinha. Elas trouxeram não só o melhor de cada personagem (o que não significa que fossem só coisas boas), mas também ótimos designs de produção, trilhas sonoras grandiosas, fotografias excelentes e, mais importante do que isso, roteiros impecáveis. Juntas, essas séries redefiniram o conceito de superheróis na TV e remodelaram o futuro da Marvel.

Ao comparar, portanto, estes três pesos-pesados com a mais recente, Punho de Ferro, é com enorme pesar que exponho o tamanho do buraco que a Marvel cavou. Cheia de problemas estruturais, a série não consegue manter o nível das anteriores e, o que é pior, ameaça a boa engrenagem da série dos Defensores que está por vir.

Mas vamos começar do começo. Danny Rand é um menino bilionário cujos melhores amigos da infância são Joy e Ward Meachum. Seus pais são amigos e atenciosos com os filhos. Até que um acidente de avião deixa Danny órfão e sozinho no meio das montanhas do Tibet. Ele é resgatado por monges mestres de kung-fu e é treinado na arte durante 15 anos. Enquanto isso, Joy e Ward crescem para ver o pai, Harold, morrer de câncer precocemente e passar a empresa ao nome deles. Até que um dia Danny decide voltar a Nova York para… bem, não entendi direito para quê diabos ele queria voltar.

E é isso uma das coisas que faz Punho de Ferro ser tão ruim. Foram tantas mudanças de rumo que os produtores pareciam não fazer ideia do personagem com o qual estavam lidando. Sem propósito definido e sem personalidade que cative a audiência, o herói parece seguir o roteiro somente para encaixar as peças que faltam. Sua participação é tão insignificante que nem parece que é ele o personagem principal.

As primeiras coisas absurdas acontecem já no primeiro episódio, quando Danny, de volta a NY, não consegue convencer os irmãos Meachum de que ele não estava morto. A resolução só vem dali dois episódios – quando o mais óbvio teria sido, já no primeiro encontro, dizer as lembranças em comum entre os três e contar toda a verdade sobre o que havia acontecido com ele. Não. Os roteiristas forçaram um melodrama desnecessário.

Ainda nos primeiros episódios, vemos várias referências a uma águia sobrevoando a cidade, o que dá a entender que há alguma relação entre Danny e o animal. Esse detalhe é completamente abandonado dali até o último episódio, quando a águia retorna sem explicação nenhuma e com uma resolução frágil para um enigma que poderia ter sido muito melhor trabalhado.

Não bastassem os erros de construção de roteiro, nós não nos familiarizamos com Danny em nenhum nível. Tudo o que sabemos sobre ele são as cenas do acidente de avião (repetidas dezenas de vezes, sem acrescentar nada de novo, exceto em duas delas), seu suposto treinamento em K’un L’un e que ele voltou para NY como o Punho de Ferro. Fora isso, não vemos nada acontecer. Não vemos Danny treinar. Não o vemos crescer, sofrer, amadurecer. Não sabemos quem é o verdadeiro Danny Rand.

Por incrível que pareça, sabemos de tudo que passou no misterioso templo tibetano porque Danny nos conta. É, tipo “eu fiz isso, lutei assim, derrotei fulano e me tornei o Punho de Ferro”. Ah, jura? Mas o que é o Punho de Ferro? Qual o significado espiritual, emocional e físico de ser o inimigo jurado do Tentáculo? É só isso? Não teve nenhum conflito interno? Não conhecemos absolutamente nada que separa o passado distante do personagem com o presente.

E essa é uma das razões pela qual Danny é tão imaturo, agindo como aquela criança de dez anos que vimos sofrer o tal acidente de avião. Não há profundidade emocional. A maior profundidade a que ele chega é amar sua nova amiguinha, Colleen Wing – que ele stalkeia sem dó nem piedade e ganha a simpatia da moça na marra. Medo. Só porque ele é loirinho e bonitinho ela cedeu? Qualé!

Mal desenvolvido, mal aproveitado e mal treinado, o ator ainda confessou que aprendeu a maior parte das cenas de luta 15 minutos antes de cada gravação. Nota-se. Muito. É evidente sua falta de preparo. Ao invés de fazer como em Demolidor – personagem que usa uma máscara nas cenas mais importantes, e cujo dublê fica obviamente camuflado – Finn Jones faz ele mesmo as cenas, evidenciando sua debilidade como lutador e expondo a série ao ridículo, uma vez que as lutas tiveram de ser suavizadas para que ele pudesse executá-las. Com exceção de dois ou três momentos, todas as sequências com Danny são sofríveis.

Até mesmo seus colegas de cena parecem manejar melhor as armas do que ele. Como, então, o argumento da série de que ele é o melhor lutador de kung-fu do universo Marvel se sustenta? Não, evidente que não. Comparada com a ação de suas primas-irmãs, Punho de Ferro parece brincadeira de criança. Embora tenha personagens que, dado o devido desenvolvimento, poderiam ter sido interessantes (a próprio Colleen, Davos e Bakuto, para mencionar os mais próximos do herói), temos um único arco que realmente funciona (o dos irmãos Meachum) e três personagens dignos de nota: Hardol, Ward e Claire Temple – dessa vez ela não só salvou o herói várias vezes como talvez a série também. O resto é completamente desperdiçado.

