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Kubo e a Espada Mágica

novembro 13, 2016

kubo-and-the-two-strings-poster-the-garden-of-eyesNOTA: 8,5

A produtora de animações Laika, fundada em 2005, não é das mais conhecidas por aqui. Claro que, se falamos dos longas ParaNorman, Boxtrolls e Coraline, ninguém se lembra de que foi dali que saíram. Mas isso perde importância a partir do momento que diretores e roteiristas consigam contar boas histórias. E assim foi com Coraline (o único que assisti da lista), e assim é, também, com este Kubo e a Espada Mágica.

A começar, é preciso dizer que, assim como Coraline (e A Fuga das Galinhas, Wallace & Gromit, O Fantástico Sr. Raposo e A Noiva Cadáver), o filme é todo feito em stop motion, a antiga técnica de construir bonecos e fotografá-los quadro a quadro para depois juntá-los, dando a ideia de movimento. E essa técnica dá ainda mais créditos ao filme, como irei dizer mais abaixo.

A história de Kubo é situada no Japão medieval, quando o país ainda era território de imperadores e samurais e, claro, de intermináveis disputas. Assim, encontramos a mãe de Kubo em uma tempestade em alto-mar, carregando seu pequeno bebê – cujo olho esquerdo havia sido roubado – e uma guitarra mágica. Ela salva o Kubo e leva-o para viver escondido em uma caverna em um penhasco, próximo a uma aldeia.

Lá Kubo cuida dela e faz performances inacreditáveis no vilarejo munido apenas da guitarra mágica e origamis de papel. Com melodias simples, Kubo, por meio da mágica herdada de sua mãe, faz com que as dobraduras ganhem vida e “atuem” nas histórias que ele conta. Essas histórias são pedaços da vida passada de Hanzo, grande herói e pai de Kubo, que ele jamais conheceu.

A única regra para o garoto é não estar fora da caverna quando o sol se põe, pois o maligno Rei da Lua quer roubar seu olho remanescente. A história se desenrola quando Kubo é descoberto pelo Rei da Lua e suas filhas gêmeas e, com a ajuda de um Macaco e um Homem-Besouro, deve encontrar uma lendária armadura que possa derrotar a todos.

Com um enredo simples de herói-que-se-encontra (escrito por Marc Haimes e Chris Butler), Kubo e a Espada Mágica enche os olhos com a fotografia de Frank Passingham e os efeitos especiais, tornando a experiência com a guitarra mágica (e seus origamis) ainda mais interessante. Reparem, por exemplo, na cor das mãos dos personagens, especialmente o de um vendedor de peixes logo no início da projeção.

E por falar neles, à parte de Kubo, as demais pessoas no longa são bastante unidimensionais, e confesso que fiquei incomodada com o fato de que duas delas saíram de cena tão drasticamente (e ao mesmo tempo). Mesmo Kubo, apesar de estar em perigo e ter medo, nunca se mostra tão assustado ou surpreso, o que tira um pouco o brilho para nós. Também senti falta de um maior desenvolvimento dos desejos do vilão, e o porquê a obsessão com os olhos do menino, e não com sua mágica. Além disso, apesar de viver aventuras perigosas, tudo se resolve de maneira excessivamente fácil.

(Spoilers). Não me convence, por exemplo, que Kubo tenha encontrado a armadura tão facilmente, já que seu pai passou grande parte da vida buscando os fragmentos. Foi só o fato do origami tê-lo ajudado? Pois o homem-besouro e o macaco tampouco sabiam onde estavam os pedaços, e o papel deles na busca foi apenas de manter Kubo vivo. Tampouco se explica a transformação de um personagem importante no Macaco. Quero dizer: porque não escapar voando, como Kubo? Por que dar vida ao Macaco, se era o mesmo personagem? Enfim, algumas coisas ficaram no ar.

Mas Kubo tem seus méritos. Como a mágica é usada no filme me agradou muito, bem como alguns conceitos belíssimos (as lanternas que se transformam em pássaros ou o barco-folha). A trilha sonora não é digna de nota, mas já mencionei o quanto a fotografia é bonita? Por fim, assistam até o fim dos créditos, pois os realizadores tiveram a ideia de mostrar como foi a construção de um dos monstros e como ele foi manuseado/digitalizado. Muito interessante.

Ah, e apenas deixando bem claro: é uma GUITARRA, não uma espada mágica – como a tradução em português erroneamente coloca (no original, é Kubo and the Two Strings, ou seja, “as cordas mágicas”, o que faz muito mais sentido).

Título Original: Kubo and the Two Strings
Direção: Travis Knight
Gênero: Animação, aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2016
Roteiro: Marc Haimes e Chris Butler
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Fotografia: Frank Passingham
Tempo de Duração: 101 minutos
Com: Art Parkinson (Kubo), Charlize Theron (Macaco), Matthew McConaughey (Besouro), Rooney Mara (Irmãs Gêmeas) e Ralph Fiennes (Rei da Lua).