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X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

fevereiro 22, 2016

x_men__days_of_future_past___poster__update__by_superdude001-d6sbixcNOTA: 10

Revisitando o mundo criado por Matthew Vaughn em X-Men: Primeira Classe – e que já havia sido explorado na trilogia sobre os mutantes –, o diretor Bryan Singer novamente pega a batuta do projeto para dar continuidade à história de Erik Lensherr e Charles Xavier em seu recrutamento de jovens com mutações genéticas.

No entanto, Dias de Um Futuro Esquecido funciona como continuação e prequela dos longas originais, já que traz os atores também originais nos papeis de Magneto e Xavier (Ian McKellen e Patrick Stewart, respectivamente). A narrativa está situada em um futuro pós-apocalíptico, no qual os mutantes lutam pela sobrevivência em um mundo que não permite sua existência. Eles são cassados e exterminados pelas aterrorizantes Sentinelas, espécie de robôs ultramodernos capazes de detectar a presença dos mutantes e absorver os poderes de seus inimigos.

Uma improvável união entre os senhores Magneto e Xavier – então desesperados para salvar os mutantes que ainda resistem –, usa os poderes de Kitty Pride para enviar Wolverine ao passado para impedir que a então jovem Mística assassine o empresário Bolivar Trask – cuja morte incentivaria a criação das Sentinelas.

Para conseguir, Wolverine deve encontrar as versões jovens de Magneto e Xavier, protagonizadas, como antes, por Michael Fassbender e James McAvoy. Retornando, portanto, aos incidentes ocorridos após Primeira Classe, encontramos a equipe de Xavier dispersa, tentando lidar com as próprias mutações, usando soros e tomando medidas para que parecessem “normais”.

Sem jamais deixar que o público se sinta traído por trazer novamente figuras como a de Tempestade, o roteiro de Simon Kinberg é astuto o suficiente para também introduzir personagens novos (como Mercúrio) e de conduzir a história de maneira eficaz. Assim, conforme o clímax da trama se aproxima, vemos os personagens do passado lidando com versões diferentes de seus inimigos do futuro, o que aumenta nossa sensação de urgência.

Contando com cenas de ação de tirar o fôlego, os personagens se movem em câmera de maneira fluida: nenhuma cena dá dor de cabeça, e sempre sabemos quem está fazendo o quê. Singer também confere personalidade a cada herói, mostrando, nas batalhas do futuro, uma química especial entre aqueles sobreviventes, já que a agilidade com que lutam e a mescla de poderes nos faz supor que aqueles personagens já travaram centenas de batalhas contra as Sentinelas – e perderam todas.

A fotografia de Newton Thomas Sigel – cujo ápice é o estádio de futebol “fora de lugar” – também merece destaque, bem como o senso de humor. Com gags pontuais que diluem momentaneamente a tensão, o riso é provocado por acrescentar detalhes não-humanos a fatos reais, como a bala curva que matou Kennedy e até mesmo a já famosa cena em “stop-motion” de Mercúrio.

Ao mesmo tempo, o filme conta com um elenco de peso, que sempre encontra uma brecha para explorar novas facetas de seus já tão conhecidos personagens – especialmente Hugh Jackman, que aparece mais do que familiarizado com Wolverine, mas nunca a ponto de ser monótono. Ao mesmo tempo em que contrastamos a magnitude das Sentinelas, que deixam Magneto e Xavier vulneráveis e até mesmo frágeis, encontramos esses mesmos personagens em suas versões jovens e infinitamente poderosos. Se o Xavier de McAvoy consegue encontrar e levar equilíbrio aos demais, o Magneto de Fassbender é imprevisível, explosivo e ameaçador.

O elenco coadjuvante, composto por Jennifer Lawrence como Mística e o ótimo Peter Dinklage como Trask, colaboram para trazer peso emocional e profundidade aos respectivos personagens, levando-nos a realmente acreditar que, por mais absurda que sejam as ações daquelas pessoas, há sempre uma razão ou um conflito interno que os guiam.

Assim, o longa de Singer se firma como um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos, superando a Marvel em todos os quesitos, e até mesmo algumas produções do ano de seu lançamento. Servindo também como gatilho para o último filme da trilogia, Dias de Um Futuro Esquecido dificilmente o será, com o perdão do trocadilho.