Eu nem quero começar a falar em como eles destruíram a imagem que tínhamos da implacável Madame Gao e sua influência em NY. Quem se lembra de que até mesmo Wilson Fisk tinha receio de Gao? Bem, aqui ela aparece no início como uma ameaça, e até mesmo com poderes sobrenaturais (que obviamente não são explicados e depois são abandonados) e, posteriormente, é utilizada como “aquela que explica para os espectadores o que está acontecendo”. Porque precisa ter alguém assim, né? Em uma série boa, pergunta se tem quem explique o que está acontecendo *rolling eyes emoticon*. Pior do que isso. Ela passa de inimiga a senhorinha fofa e indefesa. Ao invés de temer Gao, começamos a simpatizar com ela! É um rolling eyes infinito, sério.

Punho de Ferro foi escrito às pressas, sem revisão e sem critérios, com o objetivo único de fazer referências aos outros heróis e linkar as cinco séries. Os personagens são débeis, faltos de profundidade e perde-se demasiado tempo em diálogos expositivos e sem sentido. A trilha sonora é muitas vezes incompatível com o que está acontecendo e o CGI é evidente (o que tira ainda mais a magia das cenas). A melhor cena de ação, acreditem ou não, é aquela vista em um VHS antigo, de um antigo Punho de Ferro que guardava as portas de K’un L’un e protegia a cidade da invasão do Tentáculo. Seja lá o que isso queira realmente dizer.

Título Original: Iron Fist
Direção: John Dahl, Farren Blackburn, Uta Briesewitz, Deborah Chow, Andy Goddard, Peter Hoar, RZA, Miguel Sapochnik, Tom Shankland, Stephen Surjik, Kevin Tancharoen e Jet Wilkinson
Gênero: Ação, aventura, crime
Ano de Lançamento (EUA): 2017
Roteiro: Scott Buck, Gil Kane, Roy Thomas, Dwain Worrell, Tamara Becher, Pat Charles, Quinton Peeples, Scott Reynolds, Ian Stokes e Cristine Chambers
Trilha Sonora: Trevor Morris
Fotografia: Manuel Billeter e Christopher LaVasseur
Tempo de Duração: 13 episódios de 55 min cada
Com: Finn Jones (Danny Rand), Jessica Henwick (Colleen Wing), Jessica Stroup (Joy Meachum), Tom Pelphrey (Ward Meachum), David Wenham (Harold Meachum), Wai Ching Ho (Madame Gao), Rosario Dawson (Claire Temple), Ramón Rodríguez (Bakuto), Sacha Dhawan (Davos), Toby Nichols (jovem Danny Rand), Carrie-Anne Moss (Jeri Hogarth).

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X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

fevereiro 22, 2016

x_men__days_of_future_past___poster__update__by_superdude001-d6sbixcNOTA: 10

Revisitando o mundo criado por Matthew Vaughn em X-Men: Primeira Classe – e que já havia sido explorado na trilogia sobre os mutantes –, o diretor Bryan Singer novamente pega a batuta do projeto para dar continuidade à história de Erik Lensherr e Charles Xavier em seu recrutamento de jovens com mutações genéticas.

No entanto, Dias de Um Futuro Esquecido funciona como continuação e prequela dos longas originais, já que traz os atores também originais nos papeis de Magneto e Xavier (Ian McKellen e Patrick Stewart, respectivamente). A narrativa está situada em um futuro pós-apocalíptico, no qual os mutantes lutam pela sobrevivência em um mundo que não permite sua existência. Eles são cassados e exterminados pelas aterrorizantes Sentinelas, espécie de robôs ultramodernos capazes de detectar a presença dos mutantes e absorver os poderes de seus inimigos.

Uma improvável união entre os senhores Magneto e Xavier – então desesperados para salvar os mutantes que ainda resistem –, usa os poderes de Kitty Pride para enviar Wolverine ao passado para impedir que a então jovem Mística assassine o empresário Bolivar Trask – cuja morte incentivaria a criação das Sentinelas.

Para conseguir, Wolverine deve encontrar as versões jovens de Magneto e Xavier, protagonizadas, como antes, por Michael Fassbender e James McAvoy. Retornando, portanto, aos incidentes ocorridos após Primeira Classe, encontramos a equipe de Xavier dispersa, tentando lidar com as próprias mutações, usando soros e tomando medidas para que parecessem “normais”.

Sem jamais deixar que o público se sinta traído por trazer novamente figuras como a de Tempestade, o roteiro de Simon Kinberg é astuto o suficiente para também introduzir personagens novos (como Mercúrio) e de conduzir a história de maneira eficaz. Assim, conforme o clímax da trama se aproxima, vemos os personagens do passado lidando com versões diferentes de seus inimigos do futuro, o que aumenta nossa sensação de urgência.

Contando com cenas de ação de tirar o fôlego, os personagens se movem em câmera de maneira fluida: nenhuma cena dá dor de cabeça, e sempre sabemos quem está fazendo o quê. Singer também confere personalidade a cada herói, mostrando, nas batalhas do futuro, uma química especial entre aqueles sobreviventes, já que a agilidade com que lutam e a mescla de poderes nos faz supor que aqueles personagens já travaram centenas de batalhas contra as Sentinelas – e perderam todas.

A fotografia de Newton Thomas Sigel – cujo ápice é o estádio de futebol “fora de lugar” – também merece destaque, bem como o senso de humor. Com gags pontuais que diluem momentaneamente a tensão, o riso é provocado por acrescentar detalhes não-humanos a fatos reais, como a bala curva que matou Kennedy e até mesmo a já famosa cena em “stop-motion” de Mercúrio.

Ao mesmo tempo, o filme conta com um elenco de peso, que sempre encontra uma brecha para explorar novas facetas de seus já tão conhecidos personagens – especialmente Hugh Jackman, que aparece mais do que familiarizado com Wolverine, mas nunca a ponto de ser monótono. Ao mesmo tempo em que contrastamos a magnitude das Sentinelas, que deixam Magneto e Xavier vulneráveis e até mesmo frágeis, encontramos esses mesmos personagens em suas versões jovens e infinitamente poderosos. Se o Xavier de McAvoy consegue encontrar e levar equilíbrio aos demais, o Magneto de Fassbender é imprevisível, explosivo e ameaçador.

O elenco coadjuvante, composto por Jennifer Lawrence como Mística e o ótimo Peter Dinklage como Trask, colaboram para trazer peso emocional e profundidade aos respectivos personagens, levando-nos a realmente acreditar que, por mais absurda que sejam as ações daquelas pessoas, há sempre uma razão ou um conflito interno que os guiam.

Assim, o longa de Singer se firma como um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos, superando a Marvel em todos os quesitos, e até mesmo algumas produções do ano de seu lançamento. Servindo também como gatilho para o último filme da trilogia, Dias de Um Futuro Esquecido dificilmente o será, com o perdão do trocadilho.

Título Original: X-Men: Days of Future Past
Direção: Bryan Singer
Gênero: Ação, aventura, ficção-científica
Ano de Lançamento (EUA): 2014
Roteiro: Simon Kinberg
Trilha Sonora: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Tempo de Duração: 132 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), James McAvoy (Charles Xavier jovem), Michael Fassbender (Erik Lensherr/Magneto jovem), Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística), Halle Berry (Tempestade), Nicholas Hoult (Dr. Hank McCoy/Fera), Anna Paquin (Vampira), Ellen Page (Kitty Pride), Peter Dinklage (Dr. Bolivar Trask), Shawn Ashmore (Bobby/Homem de Gelo), Omar Sy (Bispo), Evan Peters (Peter/Mercúrio), Josh Helman (Major Bill Stryker), Daniel Cudmore (Colosso), Bingbing Fan (Blink), Adan Canto (Sunspot), Booboo Stewart (Warpath), Ian McKellen (Magneto velho), Patrick Stewart (Charles Xavier velho), Famke Janssen (Jean Grey), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Lucas Till (Havok), Evan Jonigkeit (Toad).

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Homem de Ferro 3

abril 25, 2013

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Novo filme da Marvel, Homem de Ferro 3 tem novo diretor e restabelece a ligação do carismático personagem com o público

NOTA: 9

Três anos depois do último longa “solo” de Tony Stark – um dos principais super heróis da Marvel – a franquia retorna em clima festivo. Embora o novo capítulo comece de maneira mais melancólica do que o habitual, parece que a editora encontra no personagem de Robert Downey Jr. seu porto-seguro. A começar pelo próprio ator que, diferente dos outros heróis apáticos que participam da iniciativa dos Vingadores, se encaixa com tamanha perfeição ao papel que às vezes esquecemos que Tony não é Robert, e vice-versa.

O ataque de alienígenas e a intervenção divina em Nova York (tema de Os Vingadores) deixaram o velho Tony Stark inseguro, paranóico, insone e com ataques de ansiedade. Sua maior preocupação – a segurança de sua amada Pepper Potts – é tema de constantes pesadelos já que ele, como nós, sabe que a vida de um super herói é uma guerra interminável contra o mal.

Consumido pela culpa, o filme começa com a narração em off do protagonista recordando uma fatídica viagem à Suíça, em 1999, que mudaria sua vida. Anos mais tarde, um novo inimigo surgiria para culpar o mundo ocidental – em especial os Estados Unidos – pela desgraça que ocorre no Oriente (não sem razão, vale ressaltar). O vilão Mandarim, a nova ameaça do nosso herói, rapidamente assume a postura de terrorista, invadindo a rede nacional de televisão norte-americana para entregar ameaças de morte aos civis e ao presidente.

Como era de se esperar, a guerra de Mandarim contra os EUA é logo levada para o lado pessoal por Stark, que chama o vilão para um combate corpo a corpo. A partir de então, seguem-se, sequencias de ação e violência inesperadas. Criando tensão eficaz e quase ininterrupta, o novo diretor da franquia, Shane Black, trouxe novo vigor ao personagem, e estabelece uma ligação intrínseca com o público, muito mais afiada do que nos dois capítulos anteriores.

E se há um mérito inegável nessa nova película é a quantidade de momentos surpreendentes e um clímax grandioso. Enquanto Tony continua irreverente, divertido e bem-humorado – mesmo quando está à beira do abismo – sentimos sua vulnerabilidade e fraqueza. Reafirmando o caráter humano do herói, voltamos a vê-lo em plena atividade intelectual – ou seja, construindo parafernálias com sucata – provando, novamente, que é diferente de seus amigos mutantes, e que não passa de um homem mortal que busca sempre o aperfeiçoamento.

O ator Bem Kingsley se sai incrivelmente bem como o Mandarim, em uma espetacular mistura de influências – que vão dos vilões de Bill Nighy aos mocinhos de Liam Neeson – entre muitos outros. O roteiro, escrito a quatro mãos por Black e Drew Pearce, escorrega na hora de definir com precisão os contextos histórico e político. A impressão que fica é a de que esses elementos – como aconteceu com muito mais força nos outros filmes da Marvel – são simples subterfúgios, que não interferem em nada para a vitória dos heróis.

Por outro lado, é necessário reconhecer o feito de que este, muito mais do que qualquer outro longa da editora (mas muito, muito menos do que a trilogia Batman, de Christopher Nolan), parece ter saído das páginas de um gibi. Aliás, me equivoco. O filme inteiro parece uma história em quadrinho. Tanto a fotografia como o enquadramento e a edição – sem contar nas piadas e alívios cômicos que, para mim, funcionaram muito bem – deixam Homem de Ferro 3 com cara daquilo que nasceu para ser. Reunindo todos os elementos de uma HQ das antigas – emoção, tensão, romance, surpresa e final feliz – pode-se dizer que o filme é exitoso.