Título Original: X-Men: Days of Future Past
Direção: Bryan Singer
Gênero: Ação, aventura, ficção-científica
Ano de Lançamento (EUA): 2014
Roteiro: Simon Kinberg
Trilha Sonora: John Ottman
Fotografia: Newton Thomas Sigel
Tempo de Duração: 132 minutos
Com: Hugh Jackman (Logan/Wolverine), James McAvoy (Charles Xavier jovem), Michael Fassbender (Erik Lensherr/Magneto jovem), Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística), Halle Berry (Tempestade), Nicholas Hoult (Dr. Hank McCoy/Fera), Anna Paquin (Vampira), Ellen Page (Kitty Pride), Peter Dinklage (Dr. Bolivar Trask), Shawn Ashmore (Bobby/Homem de Gelo), Omar Sy (Bispo), Evan Peters (Peter/Mercúrio), Josh Helman (Major Bill Stryker), Daniel Cudmore (Colosso), Bingbing Fan (Blink), Adan Canto (Sunspot), Booboo Stewart (Warpath), Ian McKellen (Magneto velho), Patrick Stewart (Charles Xavier velho), Famke Janssen (Jean Grey), James Marsden (Scott Summers/Ciclope), Lucas Till (Havok), Evan Jonigkeit (Toad).

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X-Men: Primeira Classe

junho 6, 2011

A primeira turma

Melhor filme da Marvel do gênero, o novo X-Men ganha peso nas mãos do diretor Matthew Vaughn e profundidade com elenco admirável

NOTA: 10

Até agora, tudo o que já foi dito sobre os filmes anteriores dos mutantes (falando exclusivamente dos X-Men, e não do pavor que é o filme do Wolverine) tinham pelo menos uma constante: o fato de que as adaptações cinematográficas faziam referências pontuais aos quadrinhos – e não transpunham cada conceito para a tela –, criando tramas paralelas que de certo modo complementam as histórias já criadas, dando forma e cor aos heróis das nossas infâncias. Dizer que X-Men: Primeira Classe foge dessa regra seria mais do que um erro: seria uma inverdade.

Isso significa que é um filme ruim ou mediano? O oposto. É um dos melhores do gênero e, certamente, o melhor que a Marvel produziu até agora. A história criada pelo diretor Matthew Vaughn tenta extrair das HQs o máximo possível concentrando o foco em dois personagens centrais: Charles Xavier e Erik Lensherr. A partir de uma breve introdução às infâncias de ambos – com a ousadia (no bom sentido) de repetir as cenas iniciais do primeiro X-Men –, é possível ter uma noção dos tipos de ambiente em que as crianças foram criadas: Charles era um menino de família aristocrata que estudou em Oxford, enquanto Erik foi vítima (no pior dos sentidos) do nazismo durante a Segunda Guerra.

Seu algoz? Dr. Sebastian Shaw, um homem sádico e propenso à violência ilimitada quando se trata de conseguir o que quer. Em uma das melhores sequências do filme, inicialmente focada no diálogo do doutor e do jovem Erik, a sala do médico é mostrada como uma sala comum, até se abrir e indicar a verdadeira natureza do homem. Criado num ambiente hostil no qual aspirava somente por vingança, Erik cresce amargurado, literalmente marcado e descrente com a raça humana.

Charles, por sua vez, cresce ao lado de Raven Darkholme, uma mutante que misteriosamente apareceu em sua casa e que ele decide adotar como irmã. Atenção, agora, caro leitor: ignore (sim, ignore) as comparações entre os quadrinhos que a sua mente automaticamente quer fazer e lembre-se do primeiro parágrafo desse texto. Pois, mesmo que isso não faça sentido, é de extrema importância para a história que o filme quer contar – afinal, Raven e Xavier estabelecem uma ligação íntima e familiar e um dos principais arcos dramáticos.

Com o título de professor em mutação genética pela Universidade de Oxford, Xavier pretende ajudar pessoas como ele e Raven, outros mutantes, a descobrirem suas habilidades e a aceitarem-nas. Assim, ele conhece a agente da CIA Moira McTargget, que o introduz ao mundo da espionagem com o objetivo único de capturar Shaw e provar a tese de que os mutantes realmente existem. Fica óbvio, portanto, onde os caminhos de Erik e Charles irão se encontrar. O problema é que Shaw tem como guarda-costas dois mutantes: Azazel e a poderosa Emma Frost (uma das mais bem caracterizadas, diga-se).