A trilha sonora, embora não seja marcante, funciona bem. Entretanto, como na maioria dos filmes lançados recentemente, o 3D é desnecessário; uma perda de tempo, dinheiro e investimento. Como disse acima, mesmo que o roteiro cometa alguns deslizes, o longa dá a entender – ainda que seja muito improvável – que essa foi a última aventura do herói, com um sentido de finalização da trilogia. Ao final dos créditos, entretanto, e como é de praxe, sabemos que a Marvel jamais deixará um personagem tão carismático como Tony Stark descansar em paz. Ele retornará, com certeza.

Titulo Original: Iron Man 3
Direção: Shane Black
Gênero: Ação
Ano de Lançamento (EUA/China): 2013
Roteiro: Drew Pearce e Shane Black, baseados nas histórias de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby
Trilha sonora: Brian Tyler
Fotografia: John Toll
Tempo de Duração: 130 minutos
Com: Robert Downey Jr. (Tony Stark/ Homem de Ferro), Guy Pearce (Aldrich Killian), Ben Kingsley (Mandarim), Gwyneth Paltrow (Pepper Pots), Rebecca Hall (Maya Hansen), Paul Bettany (Jarvis), Don Cheadle (James Rhodes), Jon Favreau (Happy Hogan), William Sadler (Sal Kennedy), James Badge Dale (Eric Savin), Dale Dickey (Mrs. Davis), Ty Simpkins (Harley), Marco Sanchez (vice-presidente).

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Capitão América – O Primeiro Vingador

agosto 15, 2011

O primeiro vingador

Um pouco melhor do que os anteriores filmes da Marvel, Capitão América é um filme mediano e uma sucessão de clichês de guerra

NOTA: 8

Nunca gostei do Capitão América. Sempre pulei suas histórias nos quadrinhos e me interessei quase nada ou pouquíssimo pela trajetória de morte, achado e despertar de Steve Rogers. Na minha cabeça o personagem sempre foi uma sombra do Super-Homem (outro para quem nunca dei a mínima). Ambos patriotas ao extremo, símbolos fascistas da nação mais egocêntrica do planeta. As histórias do Capitão eram permeadas de clichês como as do homem de aço. E o novo filme da Marvel está aí para provar que o herói nada mais é do que um objeto (sub)utilizado como propaganda pelo governo norteamericano da Segunda Guerra Mundial até hoje.

O filme conta como Steve Rogers, um franzino e miúdo rapaz do Brooklin, Nova York, tenta repetidas vezes se alistar no exército norte-americano para ajudar o país a combater as “forças do mal” (= nazismo), em 1943. Sua fragilidade física, entretanto, o mantém longe do front de batalha – ao contrário de seu robusto melhor amigo, Bucky Barnes. Com a ajuda do Dr. Abraham Eskirne ele consegue enfim se alistar – somente para ser utilizado como cobaia de um experimento. É de uma sensibilidade imensa enfatizar a enorme cabeça de Chris Evans sobre um corpo magricela (por meio de ótimos efeitos visuais), como na cena em que ele aparece treinando com um capacete muito maior do que seu porte permite.

A tal experiência, encabeçada pelo genial Howard Stark, pai do Homem de Ferro -, Rogers se transforma em um supersoldado. E, agora sim, vemos Evans em plena forma física (o que não é de todo ruim, meninas). Usado primariamente como propaganda de guerra pelo governo, Rogers não hesita em usar uma roupa ridícula com a estampa da bandeira dos Estados Unidos para incentivar população e o próprio exército a “fazer o que é certo”. Concordo que este filme do capitão possa soar como mais uma introdução ao longa vindouro, mas há alguns méritos na direção de Joe Johnston que merecem créditos. Por exemplo, o fato de Howard Stark ser muitíssimo parecido com o Tony de Robert Downey Jr., ou o simples fato de seu personagem ter alguma relevância na narrativa, interligando o Universo Marvel de forma integral.

Na vida pré-supersoldado também há referências interessantes sobre a personalidade de Steve Rogers – o fato de duas vezes ter se defendido com “escudos”: um redondo (a tampa de uma lata de lixo) e um improvisado (quando se protege das balas de um bandido). O design de produção é eficaz ao reproduzir o mundo da década de 1940. A fotografia colabora para a ambientação, mais sépia para a cidade e azulada para os campos de batalha e quartel general, indicando o que cada um representa ao próprio personagem.

Confesso que o filme me surpreendeu por captar a essência primordial de Rogers e mais ainda por Evans ter conseguido transpor a melancolia do protagonista à tela – dava tanto crédito ao ator quanto ao personagem que ele interpreta. Ao contrário do inexpressivo Ryan Reynolds (o assassino de Hal Jordan), Evans deu ao Capitão América a dimensão de um homem bom e soturno, uma imagem que respeita a memória do personagem nos quadrinhos. Humilde e realista, um herói com bom senso – e, justamente por isso, clichê até o último fio de cabelo (bombas com nomes? Sério?).

Isso só acontece, contudo, à medida em que o próprio personagem simboliza valores que não estão mais em voga, em um mundo que busca cada vez menos aceitar a guerra como justificativa para qualquer violência contra povos de diferentes religiões e ideologias. Ainda hoje os Estados Unidos buscam essa aliança com a população, tentando convencê-la a todo custo de que seus novos heróis, os milhões de soldados que são enviados ao Oriente Próximo, estão lá para defender a causa da nação norteamericana. Mas que causa é essa? Lutar, matar e morrer por uma ideologia e religião que não é a deles? Essa tática foi implantada por George Bush pai na década de 90 quando a Guerra do Golfo eclodiu e continuada por Bush filho no início do milênio – mas obviamente já difundida na medíocre mentalidade imperalista ocidental.

Russos, soviéticos, iraquianos, iranianos, palestinos, islamitas. Os vilões mudam, mas a guerra continua, encabeçada pelos países de primeiro mundo que – tal qual as organizações fictícias dos quadrinhos -, pretendem excluir as minorias rebeldes por meio da força. Não compactuo com as ideologias terroristas que hoje dominam o mundo, separatistas ou religiosas, mas não posso deixar de pensar que os heróis da era capitalista estão em franca decadência.

Soa também deslocado, portanto, colocar Johann Schimidt como um oficial nazista rebelde que não gosta da ditadura hitleriana mas age de maneira exatamente igual – dominação do mundo é um clichê de heróis, convenhamos. Como o Caveira Vermelha e líder da Hidra, Hugo Weaving pouco pode fazer a não ser forçar um irritante sotaque alemão.Suas motivações são nulas e a relação de Dr. Zola com Schimidt parecem um episódio de Pink & Cérebro.

As boas cenas são imediatamente destruídas por piadinhas fora de contexto. Tenho dois exemplos na manga: 1) quando Steve resgata um pelotão inteiro e volta triunfante ao QG, Peggy Carter (a boa Hayley Atwell) arruina o momento soltando um doloroso “você está atrasado”; 2) na cena em que Steve lamenta a morte de um amigo. O modo como o avião cai não explica como o corpo do herói foi congelado – algo que é superficiamente mencionado por Tony Stark ao final do segundo Hulk, e só conhecendo toda a filmografia da Marvel seria possível deduzir isso.

O filme falha, por fim, ao tentar explicar como Rogers ficou 70 anos desacordado e a cena de seu despertar é apenas um gancho para o que está por vir. Variando de cenas medianas a boas, Capitão América ainda é melhor do que Thor ou Homem de Ferro 2 – o que, de certa forma, não deixa de ser um alívio. Essa ideia é imediatamente destruída pelo trailer dos Vingadores ao final dos créditos que infelizmente só reforça como pode dar tudo muito errado ao juntar tantos protagonistas e piadinhas em um só filme.

Titulo Original: Captain America: The First Avenger
Direção: Joe Johnston
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2011
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely e Joss Whedon
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Fotografia: Shelly Johnson
Tempo de Duração: 124 minutos
Com: Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Hugo Weaving (Johan Schmidt/Caveira Vermelha), Tommy Lee Jones (Coronel Chester Phillips), Stanley Tucci (Dr. Abraham Erskine), Dominic Cooper (Howard Stark), Hayley Atwell (Peggy Carter), Richard Armitage (Heinz Kruger), Sebastian Stan (James “Bucky” Barnes), Natalie Dormer (Recruta Lorraine), Neal McDonough (Dum Dum Dugan), Toby Jones (Arnim Zola), JJ Feild (Montgomery Falsworth/Union Jack), Anatole Taubman (Roeder), Kenneth Choi (Jim Morita), Christian Black (sargento Buck).

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Thor

maio 4, 2011

Nem cá, nem lá

Nem shakespeariano, nem épico: o novo longa de Kenneth Branagh é uma miscelânia das lendas nórdicas com os quadrinhos de Thor

NOTA: 7,5

Produzidas pela Marvel, as histórias em quadrinhos de Thor, Deus do Trovão nórdico, amealharam ainda mais fãs durante seus anos de produção. A adaptação da mitologia deu novas atribuições e propósitos ao deus, que foi lançado a Terra por seu pai, o todo-poderoso Odin, para conviver com os humanos como um mortal.

Aqui ele era o Dr. Donald Blake, um médico com uma deficência física que desconhecia sua verdadeira identidade. Vendo o rápido aprendizado de seu filho, Odin permitiu que Thor encontrasse um cajado mágico que lhe devolvia a faceta de Deus do Trovão sempre que encostasse nele. Combatendo em prol da humanidade, Thor se tornou um dos heróis mais poderosos da Terra e da própria Marvel que, vendo o sucesso que seus outros heróis alcançaram, decidiu investir na história do deus.

Aproveitando o sucesso dos outros filmes de heróis que já estão no mercado (principalmente Homem de Ferro), o recém-lançado Thor conta brevemente como o deus – destinado a ser tornar o novo rei de Asgard – é banido por seu pai pela impetuosidade e teimosia. Digo brevemente pois a estadia do deus na Terra é encurtada a apenas alguns dias – na versão do diretor Kenneth Branagh Thor retorna à Asgard, coisa que não acontece nos quadrinhos.

Mas deixando as inevitáveis comparações de lado, é inegável que os primeiros minutos do longa sejam de tirar o fôlego. A edição entrecortada de Paul Rubell entre Thor na Terra e o flashback de Asgard junto à narração em off de Odin é necessária para contextualizar o espectador com os chamados nove mundos (dos quais Asgard e a Terra, chamada de Midgard, fazem parte). Assim conhecemos Thor e seu irmão Loki ainda crianças, aprendendo sobre o próprio universo onde vivem e sobre a épica batalha que Odin travou contra os Gigantes de Gelo de Jotunheim (outro mundo) – da qual saiu obviamente vitorioso.