Os dois juntos formam uma aliança com a CIA no intuito de deter Shaw antes que ele provoque a Guerra Fria. Esse contexto histórico, colocado de maneira eficiente, é fundamental para situar os personagens no mundo real. Aparecem, a partir daqui, pessoas como Hank McCoy, um jovem e brilhante cientista a serviço da CIA que cria uma máquina capaz de encontrar os mutantes no mundo (vulgo, Cérebro); a menina com asas de fada, Angel Salvadore; Alex Summers e sua capacidade de disparar raios vermelhos; o grito supersônico de Sean Cassidy; Darwin, o homem que reveste a pele com uma grossa armadura, entre outros. Sobra espaço até para participações especiais.

É aqui, portanto, que a direção de Vaughn se mostra de extrema eficiência: tendo que lidar com diversas fontes e múltiplos personagens, X-Men: Primeira Classe não se perde. Ao contrário: é um filme profundo, que desenvolve as caracaterísticas de cada herói de maneira bastante satisfatória e, embora tenha tido a árdua tarefa de contar uma história para a qual já sabemos o fim, tem um roteiro coerente com aquilo que já foi visto nas telas. Ninguém ficará perdido entre os fatos e o roteiro ainda permite que façamos ligações entre os eventos que acontecem aqui que influenciaram o destino dessas pessoas.

Desde o primeiro momento, James McAvoy cria para Charles um personagem multifacetado e real, que não trata só de assuntos sérios, mas flerta, bebe, se diverte e até mesmo foge de situações embaraçosas – quase todas envolvendo a verdadeira aparência de Raven. Um homem delicado e determinado a ajudar outros mutantes. Sua ligação com Erik é, portanto, tratada como uma relação fraternal, na qual o professor chega a agradecer o amigo (e secar uma lágrima, em uma cena comovente) por dividir uma bela lembrança. Mesmo peso tem a atuação de Michael Fassbender, que retrata o futuro Magneto como impetuoso, vivaz e decidido. Mesmo com todas as suas pretensões de eliminar Shaw e de não se deixar subjugar, ele permite (ainda que por um breve momento) que Charles entre em sua mente e saiba tudo de sua vida. E mais interessantes ainda são os diálogos que mostram desde o princípio as diferenças ideológicas de ambos – incluindo as cenas no qual ele incentiva Raven a assumir sua aparência como Mística e deixar a máscara humana para trás.

O elenco coadjuvante não deixa nada a desejar, começando por Kevin Bacon, que exprime em Shaw (em polonês, alemão, inglês…) um homem frio e calculista, que ambiciona mais poder, é claro, mas com motivos bem fundamentados. A escolha de Jennifer Lawrence como a jovem Mística foi também acertada, já que a garota facilmente oscila entre a dúvida de ser uma mutante e aparentar uma humana.

Confesso que, quanto mais assistia, mais gostava. Peço desculpas se deixei escapar spoilers alarmantes, mas a excelente concepção do longa não permitia menos do que isso. Os fãs possessivos (como bem caracterizou nosso amigo Marcelo Sarsur) podem se irritar com alguma coisa ou outra, mas é inegável que Vaughn acertou tanto na direção quanto na trilha sonora, fotografia, humor dos diálogos nas horas certas e – o mais importante de tudo – provando que é possível conceber um uniforme amarelo bonito.

Titulo Original: X-Men: First Class
Direção: Matthew Vaughn
Gênero: Aventura
Ano de Lançamento (EUA): 2011
Roteiro: Jane Goldman, Jamie Moss Ashley Miller, Zack Stentz e Josh Schwartz, baseados no argumento de Bryan Singer
Trilha Sonora: Henry Jackman
Fotografia: Ben Davis
Tempo de Duração: 132 minutos
Com: James McAvoy (professor Charles Xavier), Michael Fassbender (Erik Lensherr/Magneto), Kevin Bacon (Sebastian Shaw), January Jones (Emma Frost/Rainha Branca), Jason Flemyng (Azazel), Álex González (Janos Quested/Maré Selvagem), Jennifer Lawrence (Raven Darkholme/Mística), Oliver Platt (agente da CIA), Nicholas Hoult (Dr. Hank McCoy/Fera), Caleb Landry Jones (Sean Cassidy/Banshee), Lucas Till (Alex Summers/Destrutor), Edi Gathegi (Armando Muñoz/Darwin), Rose Byrne (Moira McTaggert), Zöe Kravitz (Angel Salvadore), Morgan Lily (Raven pequena), Bill Milner (Erik pequeno).