Ávido para se tornar o novo rei, Thor é um guerreiro de poder imensurável. Seu martelo, Mjölnir, confere-lhe força assombrosa e, como consequência, arrogância desmedida. Por tentar provar seu valor como novo chefe dos asgardianos ele enfrenta Laufey, chefe dos Gigantes de Gelo, contra a vontade de seu pai e até de Lady Sif e dos Três Guerreiros (Fandral, Hogun e Volstagg), seus amigos e fiéis companheiros de armas. Pela imprudência, Odin expulsa o filho de Asgard e o envia para a Terra, para que aprendesse conosco a conviver com seus próprios limites. Aqui ele encontra Jane Foster, uma jovem astrônoma que busca compreender os fenômenos que estão ocorrendo no céu dos Estados Unidos – o que ela chama de aurora boreal na verdade não passa da atividade dos deuses e guerreiros em Asgard.

Pela própria característica da personagem – que nos quadrinhos era uma enfermeira com a qual Donald Blake tinha um relacionamento – é evidente que Jane e Thor se atrairiam. Também não é para menos: Natalie Portman é uma das atrizes mais talentosas (e bonitas) de sua geração e desempenha o limitado papel de Jane muito bem (como sempre). É Chris Hemsworth quem na verdade impressiona como o deus. Não só pelo porte físico e pela aparência que certamente evocam a imagem de um viking com perfeição: grande, forte, longos cabelos compridos, belos olhos azuis – não bastasse isso o sorriso é avassalador e a voz simplesmente divina. Tudo isso colabora para a performance inspirada do jovem ator, que se entregou às emoções do Deus do Trovão com bastante ímpeto, criando um personagem cativante, que sabe os momentos de ser divertido ou sério.

O contrapeso (em todos os sentidos) de Thor é seu irmão Loki. Criado por Odin para ser um grande guerreiro, Loki é um personagem até certo ponto dúbio, no qual não sabemos se podemos ou não confiar – e aqui a atuação de Tom Hiddleston é extremamente eficiente, já que em vários momentos, enquanto Odin e Thor discutem, ele expõe a personalidade falsa de Loki na sutileza de olhares, deixando que pequenos gestos digam mais do que suas palavras apaziguadoras (e falsas). Ele é, afinal, o Deus da Trapaça, e ao colocar o elmo de chifres pontudos deixa-o ainda mais bem caracterizado. Para fechar o ciclo divino, Anthony Hopkins está mais do que acostumado a papeis de homens sábios, poderosos e justos, como é o caso do Pai de Todos. Sua atuação é (desnecessário dizer) essencial para a cadência emocional do longa.

Infelizmente o roteiro de Branagh deixa bastante a desejar. Alguns diálogos e situações soam forçadas e com resoluções preguiçosas – para exemplificar rapidamente, o sono de Odin (e seu repentino despertar), e a sequência inteira em que os amigos vêm procurá-lo na Terra (e como Mjölnir volta às suas mãos) são de mau gosto, de tão vergonhosas. As cenas de ação são escassas e sem muito peso – as mais divertidas são quando, ironicamente, Thor não empunha o poderoso martelo.

Além das boas atuações, o que salva sãos os efeitos técnicos de design e produção de som; o cajado de Odin reverbera por toda a sala do cinema todas as vezes que toca o solo. A fotografia de Haris Zambarloukos e a direção de arte também são pontos altos, especialmente ao mostrar a disposição dos nove mundos – a cena final da árvore Yggdrasil é esplêndida – e quase todas as introduções a Asgard. A única falha me parece ser a visão aérea de Asgard que, apesar de ser uma bela cidade em toda glória e esplendor (constantemente banhada por cores douradas), transparece a artificialidade dos edifícios – e com isso perde um pouco do encanto.

Partindo da premissa de que há ainda alguns filmes de heróis no forno (Capitão América: O Primeiro Vingador, a ser lançado em breve e principalmente Os Vingadores, que só estreará ano que vem), a Marvel concentrou o enfoque do novo filme Thor mais nas ações vindouras do deus (com os Vingadores) do que em sua permanência na Terra e suas ações como herói de fato. Em outras palavras, não contou nem um décimo do começo da história. Mesmo com algumas alterações aqui e ali que odescaracterizaram um pouco o contexto para inseri-lo em um contexto ainda maior, faltou o tom épico que o filme de um deus nórdico – e não o de um herói de quadrinhos – merecia.

Titulo Original: Thor
Direção: Kenneth Branagh
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2011
Roteiro: Ashley Miller e Don Payne, baseado em roteiro de Mark Protosevich e Zack Stentz e nos personagens criados por Jack Kirby, Stan Lee e Larry Lieber
Trilha sonora: Patrick Doyle
Fotografia: Haris Zambarloukos
Tempo de Duração: 114 minutos
Com: Chris Hemsworth (Thor), Natalie Portman (Jane Foster), Stellan Skarsgard (Prof. Andrews), Anthony Hopkins (Odin), Tom Hiddleston (Loki), Rene Russo (Frigga), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Jeremy Renner (Gavião Arqueiro), Jaimie Alexander (Sif), Kat Dennings (Darcy), Clark Gregg (Agente Phil Coulson), Idris Elba (Heimdall), Ray Stevenson (Volstagg), Tadanobu Asano (Hogun), Joshua Dallas (Fandral), Colm Feore (Rei Laufey) e Stan Lee (Motorista da pick-up).

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X-Men 2

dezembro 10, 2010

A guerra continua

O segundo filme da saga X-Men é mais uma bem-sucedida adaptação dos quadrinhos para o cinema

NOTA: 8,5

Voltar alguns anos (não muitos) para falar da mesma tecnologia que temos hoje só que ainda não tão perfeita – ou dos roteiros de HQs ainda em evolução – é um exercício bastante curioso. Reassistir a trilogia dos heróis mais famosos da Marvel (me refiro a X-Men e suas sequências, X-Men 2 e X-Men 3 – Confronto Final) é analisar o início do gênero dos quadrinhos no cinema e perceber, embora isso não seja exatamente uma revelação, que a saga de Bryan Singer foi construída de maneira coerente com o mundo dos mutantes.

Obviamente adaptando algumas das histórias de seus personagens principais, Singer já tem êxito pelo simples fato de ter coesão com sua própria adaptação – que segue linha do tempo e respeita a noção de “sequência”, tomando o ponto de partida deste segundo filme justamente no final do primeiro – quando Erik foi preso em uma cadeia toda feita de plástico, para que fosse impedido de escapar.

Muito bem amarrada com o filme anterior, a história de X-Men 2 gira novamente em torno da briga entre mutantes e humanos, ainda mais acentuada pelo fato de que a natureza do verdadeiro inimigo é indefinida – uma vez que há mocinhos e bandidos de ambos os lados. O cientista militar Will Stryker é um dos que escolhe “lados”, mostrando claramente que deseja guerra contra os mutantes –e, mesmo assim, tem como assistente uma poderosa mutante com os mesmos poderes de Wolverine, incluindo gigantes unhas de adamantium. Tratando com delicadeza a complexidade de seus personagens, Singer constrói caráteres e sentimentos por vezes dúbios e subitamente voláteis, de modo que acompanhamos os pontos de clímax com verdadeira ansiedade.

Além dos mutantes que já conhecemos – Wolverine, Ciclpe, Tempestade, Jean Grey, Vampira e, claro, o professor Charles Xavier -, o diretor apresenta aqueles que formarão no futuro a verdadeira equipe dos X-Men. Curiosamente, ele o faz de maneira que o espectador desavisado jamais desconfie que “monstros” azuis e inicialmente hostis pudessem ser personagens cruciais para a escola de Xavier. Assim, vemos uma criatura invadindo a Casa Branca por meio do teletransporte (executado de maneira brilhante pela direção de arte) e realizando a desesperada e quase bem-sucedida tentativa de assassinar o Presidente dos EUA.

Esta criatura – um homem azul, com rabo, orelhas pontiagudas, dentes afiados, o corpo todo marcado e um rosto peculiarmente assustador – mostra-se uma pessoa muito católica. Quando o vemos na Igreja rezando fervorosamente, Singer põe mais uma vez por terra a ideia de que mutantes não são humanos – ou são incapazes de agir e sentir como tais. Essa ideia é curiosa pois os mutantes podem ser traduzidos como qualquer minoria (comunistas, muçulmanos, judeus, negros, só para ficar em alguns exemplos).

Enquanto isso, temos a história paralela de Wolverine (que se converteu no grande protagonista da série), que no filme anterior saíra para procurar respostas de seu passado que ele não se recorda. Costurando a história com muita maestria, o diretor já começa a dar mostras de que os poderes de Jean Grey estão ficando cada vez mais difíceis de controlar – o que sabemos ser o mote do último filme.

Há mais belíssimas cenas de ação e efeitos especiais, como as da sempre pragmática (e fabulosa) Mística e seus poderes imbatíveis, o Cérebro que permite a Xavier encontrar qualquer mutante em qualquer parte do mundo (extremamente fiel aos quadrinhos), a maravilhosa cena na qual Magneto consegue por fim escapar da prisão, e as angustiantes cenas de Jason, filho de Stryker, que tem o poder de invadir e manipular mentes.

Em busca de suas próprias verdades, Wolverine se depara com os desejos pessoais de Stryker de tê-lo feito inteiro de adamantium (na forte cena na qual Logan entra no laboratório em que foi criado). Para deter o intento do cientista de aniquilar com os mutantes, os seguidores de Xavier devem se aliar aos de sua própria espécie, culminando em excelentes momentos de tensão e atuação – quando vemos todos, alunos de Xavier e Magneto, em uma única nave tendo que se aturar por uma causa maior, é curioso reparar nos diálogos.

“Adoramos o que fez com seu cabelo”, diz o veterano a Vampira, ou quando ele ainda ensina um jovem a não negar sua natureza mutante – tentando angariá-lo para sua própria causa -, Noturno questiona Mística o porquê de ela não usar seus poderes para aparentar humana o tempo todo (uma coisa que ele certamente desejaria poder fazer). A resposta é sensível e inteligente: “Porque não deveríamos ter que fazer isso.”

Intercalando alguns momentos de ação frenética com alívio cômico – principalmente na figura de Wolverine -, é possível observar estes mutantes usando seus incríveis poderes para coisas banais do cotidiano (como gelar uma garrafa de refrigerante instantaneamente ou simplesmente atravessar paredes). Ainda há as explosões apaixonadas entre Logan e Jean – que percebe a estranheza da moça – e a tentativa frustrada de Mística de se fazer passar por ela.

Narrativa inteligente e bem costurada, mas ao mesmo tempo ágil como uma história de heróis deve ser, X-Men 2 lida de maneira clara e delicada com a tristeza da perda, o amor não correspondido, a vingança, a luta por uma causa aparentemente perdida e a expectativa (do público, é claro) de retorno: a premissa para o filme seguinte.

Titulo Original: X2: X-Men United
Direção: Bryan Singer
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2003
Roteiro: Michael Dougherty, Daniel P. Harris e Bryan Singer
Trilha Sonora: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Siegel
Tempo de Duração: 134 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (professor Charles Xavier), Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto), Anna Paquin (Marie D’Acanto/Vampira), Famke Janssen (Dra. Jean Grey), Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Alan Cumming (Kurt Wagner/Noturno), Brian Cox (Will Stryker), Bruce Davison (Senador Robert Kelly), Rebecca Romijn-Stamos (Mística), Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo), Kelly Hu (Lady Letal), Aaron Stanford (John Allerdyce/Pyro), Katie Stuart (Kitty Pride/Lince Negra), Kea Wong (Jubileu), Daniel Cudmore (Peter Rasputin/Colossus) e Shauna Kain (Theresa Cassidy/Syrin).

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X-Men Estendido

setembro 22, 2010
“A evolução somos nós” 

Primeira adaptação dos quadrinhos para o cinema, X-Men tem versão estendida, com cenas excluídas e inseridas no meio da narrativa

NOTA: 8

Dia desses estive na locadora para alugar um filme que já tinha visto. É, algo que eu já tinha visto, mas queria rever – por isso minha lista não se renova com tanta frequência. Vi lá o DVD de X-Men Estendido, ou seja, com cenas adicionais e deletadas do longa original de Bryan Singer. Aluguei.

Fiquei imaginando se eles fariam como a versão estendida de Donnie Brasco, que inseriu as cenas deletadas com tanta maestria que mal era possível notar a diferença entre um e outro – mas, ao final, ter a nítida sensação de que a história estava mais completa.

Como já conhecia o filme, estava esperando cenas totalmente reveladoras sobre a história ou sobre os personagens – que, para quem não sabe, são muito bem construídos e analisados ao longo da projeção. Para minha surpresa, as cenas excluídas foram encaixadas no meio da narrativa junto com as cenas originais, quebrando totalmente o ritmo – sim, eles repetem a mesma sequência com as duas cenas.

Além de ser uma maneira estranha de lançar uma edição especial estendida, é extremamente incômodo e burro o fato de repetirmos uma mesma sequência com uma ou outra mudança – o filme fica duas vezes mais longo! A maneira, por exemplo, como Marie (a Vampira) conhece Bobby (ou Homem de Gelo) na escola de Xavier é diferente. Apesar de serem divertidas de assistir, não dá para notar muita diferença.

Apesar de não haver nenhuma mudança absurda de roteiro, o filme continua sendo interessante como da primeira vez que o vi. Para quem não conhece, X-Men é a adaptação dos quadrinhos da Marvel, com enfoque em dois personagens “principais” (ou mais populares): Wolverine e Vampira. As duas sequências também seguem a mesma lógica, acompanhando as escolhas e dúvidas de ambos.

A história, situada dentro do contexto marveliano, retrata a batalha entre os mutantes (liderados por Magneto e sua gangue) e os humanos (liderados pelo Senador Robert Kelly). Com um discurso calcado na lógica, o Senador afirma que os mutantes são uma ameaça ao mundo humano e devem ser “contidos”. Magneto, em contrapartida, tenta defender sua própria espécie e é radicalmente contra o segregacionismo – sendo ele próprio vítima do nazismo, mostrado nas tocantes cenas iniciais.

Entre a faca e o fogo estão os mutantes da escola de Charles Xavier, que buscam maneiras diplomáticas de mostrar aos humanos que os mutantes podem (e devem) controlar seus poderes e usá-los para o bem. Synger, contudo, não se baseia no maniqueísmo e explora muito bem o conflito entre os três lados.

O roteiro bem construído explora os personagens mais importantes, como Ciclope, Jean Grey, Tempestade e Mística – em atores muito bem caracterizados, como Hugh Jackman com seu humor cínico e o sempre brilhante Ian McKellen – e seus próprios conflitos internos, enquanto tentam lidar com seus poderes em mutação e evolução constantes.

Assim, quando vemos o relacionamento entre Jean e Scott, ou a amizade e respeito entre Charles e Erik, temos a certeza de que Singer se preocupou com a adaptação que iria transportar para as telas.  O diretor fez questão de mostrar alguns dos poderes mais incríveis destes mutantes – algumas brilhantes mostras são a tempestade de Ororo, a luta contra Mística, o modo como Magneto controla o solo que ele caminha e balas de revólver, a intensidade dos raios de Ciclope, e a força das garras de Wolverine, entre muitos outros exemplos interessantes.

Ainda assim, é inegável que existam muitos pontos falhos – só o fato da Vampira ser retratada como uma menina, e não como uma adulta, já diz tudo. É claro que para quem quiser saber a verdadeira história da Vampira, basta dar um Google.

Neste caso, totalmente fora do contexto dos quadrinhos e inserido no contexto criado pelo diretor, é interessante ver a relação de admiração entre ela e Logan. Quase uma relação de pai e filha – poderia ter sido com a Mística ou com o Magneto? Não faria o menor sentido, e acho que todos concordam. E também não faria sentido inserir Gambit aqui.

X-Men não é o melhor filme do gênero, mas certamente é um belo exemplo de estilo do diretor e o ensaio para os filmes posteriores, que continuariam a saga em uma teia mais complexa e dramática – e muito mais interessante!

Titulo Original: X-Men
Direção: Bryan Singer
Gênero: Ação
Ano de Lançamento (EUA): 2000
Roteiro: David Hayter, Tom DeSanto e Bryan Singer, baseados em histórias de Stan Lee e Jack Kirby
Trilha Sonora: Michael Kamen
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Tempo de Duração: 104 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Patrick Stewart (professor Charles Xavier), Ian McKellen (Erik Lehnsherr/Magneto), Anna Paquin (Marie D’Acanto/Vampira), Famke Janssen (Dra. Jean Grey), Halle Berry (Ororo Munroe/Tempestade), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Bruce Davison (Senador Robert Kelly), Rebecca Romijn-Stamos (Mística), Ray Park (Toad), Tyler Mane (Dentes-de-Sabre), Shawn Ashmore (Bobby Drake/Homem de Gelo).